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Airbag
Fandom: Airbag
Criado: 23/06/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoHistória DomésticaCiúmesRealismo
Entre Acordes e Passarelas
O silêncio no apartamento em Buenos Aires era tão espesso que poderia ser cortado com uma faca. Karen caminhou lentamente pelo corredor, sentindo o peso familiar e abençoado de oito meses de gestação. Aos vinte e cinco anos, ela estava no auge de sua carreira como modelo de passarela, uma mulher negra brasileira que conquistou o mundo com seu andar magnético e seu sorriso que parecia iluminar até os backstages mais sombrios. Mas, naquele momento, o brilho estava opaco.
Patricio Sardelli, seu marido e o líder da Airbag, estava sentado ao piano na sala de estar. Seus dedos dedilhavam notas melancólicas, uma melodia que Karen conhecia bem: era o som de sua frustração. O motivo da discórdia estava sobre a mesa de centro: o convite formal da Victoria's Secret para que ela fosse a estrela de um desfile especial, celebrando a maternidade e o corpo real.
— Pato, por favor — começou ela, a voz suave, mas firme, enquanto se sentava no sofá, apoiando as mãos na barriga proeminente. — Hoje é o Dia do Amigo. É uma tradição tão importante aqui. Não quero que passemos esse dia assim, sem nos falarmos.
Patricio nem sequer desviou o olhar das teclas. O perfil dele, sempre tão decidido, parecia endurecido pela teimosia.
— Você sabe o que eu penso, Karen — disse ele, a voz rouca, sem parar de tocar. — Não é sobre o trabalho. É sobre exposição. Você está grávida de oito meses. O Liam está aí dentro.
— E o Liam faz parte disso! — rebateu ela, sentindo um chute vigoroso do pequeno no ventre. — Eles querem mostrar que a beleza não desaparece com a gestação. É um marco para a minha carreira, Pato. É sobre representatividade. Quantas modelos negras você viu desfilando grávidas para uma marca desse porte?
Patricio parou de tocar abruptamente. O silêncio que se seguiu foi quase doloroso. Ele se levantou, os cabelos escuros caindo sobre os olhos, e caminhou até a janela que dava para a cidade. O ciúme dele não era o ciúme possessivo de quem não confia, mas o ciúme protetor de quem queria guardar o seu tesouro em uma redoma, longe dos flashes e do julgamento do mundo.
— Eu só acho desnecessário — murmurou ele, de costas. — Você já é a maior. Não precisa provar nada para ninguém, muito menos seminua em uma passarela com milhões de pessoas assistindo.
Karen suspirou, sentindo uma pontada de cansaço. Ela amava a paixão que ele tinha pela música, a mesma paixão que ela sentia pela passarela. Eram duas almas artísticas que se colidiam com a mesma intensidade com que se amavam.
— Você sobe no palco e entrega sua alma para milhares de pessoas todas as noites — disse ela, levantando-se com dificuldade e caminhando até ele. — Você se doa, mostra sua vulnerabilidade através da guitarra. Por que eu não posso fazer o mesmo com o meu corpo, que agora é a casa do nosso filho?
Ela tentou tocar o braço dele, mas Patricio se esquivou sutilmente, fingindo procurar algo na estante de partituras. A rejeição, por menor que fosse, doeu. Era o Dia do Amigo na Argentina, um dia de celebração, de união, e os irmãos de Patricio, Gastón e Guido, logo chegariam para o jantar tradicional. Ela não queria aquele clima pesado.
— Vou me trocar — disse ele, seco. — Os meninos chegam em uma hora.
Karen ficou sozinha na sala, olhando para o convite. Ela sabia que Patricio era teimoso, um verdadeiro Sardelli, mas ela também tinha o sangue brasileiro correndo nas veias e uma determinação que a levou das favelas do Brasil para as capitais da moda na Europa.
Uma hora depois, a campainha tocou. Gastón e Guido entraram com a energia caótica de sempre, trazendo garrafas de vinho e uma alegria que parecia contrastar violentamente com o humor de Patricio.
— ¡Hola, cuñada! — exclamou Gastón, dando um beijo carinhoso no rosto de Karen. — Como está o nosso roqueiro mirim?
— O Liam está agitado hoje — respondeu Karen, forçando um sorriso. — Acho que ele sente a tensão no ar.
Guido, sempre o mais observador, olhou de Karen para Patricio, que estava encostado no balcão da cozinha com uma expressão fechada.
— O que houve? — perguntou Guido, abrindo uma cerveja. — Pato está com cara de quem perdeu a palheta favorita.
— É o desfile da VS — explicou Karen, decidindo que não adiantava esconder. — Eles me convidaram para desfilar grávida. Seu irmão acha que eu deveria me esconder em uma caverna até o Liam nascer.
