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Fandom: record of ragnarok

Criado: 24/06/2026

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O Trono de Helheim e a Sinfonia Proibida

O Submundo nunca foi um lugar de celebração, mas naquela tarde, os corredores de obsidiana do palácio de Hades pareciam vibrar com uma tensão incomum. A comitiva que avançava pelos salões era, no mínimo, bizarra. Deuses e humanos, que outrora tentaram se aniquilar na arena do Ragnarok, agora caminhavam lado a lado por uma necessidade diplomática urgente — ou assim Zeus dizia, enquanto liderava o grupo com uma animação suspeita.

— Eu estou dizendo, o meu irmão tem se isolado demais desde que aquela luta terminou em empate técnico e eles decidiram "coexistir" — comentou Zeus, massageando os ombros, enquanto Thor caminhava em silêncio absoluto ao seu lado, segurando o Mjölnir apenas por hábito.

— Ele é o Rei do Submundo, Zeus. Solidão faz parte do cargo — retrucou Odin, o corvo em seu ombro grasnando em concordância. — Mas convocar todos nós para uma "reunião de emergência" e depois não aparecer no portão é um insulto.

Atrás dos deuses, os representantes da humanidade não pareciam menos intrigados. Nikola Tesla analisava as lâmpadas de cristal flutuantes com fascínio científico, enquanto Jack, o Estripador, ajustava sua cartola, sentindo um "clima" peculiar no ar.

— Ora, ora... que vibração curiosa este lugar emana — murmurou Jack, com um sorriso enigmático. — Há um matiz de cor no ar que eu não esperava encontrar no reino dos mortos.

— É cheiro de problema — resmungou Leônidas, cruzando os braços e mascando seu charuto apagado. — Se aquele imperador chinês estiver envolvido, com certeza é problema.

À medida que se aproximavam dos aposentos reais de Hades, um som começou a ecoar pelas paredes de mármore negro. No início, era baixo, um som abafado que poderia ser confundido com o vento soprando pelas fendas do Helheim. Mas, conforme avançavam, o som se tornou mais rítmico, mais agudo e, definitivamente, mais humano.

Eram gemidos.

O grupo parou subitamente em frente às enormes portas duplas adornadas com motivos de caveiras e flores de lótus.

— Esperem... — Sasaki Kojiro desembainhou levemente sua espada, os sentidos aguçados. — Vocês estão ouvindo isso?

— Parece que alguém está sofrendo — disse Héracles, preocupado, dando um passo à frente. — Talvez Hades esteja sendo atacado!

— Atacado? — Buda deu uma mordida em um doce, soltando uma risada anasalada. — Acho que o tipo de "ataque" que está acontecendo ali dentro não precisa de resgate, Héracles.

Um gemido particularmente alto, carregado de uma mistura de dor e um prazer inegável, atravessou a porta. Era a voz de Qin Shi Huang.

— Hao! — a voz do Imperador ecoou, seguida de um arquejo profundo. — Mais... mais forte, Hades!

O silêncio que caiu sobre os deuses e humanos no corredor foi tão pesado que se podia ouvir a respiração de Beelzebub ao fundo. Poseidon franziu o cenho, sua expressão de nojo atingindo níveis divinos.

— Aquele verme humano... — sibilou o Deus dos Mares. — Ele ousou profanar o palácio do meu irmão?

— Profanar? — Shiva riu, balançando seus quatro braços. — Parece que eles estão se divertindo bastante. Eu não sabia que o Hades tinha tanto fôlego.

De repente, a voz de Hades ecoou de dentro do quarto, profunda, rouca e carregada de uma autoridade que raramente era usada daquela forma.

— Qin, eu já disse... gemer baixo — a voz do Rei do Submundo era um comando vibrante. — Seus sentidos estão ligados aos meus, você sabe o que acontece quando eu perco o controle.

— Eu sou o Imperador! — Qin exclamou, embora sua voz tenha falhado no final. — Eu gemo onde eu quiser! Este quarto é meu trono agora!

