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Destinos enlaçados
Fandom: Kakegurui – Compulsive Gambler
Criado: 23/06/2026
Tags
RomanceUA (Universo Alternativo)DramaPsicológicoSombrioEstudo de PersonagemCenário CanônicoSuspense
O Eclipse de Marfim e Carmim
O som dos sapatos de salto batendo contra o piso polido da Academia Privada Hyakkaou ecoava como um metrônomo constante, marcando o ritmo de uma nova era que se iniciava. Jackie Novark ajustou a gola de seu uniforme vermelho, sentindo o peso familiar, porém estranho, do tecido. Para qualquer aluno que cruzasse seu caminho nos corredores, ela era apenas mais uma transferência de elite, uma herdeira de posses consideráveis, mas nada que fugisse ao padrão extravagante da escola.
Seus olhos, ocultos por lentes de contato de um verde esmeralda profundo, observavam cada detalhe da arquitetura opressiva do lugar. Por trás daquela barreira artificial, pulsava o vermelho carmesim de uma linhagem que remontava a séculos de poder absoluto — o Clã Novark. Enquanto os Momobami governavam as sombras do Japão com punho de ferro, os Novark eram as divindades silenciosas que operavam em um nível global, uma força que não precisava de propaganda porque o mundo já estava, de certa forma, em suas mãos.
— É um lugar fascinante, não acha? — Uma voz suave, mas carregada de uma autoridade gélida, surgiu às suas costas.
Jackie parou e virou-se lentamente. Diante dela estava Kirari Momobami, a Presidente do Conselho Estudantil, com suas tranças circulares impecáveis e aquele sorriso enigmático que costumava desestabilizar até os jogadores mais experientes.
— De fato, Presidente — Jackie respondeu, mantendo a voz doce e o semblante gentil que era sua marca registrada. — A atmosfera aqui é... eletrizante. Quase posso sentir o cheiro do desespero e da adrenalina.
Kirari aproximou-se, diminuindo a distância entre as duas até que apenas alguns centímetros as separassem. Para os observadores distantes, parecia apenas a recepção formal de uma nova aluna. Mas, no íntimo, o coração de Kirari batia em um ritmo que ela raramente permitia que alguém provocasse.
— Seja bem-vinda à minha caixa de areia, Jackie — sussurrou Kirari, os olhos azuis brilhando com uma devoção que beirava a obsessão. — Espero que as acomodações sejam do seu agrado. Fiz questão de preparar tudo pessoalmente.
— Você prometeu, Kirari — Jackie disse em um tom quase inaudível, mantendo o sorriso público enquanto seus olhos verdes artificiais buscavam os da noiva. — Ninguém pode saber. Nem sobre o nosso compromisso, nem sobre quem eu realmente sou. Eu quero ver este mundo pelos meus próprios olhos, não através do medo que o nome Novark impõe.
— Uma promessa é uma dívida sagrada, minha querida — Kirari inclinou levemente a cabeça, um gesto de submissão disfarçado de cortesia. — Seu segredo está seguro comigo. Para todos os efeitos, você é apenas a herdeira de uma multinacional parceira. Mas saiba que é difícil para mim... ver você andando por estes corredores como se fosse uma pessoa comum, quando você é a única que está acima de mim.
Jackie soltou uma risada baixa e melodiosa, que fez alguns alunos que passavam pararem para admirar sua beleza.
— A gentileza é a melhor das máscaras, Kirari. As pessoas tendem a subestimar o que é doce.
— E é por isso que você é perfeita — concluiu a Presidente, antes de se afastar um passo. — Agora, se me der licença, o Conselho Estudantil tem assuntos a tratar. Sinta-se à vontade para explorar. E Jackie... tente não quebrar muitos corações no seu primeiro dia.
Jackie observou Kirari se afastar com sua elegância predatória. Ela sabia que, para Kirari, aquele noivado não era apenas um contrato político entre clãs que poderiam engolir o mundo se estivessem unidos; era uma adoração genuína. Kirari via em Jackie algo que nem mesmo sua irmã gêmea ou o restante do clã Momobami possuía: uma pureza de espírito que coexistia com um poder devastador.
Caminhando em direção à biblioteca, Jackie foi interceptada por um grupo de alunos. No centro deles, estava uma garota de cabelos negros longos e olhos que brilhavam com uma curiosidade insaciável. Yumeko Jabami.
— Olá! — Yumeko exclamou, aproximando-se com uma energia contagiante. — Você deve ser a aluna nova! Eu sou Yumeko Jabami. É um prazer conhecer alguém com uma aura tão... pacífica.
