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Dominação

Fandom: Once upon a time

Criado: 24/06/2026

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O Preço do Trono

O tecido da seda branca repousava sobre a cama como uma promessa inevitável. Para Regina, no entanto, aquele vestido de noiva parecia mais uma mortalha fúnebre. O casamento com o Rei Leopold estava marcado para a manhã seguinte, um evento que uniria o sangue dos Mills à realeza de todo o reino, consolidando o poder que sua mãe sempre cobiçara. No silêncio do quarto, as lágrimas de Regina eram a única sutil rebeldia que lhe restava.

A porta rangeu suavemente, e a silhueta imponente de Cora cruzou o limite dos aposentos. Seus cabelos morenos estavam perfeitamente alinhados, e os olhos escuros brilhavam com uma intensidade fria e calculista. Ela não precisava de coroa para demonstrar sua soberania; sua postura já exalava uma dominância absoluta.

— Lágrimas, Regina? — A voz de Cora era baixa, mas preenchia cada canto do cômodo. — Pensei que já tivéssemos superado essa fase de lamentações inúteis.

— Eu não quero me casar com ele, mamãe — sussurrou Regina, enxugando o rosto rapidamente, sabendo que a fraqueza irritava sua progenitora. — Ele é um homem velho, que ainda chora pela falecida esposa. Eu serei apenas um troféu.

Cora aproximou-se lentamente, o som de seus passos quase imperceptível no tapete pesado. Ela parou a poucos centímetros da filha, avaliando as feições jovens e belas de Regina. Havia uma possessividade crua na forma como Cora olhava para ela, algo que ia muito além do orgulho materno.

— Você será a rainha — corrigiu Cora, segurando o queixo de Regina com firmeza, forçando-a a erguer o olhar. — E, mais importante, você será o instrumento do nosso triunfo. Mas antes que aquele homem toque em você, antes que ele ouse reivindicar o que é meu por direito de criação, há algo que precisamos resolver.

Regina estremeceu sob o toque firme.

— O que quer dizer? — perguntou ela, a respiração falhando diante da proximidade avassaladora de Cora.

— Um rei não deve receber uma mulher que ainda pertence às ilusões da juventude — declarou Cora, os dedos deslizando pelo pescoço de Regina até a clavícula. — Leopold terá o seu título, terá o seu respeito público, mas ele nunca terá a sua essência. Essa pertence a mim.

A dominação de Cora não se expressava apenas em ordens e magia; manifestava-se na capacidade de desarmar a filha completamente. Naquela noite, sob o pretexto de prepará-la para o tálamo real, Cora tomou para si a inocência de Regina. Foi um ato de posse definitivo, onde a dor da perda da virgindade misturou-se à submissão absoluta que Regina sentia por aquela mulher tão bela e terrível. Quando a madrugada chegou, Regina compreendeu que seu corpo e sua alma jamais seriam de Leopold.

O casamento foi uma celebração de pompa e circunstância. O Rei Leopold, cego por sua própria retidão e pela busca de uma nova mãe para a pequena Branca de Neve, sorria orgulhoso ao lado de sua nova e jovem rainha. Ele não percebia o olhar distante de Regina, nem a presença constante de Cora nos bastidores da corte, observando tudo como uma aranha tecendo sua teia.

A vida no castelo real seguiu uma rotina de aparências. Durante o dia, Regina desempenhava o papel de consorte perfeita, lidando com os caprichos da enteada e a solenidade do marido. À noite, porém, o verdadeiro palácio ganhava vida nas sombras.

Meses após o matrimônio, Leopold anunciou que partiria em uma viagem de inspeção pelas províncias do norte, uma ausência que duraria pelo menos duas semanas. Para Regina, era um alívio temporário do peso de fingir afeto. Para Cora, era a oportunidade perfeita.

Na segunda noite após a partida do rei, Regina recolheu-se cedo. O quarto real era vasto, decorado com tapeçarias que narravam as glórias dos ancestrais de Leopold. Ela vestia uma camisola de seda escura, contrastando com a decoração dourada do ambiente.

A passagem secreta atrás da lareira, cuja existência Cora descobrira nos primeiros dias de palácio, abriu-se sem um ruído. A figura de Cora emergiu das sombras, trajando um vestido de veludo que acentuava suas curvas maduras e dominantes.

— Ele realmente acredita que este lugar lhe pertence — disse Cora, aproximando-se da cama com um sorriso de escárnio nos lábios.

— Mamãe — murmurou Regina, sentando-se na cama, o coração acelerando instantaneamente. — Você não deveria estar aqui. Os guardas...

— Os guardas veem apenas o que eu permito que vejam — interrompeu Cora, subindo na cama com uma elegância predatória. — Você sente falta dele, Regina? Do seu piedoso marido?

