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Fandom: Once upon a time

Criado: 25/06/2026

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RomanceUA (Universo Alternativo)DramaHistória DomésticaDivergênciaEstudo de PersonagemMenção de Incesto
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Além do Horizonte de Storybrooke

A chuva batia contra as janelas da pequena casa branca, um som rítmico que costumava acalmar Emma Swan, mas que naquela noite parecia apenas aumentar a tensão em seu peito. Ela olhou para a aliança em sua mão esquerda, o metal frio contrastando com o calor da pele. Hook estava no porto, cuidando do Jolly Roger, sem saber que a mulher que ele chamava de esposa acabara de tomar a decisão mais difícil de sua vida.

Emma não suportava mais o peso da mentira. Não era que ela não amasse Killian; ela o amava, mas era um amor construído sobre a necessidade de estabilidade, um porto seguro após anos de tempestades. No entanto, o verdadeiro norte de sua bússola sempre apontou para outro lugar. Para outra pessoa.

Ela caminhou até a porta da cozinha, onde Mary Margaret estava de pé, observando o café esfriar na xícara. A morena parecia perdida em pensamentos, a luz suave do abajur realçando a inteligência e a doçura em seu rosto, traços que Emma aprendera a adorar muito além do laço de sangue que as unia naquela realidade distorcida de contos de fadas.

— Eu disse a ele — sussurrou Emma, sua voz falhando levemente.

Mary Margaret virou-se lentamente, os olhos arregalados de surpresa e uma pontada de medo.

— Emma... você tem certeza do que está fazendo? — perguntou ela em voz baixa.

— Eu nunca tive tanta certeza de nada em toda a minha vida — Emma deu um passo à frente, encurtando a distância entre elas. — Eu não posso mais fingir, Mary Margaret. Eu não posso olhar para ele e desejar que fosse você. Eu tentei ser a filha perfeita, a Salvadora perfeita, a esposa perfeita. Mas eu só quero ser sua.

Mary Margaret deixou a xícara sobre o balcão, as mãos tremendo levemente. Elas haviam passado anos em uma dança complicada, equilibrando-se entre os papéis de mãe e filha que o destino lhes impusera e a conexão avassaladora que surgiu no momento em que se conheceram em Boston. Em Storybrooke, as linhas se tornaram borradas. A amizade se transformou em algo mais profundo, algo que nenhuma maldição poderia explicar.

— Nós passamos por tanto — disse Mary Margaret, aproximando-se. — O guarda-roupa, a Terra do Nunca, as trevas... Eu sempre tive medo de que, se cedêssemos a isso, o mundo desabaria ao nosso redor.

— O mundo já desabou tantas vezes — Emma esticou a mão, tocando o rosto da outra mulher. — E a única coisa que me manteve de pé foi você. Não a Branca de Neve da floresta, mas a Mary Margaret que me deu um teto, que me ouviu quando ninguém mais ouvia.

Mary Margaret fechou os olhos, inclinando-se contra o toque de Emma. A pele da loira era quente, cheia de uma energia que sempre a atraíra.

— Você deixou o Killian por mim — afirmou Mary Margaret, mais para si mesma do que para Emma.

— Eu deixaria o reino inteiro por você — Emma respondeu com firmeza. — Eu cansei de me esconder atrás de títulos e expectativas. Eu te amo. Não como uma filha ama uma mãe, mas como uma mulher ama a outra. Com cada fibra do meu ser.

O silêncio que se seguiu não era desconfortável; era carregado de uma eletricidade que vinha sendo acumulada por anos. Mary Margaret abriu os olhos, e neles Emma viu uma determinação que raramente transparecia na superfície doce da professora.

— Então venha aqui — disse Mary Margaret, a voz subindo de tom, cheia de autoridade e desejo.

Ela puxou Emma pelo colarinho da jaqueta de couro vermelha, eliminando o último espaço entre elas. O beijo foi uma explosão de sentimentos contidos. Havia o desespero de anos de silêncio, a doçura da descoberta e a força de um amor que desafiava a própria lógica do universo que habitavam.

Emma gemeu contra os lábios de Mary Margaret, suas mãos encontrando o caminho para a cintura da morena, puxando-a para mais perto, querendo fundir seus corpos. A jaqueta de couro foi jogada no chão, seguida pelo suéter de Mary Margaret. Cada centímetro de pele revelado era um novo território a ser explorado, uma promessa sendo cumprida.

— Você tem certeza? — Mary Margaret perguntou novamente, entre beijos que desciam pelo pescoço de Emma. — Uma vez que cruzarmos essa linha, não há volta.

