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Disfarce com segredos
Fandom: Kakegurui
Criado: 24/06/2026
Tags
RomanceUA (Universo Alternativo)DramaPsicológicoSombrioSuspenseEstudo de PersonagemCrimeCenário CanônicoDivergênciaCrossover
O Reflexo de um Olhar Carmesim
O sol da manhã batia contra os vitrais da Academia Privada Hyakkaou, projetando sombras coloridas e distorcidas sobre o piso de mármore impecável. Para qualquer observador externo, aquela era apenas uma escola de elite para os filhos das famílias mais ricas do Japão. Para os iniciados, porém, era um ninho de víboras onde o valor de um ser humano era medido pela sua habilidade em apostar, mentir e destruir o oponente.
No topo da hierarquia, sentada em seu trono no Grêmio Estudantil, Kirari Momobami observava as câmeras de segurança com um sorriso enigmático. Seus olhos azuis, gélidos como o oceano profundo, estavam fixos em uma garota específica que caminhava pelo corredor do primeiro ano.
A garota usava óculos de armação grossa, lentes de contato castanhas que escondiam o brilho sobrenatural de suas íris e uma peruca castanha comum, opaca, que ocultava a cascata de fios brancos como a neve que eram a marca registrada do clã Novark.
— Ela realmente está se esforçando para passar despercebida — comentou Sayaka Igarashi, a secretária do Grêmio, ajustando os óculos enquanto observava a mesma tela. — Mas ainda não entendo, Presidente. Por que permitir que uma herdeira da linhagem Novark se submeta a isso? O nome dela sozinho colocaria todos os alunos de joelhos.
Kirari soltou uma risada baixa, um som que sempre enviava calafrios pela espinha de quem o ouvia.
— Jackie sempre teve uma natureza curiosa, Sayaka. Ela quer ver o mundo sem o filtro do medo que o sobrenome dela impõe. E como sua noiva devota, como eu poderia negar um desejo tão... adorável?
Enquanto isso, nos corredores movimentados, "Milli Sato" apertava as alças de sua mochila, sentindo o peso do disfarce. Jackie Novark, a única herdeira de um clã cujas raízes eram tão profundas e sombrias que faziam os Momobami parecerem meros amadores em certas esferas de influência, estava achando a experiência fascinante.
— Com licença, você é a aluna nova? — Uma voz estridente a interrompeu.
Jackie parou e olhou para cima. À sua frente estava uma garota com o uniforme impecável, exibindo um sorriso que não chegava aos olhos. Era o tipo de predadora de nível baixo que Hyakkaou criava aos montes.
— Sim, sou Milli Sato. Prazer em conhecê-la — disse Jackie, sua voz saindo suave e gentil, transbordando uma inocência que era, em parte, sua verdadeira natureza, e em parte, sua melhor camuflagem.
— Eu sou Emi. Bem-vinda ao jardim de infância, Milli. Você já sabe como as coisas funcionam aqui? — Emi se aproximou, o brilho de malícia em seus olhos era evidente. — Aqui, nós jogamos. E para quem não tem um histórico... bem, você é apenas uma folha em branco esperando para ser rasgada.
Jackie sorriu de volta, um sorriso tão genuinamente doce que a outra garota hesitou por um segundo.
— Eu adoraria aprender. Mas sou um pouco lenta com regras complicadas.
— Não se preocupe — disse Emi, gesticulando para uma mesa de pôquer no canto do pátio interno. — Vamos começar com algo simples. Se você perder, só precisa me dar o seu lanche e... digamos, dez mil ienes?
Jackie inclinou a cabeça, fingindo timidez. Por baixo das lentes de contato castanhas, seus olhos vermelhos pareciam pulsar com uma energia contida. Ela sabia que Kirari estava assistindo. Ela podia sentir o olhar da noiva através das câmeras, uma conexão invisível que as unia desde a infância, quando o contrato de noivado fora selado entre as duas casas mais poderosas do submundo.
— Tudo bem, Emi. Vamos jogar.
O jogo durou menos de dez minutos. Jackie, agindo como a "Milli" atrapalhada, cometeu erros estratégicos óbvios, deixando Emi ganhar rodada após rodada. O círculo de estudantes ao redor começou a rir, zombando da "garota nova e burra".
— Pobre coitada — sussurrou um aluno. — Ela vai virar um "bicho" antes do final da semana.
Jackie não se importava. Ela estava observando. Estudando as microexpressões de Emi, o jeito que o suor brotava em sua testa quando ela tentava blefar, a maneira como suas mãos tremiam levemente de excitação. Era um estudo antropológico para a herdeira Novark.