Jackie sorriu, sentindo imediatamente a natureza caótica de Yumeko. Era como olhar para um abismo que sorria de volta.
— Muito prazer, Yumeko. Eu me chamo Jackie. Acabei de chegar e ainda estou tentando me localizar.
— Oh, eu posso te ajudar com isso! — Yumeko bateu as palmas das mãos, animada. — Mas você sabe como as coisas funcionam aqui, não sabe? Nesta escola, as palavras têm pouco valor. Nós preferimos nos comunicar através do jogo. Que tal uma partida amistosa para comemorarmos sua chegada?
— Um jogo? — Jackie inclinou a cabeça, seus cabelos brancos como neve balançando suavemente sobre os ombros. — Eu não sou muito fã de apostas altas, receio que seja uma pessoa um tanto... cautelosa.
— Só uma partida! — insistiu Yumeko, cujos olhos começaram a emitir um brilho avermelhado. — Algo simples. Apenas para sentirmos a sorte uma da outra.
Jackie hesitou por um momento. Ela sentia o olhar de Kirari nela, vindo de algum lugar das sacadas superiores do prédio. Ela sabia que Kirari estava assistindo, deliciando-se com a ideia de ver sua noiva em ação, mesmo que Jackie preferisse a diplomacia ao conflito.
— Tudo bem, Yumeko — Jackie aceitou, sua voz permanecendo doce. — Se for apenas para nos conhecermos melhor, eu aceito. O que sugere?
— Que tal o "Poker de Três Cartas"? — sugeriu um rapaz que acompanhava Yumeko, Ryota Suzui, parecendo genuinamente preocupado com a nova aluna. — É rápido e as regras são simples.
— Parece perfeito — disse Jackie.
As duas se acomodaram em uma mesa próxima, e logo uma pequena multidão começou a se formar. A notícia de que a "garota nova e gentil" estava enfrentando a "louca por apostas" espalhou-se como fogo.
Enquanto as cartas eram distribuídas, Jackie mantinha sua postura impecável. Ela não precisava trapacear. O Clã Novark não ensinava apenas como gerir trilhões de dólares; eles ensinavam a leitura da alma humana. Cada microexpressão de Yumeko, cada movimento de seus dedos, era como um livro aberto para Jackie.
— Vamos apostar algo interessante? — Yumeko sugeriu, deslizando dez fichas de alto valor para o centro da mesa. — Se eu ganhar, você terá que me contar um segredo. Qualquer segredo.
Jackie sentiu um leve calafrio. Yumeko tinha um instinto perigoso.
— E se eu ganhar? — perguntou Jackie, mantendo o tom suave.
— Se você ganhar, eu serei sua guia pessoal e protegida nesta escola por um mês inteiro — Yumeko sorriu de orelha a orelha.
As cartas foram reveladas. Yumeko tinha uma sequência. Um jogo forte.
— Oh, que pena, Jackie-san! Parece que a sorte sorriu para mim — Yumeko comemorou, já se preparando para ouvir o segredo.
Jackie, no entanto, manteve o sorriso calmo. Ela virou suas cartas com uma delicadeza quase ritualística. Um Flush Real de três cartas, a mão mais rara e poderosa naquela variante.
O silêncio caiu sobre a sala. Yumeko arregalou os olhos, não de tristeza, mas de puro êxtase.
— Incrível! — gritou Yumeko. — Você nem sequer mudou de expressão! Jackie-san, você é muito mais interessante do que aparenta!
— Foi apenas sorte, eu garanto — Jackie disse, levantando-se e recolhendo suas fichas com modéstia. — Mas parece que ganhei uma guia.
Ao longe, escondida nas sombras do segundo andar, Kirari Momobami observava a cena com um sorriso satisfeito. Ela apertou o corrimão de mármore, sentindo uma pontada de ciúme, mas também de orgulho. Jackie era um eclipse; ela trazia a escuridão absoluta envolta em uma luz branca ofuscante.
— Minha doce Jackie — sussurrou Kirari para si mesma. — Deixe que eles brinquem com você. Eles não fazem ideia de que estão diante da pessoa que poderia comprar este país inteiro antes do pôr do sol.
Mais tarde, naquele mesmo dia, Jackie encontrou-se com Kirari em uma sala privada atrás do escritório do Conselho. Assim que a porta se fechou, a postura pública de Jackie relaxou. Ela retirou as lentes verdes, revelando os olhos vermelhos vibrantes que brilhavam como rubis sob a luz da luminária.
