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enimes to lovers

Fandom: peter pan

Criado: 25/06/2026

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Onde o Vento Sussurra Segredos

A areia da Terra do Nunca sempre parecia ter um brilho próprio, como se minúsculas partículas de pó estelar estivessem misturadas aos grãos brancos e finos. Eu estava sentada à beira-mar, sentindo a carícia do sol quente contra a minha pele. Usava apenas um maiô simples, e meus cabelos pretos, longos e com aquela franja que vivia caindo sobre meus olhos cor de mel, estavam úmidos devido ao mergulho que eu acabara de dar.

Algumas sardas salpicavam meu nariz, um presente do sol constante daquela ilha mágica. Eu observava, com um sorriso brincalhão, os Meninos Perdidos correndo de um lado para o outro na orla, gritando e brandindo espadas de madeira em uma batalha imaginária que, para eles, era a coisa mais real do mundo.

— Nana! Olha o que eu achei! — gritou Magrelo, apontando para uma concha retorcida, mas ele logo se distraiu com um caranguejo que passava e voltou a correr.

Eu ri baixinho. Eles me chamavam de Nana, um apelido carinhoso que surgiu pouco depois da minha chegada. Já fazia tanto tempo que eu estava ali que as memórias do "mundo de lá" pareciam fotografias antigas e desbotadas. Na Terra do Nunca, o tempo era uma sugestão, e eu era feliz sendo exatamente quem eu era: a garota que não tinha medo das sereias traiçoeiras ou das ameaças distantes do Capitão Gancho.

Minha segurança tinha um nome: Peter Pan. Ele me protegia com uma ferocidade que beirava a teimosia, embora ele mesmo fosse o mestre da persistência. Peter amava o fato de que eu não baixava a cabeça para ele. Ele adorava quando eu o desafiava ou quando minha curiosidade me levava a lugares onde as fadas temiam voar.

De repente, um estalo seco vindo da vegetação densa que beirava a praia chamou minha atenção. Os meninos continuavam em sua algazarra, alheios a qualquer som que não fosse o de suas próprias vozes. Mas eu tinha o ouvido atento.

Virei o rosto levemente, tentando filtrar o som das ondas. Outro estalo. E então, o balançar de uma folha de palmeira onde não havia vento.

— Peter? — sussurrei para mim mesma, um sorriso já se formando nos meus lábios.

Eu sabia que era ele. Peter tinha esse hábito de me atrair para longe do grupo, sabendo exatamente quais botões apertar. Ele conhecia minha curiosidade como ninguém. Levantei-me, sacudindo a areia das pernas, e caminhei em direção à orla da floresta.

Assim que alcancei as primeiras árvores, senti algo atingir levemente meu ombro. Uma pedrinha pequena e redonda caiu aos meus pés. Olhei para cima e vi apenas um vulto verde desaparecendo entre os troncos retorcidos.

— Ah, então é assim? — murmurei, ajustando a franja. — Você quer brincar de pega-pega logo agora, Pan?

Eu saí correndo. Meus pés descalços já estavam acostumados com as raízes e pedras do solo da ilha. O riso de Peter ecoava, vindo de algum lugar à frente, desafiador e cristalino. Ele estava me levando para o interior da ilha, em direção à parte que os meninos evitavam durante o dia e temiam durante a noite: a Floresta Proibida.

— Peter, não é engraçado! — gritei, enquanto saltava sobre um tronco caído. — A gente não deveria ir tão longe!

Mas ele não parava. Eu via a sombra dele deslizando entre as árvores, movendo-se com uma agilidade que eu mal conseguia acompanhar. As árvores ali eram diferentes; os troncos eram acinzentados e as folhas tão densas que a luz do sol começava a falhar, criando um crepúsculo artificial e gelado.

Eu parei de correr quando percebi que o silêncio da floresta havia engolido o som do mar. Eu estava no coração da mata fechada.

— Peter? — chamei, desta vez com a voz um pouco trêmula. — Chega, Peter. Eu já entendi. Vamos voltar.

O silêncio que se seguiu foi absoluto por apenas um segundo. Então, o vento começou.

Não era uma brisa de verão, mas uma ventania súbita e violenta que parecia surgir do nada. As copas das árvores gemiam, chocando-se umas contra as outras, e o som era como o de vozes sussurrando segredos sombrios. Folhas secas rodopiavam ao meu redor em um turbilhão, e o céu, que eu mal conseguia ver entre as frestas, parecia ter escurecido instantaneamente.

— Peter! — gritei, o pânico começando a subir pela minha garganta.

Eu odiava aquele lugar. Havia algo na Floresta Proibida que parecia se alimentar de memórias tristes e medos escondidos. Um estalo alto de um galho quebrando atrás de mim me fez pular. Eu fechei os olhos com força, cobrindo-os com as mãos, sentindo as lágrimas começarem a arder nos meus olhos.

— Por favor, Peter... onde você está? — minha voz saiu como um soluço.

Eu estava prestes a me encolher no chão quando senti braços fortes e familiares envolverem minha cintura. O calor emanava dele, quebrando o frio sobrenatural da floresta. O cheiro de pinho e aventura me envolveu instantaneamente.

