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Ainda te amo
Fandom: Airbag
Criado: 25/06/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoHistória DomésticaCiúmesRealismo
Entre o Eco e o Reencontro
O apartamento em Palermo parecia maior do que o normal, e o silêncio era um intruso que Karen não conseguia expulsar. Ela observou seu reflexo no espelho de corpo inteiro: a pele negra de tom claro brilhava sob o iluminador dourado, o vestido justo realçava suas curvas e os cabelos estavam impecáveis. Aos 22 anos, Karen deveria estar vivendo o auge de sua juventude em Buenos Aires, a cidade que escolhera para estudar e que acabou se tornando seu lar. Mas, por dentro, ela sentia como se estivesse desmoronando.
Havia dois meses que ela e Patricio Sardelli tinham decidido "dar um tempo". O que começou como uma conversa dolorosa sobre a rotina sufocante e o esfriamento da paixão resultou em um vazio que nenhum dos dois sabia como preencher. Pato sempre fora o seu porto seguro, o homem que a apoiava em cada prova da faculdade, e ela fora a sua musa, a mulher que segurava sua mão nos bastidores dos shows do Airbag. Mas o brilho nos olhos dele parecia ter se apagado, e o cansaço das turnês o afastou emocionalmente.
Karen pegou o celular e postou um story. Era um vídeo curto, brindando com as amigas em uma boate badalada, o som do reggaeton alto ao fundo. Ela sorria para a câmera, mas seus olhos buscavam apenas uma visualização específica na lista.
— Você não vai parar de olhar isso, não é? — perguntou Sofia, sua melhor amiga, aproximando-se com dois drinks.
— Não sei do que você está falando — Karen mentiu, guardando o aparelho na bolsa.
— Sei exatamente. Você está postando para ele ver. Karen, você está linda, mas essa máscara de "estou ótima" está começando a rachar.
— Ele precisa saber que eu não parei a minha vida, Sofi. Se ele quer distância, ele vai ver o que está perdendo.
Do outro lado da cidade, no estúdio de ensaio, o clima era pesado. Patricio estava sentado no sofá de couro, a guitarra repousando esquecida ao seu lado. Ele desbloqueou o celular pela décima vez naquela hora. Quando viu o círculo colorido ao redor da foto de perfil de Karen, seu coração deu um solavanco.
Ele assistiu ao vídeo. Viu o sorriso dela, o jeito que o vestido se movia enquanto ela dançava, e a raiva misturada com saudade borbulhou em seu peito.
— De novo vendo o que ela está fazendo? — Guido, seu irmão, passou por ele pegando uma garrafa de água. — Você está em um estado lamentável, Pato.
— Ela está na Tequila esta noite — Patricio murmurou, a voz rouca. — Com quem ela está? Aquele cara que comentou na foto dela ontem?
— Você que pediu o tempo, lembra? — Gastón interveio, afinando o baixo. — Disse que precisava de espaço para compor, que a relação estava fria. Agora aguenta.
— Eu não sabia que o espaço seria um abismo — Patricio levantou-se abruptamente, pegando a jaqueta de couro preta. — Eu não aguento mais isso.
— Onde você vai? — perguntou Guido.
— Vou buscar o que é meu.
A boate estava lotada. O cheiro de perfume caro e álcool misturava-se ao calor humano. Karen estava na área VIP, sentindo-se cada vez mais desconectada da música. Um rapaz se aproximou, tentando puxar conversa, e ela permitiu que ele ficasse por perto, rindo de algo que ele disse apenas para manter as aparências. Ela sabia que Patricio tinha amigos ali. Alguém contaria para ele.
De repente, a energia do lugar pareceu mudar. Karen sentiu um arrepio na nuca antes mesmo de vê-lo. Quando se virou, lá estava ele. Patricio atravessava a pista com uma expressão que oscilava entre a fúria e o desespero. Seus olhos negros estavam fixos nela, ignorando qualquer outra pessoa no recinto.
— Karen — a voz dele cortou o barulho, firme e carregada de emoção.
— O que você está fazendo aqui, Patricio? — Ela cruzou os braços, tentando manter a postura defensiva. — Achei que estivesse ocupado sendo solteiro.
