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A festa de Oliver
Fandom: Fundamental paper education FPE
Criado: 25/06/2026
Tags
Horror PsicológicoHorrorAngústiaSombrioTragédiaViolência GráficaMorte de PersonagemHorror CorporalEstudo de Personagem
O Abraço das Sombras de Papel
A casa de Oliver nunca pareceu tão silenciosa e, ao mesmo tempo, tão barulhenta. O silêncio vinha do mundo exterior, daquela escola de papel que agora parecia uma memória distante e borrada. O barulho, no entanto, vinha de dentro de sua cabeça. Desde que Zip e Edward começaram a ignorá-lo, algo dentro de Oliver quebrou. Não foi um estalo seco, mas algo que derreteu. Seu cabelo, antes preso em um rabo de cavalo que demonstrava sua energia caótica, agora caía liso e sem vida sobre seus ombros, como se até os fios tivessem desistido de lutar.
No chão da sala, restos de sabonete mastigados se misturavam a manchas que Oliver preferia não identificar. Ele estava sentado no canto, conversando com um abajur que, em sua mente, tinha a voz de um conselheiro real.
— Você entende, não entende? — Oliver sussurrou para a lâmpada apagada. — Eles me deixaram sozinho. Eles acharam que podiam me ignorar. Mas agora... agora eles nunca mais vão sair do meu lado.
A motosserra, decorada com adesivos de gatinhos e cores pastéis, repousava em seu colo. Ela brilhava sob a luz fraca, as lâminas ainda sujas com o que restou de Edward. O gosto metálico e viscoso ainda estava na boca de Oliver, uma mistura de horror e uma satisfação doentia que ele não conseguia explicar. Ele havia devorado o que restava do amigo, acreditando que, assim, Edward seria parte dele para sempre.
Mas então veio Zip. Ela tentou fugir, tentou gritar, mas a "Amiguinha Rosa" — como Oliver chamava sua arma — foi mais rápida. Agora, o corpo de Zip jazia no centro da sala, uma poça escarlate se espalhando pelo chão de papel, manchando a estética limpa daquele mundo.
Oliver se levantou, os movimentos arrastados e erráticos. Ele segurou os restos dos dois amigos, um em cada mão, sentindo o peso morto. Seus olhos estavam fundos, a palidez de seu rosto contrastando com o vermelho vibrante que o cobria.
— Viu só? — ele riu, um som seco que arranhava a garganta. — Agora somos só nós três. Como nos velhos tempos. Sem ignorar o Oliver. Nunca mais.
Foi nesse momento que o ar na sala ficou gelado. O oxigênio parecia ter sido sugado, e as luzes da casa piscaram violentamente. Oliver paralisou. À sua frente, o sangue no chão começou a fumegar, uma névoa cinzenta e etérea subindo das poças.
Lentamente, duas figuras começaram a se formar. Eram Edward e Zip, mas não como Oliver os conhecia. Eles eram translúcidos, um azul pálido e fantasmagórico, com os olhos cavos e as feridas de seus momentos finais ainda visíveis em suas formas espirituais.
O rosto de Oliver perdeu toda a cor que ainda restava. Ele recuou, tropeçando nos próprios pés e caindo sobre o sofá manchado.
— Não... — ele gaguejou, a esquizofrenia lutando contra a realidade sobrenatural que se apresentava. — Vocês estão mortos. Eu comi... eu vi... vocês não podem estar aqui!
As almas de Edward e Zip não disseram uma palavra. Não havia ódio em seus rostos, nem o desprezo que demonstraram quando o ignoravam na escola. Havia algo muito pior: uma piedade infinita e uma tristeza profunda.
Edward deu um passo à frente, seus pés flutuando a milímetros do chão. Zip o seguiu, seu cabelo de papel balançando em um vento que Oliver não conseguia sentir.
