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d41
Fandom: record of ragnarok
Criado: 24/06/2026
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RomanceDor/ConfortoFantasiaTeslapunkDramaFatias de VidaEstudo de PersonagemFofuraHumor
O Fragor do Espelho Partido
O Submundo nunca fora conhecido por suas cores vibrantes, mas sob a gestão de Hades, o reino dos mortos possuía uma elegância sombria e imponente. Naquela tarde eterna, uma comitiva improvável caminhava pelas avenidas de ônix da capital de Helheim. Deuses e humanos, outrora inimigos mortais na arena do Ragnarok, agora caminhavam em uma trégua tensa, mas funcional.
À frente de todos, com um passo que transformava o simples chão em um tapete vermelho invisível, estava Qin Shi Huang. O Primeiro Imperador da China não andava; ele desfilava. Seus trajes imperiais balançavam com a brisa gasta do submundo, e em seu rosto, ele ostentava um acessório peculiar: óculos de lentes escuras e armação de bronze rúnico, uma obra-prima de engenharia criada por Nikola Tesla.
— Eu devo dizer, a arquitetura deste lugar é quase digna da minha presença — comentou Qin, com um sorriso convencido que faria qualquer deus menor querer golpeá-lo. — Embora falte um pouco mais de... ouro. Onde o Rei se senta, ali está o trono, mas um pouco de brilho não faria mal, não é, Hades?
Caminhando ao seu lado, Hades, o Rei de Helheim, soltou um suspiro curto, embora seus olhos carregassem um brilho de diversão. Ele estava acostumado com a arrogância de seu marido.
— Você está em meus domínios, Qin — respondeu Hades com sua voz profunda e aveludada. — O luxo aqui é medido pela ordem e pelo respeito, não por ostentação. E por favor, não tente redecorar o palácio enquanto os outros estão observando.
Atrás deles, o grupo era diverso. Zeus e Poseidon caminhavam em um silêncio raro, enquanto Buda mastigava um doce, ignorando os olhares furtivos de Loki. Tesla e Jack, o Estripador, discutiam algo sobre a física das almas, enquanto Leônidas e Raiden trocavam impressões sobre a força dos oponentes que enfrentaram.
— Esses óculos estão funcionando mesmo, Herr Qin? — perguntou Tesla, inclinando-se para frente com curiosidade científica. — A teoria é que as lentes filtrem as frequências visuais que desencadeiam a sua sinestesia toque-espelho, criando um "vácuo sensorial" entre você e a dor alheia.
Qin ajustou as lentes, o sorriso nunca vacilando.
— O Grande Cientista fez um bom trabalho. Eu me sinto... leve. É refrescante poder olhar para este bando de brutos sem sentir cada cicatriz que eles carregam.
O passeio continuava tranquilamente até que o grupo passou por uma das áreas de triagem de almas recém-chegadas. Foi quando o caos silencioso se manifestou.
Um homem, um soldado que parecia ter vindo de um campo de batalha recente no mundo humano, arrastava-se para fora de uma das carruagens de transporte. Ele estava em um estado deplorável. Seu corpo havia sido dilacerado por explosões; não havia um centímetro de pele que não estivesse queimado ou rasgado. Ele soltou um grito rouco, uma súplica desesperada por alívio, e estendeu a mão na direção da comitiva real.
— Socorro... alguém... dói... — a voz do homem falhou quando ele tossiu sangue negro.
Qin, por puro instinto de governante, virou o rosto na direção do som. No exato momento em que seus olhos encontraram a figura do homem estraçalhado, algo deu errado.
A tecnologia de Tesla era avançada, mas a sinestesia de Qin não era apenas física; era uma maldição gravada em sua alma. Sob a pressão da dor imensurável daquele homem, as lentes rúnicas começaram a vibrar violentamente.
Um estalo seco ecoou no ar.
— Qin? — Hades perguntou, percebendo a mudança repentina na postura do imperador.
As lentes dos óculos de Qin racharam de cima a baixo, estilhaçando-se como vidro comum.
O efeito foi instantâneo. Sem o filtro, a agonia do soldado atingiu Qin Shi Huang como um maremoto de fogo e lâminas. O Imperador, que sempre se manteve ereto e inabalável, arqueou as costas.
— Uh... agh! — O gemido que escapou de seus lábios foi abafado, mas carregado de um sofrimento puro.
O nariz de Qin começou a sangrar profusamente, um jato de escarlate que manchou instantaneamente seus lábios e o colarinho de sua túnica. Seus olhos, antes cheios de vida e arrogância, reviraram. A pressão arterial do Imperador caiu tão rapidamente que seu corpo simplesmente desligou.
