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El loco y medio

Fandom: Apocalipse

Criado: 25/06/2026

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A Sinfonia do Caos no Setor Sete

O som estridente de uma guitarra elétrica rasgou o silêncio fúnebre da Avenida Central, ecoando entre os prédios em ruínas e as carcaças de carros abandonados. Mike estava em cima do teto de um ônibus escolar capotado, os dedos deslizando com uma velocidade insana pelas cordas de seu instrumento. A eletricidade que emanava da guitarra não vinha de um amplificador ou de uma tomada, mas da própria conexão espiritual que ele tinha com o objeto. Faíscas azuis saltavam das cordas a cada acorde, emitindo uma frequência que parecia vibrar nos ossos de quem estivesse por perto.

— Mike, seu idiota! — gritou Zoe, ajustando os óculos no topo da cabeça enquanto analisava um mapa de papel amarelado e desbotado. — Estamos a apenas dois quarteirões do ninho de um Rei! Você quer que a gente morra antes do almoço?

Zoe não precisava olhar para o mapa por muito tempo. Sua memória fotográfica já havia registrado cada beco, cada bueiro e cada loja de conveniência daquela zona. Seus óculos, quando baixados sobre os olhos, permitiam que ela visse rastros de calor e rotas de fuga que ninguém mais percebia.

— Relaxa, Zoe! — Mike gritou de volta, sem parar de tocar um solo frenético. — O som atrai os lentos, e os lentos são ótimos para o aquecimento. Além disso, o ritmo está matador hoje!

Lá embaixo, na rua, a horda começou a se aproximar. Eram os "Lentos", criaturas de pele acinzentada e movimentos arrastados, gemendo em uma cacofonia de fome. Mas Mike tinha razão em uma coisa: eles eram o alvo perfeito.

Maya, que até então estava sentada calmamente em um hidrante, levantou-se com um sorriso angelical no rosto. Ela abriu seu leque de seda vermelha com um estalo seco. À primeira vista, parecia um acessório de dança, mas o brilho metálico nas bordas revelava as lâminas de aço cirúrgico escondidas entre as dobras.

— Deixa eles virem — disse Maya, a voz doce contrastando com a sede de sangue em seus olhos. — Eu estava precisando esticar as pernas.

Com um movimento fluido, ela avançou contra o primeiro grupo de zumbis. O leque girava em suas mãos como uma extensão de seu próprio corpo, cortando cabeças e membros com uma precisão artística. Maya era o "trabalho sujo" do grupo personificado em uma mulher de vinte e três anos que parecia ter saído de um sonho, mas que lutava como um pesadelo.

— Henrique, para de revirar esse lixo e vem ajudar! — Jessy exclamou, pressionando os fones de ouvido contra as orelhas para abafar um pouco o barulho da guitarra de Mike.

Henrique estava debruçado sobre a vitrine quebrada de uma antiga farmácia. Ele segurava seu amuleto da sorte — uma moeda de prata antiga presa a um cordão de couro — e a esfregava freneticamente.

— Só mais um segundo, Jessy! Meu amuleto está esquentando — Henrique respondeu, esticando o braço para dentro da loja escura. — Eu sinto que tem um kit de primeiros socorros de luxo aqui dentro. Ou pelo menos uns doces que não venceram em 2024.

Milagrosamente, como sempre acontecia com o mais velho do grupo, a mão de Henrique tateou o vazio e voltou segurando uma caixa intacta de antibióticos e dois pacotes de salgadinhos lacrados. Ele deu um beijo na moeda e guardou o tesouro na mochila.

— Viu? A sorte favorece os audazes — ele sorriu, saltando para longe da vitrine bem no momento em que um zumbi tentava agarrar seu calcanhar.

Enquanto a batalha se desenrolava na rua, Raiden estava sentado no chão, encostado em uma parede pichada com o nome "Los Locos". Ele ignorava o caos ao redor, focado inteiramente na tela de seu laptop reforçado. Seus dedos voavam pelo teclado, invadindo os sistemas de segurança de uma agência bancária próxima que ainda mantinha energia solar.

— Pessoal, menos barulho e mais foco — Raiden murmurou, os olhos refletindo linhas de código verde. — Consegui acessar as câmeras de segurança da praça. Temos um problema. Não são só Lentos. Tem um Meio-Zumbi monitorando a área.

Jessy parou de anotar em seu caderno de couro, onde desenhava a anatomia de um zumbi que Maya acabara de decapitar.

— Um Meio-Zumbi? — perguntou Jessy, interessada. — Eles são raros por aqui. Eles têm consciência, Raiden? Ele está armado?

— Ele está nos observando de cima do prédio da rádio — Raiden respondeu, apontando para uma estrutura alta a cem metros de distância. — E ele parece estar coordenando os Lentos. Isso não é bom.

A música de Mike parou abruptamente. O silêncio que se seguiu foi quase mais assustador do que o barulho. Mike desceu do ônibus com um salto ágil, a guitarra pendurada nas costas.

— Se ele está coordenando, ele é o maestro — disse Mike, limpando o suor da testa. — E ninguém rege essa cidade melhor do que eu.

