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Volta pra mim
Fandom: Airbag
Criado: 25/06/2026
Tags
RomanceDramaFatias de VidaDor/ConfortoFofuraHumorCiúmesHistória Doméstica
Tango, Hormônios e Caos em Buenos Aires
O ar de Buenos Aires parecia mais pesado naquela tarde, ou talvez fosse apenas o peso da barriga de seis meses que Karen carregava. Seriam dois. Dois pequenos Sardelli que, antes mesmo de nascerem, já pareciam ter herdado a energia caótica do pai. Karen, uma brasileira que já chamava a Argentina de lar há tempo suficiente para trocar o "você" pelo "vos" sem perceber, estava no limite de sua paciência.
A briga começou por algo estúpido. Patrício, com aquele jeito de rockstar que às vezes esquecia que a vida real não tinha trilha sonora, desmarcou o jantar para ficar no estúdio "finalizando um riff". Karen, com os hormônios em uma montanha-russa constante, não viu apenas um atraso; ela viu um abandono épico.
— Eu não aguento mais, Patrício! — gritou ela, jogando uma peça de roupa dentro da mala. — Você vive para essa guitarra, para essa banda! Eu estou aqui parecendo um dirigível, meus pés parecem dois pães de forma e você nem para chegar na hora do jantar?
— Karen, por favor, não seja dramática — respondeu Patrício, passando a mão pelo cabelo comprido, visivelmente exausto, mas ainda mantendo aquela postura defensiva. — É o álbum novo. Os meninos estão esperando. Eu trabalho para dar o melhor para esses dois aí dentro.
— Pois então trabalhe sozinho! — Karen fechou o zíper da mala com uma força que quase arrebentou o metal. — Vou para a casa da minha tia. Preciso de ar, preciso de silêncio e, principalmente, preciso de distância de você.
Patrício soltou uma risada sarcástica, o que foi o erro fatal.
— Você não vai durar uma noite sem mim, "brasuca".
— Quer apostar? — Karen o encarou com os olhos faiscando. — Não me procure.
Ela saiu batendo a porta com tanta força que o quadro de platina da Airbag no corredor chegou a tremer.
A casa da tia de Karen, no bairro de Palermo, era o refúgio perfeito. Ou deveria ser. Tia Zulema, uma brasileira radicada na Argentina desde os anos 80, recebeu a sobrinha com chá de erva-doce e muita fofoca, mas Karen não conseguia relaxar. Seu corpo pedia movimento, e sua mente pedia vingança. "Ele acha que eu vou ficar chorando? Ele não me conhece", pensou ela.
— Tia, me empresta aquele seu vestido preto de malha? Aquele que estica muito? — perguntou Karen, levantando-se do sofá com uma determinação perigosa.
— Karen, minha filha, você está grávida de gêmeos, não de uma gripe — alertou a tia. — Onde você pensa que vai?
— Vou sair. Tem um evento na Recoleta, um bar de jazz que o pessoal da produção sempre frequenta. Eu vou me divertir.
— Patrício vai ter um enfarte — comentou Zulema, rindo enquanto buscava o vestido.
Duas horas depois, Karen estava impecável. O vestido preto realçava a barriga redonda, os lábios estavam pintados de um vermelho vibrante e o salto era baixo o suficiente para não cair, mas alto o suficiente para manter a postura de mulher fatal. Ela postou um story no Instagram: uma foto no espelho com a legenda: "Noite de solteira (por tempo indeterminado) com meus dois amores".
Enquanto isso, no estúdio, o clima estava tenso. Patrício tentava focar no baixo de uma música nova, mas seus olhos não saíam do celular. Gastón e Guido trocavam olhares cúmplices.
— Cara, você devia ligar para ela — sugeriu Guido, ajustando os pratos da bateria. — Grávidas não seguem a lógica humana, Pato. Elas seguem a lógica do instinto.
— Ela que saiu de casa. Ela que seja madura — resmungou Patrício, mas no segundo seguinte, ele viu a notificação do Instagram.
O sangue de Patrício ferveu. "Noite de solteira"? "Recolte"? Ele conhecia aquele bar. Era o tipo de lugar onde produtores babacas e músicos de meia-tigela ficavam rondando.
— Eu vou matar essa mulher — disse Patrício, pegando a jaqueta de couro e a chave do carro.
— Vai lá, Romeu — debochou Gastón. — Só tenta não ser preso.
