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Uma festa do pijama?

Fandom: Demon Slayer

Criado: 24/06/2026

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Sombras e Flores de Cerejeira

A noite em Tóquio estava excepcionalmente silenciosa, um desses raros momentos em que o mundo parecia prender a respiração sob o manto prateado da lua. No refúgio oculto por trás dos feitiços de cegueira de Yushiro, a casa de Tamayo exalava um aroma suave de incenso e ervas medicinais. O ambiente, sempre carregado de seriedade e estudos sobre a biologia dos demônios, estava hoje com uma aura diferente, mais leve e quase lúdica.

Nina, a jovem de quatorze anos que herdara não apenas os cabelos negros e longos de Tamayo, mas também a sua elegância serena, saltitava pelo corredor de madeira. Ela segurava alguns futons dobrados e um conjunto de travesseiros.

— Mãe! Yushiro! Está tudo pronto na sala principal! — exclamou Nina, com um sorriso que iluminava seu rosto delicado. — Hoje não haverá pesquisas, nem amostras de sangue, nem fórmulas químicas. É a nossa noite!

Tamayo, que estava sentada à sua escrivaninha terminando de organizar alguns frascos, soltou um riso baixo e melodioso. Ela se levantou, ajeitando o quimono escuro com estampas florais que caía perfeitamente sobre seu corpo.

— Você tem razão, querida. Às vezes, até nós precisamos de um momento para esquecer o peso do mundo — disse Tamayo, caminhando até a filha e acariciando seu rosto.

Yushiro, que estava parado no canto da sala como uma sentinela silenciosa, cruzou os braços e bufou, embora suas bochechas estivessem levemente coradas.

— Uma "festa do pijama"... — resmungou ele, tentando manter sua fachada sarcástica. — Isso é uma perda de tempo ridícula. Poderíamos estar avançando no estudo das células de Muzan.

Nina se aproximou de Yushiro e puxou a manga de seu traje tradicional.

— Deixe de ser rabugento, Yushiro. Você sabe que adora passar tempo com a mamãe sem precisar olhar por um microscópio. E eu sei que você preparou aqueles doces de arroz que eu gosto.

— Eu só os fiz para que você parasse de me amolar! — retrucou ele, desviando o olhar, embora não tenha se afastado do toque da jovem.

— Ora, Yushiro — Tamayo interveio, com aquele olhar calmo que desarmava qualquer resistência dele. — Venha conosco. Sua companhia é essencial para que a noite seja completa.

O rapaz suspirou, derrotado instantaneamente pelas palavras da mestre.

— Se a senhora insiste, Lady Tamayo... eu irei. Mas se Nina começar a contar histórias de terror bobas, eu me retiro.

Eles se acomodaram na sala principal, onde os futons estavam dispostos em círculo. Nina, com toda a energia da juventude, começou a contar sobre as pequenas coisas que observara na cidade durante o dia, enquanto se escondia nas sombras. Tamayo ouvia com uma paciência infinita, seus olhos rosa-avermelhados brilhando com um carinho maternal profundo.

Yushiro, por outro lado, passava metade do tempo observando Tamayo com uma adoração quase religiosa e a outra metade lançando olhares de ciúmes para Nina sempre que a menina abraçava a mãe ou recebia um cafuné prolongado.

— A senhora está dando muita atenção a ela, Lady Tamayo — murmurou Yushiro, fingindo limpar uma mancha inexistente no chão. — Nina já é bem grandinha, não precisa de tantos mimos.

— Oh, Yushiro — Nina riu, jogando um travesseiro nele. — Você morre de inveja porque a mamãe me ama mais!

— O quê?! — Yushiro explodiu, o rosto ficando vermelho de raiva. — Retire o que disse, sua pirralha! A devoção que sinto pela Lady Tamayo é inigualável! Ela é a criatura mais bela e sábia que já caminhou sobre esta terra!

— Eu sei, eu sei — Nina brincou, deitando-se no colo da mãe. — Mas hoje sou eu quem ganha os carinhos.

Tamayo apenas sorria, acostumada com a dinâmica entre os dois. Para ela, aqueles momentos eram as únicas âncoras que a mantinham sã em meio a séculos de arrependimento e luta contra a própria natureza demoníaca.