Ouviu-se o som de algo pesado batendo contra uma superfície de madeira — provavelmente a grande mesa de carvalho de Hades — seguido por um baque surdo e um grito abafado de Qin que fez as dobradiças da porta tremerem.

— Outra estocada dessas e eu... — Qin começou, mas foi interrompido por um som de impacto rítmico e vigoroso.

— Então receba — disse Hades, a voz transbordando uma intensidade sombria. — Como um Rei deve receber.

Do lado de fora, a reação foi variada. Raiden Tameemon assobiou, impressionado.

— Rapaz... o Imperador tem resistência, eu admito.

— Isso é... cientificamente fascinante — comentou Tesla, embora estivesse visivelmente corado, tentando ajustar seus óculos. — A transferência de energia cinética entre dois corpos em tal frequência...

— É nojento — interrompeu Simo Häyhä, puxando o capuz sobre o rosto, querendo estar em qualquer lugar, menos ali.

— Eu vou entrar — anunciou Zeus, com um brilho malicioso nos olhos. — Como irmão mais novo, é meu dever garantir que Hades não esteja tendo um ataque cardíaco!

— Zeus, não ouse... — começou Odin, mas era tarde demais.

Zeus, sem qualquer pingo de etiqueta ou respeito à privacidade alheia, escancarou as portas com um movimento dramático.

— Irmão! Viemos para a reunião e...

A frase morreu na garganta do Rei do Olimpo. O resto do grupo, empurrado pela curiosidade ou pelo simples impulso de ver o caos, entrou logo atrás.

A cena dentro do escritório real era digna de uma pintura que nenhum deles esqueceria.

Hades estava de pé, encostado na beirada de sua imensa mesa de trabalho. Suas roupas, geralmente impecáveis e sofisticadas, estavam em um estado deplorável. A camisa de seda branca estava aberta até a metade, pendendo desleixadamente pelos ombros, revelando o peito marcado por arranhões avermelhados que claramente não foram feitos por armas de combate. Seu cabelo, sempre perfeitamente penteado, estava uma confusão de fios brancos espetados para todos os lados. Ele segurava Qin Shi Huang pela cintura, mas ao ver a multidão, congelou.

Qin, por sua vez, estava deitado sobre a mesa, espalhado entre pergaminhos antigos, mapas do submundo e tinteiros virados. Sua venda estava caída no pescoço, revelando os olhos que agora brilhavam com uma névoa de puro êxtase e desorientação. Ele parecia estar em outro planeta. O Imperador da China, o homem que desafiou deuses, estava "brizando" completamente, com um sorriso bobo nos lábios e os dedos enterrados na madeira da mesa.

— Hao... — sussurrou Qin, sem sequer focar os olhos em quem havia entrado. — Onde quer que eu me deite... é o meu trono... Hades... mais uma...

Hades respirou fundo, fechando os olhos por um segundo enquanto tentava recuperar a compostura real que o definia. Ele não se afastou de Qin imediatamente; em vez disso, colocou uma mão protetora sobre o peito do humano, como se marcasse território diante dos espectadores boquiabertos.

— Zeus — a voz de Hades saiu mais baixa do que o normal, carregada de uma promessa de violência. — Eu espero, para o seu bem, que o Helheim esteja pegando fogo. Porque essa é a única razão aceitável para você invadir meus aposentos sem bater.

— Bem... — Zeus deu um passo atrás, rindo nervoso enquanto coçava a nuca. — Nós ouvimos uns... ruídos. Achei que você estava sendo assassinado! Ou que o Qin estava tentando um golpe de estado!

— Um golpe de estado? — Hades olhou para baixo, para o Imperador que agora tentava morder a manga da própria túnica com um olhar perdido. — Como podem ver, ele não está em condições de governar nem a si mesmo no momento.

— Ele parece ter visto o início e o fim do universo — comentou Nostradamus, aproximando-se com curiosidade infantil para cutucar a bochecha de Qin. — Ei, Imperador! Quantos dedos tem aqui?

