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LeoPepe
Fandom: João Turin
Criado: 24/06/2026
Tags
RomanceHistóricoFofuraDor/ConfortoMpregFatias de VidaDrama
Ouro, Barro e o Peso de um Coração Real
O sol da tarde incidia sobre as esculturas de bronze da praça central, mas para Leonardo, nada brilhava mais do que a figura emburrada sentada no banco de pedra lioz. Leonardo, um jovem de formas generosas e um sorriso que parecia ocupar metade do rosto, observava de longe. Ele era um plebeu, um filho de artesãos que passava os dias carregando argila para os ateliês de Curitiba, mas seu espírito era leve como uma pluma.
— Você vai acabar criando rugas se continuar com essa testa franzida, Vossa Alteza — exclamou Leonardo, aproximando-se com um andar gingado e um cesto de frutas nas mãos.
Pedro Paulo, o príncipe herdeiro de uma linhagem que prezava pela etiqueta e pela rigidez, bufou. Ele era consideravelmente mais baixo que Leonardo, com traços delicados e olhos que brilhavam com uma fúria quase fofa. Vestia sedas finas que contrastavam com o linho rústico e sujo de barro do outro.
— Já disse para não se aproximar tanto, Leonardo! — Pedro Paulo cruzou os braços, tentando manter uma postura dominante, apesar de suas bochechas estarem coradas. — Eu sou um príncipe, e você é... você.
— Eu sou um espetáculo, eu sei — Leonardo soltou uma gargalhada ruidosa, sentando-se ao lado do príncipe sem pedir permissão. — E você é uma gracinha quando tenta ser bravo. Parece um gatinho tentando rugir.
— Como ousa? — Pedro Paulo levantou-se, a voz subindo uma oitava. — Eu sou o futuro governante destas terras! Eu poderia mandar prender você por insolência!
— Mas não vai — Leonardo piscou, pegando uma maçã e oferecendo ao nobre. — Porque você gosta das minhas piadas. E porque eu sou o único que não treme de medo quando você faz esse biquinho.
Pedro Paulo olhou para a maçã e depois para o rosto redondo e bondoso de Leonardo. Ele sentiu aquela pontada familiar no peito, uma mistura de irritação e uma afeição profunda que ele se recusava terminantemente a admitir. O destino tinha sido cruel ao cruzar seus caminhos em uma feira de artes; desde então, o plebeu estranho e brincalhão não saía de sua sombra.
— Eu não gosto de você — mentiu o príncipe, pegando a maçã com rispidez, mas sentando-se novamente. — Você é estranho. Ri de coisas que não têm graça e se veste como se tivesse brigado com um tear.
— E você é um burguês metidinho que precisa aprender a rir mais — Leonardo deu um leve empurrão no ombro de Pedro. — Vamos, me conte: o que o Rei disse hoje para te deixar tão nervoso?
Pedro Paulo suspirou, sua postura desabando ligeiramente. Ele era um uke de temperamento difícil, mas Leonardo tinha uma habilidade quase mágica de desarmar suas defesas. Além disso, havia algo que Pedro escondia sob as camadas de seda: uma condição rara e sagrada em sua linhagem, que o tornava capaz de gerar vida. O segredo de seu estado — um mpreg ainda inicial e secreto — tornava seus hormônios uma montanha-russa de emoções.
— Meu pai quer que eu escolha um consorte até o fim da estação — murmurou Pedro, mordendo a maçã com força. — Ele sugeriu o Duque de Paranaguá. Aquele homem tem hálito de peixe seco e a personalidade de uma pedra.
Leonardo sentiu um aperto no peito, mas disfarçou com uma careta cômica.
— Peixe seco? Credo! Você merece alguém que te leve para ver as obras de João Turin ao luar, não alguém que cheire a mercado de porto.
— E quem seria esse alguém? — Pedro perguntou, desafiador, embora seu coração batesse mais rápido. — Um plebeu gordinho que só pensa em fazer piadas?
