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sla
Fandom: sla
Criado: 25/06/2026
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RomanceFatias de VidaHumorPWP (Enredo? Que enredo?)Linguagem ExplícitaAbuso de ÁlcoolUso de DrogasCrimeCiúmesRealismoEstudo de PersonagemCrossoverFilme de AmigosCrack / Humor Paródico
Fumaça, Cassinos e Segredos em Mônaco
A brisa do Mar Mediterrâneo batia contra a varanda do hotel cinco estrelas, mas Chico não estava nem aí para a vista de milhões de euros. O boné preto estava perfeitamente encaixado na cabeça, escondendo o cabelo platinado que ele insistia em manter em segredo da luz do sol europeu. Ele tragou o cigarro, soltando a fumaça lentamente enquanto seus olhos castanhos escaneavam o quarto até encontrarem o que realmente importava.
Ana Julia estava de pé em frente ao espelho de corpo inteiro, ajeitando o vestido justo que moldava perfeitamente suas curvas fartas. O cabelo longo, num tom de moreno iluminado que parecia reluzir com fios de ouro legítimo sob a luz do quarto, caía em ondas perfeitas pelas costas dela.
Chico sentiu a garganta secar. O tique nervoso atacou na hora: ele passou a ponta da língua pelo lábio inferior, devagar, um hábito inconsciente que ele sabia que desestruturava a namorada.
Ana Julia pegou o reflexo dele pelo espelho e arrepiou-se inteira. Ela se virou, com um sorriso sacana nos lábios perfeitamente pintados de vermelho.
— Caralho, amor, se você continuar me olhando assim com essa boca, a gente não vai descer para o cassino porra nenhuma — disse ela, a voz grave e provocante.
Chico deu um sorriso de canto, jogou a bituca do cigarro no cinzeiro da varanda e caminhou até ela com passos lentos. Ele não resistia. Nunca resistia. Em dois segundos, suas mãos grandes e firmes já estavam espalmadas na bunda farta de Ana Julia, puxando-a para perto sem a menor cerimônia.
— Puta que pariu, vida... Você tá gostosa demais com esse vestido — sussurrou Chico, afundando o rosto no pescoço dela. Ele inalou o perfume doce antes de distribuir uma sequência de beijos molhados e estalados na pele macia de seu pescoço, fazendo-a gemer baixinho. — Tá querendo me enlouquecer antes da hora?
— Talvez — ela riu, jogando a cabeça para trás para dar mais espaço aos lábios dele. — Mas guarda essa energia, porque os meninos já estão enchendo o saco no grupo. Me dá um beijo de verdade e vamos.
Chico a puxou pela cintura, colando seus corpos, e a beijou com a intensidade de sempre. Uma mão apertava a bunda dela com força, arrancando um suspiro audível da morena. Quando se separaram, ambos estavam arfando.
— Você é um perigo, Ana Julia — Chico murmurou, passando a mão no rosto, o tique da língua voltando com força.
— Sou o seu perigo, amor. Agora vamos, antes que o Beltrão venha esmurrar a nossa porta.
No saguão do hotel, o resto do bonde já exalava o puro suco do caos brasileiro em solo monegasco. Beltrão, Alvinho, Maciel, Pig e Ramon estavam todos vestidos com trajes esporte fino, mas a postura era de quem estava prestes a entrar num boteco no Rio de Janeiro. Cada um acompanhado de suas respectivas namoradas, eles já seguravam taças de champanhe que o hotel oferecia como cortesia.
— Caralho, finalmente os reis da foda resolveram descer! — gritou Alvinho assim que viu Chico e Ana Julia saindo do elevador. — Puta que pariu, Chico, a gente tá há meia hora esperando vocês dois pararem de se comer.
— Vai tomar no teu cu, Alvinho — Chico rebateu na hora, mas com um sorriso no rosto, passando a mão no rosto de leve. — Calma aí, cara. A gente tava se arrumando, porra. Olha a patroa, tá linda ou não tá?