Antes que Hades pudesse esticar o braço, Qin desabou. Ele caiu de cara no chão de pedra, imóvel, com o sangue escorrendo pela fresta das lajes pretas.
— Qin! — O grito de Hades rasgou a serenidade do submundo.
Em um segundo, o Rei de Helheim estava de joelhos, virando o corpo do marido com uma delicadeza que contrastava com o pânico em seu rosto. Os outros se aproximaram rapidamente.
— O que aconteceu?! — Zeus exclamou, sua aura de "Pai dos Deuses" desaparecendo diante da urgência. — Foi um ataque?
— Não — disse Tesla, ajoelhando-se ao lado de Hades e examinando os restos dos óculos. — A sobrecarga sensorial... a dor daquele homem era tão profunda que quebrou o mecanismo. O sistema nervoso de Qin não aguentou.
Hades segurava a cabeça de Qin contra o peito, limpando o sangue do rosto do imperador com a manga de sua própria túnica refinada.
— Ele não está acordando — disse Hades, sua voz tremendo levemente, algo que ninguém jamais imaginaria vindo do soberano dos mortos. — Por que ele não está acordando?
— É um mecanismo de defesa — explicou Buda, aproximando-se com uma expressão séria, sem o habitual pirulito na boca. — A sinestesia dele é tão forte que, quando o dano refletido é letal ou insuportável, a mente dele força um desligamento total. É um coma induzido pelo próprio corpo para evitar que o coração pare de bater por choque traumático.
Hades rosnou, uma vibração baixa e perigosa que fez os deuses ao redor recuarem um passo. Ele pegou Qin nos braços, levantando-o com facilidade.
— Levem aquele homem para ser curado imediatamente! — ordenou Hades aos seus servos, referindo-se ao soldado machucado. — Se a dor dele persistir, Qin continuará sentindo mesmo inconsciente. Eu vou levá-lo para o palácio.
***
Horas se passaram no palácio de Hades. O quarto real estava mergulhado em um silêncio pesado, quebrado apenas pelo som da respiração fraca de Qin.
Quase todos os representantes da humanidade e alguns deuses estavam no salão de espera ou nos arredores. Sasaki Kojiro polia sua espada nervosamente, enquanto Jack observava a cor da aura de Qin, que ainda estava de um cinza pálido e doentio.
Dentro do quarto, Hades não havia saído do lado da cama. Ele segurava a mão de Qin, observando as marcas que começavam a desaparecer da pele do imperador à medida que o soldado ferido era tratado nos hospitais de Helheim.
— Você é um tolo, Qin Shi Huang — sussurrou Hades, beijando os nós dos dedos do marido. — Sempre querendo carregar o mundo nos ombros, sentindo cada ferida de seu povo...
As pálpebras de Qin tremeram. Um gemido baixo escapou de sua garganta.
— Hades...? — A voz era um fio, desprovida da habitual autoridade.
Hades se inclinou para frente instantaneamente.
— Estou aqui. Não se mexa.
Qin abriu os olhos lentamente. A primeira coisa que viu foi o rosto preocupado de Hades. Ele tentou sorrir, mas o esforço fez sua cabeça latejar.
— Eu... eu fiz uma entrada triunfal no chão, não fiz? — Qin tentou brincar, mas sua voz falhou.
— Você me deu um susto de morte, e olha que eu sou o Rei dos Mortos — disse Hades, misturando alívio com uma bronca severa. — Tesla explicou o que houve. Por que você olhou, Qin? Você sabia que aqueles óculos eram experimentais.
Qin suspirou, fechando os olhos por um momento para estabilizar a vertigem.
— Um Rei não desvia o olhar de seu povo, Hades. Mesmo que esse povo esteja sofrendo. Se eu fechasse os olhos, eu seria apenas um covarde com uma coroa.
Hades apertou a mão dele, sentindo o calor voltando aos dedos do imperador.
— Você não precisa sentir a dor de cada alma neste reino. Para isso eu existo.
— Nós dividimos o trono, não dividimos? — Qin reabriu os olhos, e desta vez, um pouco daquele brilho arrogante e gentil estava de volta. — Então dividimos a dor também. Mas admito... aquele homem... a dor dele era como ser queimado vivo e afogado ao mesmo tempo.
A porta do quarto se abriu levemente. Nikola Tesla entrou, parecendo genuinamente culpado, seguido por Adão e Buda.
— Herr Qin! — Tesla exclamou. — Peço mil desculpas! O cálculo da ressonância emocional foi insuficiente para uma dor de tal magnitude!