Qin Shi Huang finalmente pareceu notar a presença de mais pessoas. Ele piscou lentamente, focando em Nostradamus, depois em Zeus, e finalmente na horda de deuses e humanos na porta. Por um momento, a arrogância real brilhou de volta em seus olhos, mas foi rapidamente substituída por um bocejo preguiçoso.

— Hades — disse Qin, a voz arrastada. — Por que você convidou esses camponeses para a nossa celebração? Expulse-os. Eles estão sujando o ar do meu novo palácio.

— Seu palácio? — Poseidon deu um passo à frente, o tridente brilhando perigosamente. — Você é apenas um brinquedo momentâneo para o meu irmão, humano insolente.

Hades lançou um olhar tão gélido para Poseidon que até o Deus dos Mares hesitou.

— Cuidado com as palavras, Poseidon — disse Hades, ajeitando a camisa com uma mão enquanto a outra ainda repousava no quadril de Qin. — Ele é o meu convidado. E ele é um Rei. Trate-o como tal, ou saia.

O silêncio voltou a reinar, quebrado apenas pelo som de Jack, o Estripador, aplaudindo levemente.

— Que demonstração magnífica de afeto — disse o assassino, limpando uma lágrima imaginária. — O amor realmente floresce nos lugares mais sombrios.

— Isso não é amor, é falta de vergonha! — gritou Leônidas, dando meia-volta. — Eu não vim do Esparta para ver o inimigo sendo "estocado" por um deus. Eu vou para o bar. Quem vem comigo?

— Eu topo — disse Okita Soji, guardando sua katana. — Já vi sangue o suficiente na minha vida, não preciso ver... o que quer que tenha sido isso.

Aos poucos, o grupo começou a se dispersar, movido pelo constrangimento ou pela percepção de que Hades realmente não estava de bom humor para reuniões. Zeus foi o último a sair, parando na porta com um sorriso malicioso.

— Só um aviso, irmão — disse o velho deus. — Na próxima vez, usem feitiços de silenciamento. Os gritos do Qin estavam sendo ouvidos até no Valhala. Thor achou que era o início de um novo Ragnarok.

Hades apenas apontou para a porta, e Zeus saiu saltitante, fechando-a atrás de si.

O silêncio finalmente retornou ao escritório, embora o cheiro de suor e desejo ainda pairasse no ar. Hades soltou um suspiro longo e pesado, sentando-se na cadeira de couro ao lado da mesa onde Qin ainda repousava.

— Você é um problema, Ying Zheng — murmurou Hades, passando a mão pelo rosto.

Qin se sentou devagar, os cabelos negros caindo sobre os ombros, a postura voltando a ser aquela de um soberano absoluto, mesmo que suas pernas ainda tremessem levemente. Ele se inclinou para frente, invadindo o espaço pessoal de Hades, e sorriu — aquele sorriso que escondia séculos de dor e uma determinação inquebrável.

— Um problema que você não consegue parar de resolver, Rei do Submundo — Qin aproximou-se do ouvido de Hades, sua voz voltando ao tom carismático e provocador. — Eles já foram embora. Onde paramos?

Hades olhou para o Imperador. Ele viu a marca da sinestesia toque-espelho no olhar de Qin, a capacidade de sentir tudo tão intensamente que poderia destruí-lo. Mas ali, naquele momento, Qin só sentia o que Hades lhe dava.

— Paramos na parte — disse Hades, segurando o queixo de Qin com firmeza e puxando-o para um beijo possessivo — onde eu te ensino que, neste reino, eu sou o único que dita as regras do trono.

Qin riu contra os lábios de Hades, um som de puro desafio e prazer.

— Tente, Hades. Mas não se esqueça... onde eu me sento, é onde o poder reside.

E, naquela tarde, o Submundo não ouviu gritos de guerra, mas sim a sinfonia de dois reis que, entre o orgulho e o dever, encontraram um campo de batalha onde ambos desejavam se render.
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