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Fandom: Batatinha corda depois de um sono

Criado: 24/06/2026

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RomanceFofuraHistória DomésticaFatias de VidaEstudo de PersonagemDor/ConfortoHumor
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Entre Quatro Paredes e um Cronômetro Implacável

O som metálico da tranca girando ressoou pelo quarto como um veredito final. Batatinha correu até a porta, girando a maçaneta com força, mas o metal frio nem sequer se moveu. No visor digital instalado acima do batente, números vermelhos e brilhantes começaram a contagem regressiva: 47:59:59.

— Isso não pode estar acontecendo — murmurou Batatinha, encostando a testa na madeira escura da porta. — Quarenta e oito horas? Isso é algum tipo de piada de mau gosto do pessoal?

Do outro lado do quarto, Yuyu estava sentado na beirada da cama, observando a cena com uma calma que beirava o irritante. Ele cruzou os braços, soltando um suspiro pesado que fez as pontas de seu cabelo balançarem levemente.

— Conhecendo a Turma, eles acham que estamos precisando de um "tempo de qualidade" — disse Yuyu, forçando um sorriso irônico. — Ou talvez seja só uma aposta que saiu do controle. De qualquer forma, estamos presos, Batatinha.

Batatinha se virou, os olhos arregalados de indignação. Ele gesticulou freneticamente para o quarto, que, embora confortável, parecia subitamente minúsculo. Havia uma cama de casal, uma mesinha com algumas guloseimas, duas garrafas de água e um banheiro anexo.

— Tempo de qualidade? — Batatinha exclamou, caminhando de um lado para o outro. — Yuyu, eu tenho coisas para fazer! Eu tenho vídeos para gravar, eu tenho... eu tenho uma vida lá fora!

— Todos nós temos — rebateu Yuyu, levantando-se e caminhando até a janela. Ele a empurrou, mas, como esperado, estava travada por fora com barras de segurança. — Mas olhe pelo lado positivo. Pelo menos deixaram comida. E a companhia não é das piores, certo?

Batatinha parou de andar e olhou para Yuyu. O jeito como a luz fraca do entardecer entrava pelas frestas da janela iluminava o rosto de Yuyu, dando-lhe uma aparência quase angelical, se não fosse pelo brilho travesso nos olhos. Batatinha sentiu o rosto esquentar e desviou o olhar rapidamente para o cronômetro.

— Eu não sei se sobrevivo dois dias trancado com você sem enlouquecer — resmungou Batatinha, sentando-se no chão, de costas para a cama.

— Ah, qual é? — Yuyu se aproximou e sentou-se ao lado dele, mantendo uma distância respeitosa, mas próxima o suficiente para que Batatinha sentisse o calor de seu corpo. — Eu sou uma ótima companhia. Posso contar histórias, podemos jogar "Verdade ou Desafio" sem o desafio, ou podemos simplesmente... conversar.

— Conversar sobre o quê? — perguntou Batatinha, ainda encarando a porta.

— Sobre por que você fica tão nervoso toda vez que ficamos sozinhos — disse Yuyu, o tom de voz baixando para algo mais suave, quase íntimo.

O silêncio que se seguiu foi denso. Batatinha sentiu o coração martelar contra as costelas. Ele sabia que Yuyu não era bobo. Eles eram amigos há muito tempo, mas havia uma tensão subjacente que ambos ignoravam sistematicamente em prol da harmonia do grupo. Estar preso ali, sem escapatória, era como ser forçado a encarar um espelho que ele vinha cobrindo com um pano há meses.

— Eu não fico nervoso — mentiu Batatinha, a voz saindo um pouco mais aguda do que o pretendido.

— Seus dedos estão batendo no chão no ritmo de uma música de heavy metal — observou Yuyu, soltando uma risada baixa. — Relaxa, Batatinha. Ninguém está nos vendo agora. Não tem câmera, não tem chat, não tem ninguém da Turma para fazer piadinha. Somos só nós.

Batatinha finalmente olhou para ele. Yuyu parecia genuinamente relaxado, o que só tornava tudo mais difícil.

— É exatamente esse o problema — confessou Batatinha em um sussurro.

As primeiras seis horas passaram em uma mistura de tédio e tentativas frustradas de arrombar a porta. Eles comeram alguns dos salgadinhos que foram deixados e tentaram assistir a algo no celular, mas o sinal de Wi-Fi havia sido convenientemente cortado. Restava apenas o conteúdo baixado e, eventualmente, a bateria começou a minguar.

Quando a noite caiu de fato, o quarto mergulhou em uma penumbra azulada. O cronômetro vermelho brilhava como um olho vigilante. 41:12:05.

— Batatinha? — a voz de Yuyu quebrou o silêncio. Eles estavam agora deitados na cama, cada um em uma extremidade, olhando para o teto.

— Hum?

— Você lembra de quando a gente se conheceu? — Yuyu se virou de lado, apoiando a cabeça na mão.

— Lembro — respondeu Batatinha, um pequeno sorriso surgindo em seus lábios. — Você era tão tímido que mal conseguia falar o próprio nome sem gaguejar. Quem diria que você se tornaria esse cara todo cheio de si?

— Ei! Eu não sou "cheio de mim" — protestou Yuyu, embora estivesse rindo. — Eu só ganhei confiança. E você ajudou muito nisso. Você sempre foi o mais animado, o que puxava todo mundo para cima.