— Está tudo bem, Nikola — disse Qin, tentando se sentar, sendo prontamente ajudado por um Hades superprotetor. — O dispositivo funcionou até onde pôde. O problema é que eu sou... bom, eu sou demais para qualquer máquina suportar.
Adão se aproximou da beira da cama e colocou a mão no ombro de Qin.
— Você nos deu um susto, filho. Não se esforce tanto.
— Eu estou bem — insistiu Qin, olhando ao redor e vendo a preocupação genuína no rosto de todos. — Olhem para vocês... todos com rostos tão sombrios. Onde está a celebração? O Rei acordou!
Hades soltou uma risada curta, uma mistura de cansaço e adoração.
— Ele acorda de um colapso nervoso e a primeira coisa que pede é uma celebração. Você é impossível.
— Eu sou o Primeiro Imperador — declarou Qin, embora ainda estivesse pálido. — E como seu marido, eu ordeno que você pare de olhar como se eu fosse quebrar a qualquer momento. Eu não quebro, Hades. Eu apenas... me reajusto.
Hades suspirou, encostando sua testa na de Qin.
— Só não faça isso de novo. Da próxima vez que vir alguém ferido, deixe que eu cuido disso antes que você olhe.
— Veremos — respondeu Qin, sorrindo contra os lábios de Hades. — Mas agora, tragam-me algo para comer. Sentir a dor dos outros me deixou faminto. E tragam um espelho. Preciso ver se meu rosto ainda está perfeito.
— Continua sendo o mesmo convencido de sempre — comentou Poseidon, que apareceu na porta apenas para observar, com os braços cruzados.
— E você continua amargurado, Poseidon! — Qin exclamou, recuperando sua energia. — Venha, me dê um abraço! Eu sei que você chorou por mim!
— Nem em um milhão de anos — rosnou o Deus dos Mares, virando as costas e saindo, embora houvesse um relaxamento visível em seus ombros.
O quarto se encheu de conversas e risadas leves. Qin Shi Huang, apesar da fragilidade que sua condição lhe impunha, permanecia o centro das atenções, o sol em torno do qual deuses e humanos orbitavam. E Hades, mantendo-se firme ao seu lado, sabia que, enquanto Qin estivesse ali, mesmo a dor mais profunda do Submundo poderia ser suportada.
— Você é o meu maior tesouro, e minha maior dor de cabeça — sussurrou Hades para Qin, enquanto o imperador gesticulava para Tesla sobre como melhorar os próximos óculos.
Qin piscou para ele, o brilho real de volta aos seus olhos.
— E você não teria de outra forma, meu Rei.
À frente de todos, com um passo que transformava o simples chão em um tapete vermelho invisível, estava Qin Shi Huang. O Primeiro Imperador da China não andava; ele desfilava. Seus trajes imperiais balançavam com a brisa gasta do submundo, e em seu rosto, ele ostentava um acessório peculiar: óculos de lentes escuras e armação de bronze rúnico, uma obra-prima de engenharia criada por Nikola Tesla.
— Eu devo dizer, a arquitetura deste lugar é quase digna da minha presença — comentou Qin, com um sorriso convencido que faria qualquer deus menor querer golpeá-lo. — Embora falte um pouco mais de... ouro. Onde o Rei se senta, ali está o trono, mas um pouco de brilho não faria mal, não é, Hades?
Caminhando ao seu lado, Hades, o Rei de Helheim, soltou um suspiro curto, embora seus olhos carregassem um brilho de diversão. Ele estava acostumado com a arrogância de seu marido.
— Você está em meus domínios, Qin — respondeu Hades com sua voz profunda e aveludada. — O luxo aqui é medido pela ordem e pelo respeito, não por ostentação. E por favor, não tente redecorar o palácio enquanto os outros estão observando.
Atrás deles, o grupo era diverso. Zeus e Poseidon caminhavam em um silêncio raro, enquanto Buda mastigava um doce, ignorando os olhares furtivos de Loki. Tesla e Jack, o Estripador, discutiam algo sobre a física das almas, enquanto Leônidas e Raiden trocavam impressões sobre a força dos oponentes que enfrentaram.
— Esses óculos estão funcionando mesmo, Herr Qin? — perguntou Tesla, inclinando-se para frente com curiosidade científica. — A teoria é que as lentes filtrem as frequências visuais que desencadeiam a sua sinestesia toque-espelho, criando um "vácuo sensorial" entre você e a dor alheia.
Qin ajustou as lentes, o sorriso nunca vacilando.
