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Amor entre reinos

Fandom: A casa do dragao

Criado: 25/06/2026

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O Sangue do Dragão Entre as Sombras

As nuvens sobre Porto Real estavam carregadas, uma massa cinzenta que ameaçava desabar em tempestade sobre as torres da Fortaleza Vermelha. Para Karen Targaryen, entretanto, o céu nunca fora um lugar de medo, mas o único refúgio onde as intrigas da corte não podiam alcançá-la. Filha de Rhaenyra e Daemon, ela carregava em suas veias a herança indomável de dois dos mais poderosos dragões que Westeros já vira. Mas, enquanto sua mãe lutava para garantir o direito ao Trono de Ferro e seu pai afiava a Irmã Sombria, o coração de Karen batia por um segredo que poderia incendiar o reino antes mesmo da guerra começar.

Ela caminhava pelos jardins internos, observando os sussurros que pareciam brotar das paredes. A tensão entre os Pretos e os Verdes era um veneno lento, contaminando cada banquete e cada reunião de conselho. Seus meios-irmãos, Jacaerys e Lucerys, eram constantemente alvos de piadas maldosas, mas Karen sempre fora poupada do pior. Talvez fosse pelo dragão que montava, Araxes, uma besta de escamas negras e reflexos violetas que herdara a fúria de Caraxes, ou talvez fosse pela proteção silenciosa de um homem que todos temiam.

Aemond Targaryen.

Seu tio era uma figura de pesadelo para muitos. Desde que perdera o olho e reivindicara Vhagar, a maior montaria viva do mundo, ele se tornara uma lâmina viva, afiada e implacável. Mas, para Karen, ele era o único que falava a sua língua.

— Você está distraída hoje, sobrinha. — A voz dele, profunda e arrastada, veio de trás de uma estátua de Visenya.

Karen não se assustou. Ela reconheceria o som das botas dele e o tilintar leve de sua armadura em qualquer lugar. Ela se virou, encontrando o olhar do único olho azul de Aemond, que brilhava com uma intensidade que ele reservava apenas para ela.

— É difícil não estar — respondeu Karen, aproximando-se dele. — O castelo parece uma pira funerária esperando por uma faísca.

Aemond deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles até que ela pudesse sentir o calor que emanava dele. Em público, eles mantinham a distância protocolar, mas ali, nas sombras dos jardins, a máscara de frieza dele caía.

— Deixe que queimem — sussurrou ele, levando a mão ao rosto dela com uma delicadeza que chocaria qualquer um que o conhecesse no campo de treinamento. — Se o mundo acabar em chamas, nós voaremos acima delas.

Karen fechou os olhos, apreciando o toque da pele áspera dele contra a sua.

— Eles nunca entenderiam, Aemond. Minha mãe, seu irmão... eles veriam isso como a maior das traições.

— Deixe que vejam — retrucou ele, os dedos agora emaranhados nos cabelos prateados dela. — O sangue do dragão sempre se uniu para manter sua pureza. Você é minha, Karen. Mais do que qualquer trono ou coroa.

Eles haviam transformado a noite em sua aliada. Enquanto o Rei Viserys dormia um sono perturbado pela doença e a Rainha Alicent tramava em seus aposentos, Karen e Aemond escapavam para o Fosso dos Dragões.

Lá, Araxes e Vhagar esperavam. A diferença de tamanho entre os dois era cômica — Araxes era ágil e jovem, enquanto Vhagar era uma montanha de escamas antigas e cicatrizes de mil batalhas. Mas, no céu, eles se moviam em uma dança sincronizada.

Naquela noite específica, o voo parecia diferente. Karen sentia uma náusea leve que atribuía ao nervosismo, mas o vento frio do alto mar não parecia acalmá-la como de costume. Ela guiava Araxes pelas nuvens, vendo a silhueta colossal de Vhagar logo abaixo, como uma sombra que nunca a abandonava.

Quando pousaram em uma colina isolada, longe dos olhos de espiões, Aemond a ajudou a descer da sela. Ele percebeu imediatamente que algo estava errado.

— Você está pálida — disse ele, segurando-a pelos ombros. — O voo foi pesado demais?

Karen respirou fundo, o cheiro de enxofre e couro dos dragões misturando-se ao perfume da terra molhada. Ela levou a mão ao próprio ventre, um gesto instintivo que não passou despercebido pelo olhar atento de Aemond.

— Eu não acho que seja o voo — sussurrou ela, a voz falhando.

O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som distante das ondas batendo contra as rochas. Aemond congelou. Ele era um homem de guerra, de estratégia e de violência, mas aquela revelação o atingiu com mais força do que qualquer golpe de espada.

— Você tem certeza? — perguntou ele, a voz subitamente rouca.

— Sinto o fogo dele dentro de mim, Aemond — respondeu Karen, as lágrimas começando a turvar sua visão. — É um herdeiro. Fruto do que temos escondido de todos.

Aemond não recuou. Pelo contrário, ele a puxou para um abraço apertado, escondendo o rosto no pescoço dela. Karen sentiu o tremor nas mãos dele. Não era medo, era uma possessividade feroz.

— Um filho nosso — murmurou ele contra a pele dela. — Um verdadeiro sangue de Valíria.

— Aemond, se eles descobrirem... minha mãe me levará de volta para Pedra do Dragão. Seu avô, o Mão, usará isso para nos destruir.

Ele se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos dela, a expressão agora endurecida por uma resolução inabalável.