As horas passaram. Nina, apesar de sua vitalidade, acabou sucumbindo ao sono, vencida pelo cansaço e pelo conforto do ambiente. Ela dormia profundamente, com a cabeça apoiada em um dos travesseiros, sua respiração rítmica e calma.

O silêncio voltou a reinar na sala, mas agora era um silêncio carregado, denso, preenchido apenas pelo som do vento lá fora. Tamayo e Yushiro continuavam sentados, próximos um do outro.

— Ela finalmente dormiu — sussurrou Tamayo, cobrindo a filha com uma manta fina.

— Ela fala demais — disse Yushiro, embora seu tom tivesse perdido a agressividade. — Mas... ela tem a sua beleza, Lady Tamayo. É impossível não notar a semelhança.

Tamayo voltou seu olhar para Yushiro. Na penumbra da sala, iluminada apenas por uma pequena lanterna de papel, a pele clara dela parecia brilhar como porcelana.

— Você sempre foi tão leal, Yushiro. Às vezes me pergunto se eu mereço tanta dedicação.

— Não diga isso! — Yushiro se aproximou, a voz urgente e baixa. — A senhora é tudo para mim. Eu daria minha existência para poupá-la de qualquer sofrimento. Salvou-me quando eu não tinha nada, deu-me um propósito.

Tamayo sentiu o peso daquelas palavras. Ela estendeu a mão e tocou o rosto de Yushiro. A pele dele estava fria, como a dela, mas o olhar que ele lhe dirigia era ardente, cheio de um desejo que ele tentava esconder sob camadas de sarcasmo e dever.

— Yushiro... — começou ela, a voz falhando levemente. — Por muito tempo, eu me fechei para qualquer coisa que não fosse o ódio por Muzan e a busca pela cura. Mas quando olho para você, sinto que ainda há uma parte de mim que é humana. Uma parte que deseja ser cuidada.

Yushiro sentiu o coração — ou o que restava dele — disparar. Ele segurou a mão de Tamayo contra seu rosto, fechando os olhos.

— Eu estou aqui. Eu sempre estarei aqui.

A atmosfera mudou. O que era uma noite de convivência familiar transformou-se em algo mais íntimo, uma tensão que vinha sendo construída ao longo de décadas. O respeito e a admiração de Yushiro sempre foram absolutos, mas naquele momento, o homem dentro do demônio clamava por algo mais.

Tamayo se aproximou, seus rostos a poucos centímetros de distância. Ela podia ver cada detalhe dos olhos claros de Yushiro, a dilatação de suas pupilas, a hesitação em seus lábios.

— Lady Tamayo... eu... — ele começou a dizer, mas as palavras se perderam quando ela selou seus lábios com os dele.

Foi um beijo suave a princípio, um encontro de almas que compartilhavam a mesma maldição e o mesmo destino. Mas logo o beijo se aprofundou. A necessidade acumulada, o medo constante da morte e a solidão da eternidade transbordaram.

Yushiro passou os braços pela cintura de Tamayo, puxando-a para mais perto, sentindo a maciez do seu quimono e o calor sutil que emanava dela. Tamayo, por sua vez, enroscou os dedos nos cabelos curtos dele, permitindo-se, pela primeira vez em séculos, ser vulnerável.

— Vamos para o outro quarto — sussurrou ela contra os lábios dele, preocupada em não acordar Nina.

Yushiro apenas assentiu, seus olhos brilhando com uma intensidade que Tamayo nunca vira antes. Eles se levantaram silenciosamente e se retiraram para os aposentos privados dela.

Lá, entre as paredes de papel e o aroma de flores, o tempo pareceu parar. Não havia mais caçadores de demônios, não havia Muzan, não havia a busca incessante por uma cura. Havia apenas dois seres que, apesar de suas naturezas sombrias, buscavam conforto um no outro.

As vestes tradicionais foram deixadas de lado com uma urgência contida. Yushiro reverenciava cada centímetro da pele de Tamayo, tratando-a como a divindade que ele sempre acreditou que ela fosse. Seus toques eram uma mistura de adoração e desejo reprimido.

