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Chapolin Colorado

Fandom: Chapolin Colorado

Criado: 23/06/2026

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O Mistério do Fantasma de Lençol Engomado

A mansão dos Salgueiros erguia-se contra o céu cinzento como um dente podre em uma gengiva de colinas. Carlos e Julieta, um jovem casal que acabara de investir todas as suas economias naquela propriedade, observavam a fachada de madeira rangente com uma mistura de entusiasmo e um frio inexplicável na espinha.

— É um pouco... rústica, não acha, querido? — perguntou Julieta, apertando o casaco contra o corpo enquanto o vento uivava entre as frestas das janelas.

— Rústica é a palavra certa, meu amor! — Carlos tentou manter o otimismo, embora seus dentes batessem levemente. — Tem personalidade. E o preço foi uma pechincha!

Eles foram recebidos na porta por um homem de rosto pálido, olheiras profundas e um fraque que parecia não ver um ferro de passar desde a revolução industrial. Era James, o mordomo que vinha "incluído" no pacote da mansão.

— Entrem, se tiverem coragem — disse James, com uma voz que parecia vir do fundo de uma tumba. — Mas devo avisar que os antigos moradores não saíram daqui por vontade própria. Eles ainda... circulam pelos corredores.

— Como assim? — Carlos engoliu em seco. — Você quer dizer que a casa é...

— Mal-assombrada — completou o mordomo, enquanto um trovão ecoava convenientemente no horizonte. — Dizem que o fantasma do Barão de Pamonha ainda busca sua cabeça perdida nos dias de chuva.

Nesse exato momento, um vaso chinês no corredor explodiu em mil pedaços sem que ninguém o tocasse. Um lamento fúnebre ecoou pelas escadarias e as luzes da sala piscaram até se apagarem completamente.

— Oh! E agora, quem poderá nos defender? — gritou Julieta, abraçando o marido em meio à escuridão.

— Eu!

O casal deu um pulo de susto. De dentro de um armário de louças que se abriu bruscamente, surgiu uma figura pequena, vestindo um uniforme vermelho vibrante com um short amarelo por cima. No peito, um coração amarelo ostentava as letras "CH" em vermelho.

— É o Chapolin Colorado! — exclamaram Carlos e Julieta em uníssono, com os olhos arregalados.

O herói tentou fazer uma pose imponente, mas acabou tropeçando no próprio pé e caindo de cara no tapete de pele de urso. Ele se levantou rapidamente, limpando a poeira e recuperando a dignidade como se nada tivesse acontecido.

— Não contavam com minha astúcia! — declarou ele, apontando para o teto. — Sigam-me os bons!

Chapolin deu dois passos confiantes em direção à escada, mas um rangido mais forte o fez parar bruscamente e correr para trás de Carlos, usando o rapaz como escudo humano.

— O que foi isso? — perguntou o herói, com a voz tremendo três oitavas acima do normal.

— Foi só o vento, eu acho — respondeu Carlos, confuso.

— Sim, eu sabia! — Chapolin saiu de trás dele, estufando o peito. — Eu só estava testando seus reflexos. Movimentos friamente calculados para ver se vocês estão aptos a enfrentar o perigo.

— Mas Chapolin — disse Julieta, apontando para o topo da escada —, o mordomo disse que há um fantasma sem cabeça!

— Um fantasma sem cabeça? — O herói empalideceu, ficando quase da cor do seu escudo no peito. — Ora, isso é... é... perfeitamente normal! Fantasmas costumam esquecer a cabeça em qualquer lugar, são muito distraídos. Suspeitei desde o princípio!

De repente, uma risada macabra ecoou pelo salão e uma corrente de ar gelada derrubou os quadros das paredes. Chapolin deu um salto e agarrou-se ao pescoço do mordomo James, que permanecia imóvel como uma estátua de cera.

— Calma, Chapolin! — pediu Carlos. — O senhor não é o herói?

— E quem disse que eu não estou calmo? — perguntou Chapolin, com as pernas balançando enquanto ainda abraçava o mordomo. — Só estou verificando se o pulso deste senhor está funcionando bem sob pressão.

Ele desceu ao chão, recuperando a postura. Tirou do cinto suas famosas Anteninhas de Vinil, que começaram a vibrar freneticamente.

— Silêncio! Minhas anteninhas de vinil estão detectando a presença do inimigo! — avisou ele, movendo-se cautelosamente. — Elas nunca falham.

— O que elas dizem? — perguntou Julieta, esperançosa.

— Dizem que... que... que eu deveria ter ficado em casa assistindo ao jogo de futebol! — confessou ele, antes de se recompor. — Digo, dizem que o perigo se aproxima por aquela porta!

A porta da biblioteca abriu-se lentamente com um rangido sinistro. Uma figura envolta em um lençol branco e flutuante surgiu, emitindo sons guturais. Carlos e Julieta gritaram. Chapolin, por sua vez, tentou correr para a saída, mas a porta estava trancada.

— Calma! Não entrem em pânico! — gritou o herói enquanto tentava escalar uma cortina. — Deixem que eu cuido dele com minha Marreta Biônica!

Ele tateou o cinto e puxou o cabo da marreta, mas ao tentar desferir um golpe no ar, a arma escapou de sua mão e atingiu o próprio joelho.

— Ai! Ui! Oh! Meus movimentos são friamente calculados! — exclamou ele, pulando em um pé só.

O fantasma avançou. Chapolin, recuperado da dor, tirou do bolso uma pequena corneta.

— Recuem! Vou usar a Corneta Paralisadora! — anunciou ele.