— Aquela garota, Jabami... ela é perigosa — comentou Jackie, sentando-se em uma poltrona de couro enquanto Kirari se posicionava atrás dela, começando a soltar os cabelos brancos da noiva.
— Ela é um caos necessário — respondeu Kirari, seus dedos longos massageando suavemente os ombros de Jackie. — Mas ela não é nada comparada a você. Como se sente, estando "disfarçada" entre os mortais?
— É divertido — Jackie fechou os olhos, aproveitando o toque da noiva. — Mas sinto falta de ser eu mesma com você. Ter que fingir que somos estranhas diante dos outros é o maior desafio que você já me impôs.
Kirari inclinou-se e beijou o topo da cabeça de Jackie, respirando o perfume de jasmim que emanava dela.
— É um jogo, meu amor. O jogo mais longo que já jogamos. E o prêmio... bem, o prêmio é o mundo que construiremos juntas quando você finalmente assumir o seu lugar como a matriarca dos Novark.
— Você é devota demais, Kirari — Jackie virou o rosto para cima, encontrando o olhar azul intenso da Momobami. — Às vezes esqueço que você é a mulher mais temida deste colégio.
— Eu sou apenas a Presidente para eles — Kirari sorriu, aproximando seus lábios dos de Jackie. — Para você, eu sou apenas sua. E farei com que este colégio se curve à sua vontade, mesmo que eles nunca saibam quem deu a ordem.
— Mantenha o segredo — Jackie pediu mais uma vez, antes de selar o compromisso com um beijo. — Quero ver até onde a "bondade" pode me levar neste ninho de cobras.
— Ela te levará exatamente onde você quiser — sussurrou Kirari contra seus lábios. — E eu estarei lá para garantir que ninguém bloqueie o seu caminho.
Jackie Novark, com seus olhos de rubi e coração de ouro, estava pronta para jogar. Mas, ao contrário dos outros, ela não jogava por dinheiro ou por status. Ela jogava porque, no fim das contas, até a alma mais gentil gosta de ver as peças se movendo exatamente como planejado. E com a mulher mais poderosa do Japão a seus pés, o tabuleiro da Hyakkaou nunca pareceu tão pequeno.
— Amanhã — disse Jackie, recolocando as lentes verdes diante do espelho — eu quero conhecer o resto do Conselho. Vamos ver se eles são tão divertidos quanto a Jabami.
Kirari riu, uma risada clara e cristalina que só Jackie tinha o privilégio de ouvir.
— Eles não estão preparados para você, Jackie. Ninguém está.
E assim, sob o véu da mentira e da proteção de um amor obsessivo, a verdadeira soberana da academia começava sua caminhada silenciosa, escondida em plena vista, com um sorriso doce e olhos que guardavam o segredo de um império sem igual.
Seus olhos, ocultos por lentes de contato de um verde esmeralda profundo, observavam cada detalhe da arquitetura opressiva do lugar. Por trás daquela barreira artificial, pulsava o vermelho carmesim de uma linhagem que remontava a séculos de poder absoluto — o Clã Novark. Enquanto os Momobami governavam as sombras do Japão com punho de ferro, os Novark eram as divindades silenciosas que operavam em um nível global, uma força que não precisava de propaganda porque o mundo já estava, de certa forma, em suas mãos.
— É um lugar fascinante, não acha? — Uma voz suave, mas carregada de uma autoridade gélida, surgiu às suas costas.
Jackie parou e virou-se lentamente. Diante dela estava Kirari Momobami, a Presidente do Conselho Estudantil, com suas tranças circulares impecáveis e aquele sorriso enigmático que costumava desestabilizar até os jogadores mais experientes.
— De fato, Presidente — Jackie respondeu, mantendo a voz doce e o semblante gentil que era sua marca registrada. — A atmosfera aqui é... eletrizante. Quase posso sentir o cheiro do desespero e da adrenalina.
Kirari aproximou-se, diminuindo a distância entre as duas até que apenas alguns centímetros as separassem. Para os observadores distantes, parecia apenas a recepção formal de uma nova aluna. Mas, no íntimo, o coração de Kirari batia em um ritmo que ela raramente permitia que alguém provocasse.
— Seja bem-vinda à minha caixa de areia, Jackie — sussurrou Kirari, os olhos azuis brilhando com uma devoção que beirava a obsessão. — Espero que as acomodações sejam do seu agrado. Fiz questão de preparar tudo pessoalmente.
— Você prometeu, Kirari — Jackie disse em um tom quase inaudível, mantendo o sorriso público enquanto seus olhos verdes artificiais buscavam os da noiva. — Ninguém pode saber. Nem sobre o nosso compromisso, nem sobre quem eu realmente sou. Eu quero ver este mundo pelos meus próprios olhos, não através do medo que o nome Novark impõe.