De repente, o som de passos rítmicos e autoritários ecoou pelo pátio. O silêncio caiu sobre a multidão como um manto pesado. Os alunos se abriram, criando um corredor instantâneo.
Kirari Momobami caminhava com sua elegância predatória habitual, acompanhada por Sayaka. Seus olhos azuis percorreram a cena, parando brevemente na figura desajeitada de Milli Sato.
— O que temos aqui? — perguntou Kirari, sua voz suave como seda, mas afiada como uma navalha.
Emi empalideceu, fazendo uma reverência profunda.
— Presidente! Eu... eu estava apenas ensinando as regras para a nova aluna. Nada sério!
Kirari aproximou-se da mesa, seus dedos longos e bem cuidados tocando a borda da madeira. Ela olhou diretamente para Jackie. Para todos os outros, era o olhar de uma deusa para um inseto. Para Jackie, era um carinho secreto.
— Milli Sato, não é? — Kirari disse o nome com uma diversão contida que apenas Jackie poderia detectar. — Você parece estar perdendo feio.
— Sinto muito, Presidente — disse Jackie, baixando a cabeça para esconder o brilho que ameaçava escapar de seus olhos. — Eu ainda não entendi bem como as cartas funcionam.
Kirari inclinou-se para frente, o perfume de rosas e perigo emanando dela. Ela estendeu a mão e levantou o queixo de Jackie com a ponta dos dedos. O toque enviou uma descarga elétrica pelo corpo de ambas.
— Em Hyakkaou, a ignorância é um pecado caro — sussurrou Kirari, perto o suficiente para que apenas Jackie ouvisse. — Mas eu gosto de apostas com potencial.
Ela se virou para a multidão, sua expressão tornando-se fria novamente.
— Deixem-na. Quero ver até onde essa... gentileza a levará. Se ela se tornar uma "Vira-lata", eu mesma cuidarei da coleira dela.
Um arrepio percorreu os alunos. Kirari raramente demonstrava interesse pessoal por alunos comuns. Emi, tremendo, recolheu as fichas e saiu apressada, esquecendo-se até de cobrar os dez mil ienes.
Quando o pátio se esvaziou e Kirari seguiu seu caminho, Jackie permaneceu sentada por um momento, sentindo o rastro do toque da noiva em sua pele.
Mais tarde naquela noite, após as aulas terem terminado e a escola estar mergulhada no silêncio do crepúsculo, a porta da sala do Grêmio Estudantil se abriu silenciosamente.
Jackie entrou, mas não era mais a "Milli". Ela havia removido a peruca, deixando seus longos cabelos brancos caírem como uma cascata de prata sobre os ombros. As lentes de contato haviam sido descartadas, revelando íris de um vermelho profundo e hipnotizante, a cor do sangue real de seu clã.
Kirari estava sentada diante da grande janela, observando as luzes da cidade. Ela não se virou, mas um sorriso apareceu em seus lábios.
— O disfarce é um pouco sufocante, não acha, minha querida Jackie?
Jackie caminhou até ela, sua postura agora exalando uma autoridade que rivalizava com a da própria Presidente. Ela se inclinou sobre o trono de Kirari, abraçando-a por trás e descansando o queixo em seu ombro.
— É um pouco divertido ver como eles agem quando pensam que sou fraca — Jackie admitiu, sua voz agora rica e melódica, sem o tom hesitante de Milli. — Mas senti falta de olhar para você sem esse filtro castanho nos meus olhos.
Kirari virou o rosto, selando seus lábios nos de Jackie em um beijo breve, mas carregado de uma possessividade ardente.
— Você é uma péssima jogadora quando tenta fingir — brincou Kirari, acariciando os fios brancos de Jackie. — Seus instintos Novark brilham através de qualquer disfarce. Aquela garota, Emi... ela nem percebeu que você a deixou ganhar para estudar o padrão de embaralhamento dela.
Jackie riu, um som cristalino e amoroso.
— Eu prometi ser uma boa menina, Kirari. Mas se alguém tentar machucar o que é meu, ou se o tédio se tornar insuportável... eu posso ter que mostrar a eles por que o clã Novark não precisa de jogos para governar.
Kirari prendeu a respiração por um segundo, admirando a dualidade da mulher em seus braços. Jackie era a criatura mais gentil que ela já conhecera, capaz de cuidar de uma borboleta ferida com devoção absoluta. Mas, ao mesmo tempo, ela era a herdeira de um império construído sobre ossos e segredos, com um poder que poderia reduzir Hyakkaou a cinzas se ela assim desejasse.
