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Fandom: sla

Criado: 25/06/2026

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Cornelia Street, fumaça e o caos de sempre

— Porra, Beltrão, abaixa essa câmera, caralho! — gritei, passando a mão no rosto, sentindo o suor frio da manhã de Nova York. — O cara não dá um descanso, parece que nasceu com uma lente no lugar do olho, vai tomar no cu.

Eu tava ali, parado na calçada de Manhattan, tentando manter a postura de jornalista sério da Cazé TV, mas com o cabelo platinado na régua e o bigodinho de safado, era difícil alguém me levar a sério. O frio batia, mas eu tava aquecido. Senti uma mão pequena e macia deslizar por dentro da minha jaqueta e apertar minha cintura. Nem precisei olhar. O cheiro de perfume doce misturado com o tabaco que a gente tinha acabado de acender era inconfundível.

— Deixa o garoto trabalhar, Chico — Naju sussurrou no meu ouvido, a voz rouca que me dava um nó nas pernas. — Ele só quer registrar o quanto você tá gatinho hoje.

Virei o rosto de leve e dei de cara com aquele sorrisinho de lado dela. A Naju é covardia. Ela tava com um casaco longo, mas eu sabia exatamente o que tinha por baixo, e aquela calça jeans valorizava cada curva que me deixava maluco. Lamba o lábio inferior por puro reflexo, sentindo o gosto do fumo, e puxei ela mais para perto, colando nossos corpos. Minha mão, como se tivesse vida própria, desceu e se acomodou com firmeza na bunda dela.

— Gatinho é o caralho, Ana Julia — murmurei perto da boca dela, ignorando solenemente o Alvinho que passava rindo do nosso lado. — Você que tá uma gostosa absurda com esse frio. Tá querendo me foder o juízo logo cedo?

— Ih, lá vai eles! — Casimiro gritou lá de trás, a voz de trovão ecoando pela rua. — Olha o Chico Moedas, o homem não consegue ficar cinco minutos sem tatear a menina! Ô Chico, a gente tá em Nova York pra cobrir a Copa, não pra gravar filme pornô no meio da rua, porra!

— Cala a boca, Cazé! — respondi, rindo e mostrando o dedo do meio sem soltar a cintura da Naju. — Vai cuidar da tua vida, seu gordo safado!

A gente tava caminhando em direção a Cornelia Street. Sim, o plano era esse: turismo de "Swiftie". A Naju é completamente obcecada pela Taylor Swift, e como eu sou um namorado muito otário — e muito apaixonado —, aceitei que o nosso roteiro de hoje fosse baseado em músicas de término e loiras altas.

— Calma aí, cara — eu disse pro Pigzada, que já tava reclamando pela décima vez. — A gente acabou de sair do hotel e você já tá querendo comer?

— Porra, Chico, o café da manhã foi um bagel seco, irmão! — Pigzada resmungou, gesticulando com as mãos gordas. — Eu preciso de um hambúrguer, de uma pizza, de qualquer coisa que tenha mais de duas mil calorias.

— O Pigzada é uma draga, bicho — Maciel completou, com aquela cara de quem odiava estar acordado. — E esse frio? Por que a gente não tá no Catar? Por que Nova York? Que ideia de jerico.

— Reclama menos e anda mais, Maciel — Alvinho soltou, irônico como sempre. — O Ramon tá ali quieto, sofrendo em silêncio, segue o exemplo dele.

Ramon só deu um joinha de longe, sem dizer uma palavra, enquanto o Beltrão continuava rodopiando com a câmera na mão, filmando até o bueiro saindo fumaça.

Chegamos na Cornelia Street. Eu senti a Naju dar um apertinho no meu braço, os olhos dela brilhando. Ela parecia uma criança. Eu, que não entendo nada dessa porra, só sabia que era importante pra ela. Parei, tirei o cigarro da boca e dei uma tragada longa, sentindo o peito encher.

— É aqui? — perguntei, soltando a fumaça pro lado.

— É aqui, Chico... — ela falou baixo, quase num suspiro. — "I rent a place on Cornelia Street". Você tem noção?

— Tenho, amor. É lindo. — Menti descaradamente, mas com carinho. — Mas ó, se a gente for morar aqui, o aluguel vai ter que ser dividido entre eu, você e o Cazé, porque o preço deve ser uma pica.

Ela riu, aquela risada que me desarmava todo, e me puxou pela gola da jaqueta pra um beijo. Foi um beijo lento, com gosto de menta e cigarro, as línguas se encontrando num ritmo que fez o mundo em volta sumir por uns segundos. Minha mão apertou a bunda dela com mais vontade, trazendo ela pra bem perto, sentindo o calor do corpo dela contra o meu.

— Hum... — ela murmurou entre o beijo, mordendo meu lábio inferior quando nos afastamos. — Você tá muito assanhado hoje.

— É o frio, gata. Me deixa carente — sussurrei no ouvido dela, dando uma lambida no lóbulo da orelha dela que a fez arrepiar. — E você provocando desse jeito, com esse perfume... tá foda.

— Ô CASAL! — Beltrão gritou, cortando o clima com a delicadeza de um trator. — Vira pra cá! Naju, faz uma pose de quem tá sofrendo pela Taylor! Chico, faz a cara de quem não sabe o que tá fazendo aqui!

— Vai se foder, Beltrão! — gritei de volta, mas acabei rindo.

A gente continuou andando. A Naju pegou o cigarro da minha mão, deu uma tragada funda e me devolveu, soltando a fumaça na minha cara com um olhar desafiador. Essa mulher é um perigo.

— Sabe o que eu tava pensando? — ela disse, entrelaçando os dedos nos meus. — Que a gente podia fugir do grupo por uma hora e ir ali naquele café que eu vi no TikTok...