— Fiquem longe! — gritou Oliver, pegando a motosserra e tentando ligá-la. O motor tossiu, mas não pegou. — Eu mandei vocês ficarem longe! Por que não param de me olhar assim?
A raiva começou a borbulhar no peito de Oliver. Era uma fúria cega, alimentada pela culpa que ele se recusava a aceitar. Ele começou a golpear o ar com a motosserra desligada, tentando afastar as aparições.
— Eu sou o Oliver! Eu sou o divertido! Vocês me ignoraram primeiro! — ele berrava, as lágrimas finalmente começando a descer, abrindo trilhas limpas em seu rosto sujo de sangue. — A culpa é de vocês!
Mas as almas não revidaram. Em vez disso, elas se aproximaram mais. Edward estendeu os braços translúcidos. Zip fez o mesmo. Eles cercaram Oliver, que agora estava encolhido contra a parede, tremendo violentamente.
E então, eles o abraçaram.
O toque foi como mergulhar em um rio de gelo. Oliver sentiu o frio atravessar sua pele, seus músculos e chegar diretamente aos seus ossos. Era um abraço apertado, sufocante, carregado com o peso de tudo o que havia sido destruído.
— Parem com isso! — Oliver ordenou, sua voz falhando. — Me soltem! Agora!
Ele tentou empurrá-los, mas suas mãos passavam através das formas gélidas como se fossem fumaça. No entanto, ele ainda sentia a pressão do abraço. Era uma contradição física que estava levando sua mente, já frágil, ao colapso total.
— Eu disse para pararem! — ele rugiu, sua expressão se transformando em uma máscara de puro ódio. — Eu odeio vocês! Eu odeio o que vocês me fizeram fazer!
As almas de Edward e Zip apenas apertaram o abraço. Eles encostaram as cabeças nos ombros de Oliver. Não havia som, mas Oliver podia ouvir as vozes deles dentro de sua mente, um sussurro constante que se sobrepunha às vozes dos objetos.
"Você nunca mais ficará sozinho, Oliver", as vozes diziam em uníssono. "Nós somos parte de você agora. Para sempre."
— Não! — Oliver começou a bater a própria cabeça contra a parede, tentando expulsar as vozes, tentando escapar do frio. — Eu não quero esse tipo de companhia! Eu queria que vocês brincassem comigo, não que me assombrassem!
Ele olhou para a motosserra no chão. O objeto parecia agora rir dele, os adesivos de gatinhos parecendo deformados e malignos sob a luz instável.
— Vocês acham que ganharam? — Oliver perguntou, um sorriso maníaco cortando seu rosto enquanto ele perdia completamente o contato com a sanidade. — Se eu não posso me livrar de vocês... se vocês querem tanto me abraçar... então vamos ficar assim para sempre.
Oliver pegou um pedaço de sabonete que estava no bolso, mas não o comeu. Ele o apertou até que se esfarelasse. As almas continuavam ali, o abraço não afrouxava. Era uma punição eterna por sua incapacidade de lidar com a solidão.
— Por que vocês não param? — ele perguntou, agora em um sussurro quebrado, a raiva dando lugar ao desespero puro. — Por favor... parem.
As aparições não responderam com palavras, apenas com a constância de sua presença. Oliver percebeu, com um horror crescente, que o cabelo liso e sem vida dele estava começando a ficar branco, perdendo a cor conforme o frio das almas drenava sua vitalidade.
Ele se sentou no chão, cercado pelos restos mortais físicos e pelas presenças espirituais de seus únicos amigos. O mundo de papel ao seu redor parecia estar se rasgando, as paredes da casa perdendo a nitidez, transformando-se em um vazio branco e infinito.
— Tudo bem — disse Oliver para o abajur, que agora parecia chorar óleo preto. — Eles querem me abraçar. Eles querem ser meus amigos de novo.
Ele fechou os olhos, sentindo o peso gélido de Edward e Zip contra seu peito. A motosserra "Kawaii" brilhou uma última vez antes de a escuridão tomar conta da sala.
