Fanfy
.studio
Imagem de fundo

o filho do capitão Man?

Fandom: Henry Danger

Criado: 23/06/2026

Tags

AçãoAventuraCrossoverDramaDor/ConfortoFicção CientíficaCenário CanônicoConsertoAngústiaUA (Universo Alternativo)
Índice

O Segredo de Metroburg e a Chegada a Swellview

As luzes de neon de Metroburg sempre me pareceram frias, como se a cidade inteira fosse feita de vidro e segredos. Eu nunca me senti em casa lá, mesmo tendo crescido nas sombras dos prédios imensos onde heróis e vilões travavam batalhas diárias. Eu sabia que era diferente. Meus cabelos brancos e cacheados, que contrastavam com minha pele parda escura, não se pareciam com ninguém da "minha família". E meus poderes... o jeito que a eletricidade estalava nos meus dedos e como eu podia mover objetos com a mente parecia mais uma herança roubada do que um dom compartilhado.

Naquela noite, o ar estava pesado. Eu estava escondido no corredor da mansão dos Campbell, a família de vilões que me criou. Eu buscava apenas um copo de água, mas o que ouvi mudou minha vida para sempre.

— O garoto está ficando forte demais — a voz de Mary Campbell ecoou por trás da porta do escritório. — Se ele descobrir que o pai dele é aquele palhaço indestrutível de Swellview, ele vai se voltar contra nós.

— Ele não vai descobrir — respondeu uma voz grossa que eu conhecia como meu "tio". — Ray Manchester acha que o filho morreu no hospital de Metroburg há catorze anos. O Capitão Man pode ser indestrutível, mas o coração dele é frágil.

Meu sangue gelou. Ray Manchester. O Capitão Man. O herói que eu passava horas assistindo no computador, admirando sua coragem e seu humor ácido, era meu pai. Eu não era um vilão. Eu era o filho de uma lenda.

Corri para o quarto de Anny, a única pessoa em quem eu confiava em todo o mundo. Ela estava sentada na beira da cama, mexendo em uma mecha de seu cabelo castanho ondulado, que brilhava como cobre sob a luz da luminária. Quando ela me viu, seus olhos se arregalaram.

— Nique? O que aconteceu? Você está pálido — disse ela, levantando-se rapidamente.

— Anny, a gente precisa ir embora. Agora — eu disse, minha voz falhando. — Eles mentiram para mim a vida inteira. Meu pai... meu pai é o Capitão Man.

Anny não questionou. Ela apenas segurou minha mão, e eu senti a telecinésia dela vibrar em sintonia com a minha.

— Então vamos para Swellview — ela afirmou com determinação.

A fuga foi um borrão. Usamos o teletransporte de Anny para sair do perímetro da mansão e, depois de horas pegando caronas e usando meus conhecimentos tecnológicos para apagar nossos rastros, finalmente avistamos a placa colorida: "Bem-vindos a Swellview".

A cidade era exatamente como nos vídeos, mas parecia mais viva. O sol batia no rosto de Anny, transformando seu cabelo em um tom de cobre deslumbrante que quase me fez esquecer o perigo que corríamos. Eu ajustei meus óculos quadrados e olhei para o GPS improvisado no meu celular. Eu tinha hackeado arquivos antigos de Metroburg para cruzar dados e cheguei a uma conclusão lógica: a Caverna Man estava sob uma loja de antiguidades chamada Junk n Stuff.

— É aqui — eu disse, parando em frente à fachada colorida e um tanto bagunçada da loja.

— Tem certeza? — Anny perguntou, olhando para os baldes e quinquilharias na vitrine. — Parece só uma loja de lixo.

— É o disfarce perfeito — respondi. — Vamos entrar, mas lembre-se: nada de falar sobre o Ray ser meu pai. Ele não me conhece. Para ele, eu sou apenas um estranho. Temos que ser discretos.

Ao abrirmos a porta, um sininho tocou. O cheiro de poeira e metal velho nos atingiu. Atrás do balcão, um garoto de cabelos loiros e cacheados estava empilhando baldes com uma concentração quase religiosa.

— Olá! Bem-vindos à Junk n Stuff! — exclamou Jasper, sorrindo de orelha a orelha. — Eu sou o Jasper. Estão procurando algum balde específico? Temos de metal, plástico, madeira e...