— Ninguém vai levar você de mim. Nem a Rainha Negra, nem o Rei Usurpador. Eu tenho Vhagar, e você tem Araxes. Se eles tentarem nos separar, Porto Real conhecerá o verdadeiro significado de "Fogo e Sangue".

— Mas e a criança? — perguntou Karen. — Ela nascerá no meio de uma guerra civil.

— Ela nascerá para governar — declarou Aemond. — Eu vou garantir isso. Se eu tiver que queimar cada centímetro deste reino para manter você e nosso filho seguros, eu o farei.

Eles ficaram ali por horas, sob a vigilância de seus dragões, traçando planos que beiravam a traição a ambos os lados da família. Karen sabia que a tempestade que se formava no horizonte não era apenas meteorológica. O segredo que carregava era uma bomba-relógio.

Ao retornarem para a Fortaleza Vermelha antes do amanhecer, Karen caminhava pelos corredores com uma nova consciência. Cada olhar de Otto Hightower parecia mais perigoso; cada sorriso triste de sua mãe parecia uma facada de culpa.

Ela cruzou com Daemon, seu pai, no pátio de treinamento. Ele a observou com aquele olhar astuto que parecia ler a alma de qualquer um.

— Você cheira a céu e a Vhagar, Karen — disse Daemon, limpando o suor da testa com o dorso da mão. — É um hábito perigoso para a filha de Rhaenyra.

— Eu gosto da altura, pai — respondeu ela, tentando manter a voz firme. — E Vhagar é difícil de ignorar quando se está lá em cima.

Daemon deu um sorriso de canto, um brilho de diversão perigosa nos olhos.

— Aemond é um cão raivoso. Cuidado para não ser mordida.

— Eu sei domar dragões, pai. Você mesmo me ensinou — retrucou ela, passando por ele.

— O problema de domar dragões — gritou Daemon atrás dela — é que, às vezes, eles esquecem que você é o mestre e lembram apenas que são monstros.

Karen não olhou para trás. Ela foi para seus aposentos, onde uma serva esperava com chá de ervas. Ela recusou o chá, temendo o que pudesse haver nele. A confiança era um luxo que ela não possuía mais.

Naquela tarde, uma mensagem chegou de Pedra do Dragão. Rhaenyra exigia o retorno de Karen. A tensão na corte atingira o ponto de ruptura, e a princesa queria seus filhos por perto.

Karen sentiu o pânico subir pela garganta. Ela correu para a biblioteca, o lugar onde Aemond costumava se esconder com seus livros de história valiriana. Ela o encontrou debruçado sobre um mapa.

— Minha mãe me chamou de volta — disse ela, sem preâmbulos. — Ela quer que eu parta amanhã ao amanhecer.

Aemond socou a mesa de madeira, fazendo os mapas saltarem.

— Ela não pode.

— Ela é minha mãe e a herdeira do trono, Aemond. Eu não tenho desculpa para ficar.

Ele se aproximou dela, a aura de fúria quase palpável.

— Se você for para Pedra do Dragão, eu não poderei protegê-la. Daemon verá a mudança em você. Ele vai saber.

— Eu sei — soluçou Karen. — Mas se eu fugir agora, eles saberão de qualquer maneira.

Aemond segurou o rosto dela com as duas mãos, forçando-a a olhar para ele.

— Então não fuja para Pedra do Dragão. Fuja comigo.

Karen paralisou.

— O quê?

— Vamos para as Terras da Tempestade, ou para além do Mar Estreito — sugeriu ele, os olhos brilhando com uma ideia desesperada. — Deixe que eles lutem por esse trono de ferro maldito. Temos nossos dragões. Temos o suficiente.

— Você abandonaria sua família? Sua reivindicação? — perguntou ela, atônita.

— Eu abandonaria o mundo por você — confessou ele, e aquela era a verdade mais pura e aterrorizante que ela já ouvira.

Antes que pudessem selar aquele pacto, a porta da biblioteca se abriu bruscamente. Sor Criston Cole entrou, sua expressão habitual de severidade.

— Príncipe Aemond, a Rainha solicita sua presença imediata. E Lady Karen, sua escolta para Pedra do Dragão já está sendo preparada por ordem de Lorde Daemon.

O momento de fuga se dissipou. Aemond lançou um olhar final para Karen — um olhar que prometia fogo e destruição se algo acontecesse a ela.

Naquela noite, Karen não dormiu. Ela acariciou o ventre, sentindo uma conexão profunda com a vida que crescia ali. Um pequeno dragão, cercado por lobos e leões, prestes a ser levado para o ninho de sua mãe, onde o segredo seria mais difícil de guardar.

Enquanto Araxes rugia no Fosso, sentindo a inquietação de sua montadora, Karen Targaryen sabia que a Dança dos Dragões não seria apenas uma guerra por coroas. Seria uma guerra por sua vida e pela vida de seu filho.

E ela sabia, no fundo de sua alma, que Aemond Targaryen cruzaria os Sete Reinos montado em Vhagar para buscá-la. O sangue chamava o sangue, e o fogo não podia ser contido por muito tempo.

— Espere por mim — sussurrou ela para o escuro, esperando que o vento levasse suas palavras até o quarto de Aemond. — Porque quando o mundo descobrir quem este bebê é, precisaremos de todo o fogo que pudermos convocar.

Longe dali, no alto de uma torre, Aemond observava a silhueta de Pedra do Dragão no horizonte distante, a mão apertando o punho de sua espada. A guerra estava chegando, mas para ele, a única batalha que importava era aquela que garantiria o futuro do herdeiro que Karen carregava. O herdeiro das sombras, o fruto proibido da Fortaleza Vermelha.
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