— Eu nunca quis ser solteiro — ele disse, aproximando-se tanto que ela podia sentir o calor do seu corpo. — Eu fui um idiota. Achei que o problema era a gente, mas o problema era eu não saber lidar com a pressão.
— Você me deixou sozinha por meses, mesmo quando estávamos no mesmo quarto — Karen sentiu as lágrimas pinicarem seus olhos. — E agora você aparece aqui porque me viu em um story? Você está com ciúmes, é isso?
— Eu estou morrendo, Karen! — ele exclamou, sem se importar com quem ouvia. — Eu vejo essas fotos, vejo você saindo, e sinto que estou perdendo a única coisa que realmente importa. Essa frieza... eu não quero mais isso. Eu quero o fogo de volta.
O rapaz que estava conversando com Karen tentou intervir, colocando a mão no ombro de Patricio.
— Ei, cara, ela está comigo agora...
Patricio nem sequer olhou para o lado. Ele apenas afastou a mão do sujeito com um gesto brusco, mantendo o contato visual com Karen.
— Sai daqui. Agora — rosnou Patricio.
O rapaz, percebendo a intensidade da situação, recuou e desapareceu na multidão. Karen soltou um suspiro trêmulo.
— Você não pode simplesmente chegar aqui e mandar nas pessoas, Pato.
— Eu não quero mandar em ninguém — ele deu um passo final, reduzindo a distância entre eles a zero. — Eu só quero você de volta. Por favor, vamos sair daqui. Vamos conversar em um lugar onde eu possa te tocar sem ter mil câmeras apontadas para nós.
Karen olhou para o homem à sua frente. O músico marrento, o ídolo de multidões, estava ali, vulnerável e suplicante. O tempo que passaram afastados não tinha curado nada; só tinha mostrado o tamanho da ferida.
— Tudo bem — ela sussurrou. — Vamos.
Eles saíram da boate sob os olhares curiosos dos presentes. O ar frio da noite portenha foi um alívio. Patricio a conduziu até seu carro, mas não deu a partida imediatamente. Ele ficou em silêncio por um longo tempo, as mãos apertando o volante até os nós dos dedos ficarem brancos.
— Eu senti tanto a sua falta que chegava a doer fisicamente — ele confessou, a voz falhando. — Eu entrava no estúdio e cada música que eu tentava escrever saía com o seu nome.
— Por que você não disse nada antes? — Karen perguntou, deixando uma lágrima cair. — Por que me deixou chegar ao ponto de ter que fingir que estava feliz em baladas que eu odeio?
— Porque eu achei que você estivesse melhor sem mim — ele se virou para ela, estendendo a mão para acariciar o rosto dela. — Eu te via tão linda, tão radiante nas redes sociais, que pensei: "Ela finalmente se libertou do peso que eu me tornei".
— Você nunca foi um peso, Pato. Você era o meu equilíbrio. Quando você se afastou, eu perdi o chão.
Patricio soltou o cinto de segurança e inclinou-se para ela, envolvendo-a em um abraço apertado. Karen escondeu o rosto no pescoço dele, sentindo o perfume familiar de tabaco e colônia cara. Ela soluçou, liberando toda a angústia dos últimos meses.
— Me perdoa, meu amor — ele sussurrou contra o cabelo dela. — Me perdoa por ter sido tão cego. Eu não vou deixar esfriar de novo. Eu vou lutar por nós todos os dias.
— Promete? — Ela levantou o rosto, os olhos úmidos brilhando sob a luz dos postes de rua.
— Eu prometo — ele disse, antes de selar a promessa com um beijo.
Não foi um beijo suave. Foi um beijo de urgência, de fome, de quem passou tempo demais no deserto e finalmente encontrou água. Karen passou as mãos pelos cabelos longos de Patricio, puxando-o para mais perto, enquanto ele a segurava como se ela pudesse desaparecer a qualquer momento.
— Vamos para casa? — perguntou ele, separando os lábios por apenas alguns milímetros.
— Para a nossa casa? — Karen quis confirmar.