— Calma, Nana. Eu estou aqui. — A voz dele estava perto do meu ouvido, suave e protetora.

Eu me virei rapidamente, enterrando meu rosto no peito dele, agarrando sua túnica verde com as mãos trêmulas. O vento pareceu diminuir de intensidade no momento em que nos tocamos, como se a própria ilha respeitasse a presença do seu mestre.

Peter se afastou apenas o suficiente para olhar no meu rosto. Ele levou uma mão até minha bochecha e, com o polegar, afastou uma mecha de cabelo preto que estava colada à minha testa, prendendo-a atrás da minha orelha.

— Você está com medo? — perguntou ele.

Sua expressão não era de deboche, o que era raro para Peter Pan. Seus olhos brilhavam com uma preocupação genuína que ele raramente mostrava aos outros meninos. Eu apenas concordei com a cabeça, sentindo uma lágrima solitária escorrer.

— Ah, Hanna... — ele sussurrou, usando meu nome real em vez do apelido, o que fez meu coração dar um salto. — Desculpa. Eu não queria te assustar de verdade. Eu só queria que você me seguisse.

— Você sabe que eu odeio este lugar, Peter — eu disse, minha voz ainda um pouco instável. — Por que me trouxe até aqui?

— Porque aqui é o único lugar onde os outros não nos interrompem — ele respondeu, dando um meio sorriso travesso, embora seus olhos permanecessem ternos. — Mas eu esqueci que a floresta pode ser um pouco... temperamental com quem ela não conhece bem.

Ele se inclinou e depositou um beijo suave no topo da minha cabeça, deixando seus lábios ali por um momento.

— Está tudo bem agora. Eu prometo. Enquanto eu estiver aqui, nada nessa ilha ousaria tocar em você.

— Você é um convencido — eu murmurei contra o peito dele, sentindo meu medo se dissipar e dar lugar àquela segurança morna que só ele me proporcionava.

— Eu sou o Peter Pan — ele riu, recuperando sua confiança habitual. — O convencimento faz parte do charme, não acha?

Eu me afastei um pouco, olhando para aqueles olhos que pareciam conter toda a magia do mundo.

— Às vezes eu acho que você faz essas coisas só para ver se eu ainda sou teimosa o suficiente para vir atrás de você.

Peter soltou uma gargalhada curta e segurou minha mão, entrelaçando nossos dedos.

— E você sempre vem. É por isso que você é a minha favorita, Nana.

Ele começou a me conduzir de volta, mas não estava voando nem correndo. Caminhávamos devagar, como se quiséssemos prolongar aquele momento em que a floresta, antes assustadora, agora parecia apenas um cenário silencioso para nós dois.

— Peter? — chamei, enquanto passávamos por um arbusto de flores que brilhavam no escuro.

— Sim?

— Não faz mais isso. Da próxima vez que quiser ficar sozinho comigo, apenas peça. Você sabe que eu sou inteligente o suficiente para entender, não precisa de trilhas de pedras.

Ele parou e me olhou por cima do ombro, um brilho divertido nos olhos.

— Mas onde estaria a aventura nisso?

— A aventura está em estarmos juntos, seu bobo — respondi, puxando a mão dele para que continuássemos andando.

Ele não respondeu de imediato, mas apertou minha mão com um pouco mais de força, um gesto silencioso de concordância. Saímos da densidade da Floresta Proibida e, gradualmente, o som do mar voltou a preencher o ar. O sol ainda estava se pondo, pintando o céu de laranja e violeta.

Quando voltamos à praia, os Meninos Perdidos ainda estavam lá, agora tentando acender uma fogueira sob a supervisão de um Sininho impaciente, que brilhava intensamente ao redor de suas cabeças.

— Onde vocês estavam? — perguntou Nibs, correndo até nós. — A gente achou que o Gancho tinha pegado vocês!

Peter soltou minha mão e colocou as mãos nos quadris, assumindo sua postura de líder.

— O Gancho? Aquele bacalhau velho não conseguiria me pegar nem se eu estivesse dormindo! Eu só estava mostrando para a Nana quem é que manda na floresta.

Eu revirei os olhos, mas sorri. Peter piscou para mim discretamente antes de sair correndo para ajudar (ou atrapalhar) com a fogueira.

Sentei-me novamente na areia, observando-o. O vento que antes me assustara agora era apenas um sopro gentil que trazia o cheiro do mar. Eu sabia que, na Terra do Nunca, os perigos eram reais e o tempo era um mistério, mas enquanto Peter Pan estivesse por perto para afastar meu cabelo do rosto e me dizer que estava tudo bem, eu nunca desejaria estar em outro lugar.

Afinal, eu era a Nana dele, a garota teimosa de olhos cor de mel que tinha encontrado seu lar em uma ilha que não aparecia em nenhum mapa, mas que vivia batendo no lado esquerdo do meu peito. E, enquanto a fogueira subia em direção às estrelas, eu percebi que a maior aventura de todas não era lutar contra piratas ou voar acima das nuvens, mas sim o jeito como Peter me olhava quando achava que eu não estava vendo: como se eu fosse o tesouro mais precioso que ele já encontrara em todas as suas eras de juventude eterna.
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