— Vamos brincar de esconde-esconde — Oliver murmurou para o vazio. — Eu conto até dez... e vocês nunca mais me deixam ir.
O silêncio finalmente retornou à casa. Mas, desta vez, não havia ninguém vivo para ouvi-lo. Apenas Oliver, preso em um abraço eterno com os fantasmas daqueles que ele amou e destruiu, um ciclo de papel manchado que nunca teria fim.
No chão da sala, restos de sabonete mastigados se misturavam a manchas que Oliver preferia não identificar. Ele estava sentado no canto, conversando com um abajur que, em sua mente, tinha a voz de um conselheiro real.
— Você entende, não entende? — Oliver sussurrou para a lâmpada apagada. — Eles me deixaram sozinho. Eles acharam que podiam me ignorar. Mas agora... agora eles nunca mais vão sair do meu lado.
A motosserra, decorada com adesivos de gatinhos e cores pastéis, repousava em seu colo. Ela brilhava sob a luz fraca, as lâminas ainda sujas com o que restou de Edward. O gosto metálico e viscoso ainda estava na boca de Oliver, uma mistura de horror e uma satisfação doentia que ele não conseguia explicar. Ele havia devorado o que restava do amigo, acreditando que, assim, Edward seria parte dele para sempre.
Mas então veio Zip. Ela tentou fugir, tentou gritar, mas a "Amiguinha Rosa" — como Oliver chamava sua arma — foi mais rápida. Agora, o corpo de Zip jazia no centro da sala, uma poça escarlate se espalhando pelo chão de papel, manchando a estética limpa daquele mundo.
Oliver se levantou, os movimentos arrastados e erráticos. Ele segurou os restos dos dois amigos, um em cada mão, sentindo o peso morto. Seus olhos estavam fundos, a palidez de seu rosto contrastando com o vermelho vibrante que o cobria.
— Viu só? — ele riu, um som seco que arranhava a garganta. — Agora somos só nós três. Como nos velhos tempos. Sem ignorar o Oliver. Nunca mais.
Foi nesse momento que o ar na sala ficou gelado. O oxigênio parecia ter sido sugado, e as luzes da casa piscaram violentamente. Oliver paralisou. À sua frente, o sangue no chão começou a fumegar, uma névoa cinzenta e etérea subindo das poças.
Lentamente, duas figuras começaram a se formar. Eram Edward e Zip, mas não como Oliver os conhecia. Eles eram translúcidos, um azul pálido e fantasmagórico, com os olhos cavos e as feridas de seus momentos finais ainda visíveis em suas formas espirituais.
O rosto de Oliver perdeu toda a cor que ainda restava. Ele recuou, tropeçando nos próprios pés e caindo sobre o sofá manchado.
— Não... — ele gaguejou, a esquizofrenia lutando contra a realidade sobrenatural que se apresentava. — Vocês estão mortos. Eu comi... eu vi... vocês não podem estar aqui!
As almas de Edward e Zip não disseram uma palavra. Não havia ódio em seus rostos, nem o desprezo que demonstraram quando o ignoravam na escola. Havia algo muito pior: uma piedade infinita e uma tristeza profunda.
Edward deu um passo à frente, seus pés flutuando a milímetros do chão. Zip o seguiu, seu cabelo de papel balançando em um vento que Oliver não conseguia sentir.
— Fiquem longe! — gritou Oliver, pegando a motosserra e tentando ligá-la. O motor tossiu, mas não pegou. — Eu mandei vocês ficarem longe! Por que não param de me olhar assim?
A raiva começou a borbulhar no peito de Oliver. Era uma fúria cega, alimentada pela culpa que ele se recusava a aceitar. Ele começou a golpear o ar com a motosserra desligada, tentando afastar as aparições.