— Você é tão linda... — ele murmurava, a voz rouca, enquanto seus lábios percorriam o pescoço dela.

Tamayo soltou um suspiro baixo, fechando os olhos e entregando-se às sensações. Ela sentia a força de Yushiro, a segurança que ele lhe proporcionava. Naquela entrega, ela não era apenas a médica sábia ou a fugitiva de Muzan; ela era uma mulher em busca de conexão.

O ato em si foi uma dança de sombras e luzes. Foi intenso e, ao mesmo tempo, carregado de uma ternura desesperada. Cada movimento era uma promessa silenciosa, um pacto de lealdade que ia além do sangue. Eles se perderam um no outro, explorando os limites de seus corpos e de suas emoções, em uma comunhão que desafiava a própria morte que carregavam dentro de si.

Quando o êxtase finalmente os alcançou, eles permaneceram abraçados, as respirações voltando ao normal lentamente. A luz da lua filtrava-se pelas frestas da janela, desenhando padrões prateados sobre os futons desarrumados.

Yushiro acariciava o ombro de Tamayo, ainda maravilhado com o que acabara de acontecer.

— Eu nunca imaginei... — ele começou, mas parou, sentindo-se incapaz de expressar a magnitude de seu sentimento.

Tamayo sorriu, encostando a cabeça no peito dele.

— Eu sei, Yushiro. Eu também não. Mas talvez... talvez isso faça parte da nossa cura também. Sentir. Amar.

Eles ficaram ali por um longo tempo, aproveitando o calor um do outro, até que os primeiros raios de sol começassem a ameaçar o horizonte, obrigando-os a fechar as cortinas pesadas para se protegerem.

Pela manhã — ou o que os onis consideravam manhã, já que viviam à noite —, Nina acordou e encontrou a casa silenciosa. Ela se espreguiçou e foi até a cozinha, onde encontrou Yushiro preparando o chá.

Havia algo diferente nele. Ele não parecia tão irritadiço, e havia uma leveza em seus ombros que ela nunca notara.

— Bom dia, Yushiro! — disse Nina, sentando-se à mesa. — Onde está a mamãe?

— Ela ainda está descansando — respondeu ele, sem olhar diretamente para ela, mas Nina notou que as orelhas dele estavam vermelhas. — A noite foi... longa.

Nina estreitou os olhos, um sorriso malicioso surgindo em seu rosto.

— Longa, é? E por que você está tão calmo? Geralmente você já estaria reclamando que eu acordei tarde.

— Não seja tonta — retrucou ele, voltando ao seu tom sarcástico habitual, mas sem a mordacidade de antes. — Vá lavar o rosto. Lady Tamayo sairá em breve.

Tamayo apareceu na porta pouco depois. Ela parecia radiante, uma serenidade ainda mais profunda em seu olhar. Ela caminhou até Nina e beijou o topo de sua cabeça, depois trocou um olhar rápido e cúmplice com Yushiro.

— Dormiu bem, querida? — perguntou Tamayo.

— Sim! Foi a melhor festa do pijama de todas — disse Nina, olhando de um para o outro. — Mas sinto que perdi a melhor parte da diversão.

Yushiro quase derrubou o bule de chá.

— O que você quer dizer com isso?! — ele exclamou, voltando ao seu estado de agitação defensiva.

— Nada, nada — Nina riu, pegando um dos doces de arroz. — Só que vocês dois parecem muito mais... amigos hoje.

Tamayo riu suavemente, sentando-se à mesa.

— Sim, Nina. Nós somos grandes amigos. E muito mais do que isso.

Yushiro sentou-se ao lado delas, e embora tenha tentado manter sua expressão séria, não conseguiu evitar que um pequeno sorriso escapasse quando a mão de Tamayo tocou a sua por baixo da mesa.

A luta contra Muzan continuaria. O futuro ainda era incerto e perigoso. Mas ali, naquele pequeno refúgio, eles haviam encontrado algo que nem mesmo o rei dos demônios poderia tirar deles: a capacidade de encontrar luz na mais profunda escuridão. E para Tamayo e Yushiro, aquela noite de "festa do pijama" seria guardada não como um desperdício de tempo, mas como o momento em que a eternidade finalmente fez sentido.
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