— Não, obrigado, Jasper — interrompeu um adolescente que saía dos fundos. Era Henry Hart. Eu o reconheceria em qualquer lugar, mesmo sem o uniforme de Kid Danger. — Eu cuido disso. Oi, sou o Henry. Posso ajudar em algo?

Eu senti uma descarga elétrica percorrer meus dedos de nervosismo e rapidamente enfiei as mãos nos bolsos.

— Oi, eu sou o Nique. E esta é a Anny — eu disse, tentando manter a voz firme. — Nós acabamos de chegar na cidade e... bem, ouvimos dizer que este é o lugar mais interessante de Swellview.

Henry nos avaliou com um olhar curioso. Ele parecia notar que não éramos adolescentes comuns.

— Interessante? É, pode-se dizer que sim — Henry riu, mas seus olhos estavam atentos. — De onde vocês vêm?

— Metroburg — respondeu Anny, e eu vi o leve sobressalto de Henry ao ouvir o nome da cidade dos super-heróis.

Antes que Henry pudesse fazer mais perguntas, uma garota de cabelos cacheados e expressão inteligente entrou na loja segurando um tablet. Era Charlotte.

— Henry, o Ray está chamando lá embaixo. Ele disse que é urgente e... — Ela parou ao nos ver. — Oh, temos clientes.

— Eles são de Metroburg, Charlotte — disse Henry, com uma ênfase que não passou despercebida.

Nesse momento, um homem alto, de cabelos perfeitamente penteados e um sorriso confiante, subiu pelo elevador escondido atrás do balcão, fingindo que tinha apenas saído de um provador. Era ele. Ray Manchester. Meu coração disparou tanto que achei que ele pudesse ouvir.

— Henry! Eu já disse que o meu lanche precisa de... — Ray parou de falar assim que seus olhos encontraram os meus.

Houve um silêncio pesado na loja. Ray me encarou por um tempo que pareceu uma eternidade. Havia algo no olhar dele, uma confusão momentânea, como se uma memória muito antiga estivesse tentando emergir, mas ele balançou a cabeça e recuperou a postura de "Capitão Man" em roupas civis.

— Quem são os garotos? — perguntou Ray, mantendo a voz casual, embora seus olhos ainda estivessem fixos em mim.

— Nique e Anny — respondeu Charlotte, cruzando os braços. — Acabaram de chegar de Metroburg.

Ray arqueou uma sobrancelha.

— Metroburg, hein? Cidade perigosa. Muita gente com poderes por lá. Vocês têm algum? — Ele perguntou com um tom de brincadeira, mas eu sabia que ele estava testando o terreno.

— Apenas o poder de querer um emprego — menti rapidamente, tentando disfarçar o tremor nas mãos. — Estamos procurando trabalho.

Ray soltou uma gargalhada curta.

— Gostei desse garoto. Ele é rápido.

— Ray, podemos conversar nos fundos? — pediu Henry, claramente preocupado com a presença de estranhos tão perto do segredo.

Eles se retiraram para a parte de trás, mas eu sabia que a Caverna Man estava logo abaixo de nossos pés. Anny se aproximou de mim e sussurrou:

— Ele não faz ideia, Nique.

— Eu sei — respondi em voz baixa. — Mas eu estou aqui agora. E não vou embora até ele saber a verdade, mesmo que eu tenha que provar que sou o filho que ele pensa que perdeu.

De repente, um barulho estranho veio do fundo da loja. Um homem baixo, com um sotaque carregado e cabelos bagunçados, apareceu correndo. Era Schwoz.

— Ray! Ray! O sensor de partículas de Metroburg está apitando! Alguém trouxe energia de lá para cá! — gritou Schwoz, sem perceber que estávamos ali.

Ray e Henry voltaram correndo, e o clima mudou instantaneamente. Ray olhou para Schwoz e depois para mim.

— Schwoz, agora não é hora — sibilou Ray.

— Mas Ray, a frequência é idêntica à sua, mas com uma assinatura elétrica! — Schwoz continuou, olhando para o dispositivo em sua mão e depois apontando para mim. — Vem dele!

O disfarce tinha durado menos de cinco minutos. Henry se colocou em posição de guarda, e Charlotte pegou o tablet, provavelmente acionando algum sistema de segurança.

