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Fandom: peido

Criado: 25/06/2026

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O Grande Dilema do milkshake de Chocolate

— Eu juro por tudo que é mais sagrado, se a gente tiver que subir mais um lance de escada com essa caixa de livros, eu vou simplesmente sentar no degrau e aceitar meu destino como moradora do corredor — bufou Sofia, largando a caixa de papelão no chão com um baque surdo.

Vittoria, que vinha logo atrás equilibrando uma luminária e um tapete enrolado, soltou uma risada cansada.

— Deixa de ser dramática, Sof. É o último andar, a vista vale a pena. E pensa pelo lado positivo: a Vivi já está lá em cima preparando o "banquete" de inauguração.

As três amigas tinham acabado de realizar o sonho de dividir um apartamento em São Paulo. Era um imóvel antigo, com pé direito alto e tacos de madeira que rangiam, mas era o refúgio delas. Vivi, a mais organizada do grupo, já tinha espalhado almofadas pela sala e ligado o ventilador de teto, que girava preguiçosamente.

— Chegamos! — anunciou Vittoria, entrando no apartamento e jogando o tapete no meio da sala vazia. — Onde está a mestre de obras?

Vivi surgiu da cozinha com um sorriso radiante e um copo gigante de milkshake na mão.

— Meninas, finalmente! Eu pedi pizza e aproveitei que a sorveteria aqui do lado estava com promoção de "compre um, leve dois". Olhem só essa maravilha de chocolate belga.

Sofia arregalou os olhos, sentando-se no chão de pijama — elas já tinham estabelecido que, assim que as caixas principais entrassem, o código de vestimenta seria exclusivamente pijama de flanela.

— Vivi... — Sofia começou, com um tom de aviso. — Você leu o que está escrito no copo? "Extra cremoso". Você sabe que seu estômago é basicamente um sensor de movimento para lactose, né?

Vivi deu de ombros, tomando um gole generoso e soltando um suspiro de satisfação.

— Ah, qual é? É dia de mudança. Um pouquinho de leite não vai me matar. Além disso, eu tomei o remédio... eu acho. Ou talvez eu tenha esquecido na mala de produtos de higiene. Mas o que importa é o sabor!

Vittoria se jogou ao lado de Sofia, pegando o outro milkshake.

— Bom, se a Vivi decidiu desafiar as leis da biologia, quem somos nós para impedir? Só espero que as janelas deste apartamento sejam fáceis de abrir.

A noite caiu rapidamente enquanto elas devoravam a pizza de quatro queijos (mais lactose para a conta de Vivi). O clima era de pura euforia. Elas espalharam colchões na sala, ligaram a TV em um filme de terror genérico que ninguém estava realmente assistindo e começaram a planejar a decoração.

— A gente podia colocar aquela estante ali — sugeriu Sofia, mas sua frase foi interrompida por um som abafado, como um pneu esvaziando rapidamente.

As três ficaram em silêncio por dois segundos.

— 21:42. Começamos os trabalhos — anunciou Vittoria, olhando para o relógio de pulso. — Foi você, Sof?

— Fui — admitiu Sofia, sem um pingo de vergonha, ajeitando a calça do pijama. — Curto e grosso. Três segundos de puro alívio. A pizza de gorgonzola não perdoa.

— Três segundos? Amadora — provocou Vivi, embora sua expressão estivesse começando a mudar. Ela deu um leve contorcionismo no sofá, mudando o peso de uma nádega para a outra. — Meu estômago acabou de fazer um barulho que parecia o motor de um Fusca tentando pegar no tranco.

— Ih, lá vem — Vittoria riu, puxando a coberta para mais perto. — A intolerância a lactose da Vivi é tipo um evento climático. A gente devia começar a dar nomes, tipo Furacão Vivi.

— Não é pra tanto... — Vivi tentou dizer, mas sua frase foi cortada por um som longo, agudo e estridente que durou exatos sete segundos. — Oh... meu... Deus.

— 21:45! — gritou Sofia, caindo na gargalhada. — Sete segundos! E esse teve nota musical, foi um Fá sustenido!

— Gente, eu sinto que tem uma orquestra sinfônica dentro de mim — Vivi disse, abanando o ar com a mão, enquanto o rosto ficava levemente vermelho. — Aquele milkshake foi um erro tático. Um erro delicioso, mas um erro.

— Erro vai ser o cheiro daqui a pouco — Vittoria brincou, mas logo sentiu uma pressão no próprio abdômen. — Espera... eu também entrei no jogo.

Vittoria se inclinou um pouco para o lado e soltou um peido seco e rápido, que ecoou no chão de taco de madeira.

