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Nighttime games

Fandom: EngLot FayeLotte

Criado: 22/06/2026

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RomanceFatias de VidaFofuraHistória DomésticaHumorCiúmes
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O Segredo Bordado em Vermelho e Ouro

O calor daquela noite em Bangkok parecia pulsar contra as janelas do apartamento de luxo, mas o clima lá dentro era ainda mais denso. Engfa Waraha, com seus óculos de descanso levemente caídos no nariz, observava a cena à sua frente com uma mistura de divertimento e uma pontada de possessividade que ela raramente admitia.

Faye Malisorn, com seu cabelo vermelho vibrante e aquele sorriso de quem conhece todos os pecados do mundo, estava encostada no balcão da cozinha, girando uma taça de vinho. Ao seu lado, Charlotte Austin ria de algo que Faye havia sussurrado, seus cabelos castanho-claros ondulados caindo perfeitamente sobre os ombros.

— Você sabe que eu não resisto quando vocês duas se unem contra mim — comentou Engfa, sua voz calma e aveludada quebrando o silêncio entre as risadas. Ela se levantou do sofá, os 1,70m de elegância movendo-se com a graça de uma felina.

Faye arqueou uma sobrancelha, o piercing no canto da boca brilhando sob as luzes embutidas.

— Não estamos nos unindo contra você, P'Fa. Estamos apenas... explorando possibilidades. E você concordou, lembra? — Faye deu um passo à frente, o olhar provocador fixo em Engfa. — Uma noite de diversão. Sem amarras, apenas nós três e o calor dessa cidade.

Charlotte se aproximou de Engfa, envolvendo a cintura da mais velha com os braços e depositando um beijo suave no seu pescoço, um ponto fraco que ela conhecia como ninguém.

— A Faye só quer brincar um pouco, amor — sussurrou Charlotte, sentindo o perfume amadeirado de Engfa. — E eu também quero.

Engfa fechou os olhos por um segundo, sentindo o contato físico que tanto amava. Ela confiava em Faye; eram melhores amigas há anos, cúmplices de segredos que ninguém mais ousaria imaginar. E Charlotte... Charlotte era sua vida. Se as duas queriam aquela experiência, quem era ela para negar?

Naquela noite, as fronteiras entre amizade e desejo se dissolveram como açúcar na água. O que deveria ser apenas uma memória efêmera de uma "amizade colorida" acabou se tornando a semente de algo permanente. Meses depois, o teste positivo de Charlotte mudou tudo, mas o pacto entre elas permaneceu inabalável.

Três anos depois.

O som de patinhas correndo pelo assoalho de madeira ecoava pelo amplo apartamento. Kiew, o cachorrinho de Engfa, e Sunny, o golden retriever de Faye, perseguiam-se alegremente, enquanto Phalo, o coelhinho de Charlotte, observava tudo do alto de sua segurança no cercado acolchoado.

— Sonya! Cuidado com o rabo do Sunny! — exclamou Faye, rindo enquanto pegava a menina de três anos no colo.

Sonya era a imagem viva de Faye. Tinha os mesmos olhos observadores e o sorriso travesso, embora tivesse herdado a doçura de Charlotte na maneira de falar. Biologicamente, ela era filha de Faye e Charlotte, fruto daquela noite de verão, mas para o mundo e para a rotina diária, Sonya era a filha de Engfa e Charlotte.

— Ela está cada dia mais parecida com você, Faye. É assustador — disse Engfa, ajustando os óculos enquanto fechava o laptop. — Se ela começar a pedir piercings antes dos dez anos, eu vou culpar você.

Faye soltou uma gargalhada sonora, colocando a pequena Sonya no chão.

— Ela tem bom gosto, o que eu posso fazer? — Faye caminhou até Engfa e deu um tapinha amigável em seu ombro, antes de se inclinar para roubar um pedaço de fruta do prato de Charlotte.

Charlotte, que estava sentada no tapete montando um quebra-cabeça com a filha, olhou para as duas mulheres mais importantes de sua vida.