— Quem é você de verdade, garoto? — perguntou Ray, sua voz agora séria e autoritária, a voz do herói de Swellview.

Eu olhei para Anny. Ela acenou com a cabeça, pronta para usar sua telecinésia se as coisas ficassem feias. Eu respirei fundo e tirei as mãos dos bolsos. Pequenas faíscas azuis começaram a dançar entre meus dedos.

— Meu nome é Nique — eu disse, olhando diretamente nos olhos do homem que era meu pai. — E eu vim de Metroburg porque descobri que a família que me criou me roubou de você há catorze anos.

O rosto de Ray ficou pálido. A indestrutibilidade dele não o protegeu do choque daquelas palavras.

— Do que você está falando? — a voz dele saiu quase como um sussurro. — Meu filho... ele morreu.

— Foi o que disseram a você — eu disse, e com um movimento da mente, fiz um pequeno objeto de metal na prateleira flutuar entre nós. — Mas eu estou bem aqui. Eu tenho o seu sangue, Ray. E eu tenho poderes que os Campbell nunca conseguiram explicar.

Jasper, que estava quieto até então, deixou cair o balde que segurava.

— Isso é muito mais legal do que baldes — ele murmurou.

— Ray, o DNA — sugeriu Schwoz, aproximando-se cautelosamente com um pequeno scanner. — Se ele for quem diz ser, o scanner vai identificar a assinatura Manchester.

Ray não se moveu. Ele parecia paralisado. Henry olhava de mim para Ray, processando a informação.

— Se isso for verdade... — começou Henry.

— É verdade — interrompeu Anny, dando um passo à frente. — Nós fugimos de vilões reais para chegar aqui. O Nique arriscou tudo para encontrar o pai dele.

Schwoz passou o scanner perto de mim. O aparelho emitiu um bipe contínuo e uma luz verde brilhante iluminou a loja.

— É ele, Ray — disse Schwoz, com a voz embargada. — É o seu filho. Cem por cento de compatibilidade.

O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo som da respiração pesada de Ray. Ele deu um passo em minha direção, depois outro. O herói indestrutível de Swellview tinha lágrimas nos olhos.

— Nique? — ele chamou, sua voz falhando.

— Oi, pai — eu respondi, sentindo um peso de catorze anos sair dos meus ombros.

Antes que pudéssemos dizer mais nada, um estrondo alto veio da rua. Uma explosão sacudiu a Junk n Stuff, quebrando as janelas de vidro.

— Eles nos acharam — disse Anny, seus olhos brilhando enquanto ela se preparava para o combate. — Os Campbell. Eles não iam deixar você vir para cá sem lutar.

Ray limpou o rosto rapidamente, a expressão de choque sendo substituída pela determinação de um herói.

— Henry, Charlotte, Schwoz... levem o Jasper para baixo. Ativem o protocolo de defesa — ordenou Ray. Ele então olhou para mim e para Anny. — Vocês sabem lutar?

Eu sorri, sentindo a eletricidade percorrer meus braços e a telecinésia pronta para ser disparada.

— Eu fui criado por vilões, lembra? — respondi. — Sei todos os truques deles.

Ray sorriu de volta, um sorriso que eu finalmente reconheci como meu.

— Então vamos mostrar a eles como os Manchester resolvem os problemas em Swellview. Henry, pegue os chicletes!

Henry sorriu, pegou o tubo de chicletes do bolso e jogou um para Ray. Eles assopraram a bola simultaneamente, e em um flash de luz, o Capitão Man e o Kid Danger surgiram diante de nós.

— Uau — disse Anny, impressionada. — Isso foi muito estiloso.

— Espera só para ver o que eu faço com esses choques — eu disse, me preparando para a batalha que estava prestes a começar na porta da loja.

Eu tinha encontrado meu pai. Eu tinha encontrado meu lugar. E agora, junto com Anny e a equipe de Swellview, eu ia garantir que ninguém nunca mais me tirasse da minha verdadeira família. A aventura estava apenas começando, e pela primeira vez na vida, eu não estava fugindo. Eu estava lutando por quem eu realmente era.
Índice

Quer criar seu próprio fanfic?

Cadastre-se na Fanfy e crie suas próprias histórias!

Criar meu fanfic