— Por quanto tempo pretende manter essa farsa? — perguntou Kirari, puxando Jackie para seu colo.
— Até que alguém me desafie de verdade — respondeu Jackie, brincando com as unhas pintadas de azul de Kirari. — Até que o caos que você tanto ama encontre um caminho para o meu coração. Além disso, eu gosto de ser sua "Vira-lata" secreta por um tempo.
Kirari estreitou os olhos, um brilho de excitação surgindo neles.
— Oh, Jackie... se eles soubessem que a "Milli" é a dona da coleira da Presidente, esta escola entraria em colapso.
— Deixe que pensem o que quiserem — Jackie sussurrou, encostando a testa na de Kirari. — Enquanto eu tiver você, e enquanto pudermos brincar neste jardim que você construiu, eu serei quem você quiser.
— Então, amanhã — disse Kirari, voltando ao seu tom de autoridade, embora seus olhos transbordassem adoração —, Milli Sato terá que enfrentar um desafio maior. O Clube de Cultura Tradicional ouviu falar da "nova garota fácil de enganar".
Jackie sorriu, e naquele momento, seus olhos vermelhos brilharam com uma intensidade que faria qualquer apostador profissional tremer de medo.
— Eu mal posso esperar para ser "enganada" novamente, Kirari. Só espero que eles tenham algo interessante para oferecer quando eu decidir parar de ser gentil.
As duas ficaram ali, no topo do mundo que Kirari governava, duas rainhas unidas por um contrato de sangue e um amor que desafiava a lógica distorcida daquela academia. Jackie Novark, a garota de cabelos de neve e olhos de sangue, continuaria sua dança nas sombras, protegida pelo silêncio de sua noiva e alimentada pela curiosidade de um mundo que ainda não estava pronto para o seu verdadeiro despertar.
Afinal, em Hyakkaou, o jogo mais perigoso não era o pôquer ou a roleta. Era acreditar que se conhecia a verdadeira face de quem estava sentado à sua frente na mesa de apostas. E para Jackie, a máscara de Milli Sato era apenas o começo de uma aposta que mudaria o destino da família Momobami para sempre.
— Durma bem, minha doce Milli — sussurrou Kirari, enquanto Jackie se afastava para retomar seu disfarce antes de sair.
— Até amanhã, minha Presidente — respondeu Jackie, o brilho carmesim de seus olhos sendo a última coisa que Kirari viu antes da porta se fechar.
O jogo estava apenas começando, e Jackie Novark pretendia ganhar cada rodada, mesmo que, para o resto do mundo, ela estivesse perdendo tudo.
No topo da hierarquia, sentada em seu trono no Grêmio Estudantil, Kirari Momobami observava as câmeras de segurança com um sorriso enigmático. Seus olhos azuis, gélidos como o oceano profundo, estavam fixos em uma garota específica que caminhava pelo corredor do primeiro ano.
A garota usava óculos de armação grossa, lentes de contato castanhas que escondiam o brilho sobrenatural de suas íris e uma peruca castanha comum, opaca, que ocultava a cascata de fios brancos como a neve que eram a marca registrada do clã Novark.
— Ela realmente está se esforçando para passar despercebida — comentou Sayaka Igarashi, a secretária do Grêmio, ajustando os óculos enquanto observava a mesma tela. — Mas ainda não entendo, Presidente. Por que permitir que uma herdeira da linhagem Novark se submeta a isso? O nome dela sozinho colocaria todos os alunos de joelhos.
Kirari soltou uma risada baixa, um som que sempre enviava calafrios pela espinha de quem o ouvia.
— Jackie sempre teve uma natureza curiosa, Sayaka. Ela quer ver o mundo sem o filtro do medo que o sobrenome dela impõe. E como sua noiva devota, como eu poderia negar um desejo tão... adorável?
Enquanto isso, nos corredores movimentados, "Milli Sato" apertava as alças de sua mochila, sentindo o peso do disfarce. Jackie Novark, a única herdeira de um clã cujas raízes eram tão profundas e sombrias que faziam os Momobami parecerem meros amadores em certas esferas de influência, estava achando a experiência fascinante.
— Com licença, você é a aluna nova? — Uma voz estridente a interrompeu.
Jackie parou e olhou para cima. À sua frente estava uma garota com o uniforme impecável, exibindo um sorriso que não chegava aos olhos. Era o tipo de predadora de nível baixo que Hyakkaou criava aos montes.