— Às vezes eu esqueço como a gente chegou aqui — comentou Charlotte, com um sorriso gentil. — Mas eu não mudaria nada.

— Nem eu — concordou Engfa, sentando-se ao lado de Charlotte no chão. Ela puxou a esposa para perto, sentindo a necessidade habitual de contato. — Faye é a melhor "tia-madrinha-mãe-secreta" que a Sonya poderia ter.

Faye sentou-se na poltrona à frente delas, observando a cena doméstica com um olhar carinhoso, embora sua postura ainda exalasse aquela energia vibrante e provocadora de sempre.

— O segredo está bem guardado — disse Faye, piscando para Engfa. — Sonya tem a sorte de ter três mulheres incríveis cuidando dela. Mas, falando sério, Charlotte, você viu como ela tentou imitar o seu olhar de brava hoje cedo? É idêntico.

— Ela tem a minha personalidade extrovertida — rebateu Charlotte, orgulhosa. — Mas a calma... ah, a calma ela definitivamente tirou da P'Fa. Graças a Deus, porque se ela tivesse a energia da Faye o tempo todo, eu não sobreviveria.

— Ei! Eu ouvi isso! — Faye fingiu indignação, jogando uma almofada em Charlotte, que desviou rindo.

Engfa observava a interação com um sorriso de canto. Ela era a observadora do grupo, a que mantinha os pés no chão enquanto Faye e Charlotte flutuavam em sua energia contagiante.

— Mama Fa! — Sonya engatinhou até Engfa, estendendo uma peça do quebra-cabeça. — Ajuda?

— Claro, meu amor — Engfa pegou a peça, beijando o topo da cabeça da menina. — Onde você acha que essa vai? No castelo ou na nuvem?

— No castelo! — gritou Sonya, animada.

Faye se levantou, caminhando até a janela que dava para a skyline de Bangkok. O sol estava começando a se pôr, pintando o céu de tons de laranja e roxo.

— Quem diria, hein? — Faye falou, mais para si mesma do que para as outras. — A gente achou que aquela noite seria só uma diversão para esquecer o estresse do trabalho. E agora, olhem para nós. Uma família... peculiar, mas uma família.

Charlotte se levantou e foi até Faye, abraçando-a de lado.

— Você faz parte disso tanto quanto nós, Faye. Sabe disso, não sabe?

— Eu sei — Faye sorriu, passando o braço pelo pescoço de Charlotte e depositando um beijo rápido em sua bochecha. — Mas adoro provocar a Engfa. Olha a cara dela de ciúmes só porque eu encostei em você.

Engfa, ainda sentada no chão com Sonya, arqueou uma sobrancelha.

— Eu não estou com ciúmes — afirmou Engfa, embora o brilho em seus olhos dissesse o contrário. — Só estou observando se você não vai ensinar nenhuma travessura nova para a minha filha.

— Nossa filha — corrigiu Faye com uma piscadela. — E sim, eu planejo ensinar ela a como conseguir tudo o que quer com apenas um sorriso. Funciona para mim.

— Disso eu não duvido — murmurou Engfa, levantando-se e juntando-se às duas na janela.

As três ficaram ali por um momento, observando a cidade. Sonya corria entre as pernas delas, perseguindo Kiew. O ambiente era repleto de um amor que não seguia manuais, construído sobre a base de uma amizade profunda e um acordo que poucos entenderiam.

— Às vezes eu fico pensando — começou Charlotte, encostando a cabeça no ombro de Engfa —, se algum dia ela vai perguntar. Sobre a biologia, sobre como tudo aconteceu.

Engfa suspirou, passando o braço pela cintura de Charlotte e sentindo a pele macia logo acima do jeans, onde sabia que o piercing de Charlotte brilhava escondido.

— Se ela perguntar, diremos a verdade no tempo certo — respondeu Engfa com sua voz firme e calma. — Diremos que ela foi fruto de um momento de muita liberdade, amizade e carinho. Que ela foi desejada por duas mães e uma tia que a ama mais que tudo.

