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Amor proibido

Fandom: Sem fandom

Criado: 23/06/2026

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RomanceDramaMenção de IncestoHumorFofuraHistória DomésticaRealismo
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Entre o Proibido e o Som da Noite

A penumbra do corredor parecia esticar-se como um segredo vivo. Rafaella caminhava na ponta dos pés, o coração martelando contra as costelas com uma força que ela temia ser audível através das paredes finas da casa de campo. Cada rangido do assoalho de madeira soava como um trovão em seus ouvidos. Ela parou diante da porta de carvalho escuro, a mão hesitando sobre a maçaneta fria.

Seria tão mais fácil se ele não fosse tão bonito. Seria tão mais simples se o destino não tivesse decidido unir seus pais em um casamento que, legalmente, os tornava família. Mas Augusto não tinha nada de irmão no modo como a olhava. Ele era intensidade pura, uma força da natureza que atraía todos ao seu redor, o rapaz popular que todos queriam por perto, mas que só baixava a guarda quando as luzes se apagavam e o mundo lá fora deixava de existir.

Rafaella girou a maçaneta e entrou. O quarto estava mergulhado em um silêncio denso, quebrado apenas pelo som da respiração ritmada dele. Augusto estava sentado na beira da cama, esperando. Quando a luz da lua, filtrada pelas cortinas de linho, iluminou o rosto dela, ele soltou o ar que nem sabia que estava prendendo.

— Achei que você não viria hoje — sussurrou ele, a voz rouca carregada de um desejo que ele mal conseguia conter.

— Eu disse que viria — respondeu ela, fechando a porta com um clique suave. — Mas meu pai ainda estava acordado na sala. Tive que esperar.

Augusto levantou-se e caminhou até ela. Ele era alto, de uma presença que preenchia o espaço, e o perfume dele — algo que misturava madeira e o frescor da noite — envolveu Rafaella antes mesmo de ele tocá-la. Ele colocou as mãos na cintura dela, puxando-a para perto, sentindo a delicadeza de suas curvas sob o pijama de seda.

— Isso é loucura, Rafa — murmurou ele, encostando a testa na dela. — Todos os dias eu digo a mim mesmo que vou parar, que não posso fazer isso com você, com a nossa família.

Rafaella subiu as mãos pelos ombros largos dele, acariciando a nuca onde os cabelos eram mais curtos. Ela era o romantismo em pessoa, a doçura que equilibrava a tempestade que Augusto carregava dentro de si.

— Então por que você não para? — provocou ela, com um sorriso charmoso que sempre o desarmava.

— Porque eu sou viciado em você — confessou ele, antes de selar seus lábios em um beijo urgente.

O beijo era uma mistura de desespero e adoração. Augusto a conduziu até a cama, os movimentos carregados daquela intensidade que o tornava tão magnético. Para o mundo, eles eram os irmãos exemplares, os filhos que se davam bem e traziam orgulho para a nova união da família. Entre quatro paredes, eles eram amantes consumidos por uma paixão que desafiava a lógica e a moralidade que lhes fora imposta.

Quando os corpos se encontraram sob os lençóis, a temperatura do quarto pareceu subir instantaneamente. Augusto a amava com uma devoção quase religiosa, explorando cada centímetro da pele dela como se estivesse memorizando um mapa sagrado. Rafaella, entregue ao sentimento, perdia-se no toque dele, na forma como ele a fazia se sentir a única mulher do universo.

— Augusto... — ela suspirou, as unhas cravando-se levemente nas costas dele.

— Shh... — ele pediu, embora seus próprios olhos estivessem fechados em um êxtase profundo. — Alguém pode ouvir.

Mas era difícil para Rafaella manter o controle. Ela era carinhosa, expressiva, e o prazer que Augusto lhe proporcionava era algo que ela não conseguia conter dentro de si. À medida que a noite avançava e a intimidade se tornava mais profunda, o silêncio da casa tornava-se o seu maior inimigo.

Em um momento de ápice, um gemido alto e cristalino escapou dos lábios de Rafaella, ecoando pelo quarto e, certamente, vazando para o corredor.

Augusto arregalou os olhos, congelando por um segundo, enquanto cobria a boca dela com a mão, embora ele mesmo estivesse lutando para não rir da audácia do som.

— Rafa! — sussurrou ele, com um tom de repreensão que falhou miseravelmente devido ao sorriso que brincava em seus lábios. — Você quer que o seu pai venha aqui perguntar se tem um fantasma sendo torturado no meu quarto?

Rafaella tirou a mão dele de sua boca, ainda ofegante, as bochechas coradas e os olhos brilhando de alegria e travessura.

— Eu não consigo evitar! — defendeu-se ela, rindo baixinho contra o peito dele. — A culpa é sua por ser tão... intenso.

— Minha culpa? — Augusto rolou para o lado, puxando o cobertor para cobri-los, enquanto tentava controlar as próprias gargalhadas abafadas. — Eu estou aqui tentando ser discreto, um verdadeiro agente secreto do amor proibido, e você grita como se estivesse em um show de rock.

— Não foi tão alto assim — mentiu ela, escondendo o rosto no pescoço dele.

— Rafa, eu tenho certeza de que os vizinhos da fazenda ao lado ouviram — brincou ele, acariciando os cabelos dela. — Se amanhã o seu pai me olhar estranho no café da manhã, eu vou dizer que era um vídeo de treino que eu estava assistindo.

Eles ficaram ali, abraçados, o riso morrendo aos poucos para dar lugar a uma paz efêmera. A situação era absurda, perigosa e, para muitos, errada. Mas ali, no escuro, nada disso importava.

— Você acha que um dia vamos poder parar de nos esconder? — perguntou ela, a voz subitamente séria, traindo o romantismo que sempre guiava seus pensamentos.

Augusto suspirou, apertando-a mais forte contra si. Ele sabia a resposta, e ela também. A complexidade de seus laços familiares era uma barreira que o mundo não perdoaria facilmente. Mas ele era intenso demais para desistir do que sentia.

— Eu não sei, Rafa — admitiu ele honestamente. — Mas enquanto esse dia não chega, eu vou continuar te pegando no meio da noite, e você vai continuar tentando não acordar a casa inteira.

— Eu vou tentar — prometeu ela, embora ambos soubessem que era uma promessa difícil de cumprir. — Mas não garanto nada se você continuar fazendo o que faz.

Augusto sorriu, beijando o topo da cabeça dela.

— Então acho que teremos muitas noites de riso e sustos pela frente.

Eles se acomodaram, o sono finalmente chegando após horas de entrega. No silêncio que se seguiu, a casa parecia ter voltado ao normal, mas o segredo deles permanecia vibrando no ar, uma chama que nenhuma regra ou proibição seria capaz de apagar. Rafaella fechou os olhos, sentindo o coração de Augusto bater em sincronia com o seu, sabendo que, apesar de tudo, aquele era o único lugar no mundo onde ela realmente se sentia em casa.

Na manhã seguinte, o sol entraria pela janela e eles voltariam a ser apenas os meio-irmãos que dividiam a mesa do café. Mas, por enquanto, sob a proteção das sombras, eles eram apenas dois jovens perdidamente apaixonados, rindo do perigo e celebrando o amor que, por ser proibido, tornava-se a coisa mais real de suas vidas.
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