— Sim, sou Milli Sato. Prazer em conhecê-la — disse Jackie, sua voz saindo suave e gentil, transbordando uma inocência que era, em parte, sua verdadeira natureza, e em parte, sua melhor camuflagem.
— Eu sou Emi. Bem-vinda ao jardim de infância, Milli. Você já sabe como as coisas funcionam aqui? — Emi se aproximou, o brilho de malícia em seus olhos era evidente. — Aqui, nós jogamos. E para quem não tem um histórico... bem, você é apenas uma folha em branco esperando para ser rasgada.
Jackie sorriu de volta, um sorriso tão genuinamente doce que a outra garota hesitou por um segundo.
— Eu adoraria aprender. Mas sou um pouco lenta com regras complicadas.
— Não se preocupe — disse Emi, gesticulando para uma mesa de pôquer no canto do pátio interno. — Vamos começar com algo simples. Se você perder, só precisa me dar o seu lanche e... digamos, dez mil ienes?
Jackie inclinou a cabeça, fingindo timidez. Por baixo das lentes de contato castanhas, seus olhos vermelhos pareciam pulsar com uma energia contida. Ela sabia que Kirari estava assistindo. Ela podia sentir o olhar da noiva através das câmeras, uma conexão invisível que as unia desde a infância, quando o contrato de noivado fora selado entre as duas casas mais poderosas do submundo.
— Tudo bem, Emi. Vamos jogar.
O jogo durou menos de dez minutos. Jackie, agindo como a "Milli" atrapalhada, cometeu erros estratégicos óbvios, deixando Emi ganhar rodada após rodada. O círculo de estudantes ao redor começou a rir, zombando da "garota nova e burra".
— Pobre coitada — sussurrou um aluno. — Ela vai virar um "bicho" antes do final da semana.
Jackie não se importava. Ela estava observando. Estudando as microexpressões de Emi, o jeito que o suor brotava em sua testa quando ela tentava blefar, a maneira como suas mãos tremiam levemente de excitação. Era um estudo antropológico para a herdeira Novark.
De repente, o som de passos rítmicos e autoritários ecoou pelo pátio. O silêncio caiu sobre a multidão como um manto pesado. Os alunos se abriram, criando um corredor instantâneo.
Kirari Momobami caminhava com sua elegância predatória habitual, acompanhada por Sayaka. Seus olhos azuis percorreram a cena, parando brevemente na figura desajeitada de Milli Sato.
— O que temos aqui? — perguntou Kirari, sua voz suave como seda, mas afiada como uma navalha.
Emi empalideceu, fazendo uma reverência profunda.
— Presidente! Eu... eu estava apenas ensinando as regras para a nova aluna. Nada sério!
Kirari aproximou-se da mesa, seus dedos longos e bem cuidados tocando a borda da madeira. Ela olhou diretamente para Jackie. Para todos os outros, era o olhar de uma deusa para um inseto. Para Jackie, era um carinho secreto.
— Milli Sato, não é? — Kirari disse o nome com uma diversão contida que apenas Jackie poderia detectar. — Você parece estar perdendo feio.
— Sinto muito, Presidente — disse Jackie, baixando a cabeça para esconder o brilho que ameaçava escapar de seus olhos. — Eu ainda não entendi bem como as cartas funcionam.
Kirari inclinou-se para frente, o perfume de rosas e perigo emanando dela. Ela estendeu a mão e levantou o queixo de Jackie com a ponta dos dedos. O toque enviou uma descarga elétrica pelo corpo de ambas.
— Em Hyakkaou, a ignorância é um pecado caro — sussurrou Kirari, perto o suficiente para que apenas Jackie ouvisse. — Mas eu gosto de apostas com potencial.
Ela se virou para a multidão, sua expressão tornando-se fria novamente.
— Deixem-na. Quero ver até onde essa... gentileza a levará. Se ela se tornar uma "Vira-lata", eu mesma cuidarei da coleira dela.
Um arrepio percorreu os alunos. Kirari raramente demonstrava interesse pessoal por alunos comuns. Emi, tremendo, recolheu as fichas e saiu apressada, esquecendo-se até de cobrar os dez mil ienes.
Quando o pátio se esvaziou e Kirari seguiu seu caminho, Jackie permaneceu sentada por um momento, sentindo o rastro do toque da noiva em sua pele.
Mais tarde naquela noite, após as aulas terem terminado e a escola estar mergulhada no silêncio do crepúsculo, a porta da sala do Grêmio Estudantil se abriu silenciosamente.
