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Oliver!~

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 25/06/2026

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O Gosto Amargo da Armadilha

O corredor da escola estava estranhamente silencioso, um contraste bizarro com o caos habitual que Oliver, Zip e Edward costumavam causar. Oliver caminhava despreocupadamente, seus longos cabelos brancos arrastando-se levemente pelo chão conforme ele balançava a cabeça no ritmo de uma música que só existia em sua mente. Em sua mão direita, ele segurava uma barra de sabão de lavanda, já com várias marcas de dentes.

Ele deu uma mordida generosa, sentindo a textura cerosa e o sabor artificialmente floral inundarem seu paladar. Para qualquer outra pessoa, aquilo seria motivo de uma lavagem estomacal, mas para Oliver, era apenas o lanche perfeito da tarde. Sua língua bifurcada deslizou pelos lábios, limpando um resto de espuma enquanto ele mastigava com satisfação.

De repente, um estalo ecoou pelo corredor. Oliver parou, a mecha de cabelo no topo de sua cabeça balançando como uma antena. Ele olhou para trás, os olhos cor de carvão escaneando as sombras das portas dos armários.

— Zip? Edward? Se for uma pegadinha, saibam que eu sou o mestre nisso, não tentem me superar — exclamou ele, soltando uma risadinha travessa.

Ninguém respondeu. Oliver deu de ombros, convencido de que era apenas o prédio velho se assentando, ou talvez algum aluno azarado apanhando de uma das professoras em alguma sala distante. Ele deu mais um passo, pronto para morder outra lasca de seu sabonete, quando sentiu algo errado.

Seu pé esquerdo, calçado na bota preta, simplesmente não saiu do lugar.

— Mas o quê...? — Oliver olhou para baixo.

Uma substância viscosa, de um tom magenta vibrante e brilhante, envolvia sua bota e se espalhava pelo chão como uma poça de chiclete derretido, mas com uma densidade muito maior. Ele tentou puxar a perna com força, mas a substância esticou e retornou, prendendo-o com ainda mais firmeza. Era como se o chão tivesse criado mãos e estivesse segurando-o.

— Que nojo! Quem deixou essa meleca aqui? — Ele usou seu braço de lápis para tentar cutucar a substância, mas o grafite apenas afundou na massa magenta.

Antes que ele pudesse raciocinar, a "poça" começou a vibrar. O chão sob Oliver pareceu se liquefazer e, em um movimento violento de sucção, ele foi puxado para baixo. O grito de Oliver foi abafado pela viscosidade magenta que subiu por seu corpo. A escuridão o envolveu rapidamente.

Quando Oliver abriu os olhos novamente, a primeira coisa que sentiu foi o frio. Um frio metálico e cortante que atravessava sua camisa preta e entrava em contato com sua pele. Ele piscou várias vezes, tentando ajustar a visão à luz fluorescente e gélida do ambiente.

Ele estava deitado em uma mesa de metal maciça. O lugar parecia um laboratório ou uma sala de interrogatório distorcida. O silêncio era absoluto, exceto pelo som de sua própria respiração acelerada.

— Certo... isso definitivamente não é o pátio da escola — sussurrou para si mesmo, sentindo um gosto amargo de medo superar o gosto do sabão.

Ele tentou se levantar rapidamente, mas, no momento em que fez menção de sair da mesa, o metal pareceu ganhar vida. Orifícios laterais na mesa se abriram e, com um som metálico e seco, algemas de um metal magenta brilhante saltaram para fora.

O pânico finalmente se instalou. Oliver rolou para o lado, caindo da mesa e aterrissando de forma desajeitada no chão frio. Ele começou a correr, seus longos cabelos brancos chicoteando o ar atrás dele. Ele não sabia para onde estava indo, apenas que precisava sair dali.

— Saiam de perto! — gritou ele, correndo em direção ao que parecia ser uma saída.

Mas a sala era um labirinto de ilusões. No momento em que ele achou que alcançaria uma porta, uma parede de metal surgiu do nada. Oliver não conseguiu frear a tempo e bateu o rosto contra a superfície fria, caindo de costas.

Antes que pudesse se recuperar do impacto, as algemas magenta, que pareciam ter vontade própria e podiam se esticar como tentáculos, dispararam pelo ar.

— Não! Saiam! — Oliver brandiu seu braço de lápis, tentando golpear as correntes que se aproximavam.

As algemas prenderam seus pulsos com uma precisão cirúrgica. O metal magenta era frio e apertava sua pele de forma implacável. Oliver, em um ato de desespero, tentou chutar uma das correntes que vinha em direção aos seus pés, mas ao fazer isso, seu tornozelo foi capturado no ar.