— Eu sou o Oliver! Eu sou o divertido! Vocês me ignoraram primeiro! — ele berrava, as lágrimas finalmente começando a descer, abrindo trilhas limpas em seu rosto sujo de sangue. — A culpa é de vocês!
Mas as almas não revidaram. Em vez disso, elas se aproximaram mais. Edward estendeu os braços translúcidos. Zip fez o mesmo. Eles cercaram Oliver, que agora estava encolhido contra a parede, tremendo violentamente.
E então, eles o abraçaram.
O toque foi como mergulhar em um rio de gelo. Oliver sentiu o frio atravessar sua pele, seus músculos e chegar diretamente aos seus ossos. Era um abraço apertado, sufocante, carregado com o peso de tudo o que havia sido destruído.
— Parem com isso! — Oliver ordenou, sua voz falhando. — Me soltem! Agora!
Ele tentou empurrá-los, mas suas mãos passavam através das formas gélidas como se fossem fumaça. No entanto, ele ainda sentia a pressão do abraço. Era uma contradição física que estava levando sua mente, já frágil, ao colapso total.
— Eu disse para pararem! — ele rugiu, sua expressão se transformando em uma máscara de puro ódio. — Eu odeio vocês! Eu odeio o que vocês me fizeram fazer!
As almas de Edward e Zip apenas apertaram o abraço. Eles encostaram as cabeças nos ombros de Oliver. Não havia som, mas Oliver podia ouvir as vozes deles dentro de sua mente, um sussurro constante que se sobrepunha às vozes dos objetos.
"Você nunca mais ficará sozinho, Oliver", as vozes diziam em uníssono. "Nós somos parte de você agora. Para sempre."
— Não! — Oliver começou a bater a própria cabeça contra a parede, tentando expulsar as vozes, tentando escapar do frio. — Eu não quero esse tipo de companhia! Eu queria que vocês brincassem comigo, não que me assombrassem!
Ele olhou para a motosserra no chão. O objeto parecia agora rir dele, os adesivos de gatinhos parecendo deformados e malignos sob a luz instável.
— Vocês acham que ganharam? — Oliver perguntou, um sorriso maníaco cortando seu rosto enquanto ele perdia completamente o contato com a sanidade. — Se eu não posso me livrar de vocês... se vocês querem tanto me abraçar... então vamos ficar assim para sempre.
Oliver pegou um pedaço de sabonete que estava no bolso, mas não o comeu. Ele o apertou até que se esfarelasse. As almas continuavam ali, o abraço não afrouxava. Era uma punição eterna por sua incapacidade de lidar com a solidão.
— Por que vocês não param? — ele perguntou, agora em um sussurro quebrado, a raiva dando lugar ao desespero puro. — Por favor... parem.
As aparições não responderam com palavras, apenas com a constância de sua presença. Oliver percebeu, com um horror crescente, que o cabelo liso e sem vida dele estava começando a ficar branco, perdendo a cor conforme o frio das almas drenava sua vitalidade.
Ele se sentou no chão, cercado pelos restos mortais físicos e pelas presenças espirituais de seus únicos amigos. O mundo de papel ao seu redor parecia estar se rasgando, as paredes da casa perdendo a nitidez, transformando-se em um vazio branco e infinito.
— Tudo bem — disse Oliver para o abajur, que agora parecia chorar óleo preto. — Eles querem me abraçar. Eles querem ser meus amigos de novo.
Ele fechou os olhos, sentindo o peso gélido de Edward e Zip contra seu peito. A motosserra "Kawaii" brilhou uma última vez antes de a escuridão tomar conta da sala.
— Vamos brincar de esconde-esconde — Oliver murmurou para o vazio. — Eu conto até dez... e vocês nunca mais me deixam ir.
O silêncio finalmente retornou à casa. Mas, desta vez, não havia ninguém vivo para ouvi-lo. Apenas Oliver, preso em um abraço eterno com os fantasmas daqueles que ele amou e destruiu, um ciclo de papel manchado que nunca teria fim.