— Para a nossa casa — ele sorriu, o primeiro sorriso verdadeiro que ela via em meses. — Onde você pertence. Onde nós pertencemos.
Patricio ligou o motor e dirigiu pelas ruas de Buenos Aires, mas desta vez não havia pressa. O silêncio no carro não era mais desconfortável; era preenchido pela presença reconfortante um do outro. Karen encostou a cabeça no ombro dele, sentindo-se finalmente em paz.
Ao chegarem ao apartamento, a atmosfera já era outra. A frieza que havia se instalado meses atrás fora dissipada pelo calor da reconciliação. Patricio a levou para o quarto, mas antes de qualquer coisa, ele a sentou na cama e ajoelhou-se à sua frente.
— Eu sei que as coisas mudaram, Karen. Eu sei que eu mudei. Mas o que eu sinto por você é a única constante na minha vida. Eu vim da Argentina, você veio do Brasil, e o destino nos uniu aqui para algo maior do que uma crise de rotina.
— Eu te amo, Pato — ela disse, passando os dedos pelo rosto dele. — Só não esquece que eu também tenho meus sonhos, meus estudos... eu preciso que você esteja presente neles.
— Eu vou estar. Em cada exame, em cada conquista. Eu serei seu fã número um, assim como você é a minha.
Eles se amaram naquela noite com uma intensidade que nunca haviam experimentado antes. Era como se estivessem se redescobrindo, mapeando cada centímetro de pele, cada suspiro, cada confissão dita entre beijos. A provocação de ciúmes, as noitadas vazias e as postagens forçadas ficaram no passado.
Na manhã seguinte, o sol de Buenos Aires entrou pela janela, iluminando o casal abraçado sob os lençóis. Karen acordou primeiro e observou Patricio dormindo calmamente. Ela pegou o celular, mas não para ver quem tinha curtido suas fotos. Ela abriu a câmera e tirou uma foto das mãos deles entrelaçadas sobre o travesseiro.
Desta vez, ela não postou para provocar ninguém. Ela guardou a foto apenas para si, como um lembrete de que, às vezes, as coisas precisam esfriar para que possamos valorizar o calor do fogo quando ele volta a arder.
Patricio despertou e a puxou para mais perto, beijando sua testa.
— Bom dia, meu mundo — ele murmurou.
— Bom dia, meu amor — ela respondeu, sabendo que, finalmente, estava exatamente onde deveria estar.
Havia dois meses que ela e Patricio Sardelli tinham decidido "dar um tempo". O que começou como uma conversa dolorosa sobre a rotina sufocante e o esfriamento da paixão resultou em um vazio que nenhum dos dois sabia como preencher. Pato sempre fora o seu porto seguro, o homem que a apoiava em cada prova da faculdade, e ela fora a sua musa, a mulher que segurava sua mão nos bastidores dos shows do Airbag. Mas o brilho nos olhos dele parecia ter se apagado, e o cansaço das turnês o afastou emocionalmente.
Karen pegou o celular e postou um story. Era um vídeo curto, brindando com as amigas em uma boate badalada, o som do reggaeton alto ao fundo. Ela sorria para a câmera, mas seus olhos buscavam apenas uma visualização específica na lista.
— Você não vai parar de olhar isso, não é? — perguntou Sofia, sua melhor amiga, aproximando-se com dois drinks.
— Não sei do que você está falando — Karen mentiu, guardando o aparelho na bolsa.
— Sei exatamente. Você está postando para ele ver. Karen, você está linda, mas essa máscara de "estou ótima" está começando a rachar.
— Ele precisa saber que eu não parei a minha vida, Sofi. Se ele quer distância, ele vai ver o que está perdendo.
Do outro lado da cidade, no estúdio de ensaio, o clima era pesado. Patricio estava sentado no sofá de couro, a guitarra repousando esquecida ao seu lado. Ele desbloqueou o celular pela décima vez naquela hora. Quando viu o círculo colorido ao redor da foto de perfil de Karen, seu coração deu um solavanco.
Ele assistiu ao vídeo. Viu o sorriso dela, o jeito que o vestido se movia enquanto ela dançava, e a raiva misturada com saudade borbulhou em seu peito.