— 21:47. Dois segundos. Discreto, porém presente — pontuou Sofia. — Mas a Vivi ainda está ganhando no quesito "destruição em massa".

— É uma competição, então? — Vivi desafiou, os olhos brilhando com aquela intimidade que só melhores amigas que moram juntas possuem. — Porque se for competição, eu exijo um juiz.

— Eu sou a juíza e a cronometrista — Sofia pegou o celular e abriu o cronômetro. — Regras: tempo de duração, volume e, o mais importante, a audácia.

Nos trinta minutos seguintes, o apartamento novo foi palco de uma das competições mais bizarras e hilárias da história das mudanças. A mistura de pizza, milkshake de chocolate e o relaxamento pós-estresse da mudança criou o cenário perfeito.

— Vai, Vivi! — incentivou Vittoria, vendo a amiga se contorcer.

Vivi respirou fundo, agarrou uma almofada e...

O som foi como uma metralhadora de bolhas de sabão, variando de tom e intensidade, durando impressionantes doze segundos.

— DOZE SEGUNDOS! — Sofia gritou, parando o cronômetro. — Temos uma nova recordista mundial! 22:15 da noite e a Vivi acaba de declarar guerra química ao prédio.

— Eu... eu acho que vi a luz — Vivi ofegou, rindo tanto que as lágrimas escorriam. — Minha barriga até murchou um pouco. Mas sério, gente, o cheiro está chegando.

— Está chegando? Vivi, o cheiro já se mudou, já pagou o aluguel e já está pedindo a senha do Wi-Fi! — Vittoria levantou-se dramaticamente, correndo para abrir a varanda. — Meu Deus, o que você comeu além da pizza? Um gambá?

— Foi o chocolate belga! — defendeu-se Vivi, entre gargalhadas. — Ele é refinado, o aroma é complexo!

— Complexo é bondade sua, isso aqui é tóxico! — Sofia jogou uma almofada em Vivi, mas acabou soltando um peido de cinco segundos no processo. — Opa... 22:18. Cinco segundos. A vingança da mussarela.

A noite continuou assim, entre fofocas sobre os novos vizinhos e explosões de riso a cada novo barulho. Elas se sentiam em casa. Não era apenas o apartamento, eram elas. A liberdade de poder ser exatamente quem eram, sem filtros, sem vergonha e com muita lactose envolvida.

— Sabe o que é melhor? — perguntou Vittoria, deitada de barriga para cima, olhando para o teto. — A gente não precisa mais fingir que é fina. No antigo pensionato, eu tinha que segurar tudo até chegar no banheiro e ligar o chuveiro.

— Eu uma vez soltei um no meio de um encontro — confessou Sofia, fazendo as outras duas sentarem de um salto. — Foi baixinho, mas o cara parou de falar e começou a cheirar o vinho, achando que a bebida estava estragada.

Vivi quase engasgou de rir.

— Você deixou o cara achar que o vinho tinha notas de... repolho?

— Foi minha única saída! — Sofia se defendeu. — Mas aqui... aqui é o paraíso.

— Por falar em paraíso — Vivi sentiu uma nova onda de pressão. — Preparem os cronômetros. Eu sinto que o "Grand Finale" está chegando. O milkshake de chocolate está cobrando o preço final.

Vittoria e Sofia se prepararam, segurando o riso. Vivi se ajoelhou no colchão, fez uma pose de yoga totalmente aleatória e soltou um peido que pareceu rasgar o tecido do espaço-tempo. Foi um som grave, constante, que durou inacreditáveis quinze segundos, terminando com um pequeno "puf" agudo.

O silêncio que se seguiu foi quebrado apenas pelo som do cronômetro de Sofia sendo travado.

— 22:40. Quinze segundos. Vivi, você não é mais uma amiga. Você é uma arma biológica — Sofia disse com reverência.

— Eu... eu preciso de água — Vivi tombou para o lado, exausta. — E talvez de um novo sistema digestivo.

— Você ganhou, Vivi. A coroa de rainha da mudança é sua — Vittoria entregou uma fatia de pizza fria para ela como troféu. — Mas amanhã, a primeira coisa que a gente compra é um purificador de ar. Daqueles industriais.

— Combinado — concordou Vivi, fechando os olhos com um sorriso satisfeito. — Mas valeu cada gole daquele milkshake.

Elas acabaram pegando no sono ali mesmo, na sala, entre caixas abertas e o cheiro residual de uma noite de liberdade total. O primeiro dia no apartamento novo não tinha sido poético, não tinha sido digno de uma revista de decoração, mas tinha sido delas. Com barulho, com risadas e, acima de tudo, com a certeza de que aquela amizade aguentava qualquer coisa — inclusive a intolerância a lactose de Vivi.
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