O bar estava lotado. O som do saxofone preenchia o ambiente enfumaçado e elegante. Karen estava sentada em uma mesa alta, pedindo uma água com gás e limão, conversando animadamente com um antigo conhecido da gravadora. Ela sentia os gêmeos chutarem, como se estivessem aprovando a rebeldia da mãe.
— Você está radiante, Karen — disse o homem, aproximando-se um pouco demais para o gosto de qualquer espectador. — Patrício é um homem de sorte, embora pareça que ele não saiba aproveitar.
— Patrício está ocupado demais com as cordas da guitarra para notar qualquer outra coisa — respondeu ela, jogando o cabelo para o lado.
Foi nesse momento que a porta do bar se abriu com um estrondo que silenciou o saxofonista por um segundo. Patrício Sardelli entrou no recinto como se fosse o dono do lugar, ou melhor, como se estivesse caçando alguém. Seus olhos varreram o salão até encontrarem a silhueta inconfundível de Karen.
Ele caminhou em direção à mesa com passos largos e pesados. O homem que conversava com Karen empalideceu ao ver a expressão do músico.
— Fora daqui. Agora — rosnou Patrício para o sujeito.
— Pato, calma, a gente só estava... — começou o homem.
— Não me interessa. Suma antes que eu decida se sua cara combina com o chão desse bar — Patrício nem olhou para ele, seus olhos estavam cravados em Karen.
O homem saiu apressadamente. Karen continuou bebendo sua água com gás, fingindo um desinteresse que seu coração acelerado desmentia.
— O que você pensa que está fazendo? — perguntou Patrício, parando à frente dela, as mãos nos quadris.
— O que parece que estou fazendo? — rebateu ela, arqueando uma sobrancelha. — Estou curtindo a noite. Você não tem um álbum para terminar?
— Karen, você está grávida de seis meses! — Ele baixou o tom de voz, mas a intensidade era a mesma. — Você sai de casa, não atende o telefone e vem para um bar se expor desse jeito?
— Me expor? Eu estou vestida e bebendo água! — Ela se levantou, ficando cara a cara com ele, ou o mais perto que a barriga permitia. — O problema é que você acha que eu sou um objeto que você deixa em casa e encontra no mesmo lugar quando resolve voltar do seu mundinho de rockstar.
Patrício suspirou, a raiva começando a dar lugar a uma preocupação genuína e a um cansaço emocional. Ele olhou para a barriga dela e, por um momento, sua expressão suavizou.
— Eu agi como um idiota — admitiu ele, a voz rouca. — Eu sei que desmarquei o jantar. Eu sei que estou ausente. Mas ver você aqui, com esse cara... eu quase perdi a cabeça.
— Você sempre perde a cabeça, Patrício. Esse é o problema — disse ela, embora o tom já não fosse tão ríspido.
— Vamos para casa — pediu ele, estendendo a mão. — Para a nossa casa. A tia Zulema é legal, mas eu não consigo dormir naquele quarto enorme sem você chutando minhas costas durante a noite.
Karen olhou para a mão dele e depois para o rosto cansado do homem que amava. Os hormônios, que antes pediam guerra, agora pediam o conforto do peito dele.
— Eu ainda estou brava com você — avisou ela, pegando a bolsa.
— Eu sei. Vou passar o resto da semana pedindo desculpas — Patrício sorriu de lado, aquele sorriso que sempre a ganhava. — E vou comprar aquele sorvete de doce de leite que você gosta. Aquele da sorveteria que fecha às duas da manhã.
— Dois potes — exigiu ela.
— Três, se você prometer nunca mais postar "noite de solteira" na vida.
Eles saíram do bar sob os olhares curiosos dos presentes. Patrício rodeou a cintura de Karen com o braço, protegendo-a da brisa fria da noite de Buenos Aires. Ao chegarem no carro, ele abriu a porta para ela com um cuidado exagerado.
— Sabe — disse Karen, enquanto ele dava a partida —, os meninos ficaram agitados quando você chegou. Acho que eles reconheceram o barulho que o pai deles faz quando quer dar show.
Patrício riu, levando a mão à barriga de Karen, sentindo um chute vigoroso contra a palma.
— Eles já sabem quem manda nessa família — brincou ele.
— Exatamente — concordou Karen, recostando a cabeça no banco. — E não é você, Patrício Sardelli. Somos nós três.