— Talvez — Leonardo aproximou-se, sua voz tornando-se subitamente baixa e carinhosa, assumindo sua natureza de seme protetor. — Alguém que saiba que, por trás desse príncipe mandão, existe alguém que só quer ser cuidado.
Pedro Paulo sentiu as lágrimas pinçarem seus olhos. Era a gravidez, dizia a si mesmo. Eram os hormônios. Não era o jeito que Leonardo o olhava, como se ele fosse a estátua mais preciosa da galeria.
— Não diga essas coisas — Pedro sussurrou, desviando o olhar. — Não pode acontecer. Eu sou da realeza. Você é o povo. O destino é um idiota por nos fazer amigos.
— Amigos? — Leonardo riu, mas desta vez foi um som suave. — Pedro, eu estou completamente rendido por você. E eu sei que você sente o mesmo, mesmo que sua cabeça de príncipe diga que é proibido.
— Eu não sinto nada! — Pedro Paulo explodiu, levantando-se e batendo o pé, o que o tornou ainda mais kawaii aos olhos do outro. — Você é um estranho, Leonardo! Um plebeu estranho e... e... muito cheiroso para alguém que trabalha com barro!
Leonardo levantou-se também, sua estatura dominando o espaço, mas seus gestos eram de uma doçura infinita. Ele deu um passo à frente, entrando no espaço pessoal do príncipe.
— Você está tremendo, Pedro.
— É frio! — mentiu o príncipe, embora fizesse trinta graus sob o sol paranaense.
— Deixe-me cuidar de você — Leonardo estendeu a mão, tocando levemente a ponta dos dedos de Pedro. — Eu não tenho ouro, mas tenho braços fortes para te segurar quando o mundo for pesado demais. E eu sei... eu sei sobre o bebê.
O silêncio caiu sobre a praça como um manto de chumbo. Pedro Paulo empalideceu, seus olhos arregalados.
— Como... como você sabe?
— Eu vejo como você toca o ventre quando acha que ninguém está olhando — Leonardo sorriu, um sorriso triste e esperançoso. — E vejo como seu brilho mudou. Eu não me importo com linhagens, Pedro. Eu só me importo com você.
Pedro Paulo sentiu o muro que construiu ao redor de seu coração começar a rachar. Ele queria gritar, queria mandar Leonardo embora, mas em vez disso, ele soltou um soluço curto e se jogou nos braços do plebeu.
— Você é um idiota — soluçou Pedro, escondendo o rosto no peito largo de Leonardo. — Um plebeu ridículo.
— E você é o meu príncipe nervosinho — Leonardo o abraçou apertado, sentindo o calor do corpo menor contra o seu. — Vai ficar tudo bem. Eu vou dar um jeito.
— Não há jeito — disse Pedro, afastando-se um pouco, embora ainda mantendo as mãos nas lapelas de Leonardo. — Meu pai nunca aceitaria. E eu... eu sou dominante na corte, Leonardo! Eu não posso simplesmente fugir com um artista!
— Quem disse algo sobre fugir? — Leonardo limpou uma lágrima do rosto de Pedro com o polegar. — Eu vou provar meu valor. Vou esculpir algo tão magnífico que até o Rei terá que admitir que meu talento é nobre. E enquanto isso...
Leonardo inclinou-se e sussurrou algo no ouvido de Pedro que o fez rir alto, uma risada cristalina que atraiu a atenção de alguns pombos próximos.
— Você é um pervertido! — Pedro Paulo deu um tapa de brincadeira no braço de Leonardo, suas bochechas agora vermelhas de prazer.
— Sou apenas um homem apaixonado — Leonardo piscou. — Agora, venha. Eu roubei uns doces da cozinha do palácio enquanto você discutia com o guarda.
— Você roubou o meu próprio palácio? — Pedro Paulo fingiu indignação, mas já estava segurando a mão de Leonardo.
— Tecnicamente, é um imposto de alegria — Leonardo começou a andar, puxando o príncipe para as sombras das árvores, onde poderiam ser apenas dois jovens apaixonados, longe das coroas e das obrigações.
— Eu ainda te odeio um pouco — murmurou Pedro, encostando a cabeça no ombro do maior enquanto caminhavam.