— Menos ego, Mike, mais estratégia — Zoe interveio, baixando os óculos para os olhos. — Consigo ver o rastro dele. Ele está deixando uma trilha de feromônios que os Lentos estão seguindo. Se não o pegarmos, seremos cercados em cinco minutos.

— Eu posso cuidar dele — Maya se ofereceu, fechando o leque com um estalo metálico que soou como um tiro. — Só preciso que vocês me deem cobertura.

— Eu vou com você — disse Jessy, ajustando sua bolsa de médica. — Se ele é um Meio-Zumbi, eu quero coletar uma amostra de tecido. Eles são a chave para entender a mutação.

— Nada disso, Jessy, é perigoso demais — Henrique tentou intervir, mas Jessy já estava verificando se seus fones de ouvido estavam bem presos.

— Henrique, você é o cara da sorte, então reze por nós — Jessy sorriu. — Raiden, mantenha o sinal aberto. Zoe, nos guie pelo caminho mais rápido.

O grupo se moveu com uma sincronia que apenas anos sobrevivendo ao fim do mundo poderiam proporcionar. Zoe liderava o caminho, seus olhos percebendo as armadilhas naturais do ambiente. Eles entraram em um beco estreito, desviando de poças de sangue seco e carcaças de ratos.

— À esquerda! — sussurrou Zoe. — Agora subam pela escada de incêndio.

Enquanto subiam, o som de passos pesados ecoou acima deles. O Meio-Zumbi não era como os monstros irracionais que vagavam pelas ruas. Ele usava restos de roupas humanas, uma jaqueta de couro rasgada, e segurava um cano de ferro com uma das mãos. Seus olhos, no entanto, eram de um amarelo leitoso, e metade de seu rosto exibia a carne viva e apodrecida característica da infecção.

— Ora, ora — a criatura rosnou, uma voz que parecia cascalho sendo triturado. — Os "Los Locos". Vocês causaram muito barulho no meu território.

— Território? — Mike apareceu logo atrás de Maya, já com as mãos nas cordas da guitarra. — Desculpa, cara, mas a gente não viu nenhuma placa com o seu nome.

— Mike, cala a boca — sussurrou Zoe.

— Eu conheço vocês — o Meio-Zumbi continuou, ignorando a provocação. — O hacker, a observadora, o sortudo, a médica, a boneca assassina e o barulhento. O Rei quer a cabeça de vocês em uma bandeja.

— O Rei vai ter que esperar — Maya disse, avançando com uma velocidade que desafiava a visão humana.

Ela lançou o leque, que cortou o ar como um bumerangue mortal. O Meio-Zumbi desviou por pouco, o ferro de seu cano colidindo com as lâminas em um clarão de faíscas. Enquanto isso, Raiden, lá embaixo, usava seu computador para ativar o sistema de irrigação do prédio, criando uma distração de água e barulho.

— Agora, Mike! — gritou Raiden pelo rádio.

Mike tocou um acorde de poder, uma nota tão baixa e intensa que a vibração fez as janelas do prédio vizinho estourarem. A onda de choque atingiu o Meio-Zumbi, desequilibrando-o.

Foi a chance de Jessy. Ela não usava armas de fogo, mas carregava dardos tranquilizantes modificados com substâncias que ela mesma desenvolvera. Ela disparou um dardo no pescoço da criatura.

O Meio-Zumbi rugiu, tentando arrancar o dardo, mas o veneno paralisante agiu rápido. Ele caiu de joelhos. Maya recuperou seu leque no ar e parou a centímetros da garganta dele.

— Espera! — pediu Jessy, aproximando-se com uma seringa. — Preciso do sangue dele primeiro.

— Rápido, Jessy — Henrique disse, vigiando a escada. — Minha moeda está tremendo. Tem algo grande vindo para cá. Algo muito maior que esse cara.

Zoe olhou para o horizonte através de seus óculos especiais. Ela empalideceu.

— É o Rei — disse ela, a voz trêmula. — Ele ouviu a guitarra do Mike. Ele está vindo pessoalmente.

— Ótimo — disse Mike, com um sorriso maníaco, voltando a ajustar a afinação de sua guitarra. — Eu estava mesmo querendo um público maior para o meu bis.

— Você é louco, Mike — Raiden comentou pelo rádio, embora estivesse digitando freneticamente para encontrar uma rota de fuga.

— Todos nós somos, Raiden — respondeu Maya, olhando para o grupo. — É por isso que ainda estamos vivos.

O grupo se reuniu no topo do prédio. Henrique encontrou uma corda de rapel em um armário de manutenção que, por sorte, não estava trancado. Jessy guardou sua amostra com cuidado, e Zoe já traçava o caminho pelos telhados.

— Vamos lá, Los Locos — disse Zoe, colocando os óculos na cabeça. — Temos um apocalipse para sobreviver e um Rei para irritar.

Enquanto saltavam para o prédio vizinho, o rugido de uma criatura colossal ecoou pela cidade, mas o som foi rapidamente abafado por um último acorde triunfante da guitarra de Mike, que brilhava intensamente sob o sol poente, transformando o fim do mundo em um palco improvisado.
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