— A Ana Julia tá um espetáculo, irmão. Agora você... Parece um bicheiro de boné em Mônaco — zoou Maciel, arrancando gargalhadas do grupo.
— Ah, vai se foder, Maciel! O boné é relíquia, respeita a estética do pai — Chico respondeu, enquanto abraçava Ana Julia por trás, com as mãos possessivas novamente em seus quadris.
— Deixa meu homem, seus caralhos — defendeu Ana Julia, rindo e olhando para trás para dar um selinho em Chico. — Ele tá lindo do jeito dele. E vocês só tão com inveja porque ele tem essa gostosa aqui do lado.
— Ih, caralho, a Ana Julia já chega jantando os caras — Pig gritou, levantando a taça. — Bora beber, porra! Que hoje a gente vai falir esse cassino ou sair daqui algemado pela polícia de Mônaco.
— Se o Ramon for jogar, a gente vai sair é devendo até as calças — Beltrão comentou, dando um tapa na nuca de Ramon.
— Teu cu, Beltrão! Hoje eu tô com o pressentimento de que a roleta vai ser minha puta — Ramon rebateu, rindo alto.
O grupo seguiu a pé pelas ruas iluminadas de Mônaco em direção ao famoso Cassino de Monte Carlo. O contraste era bizarro: carros de milhões de euros passando, joias brilhando nas vitrines, e os rapazes rindo alto, falando palavrão a cada duas frases e gesticulando como se estivessem na Lapa. As namoradas iam na frente, conversando e rindo da infantilidade dos parceiros, mas Ana Julia fazia questão de manter uma das mãos colada na de Chico, ou com o braço entrelaçado no dele.
— Amor, me dá um cigarro? — Ana Julia pediu baixinho, enquanto caminhavam um pouco mais atrás do grupo.
Chico nem pensou duas vezes. Tirou o maço do bolso interno do paletó, acendeu um para ele e o outro passou diretamente para os lábios dela, após dar uma tragada. O gesto era íntimo, natural deles. Ana Julia tragou profundamente, soltando a fumaça enquanto olhava para Chico de cima a baixo.
— Você fica muito safado de terno e boné, sabia? — ela flertou, a voz mansa, os olhos brilhando com os fios de ouro do cabelo emoldurando seu rosto. — Me dá uma vontade de... Enfim.
Chico parou de andar por um segundo, fazendo o tique de lamber o lábio inferior. Aquilo era golpe baixo.
— Vida, não fode a minha mente no meio da rua, por favor — ele pediu, a voz mais rouca que o normal. — Se você continuar com esse papo, eu juro que te puxo para aquele beco ali e a gente perde a noite de jogos.
— Duvido — ela desafiou, piscando o olho e acelerando o passo para alcançar as outras meninas, deixando Chico rindo sozinho, tenso e completamente rendido.
— Calma aí, cara... Essa mulher ainda me mata — Chico resmungou para si mesmo, passando a mão no rosto antes de correr para alcançá-la.
Ao entrarem no cassino, o luxo do lugar impressionou até os mais cínicos do grupo. Tetos pintados à mão, lustres de cristal gigantescos e o som tilintante de fichas e roletas girando preenchiam o ar.
— Caralho, menor, aqui o chão brilha mais que o meu futuro — comentou Beltrão, olhando em volta. — Se eu quebrar um copo aqui, tenho que vender meu rim.
— Relaxa, Beltrão, qualquer coisa a gente bota a culpa no Alvinho — Maciel brincou, já puxando o grupo em direção ao bar. — Primeiro, o álcool. Depois, a falência.
Eles pediram rodadas de uísque e drinques sofisticados para as mulheres. Aos poucos, a timidez do ambiente foi quebrada pela energia caótica do grupo. Alvinho e Pig foram para a mesa de Blackjack, gritando a cada carta que o crupiê virava, atraindo olhares tortos dos ricaços europeus de terno de veludo.