— O Grande Cientista fez um bom trabalho. Eu me sinto... leve. É refrescante poder olhar para este bando de brutos sem sentir cada cicatriz que eles carregam.
O passeio continuava tranquilamente até que o grupo passou por uma das áreas de triagem de almas recém-chegadas. Foi quando o caos silencioso se manifestou.
Um homem, um soldado que parecia ter vindo de um campo de batalha recente no mundo humano, arrastava-se para fora de uma das carruagens de transporte. Ele estava em um estado deplorável. Seu corpo havia sido dilacerado por explosões; não havia um centímetro de pele que não estivesse queimado ou rasgado. Ele soltou um grito rouco, uma súplica desesperada por alívio, e estendeu a mão na direção da comitiva real.
— Socorro... alguém... dói... — a voz do homem falhou quando ele tossiu sangue negro.
Qin, por puro instinto de governante, virou o rosto na direção do som. No exato momento em que seus olhos encontraram a figura do homem estraçalhado, algo deu errado.
A tecnologia de Tesla era avançada, mas a sinestesia de Qin não era apenas física; era uma maldição gravada em sua alma. Sob a pressão da dor imensurável daquele homem, as lentes rúnicas começaram a vibrar violentamente.
Um estalo seco ecoou no ar.
— Qin? — Hades perguntou, percebendo a mudança repentina na postura do imperador.
As lentes dos óculos de Qin racharam de cima a baixo, estilhaçando-se como vidro comum.
O efeito foi instantâneo. Sem o filtro, a agonia do soldado atingiu Qin Shi Huang como um maremoto de fogo e lâminas. O Imperador, que sempre se manteve ereto e inabalável, arqueou as costas.
— Uh... agh! — O gemido que escapou de seus lábios foi abafado, mas carregado de um sofrimento puro.
O nariz de Qin começou a sangrar profusamente, um jato de escarlate que manchou instantaneamente seus lábios e o colarinho de sua túnica. Seus olhos, antes cheios de vida e arrogância, reviraram. A pressão arterial do Imperador caiu tão rapidamente que seu corpo simplesmente desligou.
Antes que Hades pudesse esticar o braço, Qin desabou. Ele caiu de cara no chão de pedra, imóvel, com o sangue escorrendo pela fresta das lajes pretas.
— Qin! — O grito de Hades rasgou a serenidade do submundo.
Em um segundo, o Rei de Helheim estava de joelhos, virando o corpo do marido com uma delicadeza que contrastava com o pânico em seu rosto. Os outros se aproximaram rapidamente.
— O que aconteceu?! — Zeus exclamou, sua aura de "Pai dos Deuses" desaparecendo diante da urgência. — Foi um ataque?
— Não — disse Tesla, ajoelhando-se ao lado de Hades e examinando os restos dos óculos. — A sobrecarga sensorial... a dor daquele homem era tão profunda que quebrou o mecanismo. O sistema nervoso de Qin não aguentou.
Hades segurava a cabeça de Qin contra o peito, limpando o sangue do rosto do imperador com a manga de sua própria túnica refinada.
— Ele não está acordando — disse Hades, sua voz tremendo levemente, algo que ninguém jamais imaginaria vindo do soberano dos mortos. — Por que ele não está acordando?
— É um mecanismo de defesa — explicou Buda, aproximando-se com uma expressão séria, sem o habitual pirulito na boca. — A sinestesia dele é tão forte que, quando o dano refletido é letal ou insuportável, a mente dele força um desligamento total. É um coma induzido pelo próprio corpo para evitar que o coração pare de bater por choque traumático.
Hades rosnou, uma vibração baixa e perigosa que fez os deuses ao redor recuarem um passo. Ele pegou Qin nos braços, levantando-o com facilidade.
— Levem aquele homem para ser curado imediatamente! — ordenou Hades aos seus servos, referindo-se ao soldado machucado. — Se a dor dele persistir, Qin continuará sentindo mesmo inconsciente. Eu vou levá-lo para o palácio.
***
Horas se passaram no palácio de Hades. O quarto real estava mergulhado em um silêncio pesado, quebrado apenas pelo som da respiração fraca de Qin.
Quase todos os representantes da humanidade e alguns deuses estavam no salão de espera ou nos arredores. Sasaki Kojiro polia sua espada nervosamente, enquanto Jack observava a cor da aura de Qin, que ainda estava de um cinza pálido e doentio.
Dentro do quarto, Hades não havia saído do lado da cama. Ele segurava a mão de Qin, observando as marcas que começavam a desaparecer da pele do imperador à medida que o soldado ferido era tratado nos hospitais de Helheim.