— Me solta! Eu vou contar para a Miss Circle! Ela vai acabar com vocês! — ele ameaçou, embora sua voz estivesse tremendo.

As algemas começaram a se retrair. Oliver foi arrastado pelo chão, suas botas rangendo contra o metal enquanto ele lutava inutilmente. Ele cravou o braço de lápis nas ranhuras do piso, tentando criar algum tipo de atrito, mas a força mecânica era superior. Ele foi puxado de volta para a mesa de metal central, sendo içado e depositado nela com brutalidade.

Em segundos, ele estava completamente imobilizado. Seus pulsos estavam presos acima da cabeça, seus tornozelos estavam esticados e fixos nas extremidades da mesa. Até mesmo sua cintura foi cercada por uma faixa metálica magenta que o impedia de arquear as costas.

Oliver respirava de forma ofegante, o suor frio fazendo com que algumas mechas de seu cabelo grudassem em seu rosto. Ele tentou puxar as mãos, os músculos de seus braços se retesando sob a camisa preta, mas as algemas nem sequer vibraram.

— Isso não tem graça! — Oliver gritou para o teto, sua frustração explodindo. — Zip! Edward! Se isso for um plano de vocês, eu juro que vou comer todos os sabonetes da escola e não vou sobrar nenhum para vocês usarem nas pegadinhas!

Ele se contorceu, tentando girar o corpo, mas a mesa era firme. O estresse começou a tomar conta de sua mente. Oliver sempre foi aquele que causava o caos, aquele que ria enquanto os outros fugiam das professoras ou caíam em suas armadilhas. Estar na posição de vítima, de alguém impotente, era uma sensação que ele não sabia processar.

— Alguém?! — sua voz falhou um pouco. — Eu... eu quero sair daqui.

Ele olhou para o seu braço de lápis. Normalmente, ele o usava para desenhar ou para cutucar os outros, mas ali, preso, parecia apenas um pedaço inútil de madeira e grafite. Ele tentou usar a ponta do lápis para forçar a fechadura da algema em seu pulso direito, mas o ângulo era impossível.

— Droga... droga! — Ele começou a chutar o ar com o pouco de movimento que seus pés tinham, batendo os calcanhares contra a mesa de metal, criando um som rítmico e desesperado. — Saiam de perto de mim! Apareçam de uma vez!

O silêncio da sala foi subitamente quebrado por um ruído eletrônico, como se algo estivesse sendo ligado. Oliver parou de se debater por um momento, seus olhos arregalados fixos na escuridão além do círculo de luz da mesa.

— Olá? — ele chamou, sua língua bifurcada escapando entre os dentes em um tique nervoso.

Nenhuma voz respondeu, mas o som de passos metálicos começou a ecoar. Não eram passos humanos. Eram pesados, rítmicos e frios. Oliver sentiu seu coração martelar contra as costelas. Ele tentou se mover novamente, com mais força agora, a marca de "A+" em seu cabelo parecendo brilhar sob a luz forte.

— Eu não fiz nada de errado hoje! — mentiu ele, a voz subindo uma oitava. — Eu só comi um sabonete! Isso não é crime!

As correntes magenta brilharam intensamente em resposta ao seu estresse. Oliver sentiu uma pressão crescente em seus pulsos. Ele fechou os olhos com força, tentando imaginar que estava de volta ao corredor, rindo com seus amigos, longe daquela mesa fria e daquelas algemas que pareciam sugar sua energia.

Ele era Oliver, o garoto que não tinha medo de nada, o protegido, o travesso. Mas ali, naquela sala silenciosa, ele era apenas um garoto de cabelos brancos preso em uma armadilha que ele não entendia, esperando por um mestre que ainda não havia se revelado.

— Por favor... — sussurrou ele, em um raro momento de vulnerabilidade, enquanto o som dos passos parava bem atrás de sua cabeça.

Ele não conseguia ver quem estava lá, mas sentia a presença. Uma presença que cheirava a papel novo e tinta fresca, mas com um toque metálico e perigoso que ele conhecia muito bem.

Oliver tensionou cada músculo de seu corpo, pronto para lutar ou gritar, mas o que quer que estivesse ali, apenas observava. O mistério daquela sala e o propósito daquelas algemas magenta estavam apenas começando a se desenrolar, e Oliver sabia, no fundo de sua mente agitada, que o sabonete de lavanda seria a última coisa doce que ele provaria por um longo tempo.
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