Jackie entrou, mas não era mais a "Milli". Ela havia removido a peruca, deixando seus longos cabelos brancos caírem como uma cascata de prata sobre os ombros. As lentes de contato haviam sido descartadas, revelando íris de um vermelho profundo e hipnotizante, a cor do sangue real de seu clã.
Kirari estava sentada diante da grande janela, observando as luzes da cidade. Ela não se virou, mas um sorriso apareceu em seus lábios.
— O disfarce é um pouco sufocante, não acha, minha querida Jackie?
Jackie caminhou até ela, sua postura agora exalando uma autoridade que rivalizava com a da própria Presidente. Ela se inclinou sobre o trono de Kirari, abraçando-a por trás e descansando o queixo em seu ombro.
— É um pouco divertido ver como eles agem quando pensam que sou fraca — Jackie admitiu, sua voz agora rica e melódica, sem o tom hesitante de Milli. — Mas senti falta de olhar para você sem esse filtro castanho nos meus olhos.
Kirari virou o rosto, selando seus lábios nos de Jackie em um beijo breve, mas carregado de uma possessividade ardente.
— Você é uma péssima jogadora quando tenta fingir — brincou Kirari, acariciando os fios brancos de Jackie. — Seus instintos Novark brilham através de qualquer disfarce. Aquela garota, Emi... ela nem percebeu que você a deixou ganhar para estudar o padrão de embaralhamento dela.
Jackie riu, um som cristalino e amoroso.
— Eu prometi ser uma boa menina, Kirari. Mas se alguém tentar machucar o que é meu, ou se o tédio se tornar insuportável... eu posso ter que mostrar a eles por que o clã Novark não precisa de jogos para governar.
Kirari prendeu a respiração por um segundo, admirando a dualidade da mulher em seus braços. Jackie era a criatura mais gentil que ela já conhecera, capaz de cuidar de uma borboleta ferida com devoção absoluta. Mas, ao mesmo tempo, ela era a herdeira de um império construído sobre ossos e segredos, com um poder que poderia reduzir Hyakkaou a cinzas se ela assim desejasse.
— Por quanto tempo pretende manter essa farsa? — perguntou Kirari, puxando Jackie para seu colo.
— Até que alguém me desafie de verdade — respondeu Jackie, brincando com as unhas pintadas de azul de Kirari. — Até que o caos que você tanto ama encontre um caminho para o meu coração. Além disso, eu gosto de ser sua "Vira-lata" secreta por um tempo.
Kirari estreitou os olhos, um brilho de excitação surgindo neles.
— Oh, Jackie... se eles soubessem que a "Milli" é a dona da coleira da Presidente, esta escola entraria em colapso.
— Deixe que pensem o que quiserem — Jackie sussurrou, encostando a testa na de Kirari. — Enquanto eu tiver você, e enquanto pudermos brincar neste jardim que você construiu, eu serei quem você quiser.
— Então, amanhã — disse Kirari, voltando ao seu tom de autoridade, embora seus olhos transbordassem adoração —, Milli Sato terá que enfrentar um desafio maior. O Clube de Cultura Tradicional ouviu falar da "nova garota fácil de enganar".
Jackie sorriu, e naquele momento, seus olhos vermelhos brilharam com uma intensidade que faria qualquer apostador profissional tremer de medo.
— Eu mal posso esperar para ser "enganada" novamente, Kirari. Só espero que eles tenham algo interessante para oferecer quando eu decidir parar de ser gentil.
As duas ficaram ali, no topo do mundo que Kirari governava, duas rainhas unidas por um contrato de sangue e um amor que desafiava a lógica distorcida daquela academia. Jackie Novark, a garota de cabelos de neve e olhos de sangue, continuaria sua dança nas sombras, protegida pelo silêncio de sua noiva e alimentada pela curiosidade de um mundo que ainda não estava pronto para o seu verdadeiro despertar.
Afinal, em Hyakkaou, o jogo mais perigoso não era o pôquer ou a roleta. Era acreditar que se conhecia a verdadeira face de quem estava sentado à sua frente na mesa de apostas. E para Jackie, a máscara de Milli Sato era apenas o começo de uma aposta que mudaria o destino da família Momobami para sempre.
— Durma bem, minha doce Milli — sussurrou Kirari, enquanto Jackie se afastava para retomar seu disfarce antes de sair.
— Até amanhã, minha Presidente — respondeu Jackie, o brilho carmesim de seus olhos sendo a última coisa que Kirari viu antes da porta se fechar.
O jogo estava apenas começando, e Jackie Novark pretendia ganhar cada rodada, mesmo que, para o resto do mundo, ela estivesse perdendo tudo.