Chico e Ana Julia ficaram perto da mesa de roleta, bebendo e se curtindo. Ele não conseguia tirar as mãos dela. O braço de Chico estava firmemente entrelaçado na cintura de Ana Julia, e seus dedos traçavam caminhos invisíveis na pele exposta das costas dela pelo decote do vestido.
— Vai apostar em qual número, amor? — ela perguntou, virando o rosto para ele, os lábios a centímetros dos dele.
— No 23, que é o dia que eu te conheci, vida — Chico respondeu sem hesitar, os olhos fixos nos dela. — Mas a minha maior sorte eu já ganhei faz tempo.
— Puta que pariu, Chico, até no cassino você é brega? — Beltrão, que passava por perto com um copo de uísque na mão, interrompeu, rindo. — Deixa de ser gado um minuto, caralho! Vem ver o Alvinho perder quinhentos euros aqui.
— Vai tomar no teu cu, Beltrão! Deixa eu falar bonito com a minha mulher — Chico rebateu, passando a mão no rosto e rindo. — Calma aí, cara. Vocês não sabem o que é amar de verdade, bando de vagabundo.
— Amar o caralho, tu tá é querendo garantir o bônus da madrugada, que eu te conheço, safado! — Beltrão piscou o olho e voltou para a mesa de cartas.
Ana Julia caiu na gargalhada, encostando a cabeça no peito de Chico.
— Ele não tá errado, tá, amor? — ela sussurrou, a mão subindo pelo peito dele, sentindo o coração do namorado acelerado. — Mas a aposta no 23 foi fofa. Vai lá, joga. Se ganhar, eu te dou um prêmio especial no hotel.
Chico lambeu o lábio inferior instantaneamente. O tique era o sinal claro de que ele estava no limite da sanidade.
— É sério isso, Ana Julia? — ele perguntou, a voz baixa, quase um rosnado.
— Seríssimo, vida.
Chico pegou uma ficha de cem euros, caminhou até a mesa de roleta com uma confiança que nem ele sabia de onde vinha, e colocou a ficha exatamente em cima do número 23 preto. O crupiê girou a roleta e lançou a pequena bola branca.
O grupo de amigos, percebendo o movimento de Chico, se aproximou da mesa, todos já meio altos da bebida.
— Caralho, o Chico apostou cem euros num número só? Tu tá maluco, porra? — gritou Ramon.
— Cala a boca, Ramon! Deixa o homem trabalhar! — Pig gritou de volta.
A bola correu pelas canaletas, quicando de número em número enquanto o coração de Chico batia no ritmo do giro. Ana Julia segurava o braço dele com força, os olhos brilhando de excitação. A bola diminuiu a velocidade, bateu no 14, pulou para o 32 e, finalmente, com um clique seco, parou.
— *Vingt-trois, noir* — anunciou o crupiê em francês.
O grupo explodiu.
— PUTA QUE PARIU! ELE GANHOU, CARALHO! — Alvinho berrou, pulando em cima de Chico, quase derrubando o boné dele.
— CARALHO, CHICO! TU É UM DEUS, PORRA! — Maciel gritava, socando o ar.
Até as pessoas das mesas vizinhas olharam, assustadas com a gritaria dos brasileiros. O crupiê empurrou uma montanha de fichas na direção de Chico, totalizando trinta e cinco vezes o valor que ele havia apostado.
Chico, no entanto, mal olhou para as fichas. Ele se virou para Ana Julia, que estava com as mãos na boca, chocada e rindo. Ele a puxou pela nuca e a beijou com toda a vontade do mundo, uma mão descendo direto para a bunda dela, apertando-a no meio do cassino mais chique da Europa.
— Eu disse que você era a minha sorte, vida — ele sussurrou contra os lábios dela, enquanto os amigos ainda faziam o maior escarcéu em volta.
— Caralho, amor... Você foi foda — ela disse, os olhos castanhos fixos nos dele, cheios de desejo. — Acho que a gente já jogou o suficiente por hoje, não acha?