— De novo vendo o que ela está fazendo? — Guido, seu irmão, passou por ele pegando uma garrafa de água. — Você está em um estado lamentável, Pato.
— Ela está na Tequila esta noite — Patricio murmurou, a voz rouca. — Com quem ela está? Aquele cara que comentou na foto dela ontem?
— Você que pediu o tempo, lembra? — Gastón interveio, afinando o baixo. — Disse que precisava de espaço para compor, que a relação estava fria. Agora aguenta.
— Eu não sabia que o espaço seria um abismo — Patricio levantou-se abruptamente, pegando a jaqueta de couro preta. — Eu não aguento mais isso.
— Onde você vai? — perguntou Guido.
— Vou buscar o que é meu.
A boate estava lotada. O cheiro de perfume caro e álcool misturava-se ao calor humano. Karen estava na área VIP, sentindo-se cada vez mais desconectada da música. Um rapaz se aproximou, tentando puxar conversa, e ela permitiu que ele ficasse por perto, rindo de algo que ele disse apenas para manter as aparências. Ela sabia que Patricio tinha amigos ali. Alguém contaria para ele.
De repente, a energia do lugar pareceu mudar. Karen sentiu um arrepio na nuca antes mesmo de vê-lo. Quando se virou, lá estava ele. Patricio atravessava a pista com uma expressão que oscilava entre a fúria e o desespero. Seus olhos negros estavam fixos nela, ignorando qualquer outra pessoa no recinto.
— Karen — a voz dele cortou o barulho, firme e carregada de emoção.
— O que você está fazendo aqui, Patricio? — Ela cruzou os braços, tentando manter a postura defensiva. — Achei que estivesse ocupado sendo solteiro.
— Eu nunca quis ser solteiro — ele disse, aproximando-se tanto que ela podia sentir o calor do seu corpo. — Eu fui um idiota. Achei que o problema era a gente, mas o problema era eu não saber lidar com a pressão.
— Você me deixou sozinha por meses, mesmo quando estávamos no mesmo quarto — Karen sentiu as lágrimas pinicarem seus olhos. — E agora você aparece aqui porque me viu em um story? Você está com ciúmes, é isso?
— Eu estou morrendo, Karen! — ele exclamou, sem se importar com quem ouvia. — Eu vejo essas fotos, vejo você saindo, e sinto que estou perdendo a única coisa que realmente importa. Essa frieza... eu não quero mais isso. Eu quero o fogo de volta.
O rapaz que estava conversando com Karen tentou intervir, colocando a mão no ombro de Patricio.
— Ei, cara, ela está comigo agora...
Patricio nem sequer olhou para o lado. Ele apenas afastou a mão do sujeito com um gesto brusco, mantendo o contato visual com Karen.
— Sai daqui. Agora — rosnou Patricio.
O rapaz, percebendo a intensidade da situação, recuou e desapareceu na multidão. Karen soltou um suspiro trêmulo.
— Você não pode simplesmente chegar aqui e mandar nas pessoas, Pato.
— Eu não quero mandar em ninguém — ele deu um passo final, reduzindo a distância entre eles a zero. — Eu só quero você de volta. Por favor, vamos sair daqui. Vamos conversar em um lugar onde eu possa te tocar sem ter mil câmeras apontadas para nós.
Karen olhou para o homem à sua frente. O músico marrento, o ídolo de multidões, estava ali, vulnerável e suplicante. O tempo que passaram afastados não tinha curado nada; só tinha mostrado o tamanho da ferida.
— Tudo bem — ela sussurrou. — Vamos.
Eles saíram da boate sob os olhares curiosos dos presentes. O ar frio da noite portenha foi um alívio. Patricio a conduziu até seu carro, mas não deu a partida imediatamente. Ele ficou em silêncio por um longo tempo, as mãos apertando o volante até os nós dos dedos ficarem brancos.
— Eu senti tanto a sua falta que chegava a doer fisicamente — ele confessou, a voz falhando. — Eu entrava no estúdio e cada música que eu tentava escrever saía com o seu nome.
