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Paixão bagunçada

Fandom: Vermelho branco sangue azul

Criado: 25/06/2026

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Entre Vermelhos, Rosas e Sombras

O sol da manhã filtrava-se pelas janelas altas do palácio de mármore, desenhando padrões geométricos no chão polido. Catarina estava sentada em sua poltrona favorita, os dedos delicados traçando as bordas de um livro de poesias que ela já havia lido dezenas de vezes. Ela era, para o mundo exterior, a "Princesa Pura", um título que carregava com a mesma naturalidade com que usava suas tiaras de diamantes. Sua inocência não era uma fachada; Catarina realmente via o mundo através de uma lente de bondade, acreditando que cada pessoa carregava uma centelha de luz que apenas precisava ser notada.

No entanto, essa luz era constantemente vigiada. Seus pais, o Rei e a Rainha, eram arquitetos de sua existência, moldando cada passo, cada encontro e cada palavra que ela proferia em público. Para eles, Catarina era a joia mais preciosa da coroa, mas também a mais vulnerável.

Um passo pesado e rítmico ecoou pelo corredor, e a porta do solário se abriu. Damian entrou. Ele era uma figura imponente, um contraste absoluto com a suavidade do ambiente. Vestido em seu uniforme negro de guarda real, com a postura rígida e o olhar que parecia capaz de perfurar paredes, ele se posicionou a dois metros de distância dela. Damian não era apenas seu guarda; ele era sua sombra, sua âncora e a única pessoa que Catarina sentia que realmente a conhecia.

— Vossa Alteza — disse Damian, sua voz profunda e desprovida de emoção aparente, embora houvesse uma suavidade quase imperceptível nela. — Seus pais solicitam sua presença no salão de recepções principal. Os convidados do Sul acabaram de cruzar os portões.

Catarina fechou o livro com um sorriso doce, levantando-se e ajeitando o vestido de seda clara.

— Ah, sim, o Príncipe Herry. Mamãe falou muito sobre a elegância da corte do Sul. Você acha que ele vai gostar dos jardins, Damian? Ouvi dizer que lá as flores são diferentes.

Damian estreitou os olhos levemente, um sinal de sua eterna desconfiança.

— Não estou aqui para avaliar o gosto do príncipe por botânica, Catarina. Estou aqui para garantir que ele mantenha a distância adequada. As intenções de seus pais e as dos pais dele são puramente financeiras e políticas. Não se esqueça disso.

Catarina riu, um som cristalino que parecia suavizar até as feições duras do guarda. Ela se aproximou dele e tocou levemente em seu braço, um gesto que só era permitido a ela.

— Você é sempre tão sério. Às vezes acho que você esquece que as pessoas podem ser gentis apenas por serem. Vamos, não quero deixar ninguém esperando.

Enquanto caminhavam pelos corredores vastos, Damian permanecia meio passo atrás dela, sua mão sempre próxima ao punho da espada, os olhos escaneando cada canto, cada servo que passava. Ele a protegia como uma irmã mais nova, ciente de que a pureza de Catarina era um alvo fácil para a ambição do mundo.

Ao chegarem ao salão de recepções, o ambiente estava carregado com o cheiro de incenso e o murmúrio de vozes importantes. No centro da sala, ao lado dos reis, estava uma família que exalava opulência. Mas foi o jovem no centro que capturou a atenção de Catarina.

O Príncipe Herry vestia um traje de veludo vermelho profundo, bordado com fios de ouro que brilhavam sob os candelabros. Ele era bonito, com feições suaves e olhos que não possuíam a frieza calculista de seus pais. Enquanto os pais de Herry conversavam animadamente com os de Catarina sobre rotas comerciais e alianças de riqueza, Herry parecia ligeiramente deslocado, como se preferisse estar em qualquer outro lugar.

Quando Catarina se aproximou, Herry deu um passo à frente e fez uma reverência impecável.

— Princesa Catarina — disse ele, e sua voz era como música, carregada de uma sinceridade que pegou até Damian de surpresa. — É uma honra que as histórias sobre sua graça não façam justiça à realidade.

Catarina sentiu as bochechas esquentarem levemente e fez uma mesura.

— Seja bem-vindo ao nosso reino, Príncipe Herry. Espero que sua viagem tenha sido tranquila.

— Foi longa, mas a perspectiva de conhecer alguém tão... iluminada quanto dizem, tornou o caminho mais curto — respondeu Herry, oferecendo-lhe um sorriso tímido.

Os pais de Catarina observavam a interação com satisfação evidente. Para eles, aquela era a união perfeita de ativos. Para Catarina, era o início de uma curiosidade.

— Herry é um jovem de muitos talentos — comentou o Rei do Sul, um homem cujo olhar era tão afiado quanto uma adaga. — Embora passe tempo demais com a cabeça nas nuvens e nos livros.

— Não há mal nenhum em apreciar a beleza das palavras, meu senhor — defendeu Catarina, instintivamente.

Herry olhou para ela com um brilho de gratidão nos olhos. Damian, por outro lado, deu um passo à frente, sua presença física agindo como um lembrete silencioso de sua vigilância. O olhar que ele lançou a Herry era gelado, avaliando o príncipe em busca de qualquer sinal de falsidade.

— Talvez a princesa possa mostrar os jardins ao príncipe — sugeriu a Rainha, com um tom que não permitia recusas. — Damian, acompanhe-os, por favor.