O caminho de volta para casa foi silencioso, mas era um silêncio diferente do da tarde. Era o silêncio de quem sabia que, entre riffs de guitarra e hormônios à flor da pele, o amor ainda era a música mais alta de todas. Patrício dirigia devagar, evitando cada buraco na estrada, enquanto Karen, finalmente em paz, planejava como usaria aquela briga para conseguir que ele montasse o berço no dia seguinte sem reclamar. Afinal, uma grávida brasileira em Buenos Aires sempre sabia como transformar o caos em tango.
A briga começou por algo estúpido. Patrício, com aquele jeito de rockstar que às vezes esquecia que a vida real não tinha trilha sonora, desmarcou o jantar para ficar no estúdio "finalizando um riff". Karen, com os hormônios em uma montanha-russa constante, não viu apenas um atraso; ela viu um abandono épico.
— Eu não aguento mais, Patrício! — gritou ela, jogando uma peça de roupa dentro da mala. — Você vive para essa guitarra, para essa banda! Eu estou aqui parecendo um dirigível, meus pés parecem dois pães de forma e você nem para chegar na hora do jantar?
— Karen, por favor, não seja dramática — respondeu Patrício, passando a mão pelo cabelo comprido, visivelmente exausto, mas ainda mantendo aquela postura defensiva. — É o álbum novo. Os meninos estão esperando. Eu trabalho para dar o melhor para esses dois aí dentro.
— Pois então trabalhe sozinho! — Karen fechou o zíper da mala com uma força que quase arrebentou o metal. — Vou para a casa da minha tia. Preciso de ar, preciso de silêncio e, principalmente, preciso de distância de você.
Patrício soltou uma risada sarcástica, o que foi o erro fatal.
— Você não vai durar uma noite sem mim, "brasuca".
— Quer apostar? — Karen o encarou com os olhos faiscando. — Não me procure.
Ela saiu batendo a porta com tanta força que o quadro de platina da Airbag no corredor chegou a tremer.
A casa da tia de Karen, no bairro de Palermo, era o refúgio perfeito. Ou deveria ser. Tia Zulema, uma brasileira radicada na Argentina desde os anos 80, recebeu a sobrinha com chá de erva-doce e muita fofoca, mas Karen não conseguia relaxar. Seu corpo pedia movimento, e sua mente pedia vingança. "Ele acha que eu vou ficar chorando? Ele não me conhece", pensou ela.
— Tia, me empresta aquele seu vestido preto de malha? Aquele que estica muito? — perguntou Karen, levantando-se do sofá com uma determinação perigosa.
— Karen, minha filha, você está grávida de gêmeos, não de uma gripe — alertou a tia. — Onde você pensa que vai?
— Vou sair. Tem um evento na Recoleta, um bar de jazz que o pessoal da produção sempre frequenta. Eu vou me divertir.
— Patrício vai ter um enfarte — comentou Zulema, rindo enquanto buscava o vestido.
Duas horas depois, Karen estava impecável. O vestido preto realçava a barriga redonda, os lábios estavam pintados de um vermelho vibrante e o salto era baixo o suficiente para não cair, mas alto o suficiente para manter a postura de mulher fatal. Ela postou um story no Instagram: uma foto no espelho com a legenda: "Noite de solteira (por tempo indeterminado) com meus dois amores".
Enquanto isso, no estúdio, o clima estava tenso. Patrício tentava focar no baixo de uma música nova, mas seus olhos não saíam do celular. Gastón e Guido trocavam olhares cúmplices.
— Cara, você devia ligar para ela — sugeriu Guido, ajustando os pratos da bateria. — Grávidas não seguem a lógica humana, Pato. Elas seguem a lógica do instinto.
— Ela que saiu de casa. Ela que seja madura — resmungou Patrício, mas no segundo seguinte, ele viu a notificação do Instagram.
O sangue de Patrício ferveu. "Noite de solteira"? "Recolte"? Ele conhecia aquele bar. Era o tipo de lugar onde produtores babacas e músicos de meia-tigela ficavam rondando.
— Eu vou matar essa mulher — disse Patrício, pegando a jaqueta de couro e a chave do carro.
— Vai lá, Romeu — debochou Gastón. — Só tenta não ser preso.
O bar estava lotado. O som do saxofone preenchia o ambiente enfumaçado e elegante. Karen estava sentada em uma mesa alta, pedindo uma água com gás e limão, conversando animadamente com um antigo conhecido da gravadora. Ela sentia os gêmeos chutarem, como se estivessem aprovando a rebeldia da mãe.