Batatinha sentiu um aperto no peito. Ele se virou para encarar Yuyu. No escuro, os olhos de Yuyu pareciam brilhar com uma intensidade diferente.

— Eu só tento fazer as pessoas felizes, Yuyu. Às vezes é mais fácil focar nos outros do que no que eu mesmo estou sentindo.

Yuyu estendeu a mão, hesitando por um segundo antes de tocar levemente o ombro de Batatinha.

— E o que você está sentindo agora? — perguntou ele, a voz carregada de uma seriedade que fez Batatinha estremecer.

— Eu sinto que... — Batatinha começou, mas as palavras pareceram travar na garganta. — Eu sinto que se eu disser, as coisas nunca mais vão ser as mesmas. E eu tenho medo de perder o que a gente tem.

— Às vezes — disse Yuyu, deslizando a mão do ombro para o rosto de Batatinha, os dedos roçando levemente sua bochecha —, as coisas precisam mudar para se tornarem melhores. Você não acha?

Batatinha fechou os olhos, entregando-se ao toque. Era como se toda a ansiedade das últimas horas estivesse evaporando, substituída por uma antecipação elétrica.

— Você sempre tem uma resposta para tudo, não é? — murmurou Batatinha.

— Nem sempre — confessou Yuyu, aproximando o rosto. — Agora mesmo, eu não tenho a menor ideia do que vai acontecer nas próximas quarenta horas. Mas eu sei o que eu quero fazer agora.

Antes que Batatinha pudesse perguntar o que era, Yuyu reduziu o espaço entre eles. O beijo foi hesitante no início, um toque suave de lábios que carregava meses de palavras não ditas e olhares desviados. Batatinha sentiu como se o mundo ao seu redor tivesse desaparecido, deixando apenas o calor de Yuyu e o som de suas respirações aceleradas.

Quando se separaram, ambos estavam um pouco sem fôlego. Batatinha abriu os olhos e viu Yuyu sorrindo, um sorriso verdadeiro e doce.

— Isso... isso muda as coisas? — perguntou Batatinha, a voz trêmula.

— Com certeza — respondeu Yuyu, puxando Batatinha para mais perto, fazendo-o descansar a cabeça em seu peito. — Mas eu acho que muda para melhor.

O dia seguinte passou de uma forma estranhamente rápida. Sem a pressão de esconder seus sentimentos, a dinâmica entre os dois fluiu com uma naturalidade que eles nunca haviam experimentado antes. Eles conversaram sobre tudo: seus medos, seus sonhos para o canal, e como planejavam se vingar da Turma por terem sido trancados ali.

— Eu acho que devíamos encher o quarto do pessoal com bolinhas de gude — sugeriu Batatinha, enquanto dividiam o último pacote de biscoitos.

— Muito clássico — disse Yuyu, balançando a cabeça. — Eu voto em trocar todo o açúcar por sal e esconder os carregadores de celular. Isso sim é crueldade.

— Você é maligno, Yuyu. Eu gosto disso — riu Batatinha.

Apesar da diversão, havia momentos de silêncio absoluto em que eles apenas ficavam abraçados, observando o tempo passar no cronômetro. O que antes parecia uma eternidade agora parecia estar acabando rápido demais.

— Yuyu? — chamou Batatinha, quando faltavam apenas duas horas para a porta se abrir.

— Oi?

— O que a gente vai dizer para eles quando sairmos? — Batatinha olhou para suas mãos entrelaçadas. — Quero dizer, eles esperam que a gente saia daqui brigando ou morrendo de tédio.

Yuyu deu de ombros, dando um beijo casto na testa de Batatinha.

— Deixe que eles pensem o que quiserem. O que importa é o que aconteceu aqui dentro. Mas, se você quiser minha opinião... eu acho que devíamos sair de mãos dadas só para ver a cara de choque deles.

Batatinha riu, imaginando a cena.

— Eles iam surtar. Especialmente o pessoal que vive fazendo ship da gente nos comentários.

— Bem, pela primeira vez na vida — disse Yuyu, puxando-o para um abraço apertado —, os inscritos estariam absolutamente certos.

Quando o cronômetro finalmente chegou a zero, um "bipe" alto ecoou pelo quarto e o som da tranca se abrindo foi ouvido. A porta se abriu lentamente, revelando o corredor iluminado e o restante da Turma parado ali, alguns com câmeras na mão, outros com sorrisos travessos.

— E aí, pombinhos? — gritou um dos integrantes. — Sobreviveram ou se mataram?

Batatinha e Yuyu se olharam. Batatinha sentiu um último lampejo de nervosismo, mas Yuyu apertou sua mão com firmeza, transmitindo-lhe toda a confiança de que precisava.

Eles caminharam juntos em direção à porta.

— Na verdade — disse Batatinha, com um sorriso radiante que pegou todos de surpresa —, foram as melhores quarenta e oito horas da minha vida.

Yuyu piscou para a câmera, e os dois saíram do quarto, deixando para trás o cronômetro zerado e uma Turma de Batatinha completamente sem palavras. A liberdade era boa, mas o que eles haviam encontrado naquele quarto era algo que nenhuma porta trancada poderia conter.
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