— E que a tia dela é a mulher mais estilosa de Tailândia — acrescentou Faye, fazendo as outras duas revirarem os olhos simultaneamente. — O que foi? É importante ela saber as origens do seu senso estético!

— Você não tem jeito, Faye Malisorn — Charlotte riu, esticando-se para beijar o pescoço de Engfa, um gesto que fez a mais velha relaxar instantaneamente.

— Bom, já que o clima está nostálgico — Faye disse, voltando-se para o barzinho da sala —, que tal abrirmos aquele vinho que eu trouxe? Sonya já está quase na hora de dormir, e eu sinto que a noite ainda é uma criança.

Engfa olhou para Charlotte, um brilho provocador surgindo atrás de seus óculos.

— O que você acha, Charlotte? A Faye está querendo nos levar para o mau caminho de novo.

Charlotte sorriu, seus olhos brilhando com a mesma energia vibrante de Faye.

— Eu acho que uma taça de vinho não faz mal a ninguém. E a P'Fa fica tão interessante quando está levemente tonta...

Engfa riu, puxando Charlotte para um beijo rápido e casto nos lábios, mas cheio de promessas.

— Tudo bem. Mas eu escolho a música. Nada daquelas batidas eletrônicas ensurdecedoras que a Faye gosta.

— Ei! Aquilo é arte! — protestou Faye, já servindo as taças.

A noite seguiu com risadas, histórias contadas pela metade e o conforto de quem não precisa de máscaras. Sonya logo caiu no sono no sofá, aninhada entre os cães, e as três mulheres continuaram a desfrutar da companhia uma da outra.

A dinâmica entre elas era um equilíbrio delicado. Engfa era o porto seguro, a elegância e a observação. Charlotte era o coração, a doçura e a animação que iluminava o quarto. E Faye... Faye era a chama, a provocação e o elo que as lembrava de que a vida não precisava ser sempre linear para ser perfeita.

— Sabe, P'Fa — Faye disse, após um longo gole de vinho —, eu nunca te agradeci por confiar em mim. Naquela noite e em todos os dias depois dela.

Engfa olhou para a melhor amiga, a expressão suavizando.

— Você é minha família, Faye. Sempre foi. Eu sabia que, independentemente do que acontecesse, você nunca nos deixaria na mão.

— Nunca — afirmou Faye, com uma seriedade rara em sua voz. — Por elas, eu daria o mundo.

Charlotte pegou a mão de Faye e a de Engfa, unindo as três.

— Nós temos sorte. Muita sorte.

— Temos sim — concordou Engfa, puxando as duas para um abraço coletivo. — Agora, Faye, se você tentar ensinar a Sonya a morder o lábio desse jeito provocador que você faz, eu juro que te expulso daqui por uma semana.

Faye soltou uma gargalhada que quase acordou a criança.

— Tarde demais, Engfa! Vi ela fazendo isso ontem no espelho!

— Charlotte! — Engfa olhou para a esposa, fingindo horror.

— Não me olhe assim! — Charlotte levantou as mãos em sinal de rendição. — Ela aprende rápido, o que eu posso fazer?

O segredo delas estava bordado em cada risada, em cada troca de olhares e na existência vibrante de Sonya. Era um segredo guardado pelo tempo, pela amizade e por um amor que desafiava convenções. E ali, naquele apartamento quente em Bangkok, elas sabiam que, enquanto estivessem juntas, o mundo lá fora pouco importava.

— Ao nosso segredo — brindou Faye, erguendo a taça.

— À nossa família — corrigiu Engfa, batendo sua taça na dela.

— E ao amor — finalizou Charlotte, antes de morder o lábio inferior exatamente como Faye, fazendo Engfa suspirar e Faye comemorar a pequena vitória de sua influência.

A noite continuou, envolta em fumaça de risos e no calor de uma conexão que apenas as três entendiam completamente. O amanhã traria os desafios de sempre, mas aquela noite pertencia a elas — as guardiãs de um segredo que tinha cheiro de infância e gosto de liberdade.
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