— Eu sei, Alteza. Eu sei.
E ali, entre o riso e o medo do futuro, o plebeu e o príncipe caminharam juntos, desafiando a lógica de um mundo que insistia em separá-los pelo sangue, mas que não podia contra a força de um amor moldado no barro e temperado pela alegria.
— Você vai acabar criando rugas se continuar com essa testa franzida, Vossa Alteza — exclamou Leonardo, aproximando-se com um andar gingado e um cesto de frutas nas mãos.
Pedro Paulo, o príncipe herdeiro de uma linhagem que prezava pela etiqueta e pela rigidez, bufou. Ele era consideravelmente mais baixo que Leonardo, com traços delicados e olhos que brilhavam com uma fúria quase fofa. Vestia sedas finas que contrastavam com o linho rústico e sujo de barro do outro.
— Já disse para não se aproximar tanto, Leonardo! — Pedro Paulo cruzou os braços, tentando manter uma postura dominante, apesar de suas bochechas estarem coradas. — Eu sou um príncipe, e você é... você.
— Eu sou um espetáculo, eu sei — Leonardo soltou uma gargalhada ruidosa, sentando-se ao lado do príncipe sem pedir permissão. — E você é uma gracinha quando tenta ser bravo. Parece um gatinho tentando rugir.
— Como ousa? — Pedro Paulo levantou-se, a voz subindo uma oitava. — Eu sou o futuro governante destas terras! Eu poderia mandar prender você por insolência!
— Mas não vai — Leonardo piscou, pegando uma maçã e oferecendo ao nobre. — Porque você gosta das minhas piadas. E porque eu sou o único que não treme de medo quando você faz esse biquinho.
Pedro Paulo olhou para a maçã e depois para o rosto redondo e bondoso de Leonardo. Ele sentiu aquela pontada familiar no peito, uma mistura de irritação e uma afeição profunda que ele se recusava terminantemente a admitir. O destino tinha sido cruel ao cruzar seus caminhos em uma feira de artes; desde então, o plebeu estranho e brincalhão não saía de sua sombra.
— Eu não gosto de você — mentiu o príncipe, pegando a maçã com rispidez, mas sentando-se novamente. — Você é estranho. Ri de coisas que não têm graça e se veste como se tivesse brigado com um tear.
— E você é um burguês metidinho que precisa aprender a rir mais — Leonardo deu um leve empurrão no ombro de Pedro. — Vamos, me conte: o que o Rei disse hoje para te deixar tão nervoso?
Pedro Paulo suspirou, sua postura desabando ligeiramente. Ele era um uke de temperamento difícil, mas Leonardo tinha uma habilidade quase mágica de desarmar suas defesas. Além disso, havia algo que Pedro escondia sob as camadas de seda: uma condição rara e sagrada em sua linhagem, que o tornava capaz de gerar vida. O segredo de seu estado — um mpreg ainda inicial e secreto — tornava seus hormônios uma montanha-russa de emoções.
— Meu pai quer que eu escolha um consorte até o fim da estação — murmurou Pedro, mordendo a maçã com força. — Ele sugeriu o Duque de Paranaguá. Aquele homem tem hálito de peixe seco e a personalidade de uma pedra.
Leonardo sentiu um aperto no peito, mas disfarçou com uma careta cômica.
— Peixe seco? Credo! Você merece alguém que te leve para ver as obras de João Turin ao luar, não alguém que cheire a mercado de porto.
— E quem seria esse alguém? — Pedro perguntou, desafiador, embora seu coração batesse mais rápido. — Um plebeu gordinho que só pensa em fazer piadas?
— Talvez — Leonardo aproximou-se, sua voz tornando-se subitamente baixa e carinhosa, assumindo sua natureza de seme protetor. — Alguém que saiba que, por trás desse príncipe mandão, existe alguém que só quer ser cuidado.
Pedro Paulo sentiu as lágrimas pinçarem seus olhos. Era a gravidez, dizia a si mesmo. Eram os hormônios. Não era o jeito que Leonardo o olhava, como se ele fosse a estátua mais preciosa da galeria.