— Eu não quero voltar — Emma respondeu, a respiração ofegante. — Eu quero ir adiante. Com você.

Mary Margaret a guiou até o quarto, o ambiente banhado pelo brilho prateado da lua que atravessava as nuvens. Ali, longe dos olhos de Storybrooke, longe das responsabilidades de seus nomes, elas eram apenas duas almas que se encontraram através do tempo e do espaço.

— Você é tão linda — sussurrou Mary Margaret, seus dedos traçando as linhas do corpo de Emma. — Eu sempre admirei sua força, sua independência. Mas ver você assim, vulnerável e minha... é o maior presente que eu poderia receber.

— Eu sou sua — Emma confirmou, os olhos azuis fixos nos castanhos de Mary Margaret. — Sempre fui. Só demorei a entender que o meu final feliz não era um príncipe ou um pirata. Era a pessoa que me ensinou o que é ter um lar.

Mary Margaret sorriu, um sorriso que iluminou o quarto. Ela se posicionou sobre Emma, deixando que seus cabelos escuros caíssem como uma cortina ao redor delas.

— Então deixe-me mostrar a você o que significa ser amada de verdade — disse ela.

O toque de Mary Margaret era seguro e experiente, uma mistura de ternura e uma paixão que Emma nunca imaginou que ela possuísse. Cada carícia, cada sussurro em seu ouvido, fazia Emma se sentir mais viva do que nunca. Ela se entregou completamente, deixando de lado as defesas que construíra durante toda a sua vida como órfã e como detetive.

Naquela cama, as complicações de sua relação — a diferença de idade mágica, o parentesco simbólico, as pressões sociais — evaporaram. Restava apenas a verdade crua de suas peles se tocando e o ritmo sincronizado de seus corações.

— Mary... — Emma arqueou as costas quando as mãos de Mary Margaret encontraram os pontos certos, uma onda de prazer percorrendo seu corpo.

— Shhh — Mary Margaret a silenciou com um beijo casto na testa. — Apenas sinta. Eu estou aqui. Eu nunca vou deixar você ir.

As horas passaram como se o tempo tivesse parado. Elas conversaram em sussurros sobre os momentos em que quase se entregaram antes: o olhar prolongado no apartamento, o abraço apertado após uma batalha, o ciúme silencioso que ambas sentiam, mas não sabiam nomear.

— Eu costumava odiar o fato de você ser tão parecida comigo em algumas coisas — confessou Mary Margaret, enquanto descansava a cabeça no peito de Emma. — Mas agora eu percebo que é essa conexão que nos torna perfeitas uma para a outra. Nós nos entendemos de um jeito que ninguém mais consegue.

— Nós somos o reflexo uma da outra — Emma concordou, acariciando os cabelos curtos de Mary Margaret. — E agora não precisamos mais de espelhos mágicos para nos ver de verdade.

A manhã começou a surgir no horizonte, pintando o céu de Storybrooke com tons de rosa e laranja. Emma sabia que o dia traria desafios. Haveria explicações para Hook, olhares curiosos de Regina e David, e o julgamento de uma cidade que as via como ícones de pureza.

— O que vamos fazer amanhã? — perguntou Emma, a preocupação começando a se infiltrar em sua voz.

Mary Margaret levantou-se ligeiramente, olhando para Emma com uma serenidade que a acalmou instantaneamente.

— Amanhã nós enfrentamos o mundo — disse Mary Margaret. — Mas hoje, e por todas as noites que virão, nós temos uma à outra. Storybrooke pode ter suas leis, mas o nosso amor é a nossa própria magia. E a magia, Emma, sempre tem um preço... mas este é um que eu estou mais do que disposta a pagar.

Emma sorriu, sentindo um peso enorme sair de seus ombros. Ela sabia que o caminho não seria fácil, mas pela primeira vez em sua vida, ela não estava correndo de nada. Ela estava exatamente onde deveria estar.

— Eu te amo, Mary Margaret — disse ela, selando a promessa com um beijo suave.

— Eu te amo, Emma Swan — respondeu a morena. — Minha mulher. Minha vida.

E enquanto a cidade despertava para um novo dia, dentro daquela pequena casa, uma nova história começava a ser escrita — uma que não estava nos livros de contos de fadas, mas que era muito mais real e poderosa do que qualquer lenda. Elas finalmente haviam encontrado o seu "felizes para sempre", não em um castelo distante, mas nos braços uma da outra.
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