Ao soprar a corneta, o fantasma congelou no meio do passo. Carlos e Julieta ficaram impressionados.

— Incrível, Chapolin! Você o parou! — disse Carlos.

— É claro! — vangloriou-se o herói. — Com um sopro eu paraliso as pessoas, com dois sopros elas voltam a se mexer. É uma tecnologia que...

Nesse momento, Chapolin tropeçou em um tapete e, para recuperar o equilíbrio, acabou soprando a corneta duas vezes sem querer. O fantasma voltou a se mover e, irritado, começou a atirar livros da estante na direção deles.

— O fantasma está bravo! — gritou Julieta.

— Ele não está bravo — corrigiu Chapolin enquanto se esquivava de um dicionário de latim —, ele apenas está tentando nos incentivar a ler mais! A cultura é muito importante!

Enquanto desviava dos livros, Chapolin notou algo estranho. O fantasma, ao arremessar um volume pesado de "Enciclopédia de Jardinagem", deixou transparecer um relógio de pulso moderno por baixo do lençol.

— Esperem um pouco! — Chapolin parou de correr. — Suspeitei desde o princípio!

— O que foi, Chapolin? — perguntou Carlos, escondido atrás de um sofá.

— Esse fantasma usa um relógio de marca! E se não me engano, é à prova d'água! — O herói apontou o dedo acusador. — Fantasmas não precisam saber as horas, pois eles têm toda a eternidade!

O fantasma hesitou por um segundo, o que foi o suficiente para o Chapolin recuperar sua coragem (ou parte dela). O herói avançou, tropeçando novamente, mas desta vez o tropeço o levou a cair exatamente sobre a barra do lençol do espírito.

Ao cair, Chapolin puxou o pano com todo o seu peso. Em vez de uma aparição ectoplásmica, o que surgiu foi um homem baixo e gordo, usando um pijama listrado e segurando um gravador que emitia os sons de correntes e lamentos.

— O corretor de imóveis! — exclamou Julieta.

— Exatamente! — disse Chapolin, levantando-se e limpando o pó do uniforme. — Eu já sabia que era ele desde que entrei na casa. Só estava fingindo medo para que ele se sentisse confiante e cometesse um erro. Todos os meus movimentos foram...

— Friamente calculados! — completaram Carlos e Julieta.

O corretor, vendo-se descoberto, tentou fugir, mas Chapolin foi mais rápido e usou sua Marreta Biônica para bloquear a porta de saída.

— Por que você fez isso? — questionou Carlos. — Você nos vendeu a casa!

— Eu vendi, mas me arrependi! — confessou o homem, choramingando. — Descobri que há um tesouro escondido no porão desta mansão, e queria assustar vocês para que saíssem e eu pudesse comprar a casa de volta por metade do preço!

— Tesouro? — Os olhos de Chapolin brilharam. — Digo... que coisa feia! Tentar enganar as pessoas usando lençóis que nem sequer foram passados a ferro!

James, o mordomo, aproximou-se calmamente e pegou o corretor pelo colarinho.

— Vou chamar as autoridades, senhor — disse James para Carlos. — E quanto ao tesouro, creio que se referia a esta caixa de moedas antigas que encontrei enquanto limpava a adega esta manhã.

James mostrou uma pequena caixa de madeira cheia de dobrões de ouro. O casal estava radiante.

— Chapolin, não temos como agradecer! — disse Julieta, aproximando-se do herói. — Você foi tão corajoso... do seu jeito.

— Ora, não há de quê! — respondeu Chapolin, fazendo uma pose heroica que desta vez funcionou. — É meu dever proteger os fracos e os oprimidos, e também aqueles que compram casas mal-assombradas sem verificar a fiação elétrica.

— Mas e o fantasma do Barão de Pamonha que o mordomo mencionou? — perguntou Carlos, ainda um pouco desconfiado.

Um som de correntes arrastando-se veio do andar de cima, seguido por um gemido profundo que não vinha do gravador do corretor.

Chapolin congelou. Suas anteninhas de vinil começaram a girar como hélices de helicóptero.

— Isso... isso também foi friamente calculado! — gaguejou o herói. — Significa que minha missão aqui terminou e eu tenho um compromisso urgente em... em Marte!

— Em Marte, Chapolin? — perguntou Julieta, segurando o riso.

— Sim! Eles estão com um problema sério de falta de marcianos! — Ele começou a caminhar de costas em direção à janela aberta. — Não se preocupem! Se precisarem de mim novamente, basta dizerem: Oh, e agora, quem poderá me defender?

Ele saltou pela janela, mas em vez de um pouso gracioso, ouviu-se o som de alguém caindo dentro de um arbusto de roseiras decorativas.

— Eu estou bem! — gritou a voz de Chapolin lá de baixo. — Eu só queria verificar se as rosas tinham espinhos! Suspeitei desde o princípio!

Carlos e Julieta riram, abraçados, enquanto observavam o herói de vermelho correr desajeitadamente pelo jardim, desaparecendo na neblina da noite. A casa ainda podia ter seus mistérios e talvez um fantasma real ou dois, mas eles sabiam que, com um pouco de astúcia e talvez uma marreta de plástico, nenhum mal seria permanente.

— Ele é um herói e tanto, não é? — perguntou Carlos.

— O melhor de todos — respondeu Julieta. — Especialmente porque ele é o único que atende quando chamamos.

E ao longe, quase sumindo no horizonte, ainda se podia ouvir o grito ecoando:

— Sigam-me os bons!
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