O trio saiu para o terraço, onde o ar fresco da tarde soprava. Damian mantinha uma distância de segurança, mas seus olhos nunca deixavam de observar Herry. O príncipe, no entanto, parecia mais interessado nas flores do que em qualquer protocolo real.

— Suas rosas são magníficas — disse Herry, parando diante de um arbusto de rosas brancas. — Elas me lembram um verso que li uma vez, sobre como a pureza é a forma mais resiliente de força.

— Você gosta de poesia? — perguntou Catarina, os olhos brilhando de empolgação.

Herry olhou para trás, para ter certeza de que seus pais não estavam por perto, e suspirou.

— Eu gostaria de ser um escritor, Catarina. Passo minhas noites escrevendo versos que nunca serão publicados e histórias de reinos onde a liberdade não é apenas uma palavra em um tratado. Mas, como você sabe, príncipes não escrevem livros, eles assinam decretos.

Catarina sentiu uma onda de empatia. Ela entendia o que era viver em uma gaiola dourada, embora a dela fosse feita de proteção e a dele, de expectativas de grandeza.

— Eu entendo — murmurou ela. — Eu também sinto que minha vida é um roteiro já escrito por outros. Mas seus versos... eles devem ser lindos.

— São apenas sentimentos colocados no papel — disse Herry, aproximando-se um pouco mais, o que fez Damian tencionar os ombros e dar um passo à frente.

— O sol está se pondo, Vossa Alteza — interrompeu Damian, sua voz como um trovão baixo. — O ar está ficando frio para a princesa.

Herry olhou para o guarda e, em vez de se sentir ofendido, sorriu de forma compreensiva.

— Você a protege bem, senhor Damian. É raro encontrar tamanha lealdade hoje em dia.

— Minha única função é garantir a segurança dela, Príncipe — respondeu Damian, seco. — De perigos físicos e de... ilusões.

Catarina olhou para Damian com um toque de reprovação, mas depois voltou-se para Herry.

— Não ligue para ele. Damian é como um irmão que leva seu trabalho a sério demais. Diga-me, Herry, se você pudesse escrever qualquer coisa agora, sobre o que seria?

Herry olhou para o horizonte, onde o céu se tingia de laranja e violeta, combinando com o vermelho de suas vestes.

— Eu escreveria sobre o encontro de duas almas que, apesar de cercadas por muros de castelos e ambições alheias, conseguiram encontrar um momento de verdade em um jardim.

Catarina sorriu, sentindo que, pela primeira vez em muito tempo, alguém a via não como a "Princesa Pura", mas como uma pessoa que também sonhava.

— Isso soa como o começo de um belo livro — disse ela.

— Talvez — respondeu Herry, inclinando a cabeça. — Se a princesa me permitir a honra de visitá-la mais vezes, eu poderia ler alguns capítulos para você.

— Eu adoraria — afirmou Catarina, com uma confiança que raramente demonstrava diante de estranhos.

Enquanto voltavam para o palácio, Damian permanecia em silêncio, mas sua mente trabalhava freneticamente. Ele via a falta de maldade em Herry, o que o tornava, de certa forma, ainda mais perigoso. Pessoas românticas e sonhadoras costumavam quebrar corações, e o coração de Catarina era um tesouro que ele jurara proteger com a própria vida.

— Ele parece ser uma boa pessoa, Damian — sussurrou Catarina quando Herry se afastou para se juntar aos pais no grande salão.

— O lobo às vezes se veste de cordeiro, Catarina — respondeu Damian, mantendo a voz baixa e o olhar fixo no príncipe. — E mesmo que ele seja um cordeiro, os pais dele são leões famintos. Não baixe a guarda.

— Você sempre vê o perigo em tudo — disse ela, suspirando.

— É por isso que você ainda é capaz de ver a beleza em tudo — retrucou ele, com uma sinceridade rara. — Eu cuido das sombras para que você possa continuar caminhando na luz.

Catarina olhou para o salão, onde Herry agora gesticulava suavemente enquanto falava com o Rei. Havia algo nele, uma melancolia escondida sob o veludo vermelho, que a atraía. Ela sabia que seus pais queriam o dinheiro do Sul, e os pais de Herry queriam o prestígio do Norte. Mas, naquele momento, em meio às intrigas políticas e às armaduras emocionais, Catarina sentiu que talvez, apenas talvez, houvesse espaço para algo real.

— Ele não é um perigo, Damian — insistiu ela, observando Herry de longe. — Ele é apenas um poeta preso em uma coroa.

— Poetas podem ser os homens mais perigosos de todos — murmurou Damian, embora, no fundo, ele esperasse estar errado.

A noite caiu sobre o palácio, e enquanto os banquetes continuavam e os acordos eram selados em salas fechadas, Catarina voltou para o seu quarto, acompanhada pelo silêncio vigilante de seu guarda. Ela abriu seu livro de poesias, mas desta vez, não leu as palavras impressas. Em vez disso, imaginou as palavras que Herry ainda iria escrever.

E na escuridão do corredor, do lado de fora da porta dela, Damian permaneceu de pé, uma sentinela inabalável, pronto para enfrentar qualquer ameaça que ousasse perturbar a paz da princesa, fosse ela um exército inimigo ou um príncipe vestido de vermelho com palavras doces nos lábios.
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