— Não diga essas coisas — Pedro sussurrou, desviando o olhar. — Não pode acontecer. Eu sou da realeza. Você é o povo. O destino é um idiota por nos fazer amigos.
— Amigos? — Leonardo riu, mas desta vez foi um som suave. — Pedro, eu estou completamente rendido por você. E eu sei que você sente o mesmo, mesmo que sua cabeça de príncipe diga que é proibido.
— Eu não sinto nada! — Pedro Paulo explodiu, levantando-se e batendo o pé, o que o tornou ainda mais kawaii aos olhos do outro. — Você é um estranho, Leonardo! Um plebeu estranho e... e... muito cheiroso para alguém que trabalha com barro!
Leonardo levantou-se também, sua estatura dominando o espaço, mas seus gestos eram de uma doçura infinita. Ele deu um passo à frente, entrando no espaço pessoal do príncipe.
— Você está tremendo, Pedro.
— É frio! — mentiu o príncipe, embora fizesse trinta graus sob o sol paranaense.
— Deixe-me cuidar de você — Leonardo estendeu a mão, tocando levemente a ponta dos dedos de Pedro. — Eu não tenho ouro, mas tenho braços fortes para te segurar quando o mundo for pesado demais. E eu sei... eu sei sobre o bebê.
O silêncio caiu sobre a praça como um manto de chumbo. Pedro Paulo empalideceu, seus olhos arregalados.
— Como... como você sabe?
— Eu vejo como você toca o ventre quando acha que ninguém está olhando — Leonardo sorriu, um sorriso triste e esperançoso. — E vejo como seu brilho mudou. Eu não me importo com linhagens, Pedro. Eu só me importo com você.
Pedro Paulo sentiu o muro que construiu ao redor de seu coração começar a rachar. Ele queria gritar, queria mandar Leonardo embora, mas em vez disso, ele soltou um soluço curto e se jogou nos braços do plebeu.
— Você é um idiota — soluçou Pedro, escondendo o rosto no peito largo de Leonardo. — Um plebeu ridículo.
— E você é o meu príncipe nervosinho — Leonardo o abraçou apertado, sentindo o calor do corpo menor contra o seu. — Vai ficar tudo bem. Eu vou dar um jeito.
— Não há jeito — disse Pedro, afastando-se um pouco, embora ainda mantendo as mãos nas lapelas de Leonardo. — Meu pai nunca aceitaria. E eu... eu sou dominante na corte, Leonardo! Eu não posso simplesmente fugir com um artista!
— Quem disse algo sobre fugir? — Leonardo limpou uma lágrima do rosto de Pedro com o polegar. — Eu vou provar meu valor. Vou esculpir algo tão magnífico que até o Rei terá que admitir que meu talento é nobre. E enquanto isso...
Leonardo inclinou-se e sussurrou algo no ouvido de Pedro que o fez rir alto, uma risada cristalina que atraiu a atenção de alguns pombos próximos.
— Você é um pervertido! — Pedro Paulo deu um tapa de brincadeira no braço de Leonardo, suas bochechas agora vermelhas de prazer.
— Sou apenas um homem apaixonado — Leonardo piscou. — Agora, venha. Eu roubei uns doces da cozinha do palácio enquanto você discutia com o guarda.
— Você roubou o meu próprio palácio? — Pedro Paulo fingiu indignação, mas já estava segurando a mão de Leonardo.
— Tecnicamente, é um imposto de alegria — Leonardo começou a andar, puxando o príncipe para as sombras das árvores, onde poderiam ser apenas dois jovens apaixonados, longe das coroas e das obrigações.
— Eu ainda te odeio um pouco — murmurou Pedro, encostando a cabeça no ombro do maior enquanto caminhavam.
— Eu sei, Alteza. Eu sei.
E ali, entre o riso e o medo do futuro, o plebeu e o príncipe caminharam juntos, desafiando a lógica de um mundo que insistia em separá-los pelo sangue, mas que não podia contra a força de um amor moldado no barro e temperado pela alegria.