— Uma promessa é uma dívida sagrada, minha querida — Kirari inclinou levemente a cabeça, um gesto de submissão disfarçado de cortesia. — Seu segredo está seguro comigo. Para todos os efeitos, você é apenas a herdeira de uma multinacional parceira. Mas saiba que é difícil para mim... ver você andando por estes corredores como se fosse uma pessoa comum, quando você é a única que está acima de mim.
Jackie soltou uma risada baixa e melodiosa, que fez alguns alunos que passavam pararem para admirar sua beleza.
— A gentileza é a melhor das máscaras, Kirari. As pessoas tendem a subestimar o que é doce.
— E é por isso que você é perfeita — concluiu a Presidente, antes de se afastar um passo. — Agora, se me der licença, o Conselho Estudantil tem assuntos a tratar. Sinta-se à vontade para explorar. E Jackie... tente não quebrar muitos corações no seu primeiro dia.
Jackie observou Kirari se afastar com sua elegância predatória. Ela sabia que, para Kirari, aquele noivado não era apenas um contrato político entre clãs que poderiam engolir o mundo se estivessem unidos; era uma adoração genuína. Kirari via em Jackie algo que nem mesmo sua irmã gêmea ou o restante do clã Momobami possuía: uma pureza de espírito que coexistia com um poder devastador.
Caminhando em direção à biblioteca, Jackie foi interceptada por um grupo de alunos. No centro deles, estava uma garota de cabelos negros longos e olhos que brilhavam com uma curiosidade insaciável. Yumeko Jabami.
— Olá! — Yumeko exclamou, aproximando-se com uma energia contagiante. — Você deve ser a aluna nova! Eu sou Yumeko Jabami. É um prazer conhecer alguém com uma aura tão... pacífica.
Jackie sorriu, sentindo imediatamente a natureza caótica de Yumeko. Era como olhar para um abismo que sorria de volta.
— Muito prazer, Yumeko. Eu me chamo Jackie. Acabei de chegar e ainda estou tentando me localizar.
— Oh, eu posso te ajudar com isso! — Yumeko bateu as palmas das mãos, animada. — Mas você sabe como as coisas funcionam aqui, não sabe? Nesta escola, as palavras têm pouco valor. Nós preferimos nos comunicar através do jogo. Que tal uma partida amistosa para comemorarmos sua chegada?
— Um jogo? — Jackie inclinou a cabeça, seus cabelos brancos como neve balançando suavemente sobre os ombros. — Eu não sou muito fã de apostas altas, receio que seja uma pessoa um tanto... cautelosa.
— Só uma partida! — insistiu Yumeko, cujos olhos começaram a emitir um brilho avermelhado. — Algo simples. Apenas para sentirmos a sorte uma da outra.
Jackie hesitou por um momento. Ela sentia o olhar de Kirari nela, vindo de algum lugar das sacadas superiores do prédio. Ela sabia que Kirari estava assistindo, deliciando-se com a ideia de ver sua noiva em ação, mesmo que Jackie preferisse a diplomacia ao conflito.
— Tudo bem, Yumeko — Jackie aceitou, sua voz permanecendo doce. — Se for apenas para nos conhecermos melhor, eu aceito. O que sugere?
— Que tal o "Poker de Três Cartas"? — sugeriu um rapaz que acompanhava Yumeko, Ryota Suzui, parecendo genuinamente preocupado com a nova aluna. — É rápido e as regras são simples.
— Parece perfeito — disse Jackie.
As duas se acomodaram em uma mesa próxima, e logo uma pequena multidão começou a se formar. A notícia de que a "garota nova e gentil" estava enfrentando a "louca por apostas" espalhou-se como fogo.
Enquanto as cartas eram distribuídas, Jackie mantinha sua postura impecável. Ela não precisava trapacear. O Clã Novark não ensinava apenas como gerir trilhões de dólares; eles ensinavam a leitura da alma humana. Cada microexpressão de Yumeko, cada movimento de seus dedos, era como um livro aberto para Jackie.
— Vamos apostar algo interessante? — Yumeko sugeriu, deslizando dez fichas de alto valor para o centro da mesa. — Se eu ganhar, você terá que me contar um segredo. Qualquer segredo.
Jackie sentiu um leve calafrio. Yumeko tinha um instinto perigoso.
— E se eu ganhar? — perguntou Jackie, mantendo o tom suave.