— Café, Naju? — Olhei pra ela com um sorriso malicioso. — A gente pode ir pro hotel "descansar" uma hora, o que acha?

— Safado — ela riu, me dando um selinho. — Mas aceito. Só que antes, você vai tirar dez fotos minhas naquela porta ali.

— Puta que pariu, eu sou jornalista ou fotógrafo de Instagram? — resmunguei, mas já pegando o celular.

— Você é meu homem, Chico. E meu homem faz o que eu quero — ela disse, dando uma piscadinha e se posicionando na frente de uma fachada de tijolinhos.

O grupo tava logo atrás, fazendo o caos de sempre. O Cazé começou a narrar a sessão de fotos como se fosse uma final de Copa do Mundo.

— E lá vai a Naju! Ela se posiciona! O olhar é de modelo! E o Chico... olha a técnica do Chico Moedas! Ele se abaixa pra valorizar o ângulo! Que momento, senhoras e senhores! O jornalismo brasileiro respira por aparelhos!

— Alguém cala a boca desse cara, por favor! — eu pedia, rindo enquanto tentava focar a câmera na bunda da Naju, o que me rendeu um tapa estalado no braço.

— Na minha cara, Chico! Tira foto da minha cara! — ela reclamou, rindo.

— Mas o ângulo de baixo é melhor, amor, valoriza o... o conjunto da obra — me defendi, passando a mão no rosto e tentando disfarçar o flerte constante.

Fomos caminhando até o Central Park. O clima tava caótico, como sempre. Pigzada finalmente achou um carrinho de cachorro-quente e comprou três de uma vez, enquanto o Maciel reclamava que a mostarda era muito forte. O Ramon continuava sendo um observador silencioso da loucura alheia.

Sentamos num banco por um momento. A Naju encostou a cabeça no meu ombro, e eu passei o braço por cima dela, puxando-a para o meu colo sem me importar com quem tava vendo.

— Tá gostando, pretinha? — perguntei, baixinho, dando um beijo no topo da cabeça dela.

— Tô. Tirando a parte que seus amigos são uns animais, tá perfeito.

— Eles são foda, mas no fundo gostam de você. O Cazé só te zoa porque sabe que eu sou completamente cadelinha por ti.

— Você é? — ela perguntou, levantando o rosto e me olhando com aqueles olhos que pareciam ler minha alma.

— Sou, caralho. Você sabe que sou. — Lamba o lábio, sentindo o desejo subir. — Você me deixa maluco, Naju. Esse teu jeito de me provocar, de saber exatamente onde tocar... porra, eu fico sem chão.

Ela sorriu, um sorriso vitorioso, e se inclinou para me dar um beijo de verdade. Um daqueles que começam calmos e vão esquentando, as mãos dela subindo pela minha nuca, puxando levemente meu cabelo platinado. Eu respondi apertando a cintura dela, sentindo a maciez da pele dela onde a blusa tinha subido um pouco.

— EITA, PORRA! — Alvinho berrou, passando do nosso lado com um balde de pipoca. — Vai pro quarto, Chico! Tem criança na sala!

— Não tem criança nenhuma aqui, Alvinho, só você que é um mimado! — respondi, separando o beijo a contragosto, mas mantendo a Naju colada em mim.

— Calma aí, cara — eu disse pro Alvinho, que continuava rindo. — Deixa a gente em paz um segundo.

— Em paz o cacete! — Cazé chegou perto, com o celular na mão gravando um story. — Galera, olha aqui o estado do nosso comentarista. O homem tá derretendo! Nova York tá a zero graus e o Chico tá suando! É o amor ou é o cigarro, Chico?

— É a vontade de te dar um soco, Casimiro! — falei, rindo da cara dele.

A Naju apenas ria, se divertindo com a interação. Ela adorava o caos tanto quanto eu. Ela se inclinou e sussurrou no meu ouvido de novo:

— Se você aguentar mais duas horas de tour da Taylor Swift, eu prometo que a noite vai ser longa quando a gente voltar pro hotel...

Puta que pariu. Olhei pra ela, pro bigodinho dela encostando no meu rosto, pro brilho de safadeza nos olhos.

— Beltrão! — gritei, levantando do banco de uma vez. — Bora, caralho! Onde é o próximo lugar dessa Taylor? Tribeca? Vamos logo que eu tenho pressa pra terminar esse dia!

O grupo inteiro caiu na risada. Eles sabiam exatamente por que eu tava com pressa.

— O amor é lindo, mas o tesão do Chico é mais rápido que o Mbappé — o Pigzada comentou, limpando a boca suja de molho.

— Vamos, gente — Naju disse, pegando na minha mão e me puxando, com aquele rebolado que me fazia agradecer todos os dias por ter essa mulher do meu lado. — Tribeca nos espera. E o Chico vai pagar meu café.

— Pago até um triplex se você continuar me olhando assim — resmunguei, dando um tapa leve na bunda dela enquanto a gente seguia o bando de loucos pelas ruas de Nova York.

O dia tava só começando, e entre uma reclamação do Maciel e uma piada do Cazé, eu só conseguia pensar que, no meio daquela confusão toda da Copa do Mundo, eu já tinha ganhado o melhor troféu de todos. Mas, claro, eu nunca diria isso em voz alta pra não perder a pose de malandro.

— Porra, Naju, não para de andar assim não, senão eu vou ter um troço aqui mesmo — murmurei, fazendo ela rir alto enquanto cruzávamos a Quinta Avenida.

— Calma aí, cara — ela imitou meu jeito, me puxando pra mais um beijo roubado no meio da multidão.

É, Nova York não sabia o que o grupo "Aqueles Caras" era capaz de fazer, mas eu sabia exatamente o que queria fazer com a Naju assim que aquela câmera do Beltrão fosse desligada.
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