— ¡No jodas, Pato! — Gastón riu, dando um tapa no ombro do irmão. — Isso é incrível! Imagina a foto: a rainha e o herdeiro na passarela. Vai ser lendário.
— Não comecem — rosnou Patricio, servindo-se de um copo de água. — Não é conta de vocês.
O jantar foi tenso. Karen tentava puxar assunto, falava sobre as novas músicas da banda, sobre a família no Brasil, mas Patricio respondia apenas com monossílabos. A comida parecia ter gosto de cinzas. Ela sentia o Liam se mexer, como se o bebê também estivesse incomodado com a falta de harmonia entre os pais.
Quando Gastón e Guido finalmente foram embora, sentindo que o clima não iria melhorar, a casa mergulhou novamente naquele silêncio sepulcral. Patricio começou a recolher os pratos, evitando o contato visual.
Karen decidiu que já era o suficiente. Ela não deixaria o dia terminar assim. Ela se aproximou dele na cozinha e, desta vez, não permitiu que ele se afastasse. Ela pegou a mão dele e a colocou firmemente sobre o topo de sua barriga, onde Liam estava dando chutes rítmicos.
— Sente isso? — perguntou ela, a voz embargada.
Patricio tentou puxar a mão, mas a força dos movimentos do filho o deteve. Ele congelou.
— Ele está chutando forte — murmurou Patricio, a expressão começando a suavizar, apesar de sua resistência.
— Ele está tentando te dizer que tem orgulho da mãe dele — disse Karen, aproximando-se mais, sentindo o calor do corpo do marido. — Liam não é um segredo, Pato. Ele é o resultado do nosso amor. E eu quero mostrar ao mundo como eu me sinto poderosa carregando ele.
Patricio suspirou, fechando os olhos. Ele finalmente olhou para ela, e Karen viu a luta em seus olhos escuros — o ciúme lutando contra a admiração.
— Eu só tenho medo, Karen — confessou ele, a voz baixa. — O mundo da moda é cruel. As pessoas comentam, julgam. E você está... você está tão linda, e ao mesmo tempo tão vulnerável.
— Eu sou uma modelo de passarela famosa, Pato — disse ela, com um sorriso leve. — Eu lido com críticas desde os quinze anos. Mas nada disso me atinge quando eu volto para casa e tenho você. E agora, quando eu tiver o Liam.
Ela pegou o rosto dele entre as mãos, obrigando-o a olhar para ela.
— Hoje é o Dia do Amigo. E você é o meu melhor amigo, além de ser meu marido. Não podemos deixar uma oportunidade profissional e um pouco de insegurança estragarem o que temos.
Patricio envolveu a cintura dela com os braços, puxando-a para um abraço cuidadoso, respeitando o espaço de Liam. Ele encostou a testa na dela, soltando um suspiro longo.
— Você é impossível, sabia? — disse ele, com um traço de sorriso nos lábios. — Uma brasileira teimosa que me deixa louco.
— E você é um argentino ciumento que toca guitarra como um deus — rebateu ela, rindo.
— Tudo bem — cedeu ele, dando um beijo suave no nariz dela. — Se é o seu sonho, se é importante para você... eu vou estar lá. Na primeira fila. Com cara de poucos amigos para qualquer um que olhar demais, mas eu vou estar lá.
Karen riu, sentindo o peso sair de seus ombros. Ela sabia que ele ainda não estava 100% confortável, mas o fato de ele ceder por ela, por entender a importância de sua arte, era o que importava.
— E o Liam? — perguntou Patricio, voltando a colocar a mão na barriga dela. — Ele já tem o contrato dele?
— Ele vai ser o acessório mais caro da Victoria's Secret — brincou Karen. — E o mais bonito também.
Patricio se inclinou e beijou a barriga dela, um beijo demorado e cheio de promessas.
— Desculpe pelo dia de hoje — murmurou ele contra a pele dela. — Eu fui um idiota. Feliz Dia do Amigo, meu amor.
— Feliz Dia do Amigo, Pato — respondeu ela, acariciando os cabelos dele. — Agora, que tal pararmos de brigar e irmos planejar como vamos decorar o quarto do Liam em Nova York durante a semana do desfile?
Patricio riu, finalmente o som que Karen tanto amava.
— Nova York? Você já planejou tudo, não foi?
— Eu sou uma modelo internacional, querido — disse ela, piscando para ele enquanto caminhava em direção ao quarto com um novo rebolado, o andar de quem sabia que tinha vencido a batalha. — Eu sempre tenho um plano.