— Se você ganhar, eu serei sua guia pessoal e protegida nesta escola por um mês inteiro — Yumeko sorriu de orelha a orelha.
As cartas foram reveladas. Yumeko tinha uma sequência. Um jogo forte.
— Oh, que pena, Jackie-san! Parece que a sorte sorriu para mim — Yumeko comemorou, já se preparando para ouvir o segredo.
Jackie, no entanto, manteve o sorriso calmo. Ela virou suas cartas com uma delicadeza quase ritualística. Um Flush Real de três cartas, a mão mais rara e poderosa naquela variante.
O silêncio caiu sobre a sala. Yumeko arregalou os olhos, não de tristeza, mas de puro êxtase.
— Incrível! — gritou Yumeko. — Você nem sequer mudou de expressão! Jackie-san, você é muito mais interessante do que aparenta!
— Foi apenas sorte, eu garanto — Jackie disse, levantando-se e recolhendo suas fichas com modéstia. — Mas parece que ganhei uma guia.
Ao longe, escondida nas sombras do segundo andar, Kirari Momobami observava a cena com um sorriso satisfeito. Ela apertou o corrimão de mármore, sentindo uma pontada de ciúme, mas também de orgulho. Jackie era um eclipse; ela trazia a escuridão absoluta envolta em uma luz branca ofuscante.
— Minha doce Jackie — sussurrou Kirari para si mesma. — Deixe que eles brinquem com você. Eles não fazem ideia de que estão diante da pessoa que poderia comprar este país inteiro antes do pôr do sol.
Mais tarde, naquele mesmo dia, Jackie encontrou-se com Kirari em uma sala privada atrás do escritório do Conselho. Assim que a porta se fechou, a postura pública de Jackie relaxou. Ela retirou as lentes verdes, revelando os olhos vermelhos vibrantes que brilhavam como rubis sob a luz da luminária.
— Aquela garota, Jabami... ela é perigosa — comentou Jackie, sentando-se em uma poltrona de couro enquanto Kirari se posicionava atrás dela, começando a soltar os cabelos brancos da noiva.
— Ela é um caos necessário — respondeu Kirari, seus dedos longos massageando suavemente os ombros de Jackie. — Mas ela não é nada comparada a você. Como se sente, estando "disfarçada" entre os mortais?
— É divertido — Jackie fechou os olhos, aproveitando o toque da noiva. — Mas sinto falta de ser eu mesma com você. Ter que fingir que somos estranhas diante dos outros é o maior desafio que você já me impôs.
Kirari inclinou-se e beijou o topo da cabeça de Jackie, respirando o perfume de jasmim que emanava dela.
— É um jogo, meu amor. O jogo mais longo que já jogamos. E o prêmio... bem, o prêmio é o mundo que construiremos juntas quando você finalmente assumir o seu lugar como a matriarca dos Novark.
— Você é devota demais, Kirari — Jackie virou o rosto para cima, encontrando o olhar azul intenso da Momobami. — Às vezes esqueço que você é a mulher mais temida deste colégio.
— Eu sou apenas a Presidente para eles — Kirari sorriu, aproximando seus lábios dos de Jackie. — Para você, eu sou apenas sua. E farei com que este colégio se curve à sua vontade, mesmo que eles nunca saibam quem deu a ordem.
— Mantenha o segredo — Jackie pediu mais uma vez, antes de selar o compromisso com um beijo. — Quero ver até onde a "bondade" pode me levar neste ninho de cobras.
— Ela te levará exatamente onde você quiser — sussurrou Kirari contra seus lábios. — E eu estarei lá para garantir que ninguém bloqueie o seu caminho.
Jackie Novark, com seus olhos de rubi e coração de ouro, estava pronta para jogar. Mas, ao contrário dos outros, ela não jogava por dinheiro ou por status. Ela jogava porque, no fim das contas, até a alma mais gentil gosta de ver as peças se movendo exatamente como planejado. E com a mulher mais poderosa do Japão a seus pés, o tabuleiro da Hyakkaou nunca pareceu tão pequeno.
— Amanhã — disse Jackie, recolocando as lentes verdes diante do espelho — eu quero conhecer o resto do Conselho. Vamos ver se eles são tão divertidos quanto a Jabami.
Kirari riu, uma risada clara e cristalina que só Jackie tinha o privilégio de ouvir.
— Eles não estão preparados para você, Jackie. Ninguém está.
E assim, sob o véu da mentira e da proteção de um amor obsessivo, a verdadeira soberana da academia começava sua caminhada silenciosa, escondida em plena vista, com um sorriso doce e olhos que guardavam o segredo de um império sem igual.