— Por que você não disse nada antes? — Karen perguntou, deixando uma lágrima cair. — Por que me deixou chegar ao ponto de ter que fingir que estava feliz em baladas que eu odeio?
— Porque eu achei que você estivesse melhor sem mim — ele se virou para ela, estendendo a mão para acariciar o rosto dela. — Eu te via tão linda, tão radiante nas redes sociais, que pensei: "Ela finalmente se libertou do peso que eu me tornei".
— Você nunca foi um peso, Pato. Você era o meu equilíbrio. Quando você se afastou, eu perdi o chão.
Patricio soltou o cinto de segurança e inclinou-se para ela, envolvendo-a em um abraço apertado. Karen escondeu o rosto no pescoço dele, sentindo o perfume familiar de tabaco e colônia cara. Ela soluçou, liberando toda a angústia dos últimos meses.
— Me perdoa, meu amor — ele sussurrou contra o cabelo dela. — Me perdoa por ter sido tão cego. Eu não vou deixar esfriar de novo. Eu vou lutar por nós todos os dias.
— Promete? — Ela levantou o rosto, os olhos úmidos brilhando sob a luz dos postes de rua.
— Eu prometo — ele disse, antes de selar a promessa com um beijo.
Não foi um beijo suave. Foi um beijo de urgência, de fome, de quem passou tempo demais no deserto e finalmente encontrou água. Karen passou as mãos pelos cabelos longos de Patricio, puxando-o para mais perto, enquanto ele a segurava como se ela pudesse desaparecer a qualquer momento.
— Vamos para casa? — perguntou ele, separando os lábios por apenas alguns milímetros.
— Para a nossa casa? — Karen quis confirmar.
— Para a nossa casa — ele sorriu, o primeiro sorriso verdadeiro que ela via em meses. — Onde você pertence. Onde nós pertencemos.
Patricio ligou o motor e dirigiu pelas ruas de Buenos Aires, mas desta vez não havia pressa. O silêncio no carro não era mais desconfortável; era preenchido pela presença reconfortante um do outro. Karen encostou a cabeça no ombro dele, sentindo-se finalmente em paz.
Ao chegarem ao apartamento, a atmosfera já era outra. A frieza que havia se instalado meses atrás fora dissipada pelo calor da reconciliação. Patricio a levou para o quarto, mas antes de qualquer coisa, ele a sentou na cama e ajoelhou-se à sua frente.
— Eu sei que as coisas mudaram, Karen. Eu sei que eu mudei. Mas o que eu sinto por você é a única constante na minha vida. Eu vim da Argentina, você veio do Brasil, e o destino nos uniu aqui para algo maior do que uma crise de rotina.
— Eu te amo, Pato — ela disse, passando os dedos pelo rosto dele. — Só não esquece que eu também tenho meus sonhos, meus estudos... eu preciso que você esteja presente neles.
— Eu vou estar. Em cada exame, em cada conquista. Eu serei seu fã número um, assim como você é a minha.
Eles se amaram naquela noite com uma intensidade que nunca haviam experimentado antes. Era como se estivessem se redescobrindo, mapeando cada centímetro de pele, cada suspiro, cada confissão dita entre beijos. A provocação de ciúmes, as noitadas vazias e as postagens forçadas ficaram no passado.
Na manhã seguinte, o sol de Buenos Aires entrou pela janela, iluminando o casal abraçado sob os lençóis. Karen acordou primeiro e observou Patricio dormindo calmamente. Ela pegou o celular, mas não para ver quem tinha curtido suas fotos. Ela abriu a câmera e tirou uma foto das mãos deles entrelaçadas sobre o travesseiro.
Desta vez, ela não postou para provocar ninguém. Ela guardou a foto apenas para si, como um lembrete de que, às vezes, as coisas precisam esfriar para que possamos valorizar o calor do fogo quando ele volta a arder.
Patricio despertou e a puxou para mais perto, beijando sua testa.
— Bom dia, meu mundo — ele murmurou.
— Bom dia, meu amor — ela respondeu, sabendo que, finalmente, estava exatamente onde deveria estar.