— Você está radiante, Karen — disse o homem, aproximando-se um pouco demais para o gosto de qualquer espectador. — Patrício é um homem de sorte, embora pareça que ele não saiba aproveitar.
— Patrício está ocupado demais com as cordas da guitarra para notar qualquer outra coisa — respondeu ela, jogando o cabelo para o lado.
Foi nesse momento que a porta do bar se abriu com um estrondo que silenciou o saxofonista por um segundo. Patrício Sardelli entrou no recinto como se fosse o dono do lugar, ou melhor, como se estivesse caçando alguém. Seus olhos varreram o salão até encontrarem a silhueta inconfundível de Karen.
Ele caminhou em direção à mesa com passos largos e pesados. O homem que conversava com Karen empalideceu ao ver a expressão do músico.
— Fora daqui. Agora — rosnou Patrício para o sujeito.
— Pato, calma, a gente só estava... — começou o homem.
— Não me interessa. Suma antes que eu decida se sua cara combina com o chão desse bar — Patrício nem olhou para ele, seus olhos estavam cravados em Karen.
O homem saiu apressadamente. Karen continuou bebendo sua água com gás, fingindo um desinteresse que seu coração acelerado desmentia.
— O que você pensa que está fazendo? — perguntou Patrício, parando à frente dela, as mãos nos quadris.
— O que parece que estou fazendo? — rebateu ela, arqueando uma sobrancelha. — Estou curtindo a noite. Você não tem um álbum para terminar?
— Karen, você está grávida de seis meses! — Ele baixou o tom de voz, mas a intensidade era a mesma. — Você sai de casa, não atende o telefone e vem para um bar se expor desse jeito?
— Me expor? Eu estou vestida e bebendo água! — Ela se levantou, ficando cara a cara com ele, ou o mais perto que a barriga permitia. — O problema é que você acha que eu sou um objeto que você deixa em casa e encontra no mesmo lugar quando resolve voltar do seu mundinho de rockstar.
Patrício suspirou, a raiva começando a dar lugar a uma preocupação genuína e a um cansaço emocional. Ele olhou para a barriga dela e, por um momento, sua expressão suavizou.
— Eu agi como um idiota — admitiu ele, a voz rouca. — Eu sei que desmarquei o jantar. Eu sei que estou ausente. Mas ver você aqui, com esse cara... eu quase perdi a cabeça.
— Você sempre perde a cabeça, Patrício. Esse é o problema — disse ela, embora o tom já não fosse tão ríspido.
— Vamos para casa — pediu ele, estendendo a mão. — Para a nossa casa. A tia Zulema é legal, mas eu não consigo dormir naquele quarto enorme sem você chutando minhas costas durante a noite.
Karen olhou para a mão dele e depois para o rosto cansado do homem que amava. Os hormônios, que antes pediam guerra, agora pediam o conforto do peito dele.
— Eu ainda estou brava com você — avisou ela, pegando a bolsa.
— Eu sei. Vou passar o resto da semana pedindo desculpas — Patrício sorriu de lado, aquele sorriso que sempre a ganhava. — E vou comprar aquele sorvete de doce de leite que você gosta. Aquele da sorveteria que fecha às duas da manhã.
— Dois potes — exigiu ela.
— Três, se você prometer nunca mais postar "noite de solteira" na vida.
Eles saíram do bar sob os olhares curiosos dos presentes. Patrício rodeou a cintura de Karen com o braço, protegendo-a da brisa fria da noite de Buenos Aires. Ao chegarem no carro, ele abriu a porta para ela com um cuidado exagerado.
— Sabe — disse Karen, enquanto ele dava a partida —, os meninos ficaram agitados quando você chegou. Acho que eles reconheceram o barulho que o pai deles faz quando quer dar show.
Patrício riu, levando a mão à barriga de Karen, sentindo um chute vigoroso contra a palma.
— Eles já sabem quem manda nessa família — brincou ele.
— Exatamente — concordou Karen, recostando a cabeça no banco. — E não é você, Patrício Sardelli. Somos nós três.
O caminho de volta para casa foi silencioso, mas era um silêncio diferente do da tarde. Era o silêncio de quem sabia que, entre riffs de guitarra e hormônios à flor da pele, o amor ainda era a música mais alta de todas. Patrício dirigia devagar, evitando cada buraco na estrada, enquanto Karen, finalmente em paz, planejava como usaria aquela briga para conseguir que ele montasse o berço no dia seguinte sem reclamar. Afinal, uma grávida brasileira em Buenos Aires sempre sabia como transformar o caos em tango.