Naquela noite, o silêncio no apartamento não era mais de tensão, mas de expectativa. Entre os acordes de uma nova música que Patricio começou a compor no violão e os chutes de Liam, Karen adormeceu sentindo que, não importava o tamanho da passarela ou a intensidade dos flashes, ela sempre teria seu porto seguro para onde voltar. E o desfile? Seria apenas mais um espetáculo na vida de uma mulher que aprendeu a desfilar pela vida com a mesma graça com que carregava o fruto de seu maior amor.
Patricio Sardelli, seu marido e o líder da Airbag, estava sentado ao piano na sala de estar. Seus dedos dedilhavam notas melancólicas, uma melodia que Karen conhecia bem: era o som de sua frustração. O motivo da discórdia estava sobre a mesa de centro: o convite formal da Victoria's Secret para que ela fosse a estrela de um desfile especial, celebrando a maternidade e o corpo real.
— Pato, por favor — começou ela, a voz suave, mas firme, enquanto se sentava no sofá, apoiando as mãos na barriga proeminente. — Hoje é o Dia do Amigo. É uma tradição tão importante aqui. Não quero que passemos esse dia assim, sem nos falarmos.
Patricio nem sequer desviou o olhar das teclas. O perfil dele, sempre tão decidido, parecia endurecido pela teimosia.
— Você sabe o que eu penso, Karen — disse ele, a voz rouca, sem parar de tocar. — Não é sobre o trabalho. É sobre exposição. Você está grávida de oito meses. O Liam está aí dentro.
— E o Liam faz parte disso! — rebateu ela, sentindo um chute vigoroso do pequeno no ventre. — Eles querem mostrar que a beleza não desaparece com a gestação. É um marco para a minha carreira, Pato. É sobre representatividade. Quantas modelos negras você viu desfilando grávidas para uma marca desse porte?
Patricio parou de tocar abruptamente. O silêncio que se seguiu foi quase doloroso. Ele se levantou, os cabelos escuros caindo sobre os olhos, e caminhou até a janela que dava para a cidade. O ciúme dele não era o ciúme possessivo de quem não confia, mas o ciúme protetor de quem queria guardar o seu tesouro em uma redoma, longe dos flashes e do julgamento do mundo.
— Eu só acho desnecessário — murmurou ele, de costas. — Você já é a maior. Não precisa provar nada para ninguém, muito menos seminua em uma passarela com milhões de pessoas assistindo.
Karen suspirou, sentindo uma pontada de cansaço. Ela amava a paixão que ele tinha pela música, a mesma paixão que ela sentia pela passarela. Eram duas almas artísticas que se colidiam com a mesma intensidade com que se amavam.
— Você sobe no palco e entrega sua alma para milhares de pessoas todas as noites — disse ela, levantando-se com dificuldade e caminhando até ele. — Você se doa, mostra sua vulnerabilidade através da guitarra. Por que eu não posso fazer o mesmo com o meu corpo, que agora é a casa do nosso filho?
Ela tentou tocar o braço dele, mas Patricio se esquivou sutilmente, fingindo procurar algo na estante de partituras. A rejeição, por menor que fosse, doeu. Era o Dia do Amigo na Argentina, um dia de celebração, de união, e os irmãos de Patricio, Gastón e Guido, logo chegariam para o jantar tradicional. Ela não queria aquele clima pesado.
— Vou me trocar — disse ele, seco. — Os meninos chegam em uma hora.
Karen ficou sozinha na sala, olhando para o convite. Ela sabia que Patricio era teimoso, um verdadeiro Sardelli, mas ela também tinha o sangue brasileiro correndo nas veias e uma determinação que a levou das favelas do Brasil para as capitais da moda na Europa.
Uma hora depois, a campainha tocou. Gastón e Guido entraram com a energia caótica de sempre, trazendo garrafas de vinho e uma alegria que parecia contrastar violentamente com o humor de Patricio.
— ¡Hola, cuñada! — exclamou Gastón, dando um beijo carinhoso no rosto de Karen. — Como está o nosso roqueiro mirim?
— O Liam está agitado hoje — respondeu Karen, forçando um sorriso. — Acho que ele sente a tensão no ar.
Guido, sempre o mais observador, olhou de Karen para Patricio, que estava encostado no balcão da cozinha com uma expressão fechada.
— O que houve? — perguntou Guido, abrindo uma cerveja. — Pato está com cara de quem perdeu a palheta favorita.
— É o desfile da VS — explicou Karen, decidindo que não adiantava esconder. — Eles me convidaram para desfilar grávida. Seu irmão acha que eu deveria me esconder em uma caverna até o Liam nascer.
— ¡No jodas, Pato! — Gastón riu, dando um tapa no ombro do irmão. — Isso é incrível! Imagina a foto: a rainha e o herdeiro na passarela. Vai ser lendário.
— Não comecem — rosnou Patricio, servindo-se de um copo de água. — Não é conta de vocês.