— Não — respondeu a jovem rainha, a honestidade arrancada de si pela presença magnética da outra. — Ele é um fardo.

— Excelente — murmurou Cora, enlaçando a cintura de Regina e puxando-a para perto. — Deixe que ele governe o reino lá fora. Aqui dentro, neste leito que ele pensa ser dele, quem governa somos nós.

O beijo que se seguiu foi uma reafirmação de poder. Cora ditava o ritmo, as mãos firmes explorando o corpo da filha com a familiaridade de quem conhece cada fraqueza e cada desejo. Regina entregou-se sem resistência, permitindo que a dominação de Cora apagasse a culpa que deveria sentir por trair o rei em sua própria cama.

O adultério não era apenas um ato de prazer físico; era uma afronta silenciosa à coroa de Leopold. Cada vez que Cora possuía Regina sob os lençóis de linho real, os chifres invisíveis na cabeça do monarca tornavam-se mais reais.

— Você é tão linda, minha filha — sussurrou Cora contra a pele do pescoço de Regina, os dentes roçando de leve, deixando uma marca que a magia ocultaria na manhã seguinte. — Uma rainha perfeita para os olhos do mundo, mas uma serva devota nos meus braços.

— Eu sou sua — arquejou Regina, os dedos cravados nos ombros de Cora, rendida à intensidade do momento. — Sempre serei sua.

— Nunca se esqueça disso — ordenou Cora, intensificando os movimentos, garantindo que Regina soubesse exatamente quem detinha o controle de sua vida e de seu destino.

Os dias de ausência do rei passaram como um borrão de encontros clandestinos e sussurros cúmplices. Cora não demonstrava remorso; pelo contrário, a situação alimentava seu ego e sua ambição. Colocar chifres no homem mais poderoso do reino, usando a própria filha como cúmplice e objeto de desejo, era o ápice de sua manipulação.

Quando Leopold retornou, o castelo voltou à sua normalidade sufocante. No banquete de boas-vindas, o rei sentou-se ao centro da mesa principal, com Regina à sua direita e Cora em uma posição de honra logo em seguida.

— A viagem foi produtiva, minha querida — comentou Leopold, pegando a mão de Regina e depositando um beijo casto nos nós de seus dedos. — Senti sua falta em minhas noites frias no norte.

Regina manteve o sorriso ensaiado, embora um arrepio de repulsa lhe subisse pela espinha.

— Também senti sua falta, majestade — mentiu ela com perfeição, os olhos desviando-se por um milésimo de segundo para Cora.

Cora ergueu sua taça de vinho na direção do rei, os olhos brilhando com uma diversão maliciosa que apenas Regina conseguia decifrar.

— O reino está em paz sob sua liderança, Sire — disse Cora, a voz carregada de uma falsa reverência. — Minha filha cuidou bem do palácio em sua ausência. Certificou-se de que tudo permanecesse exatamente onde deveria estar.

— Não tenho dúvidas disso, Cora — respondeu o rei, completamente alheio à ironia cortante nas palavras da sogra. — Regina tem se mostrado uma esposa exemplar.

Mais tarde, naquela mesma noite, enquanto Leopold dormia profundamente após o banquete, exausto pela viagem e pelo vinho, Regina permaneceu acordada, olhando para o teto. O silêncio do quarto foi quebrado novamente pelo clique suave da passagem secreta.

Cora entrou, caminhando com a audácia de quem não temia as consequências. Ela aproximou-se do lado da cama onde Regina repousava, ignorando a figura adormecida do rei a poucos metros de distância.

— Ele dorme como um estúpido — sussurrou Cora, estendendo a mão para acariciar os cabelos morenos de Regina.

— Mamãe, ele está logo ali — advertiu Regina em um sussurro tenso, o perigo da situação fazendo seu sangue pulsar mais rápido. — Se ele acordar...

— Ele não vai acordar — garantiu Cora, um feitiço de sono leve já lançado sobre o monarca. — E mesmo que acordasse, o que ele veria? A verdade de que ele é apenas um espectro nesta cama?

Cora inclinou-se, pressionando os lábios contra os de Regina em um beijo profundo e silencioso, a escassos centímetros do marido traído. A audácia do ato fez Regina perder o fôlego. A dominação de Cora era absoluta, quebrando barreiras morais e o próprio perigo com um sorriso de desdém.

A dinâmica estendeu-se pelos anos. Leopold governava um reino de ilusões, enquanto no coração de seu próprio castelo, sua esposa e sua sogra compartilhavam um segredo que desonrava sua coroa diariamente. Regina, outrora uma jovem assustada, aprendera a viver naquela dualidade, moldada pela mão firme e possessiva de Cora, a verdadeira soberana daquela união profana.
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