— Você é um tolo, Qin Shi Huang — sussurrou Hades, beijando os nós dos dedos do marido. — Sempre querendo carregar o mundo nos ombros, sentindo cada ferida de seu povo...
As pálpebras de Qin tremeram. Um gemido baixo escapou de sua garganta.
— Hades...? — A voz era um fio, desprovida da habitual autoridade.
Hades se inclinou para frente instantaneamente.
— Estou aqui. Não se mexa.
Qin abriu os olhos lentamente. A primeira coisa que viu foi o rosto preocupado de Hades. Ele tentou sorrir, mas o esforço fez sua cabeça latejar.
— Eu... eu fiz uma entrada triunfal no chão, não fiz? — Qin tentou brincar, mas sua voz falhou.
— Você me deu um susto de morte, e olha que eu sou o Rei dos Mortos — disse Hades, misturando alívio com uma bronca severa. — Tesla explicou o que houve. Por que você olhou, Qin? Você sabia que aqueles óculos eram experimentais.
Qin suspirou, fechando os olhos por um momento para estabilizar a vertigem.
— Um Rei não desvia o olhar de seu povo, Hades. Mesmo que esse povo esteja sofrendo. Se eu fechasse os olhos, eu seria apenas um covarde com uma coroa.
Hades apertou a mão dele, sentindo o calor voltando aos dedos do imperador.
— Você não precisa sentir a dor de cada alma neste reino. Para isso eu existo.
— Nós dividimos o trono, não dividimos? — Qin reabriu os olhos, e desta vez, um pouco daquele brilho arrogante e gentil estava de volta. — Então dividimos a dor também. Mas admito... aquele homem... a dor dele era como ser queimado vivo e afogado ao mesmo tempo.
A porta do quarto se abriu levemente. Nikola Tesla entrou, parecendo genuinamente culpado, seguido por Adão e Buda.
— Herr Qin! — Tesla exclamou. — Peço mil desculpas! O cálculo da ressonância emocional foi insuficiente para uma dor de tal magnitude!
— Está tudo bem, Nikola — disse Qin, tentando se sentar, sendo prontamente ajudado por um Hades superprotetor. — O dispositivo funcionou até onde pôde. O problema é que eu sou... bom, eu sou demais para qualquer máquina suportar.
Adão se aproximou da beira da cama e colocou a mão no ombro de Qin.
— Você nos deu um susto, filho. Não se esforce tanto.
— Eu estou bem — insistiu Qin, olhando ao redor e vendo a preocupação genuína no rosto de todos. — Olhem para vocês... todos com rostos tão sombrios. Onde está a celebração? O Rei acordou!
Hades soltou uma risada curta, uma mistura de cansaço e adoração.
— Ele acorda de um colapso nervoso e a primeira coisa que pede é uma celebração. Você é impossível.
— Eu sou o Primeiro Imperador — declarou Qin, embora ainda estivesse pálido. — E como seu marido, eu ordeno que você pare de olhar como se eu fosse quebrar a qualquer momento. Eu não quebro, Hades. Eu apenas... me reajusto.
Hades suspirou, encostando sua testa na de Qin.
— Só não faça isso de novo. Da próxima vez que vir alguém ferido, deixe que eu cuido disso antes que você olhe.
— Veremos — respondeu Qin, sorrindo contra os lábios de Hades. — Mas agora, tragam-me algo para comer. Sentir a dor dos outros me deixou faminto. E tragam um espelho. Preciso ver se meu rosto ainda está perfeito.
— Continua sendo o mesmo convencido de sempre — comentou Poseidon, que apareceu na porta apenas para observar, com os braços cruzados.
— E você continua amargurado, Poseidon! — Qin exclamou, recuperando sua energia. — Venha, me dê um abraço! Eu sei que você chorou por mim!
— Nem em um milhão de anos — rosnou o Deus dos Mares, virando as costas e saindo, embora houvesse um relaxamento visível em seus ombros.
O quarto se encheu de conversas e risadas leves. Qin Shi Huang, apesar da fragilidade que sua condição lhe impunha, permanecia o centro das atenções, o sol em torno do qual deuses e humanos orbitavam. E Hades, mantendo-se firme ao seu lado, sabia que, enquanto Qin estivesse ali, mesmo a dor mais profunda do Submundo poderia ser suportada.
— Você é o meu maior tesouro, e minha maior dor de cabeça — sussurrou Hades para Qin, enquanto o imperador gesticulava para Tesla sobre como melhorar os próximos óculos.
Qin piscou para ele, o brilho real de volta aos seus olhos.
— E você não teria de outra forma, meu Rei.