O jantar foi tenso. Karen tentava puxar assunto, falava sobre as novas músicas da banda, sobre a família no Brasil, mas Patricio respondia apenas com monossílabos. A comida parecia ter gosto de cinzas. Ela sentia o Liam se mexer, como se o bebê também estivesse incomodado com a falta de harmonia entre os pais.
Quando Gastón e Guido finalmente foram embora, sentindo que o clima não iria melhorar, a casa mergulhou novamente naquele silêncio sepulcral. Patricio começou a recolher os pratos, evitando o contato visual.
Karen decidiu que já era o suficiente. Ela não deixaria o dia terminar assim. Ela se aproximou dele na cozinha e, desta vez, não permitiu que ele se afastasse. Ela pegou a mão dele e a colocou firmemente sobre o topo de sua barriga, onde Liam estava dando chutes rítmicos.
— Sente isso? — perguntou ela, a voz embargada.
Patricio tentou puxar a mão, mas a força dos movimentos do filho o deteve. Ele congelou.
— Ele está chutando forte — murmurou Patricio, a expressão começando a suavizar, apesar de sua resistência.
— Ele está tentando te dizer que tem orgulho da mãe dele — disse Karen, aproximando-se mais, sentindo o calor do corpo do marido. — Liam não é um segredo, Pato. Ele é o resultado do nosso amor. E eu quero mostrar ao mundo como eu me sinto poderosa carregando ele.
Patricio suspirou, fechando os olhos. Ele finalmente olhou para ela, e Karen viu a luta em seus olhos escuros — o ciúme lutando contra a admiração.
— Eu só tenho medo, Karen — confessou ele, a voz baixa. — O mundo da moda é cruel. As pessoas comentam, julgam. E você está... você está tão linda, e ao mesmo tempo tão vulnerável.
— Eu sou uma modelo de passarela famosa, Pato — disse ela, com um sorriso leve. — Eu lido com críticas desde os quinze anos. Mas nada disso me atinge quando eu volto para casa e tenho você. E agora, quando eu tiver o Liam.
Ela pegou o rosto dele entre as mãos, obrigando-o a olhar para ela.
— Hoje é o Dia do Amigo. E você é o meu melhor amigo, além de ser meu marido. Não podemos deixar uma oportunidade profissional e um pouco de insegurança estragarem o que temos.
Patricio envolveu a cintura dela com os braços, puxando-a para um abraço cuidadoso, respeitando o espaço de Liam. Ele encostou a testa na dela, soltando um suspiro longo.
— Você é impossível, sabia? — disse ele, com um traço de sorriso nos lábios. — Uma brasileira teimosa que me deixa louco.
— E você é um argentino ciumento que toca guitarra como um deus — rebateu ela, rindo.
— Tudo bem — cedeu ele, dando um beijo suave no nariz dela. — Se é o seu sonho, se é importante para você... eu vou estar lá. Na primeira fila. Com cara de poucos amigos para qualquer um que olhar demais, mas eu vou estar lá.
Karen riu, sentindo o peso sair de seus ombros. Ela sabia que ele ainda não estava 100% confortável, mas o fato de ele ceder por ela, por entender a importância de sua arte, era o que importava.
— E o Liam? — perguntou Patricio, voltando a colocar a mão na barriga dela. — Ele já tem o contrato dele?
— Ele vai ser o acessório mais caro da Victoria's Secret — brincou Karen. — E o mais bonito também.
Patricio se inclinou e beijou a barriga dela, um beijo demorado e cheio de promessas.
— Desculpe pelo dia de hoje — murmurou ele contra a pele dela. — Eu fui um idiota. Feliz Dia do Amigo, meu amor.
— Feliz Dia do Amigo, Pato — respondeu ela, acariciando os cabelos dele. — Agora, que tal pararmos de brigar e irmos planejar como vamos decorar o quarto do Liam em Nova York durante a semana do desfile?
Patricio riu, finalmente o som que Karen tanto amava.
— Nova York? Você já planejou tudo, não foi?
— Eu sou uma modelo internacional, querido — disse ela, piscando para ele enquanto caminhava em direção ao quarto com um novo rebolado, o andar de quem sabia que tinha vencido a batalha. — Eu sempre tenho um plano.
Naquela noite, o silêncio no apartamento não era mais de tensão, mas de expectativa. Entre os acordes de uma nova música que Patricio começou a compor no violão e os chutes de Liam, Karen adormeceu sentindo que, não importava o tamanho da passarela ou a intensidade dos flashes, ela sempre teria seu porto seguro para onde voltar. E o desfile? Seria apenas mais um espetáculo na vida de uma mulher que aprendeu a desfilar pela vida com a mesma graça com que carregava o fruto de seu maior amor.