Chico olhou para as fichas, depois para os amigos que já tentavam pegar algumas para continuar jogando.
— Ô seus arrombados! — Chico gritou para o bonde. — Podem pegar essa porra aí e dividir. Gastem tudo em bebida. Eu e a Ana Julia tamo indo pro hotel.
— Ih, caralho, o campeão já vai abandonar o barco? — Beltrão reclamou, mas já pegando um punhado de fichas. — Vai lá, vai lá. A gente sabe que a tua noite vai ser mais produtiva.
— Juízo, vocês dois! Não quebrem a cama do hotel que a fiança aqui é cara! — Pig zoou, acenando com o copo.
— Vão se foder, todos vocês! — Chico gritou de volta, rindo, enquanto passava o braço pelos ombros de Ana Julia e a conduzia rapidamente em direção à saída do cassino.
Assim que cruzaram as portas de vidro e saíram para a noite quente de Mônaco, Ana Julia parou Chico no meio da calçada iluminada. Ela segurou as lapelas do paletó dele, puxando-o para baixo.
— Me dá mais um cigarro, amor? E depois me leva para aquele quarto, porque eu vou cumprir a minha promessa — ela disse, a voz carregada de segundas intenções.
Chico passou a mão no rosto, rindo de nervoso, as pernas quase bambas com a audácia da namorada. Ele lambeu o lábio inferior, tirou o maço do bolso e acendeu o cigarro para os dois compartilharem sob o céu estrelado da Riviera Francesa.
— Você me deixa maluco, Ana Julia. Puta que pariu, como eu te amo, vida.
— Eu também te amo, meu platinado de boné. Agora anda, vamos logo.
Eles caminharam de volta para o hotel, trocando beijos apressados e flertes sujos a cada esquina, deixando o caos dos amigos para trás, focados apenas no universo particular que existia entre os dois.
Ana Julia estava de pé em frente ao espelho de corpo inteiro, ajeitando o vestido justo que moldava perfeitamente suas curvas fartas. O cabelo longo, num tom de moreno iluminado que parecia reluzir com fios de ouro legítimo sob a luz do quarto, caía em ondas perfeitas pelas costas dela.
Chico sentiu a garganta secar. O tique nervoso atacou na hora: ele passou a ponta da língua pelo lábio inferior, devagar, um hábito inconsciente que ele sabia que desestruturava a namorada.
Ana Julia pegou o reflexo dele pelo espelho e arrepiou-se inteira. Ela se virou, com um sorriso sacana nos lábios perfeitamente pintados de vermelho.
— Caralho, amor, se você continuar me olhando assim com essa boca, a gente não vai descer para o cassino porra nenhuma — disse ela, a voz grave e provocante.
Chico deu um sorriso de canto, jogou a bituca do cigarro no cinzeiro da varanda e caminhou até ela com passos lentos. Ele não resistia. Nunca resistia. Em dois segundos, suas mãos grandes e firmes já estavam espalmadas na bunda farta de Ana Julia, puxando-a para perto sem a menor cerimônia.
— Puta que pariu, vida... Você tá gostosa demais com esse vestido — sussurrou Chico, afundando o rosto no pescoço dela. Ele inalou o perfume doce antes de distribuir uma sequência de beijos molhados e estalados na pele macia de seu pescoço, fazendo-a gemer baixinho. — Tá querendo me enlouquecer antes da hora?
— Talvez — ela riu, jogando a cabeça para trás para dar mais espaço aos lábios dele. — Mas guarda essa energia, porque os meninos já estão enchendo o saco no grupo. Me dá um beijo de verdade e vamos.
Chico a puxou pela cintura, colando seus corpos, e a beijou com a intensidade de sempre. Uma mão apertava a bunda dela com força, arrancando um suspiro audível da morena. Quando se separaram, ambos estavam arfando.
— Você é um perigo, Ana Julia — Chico murmurou, passando a mão no rosto, o tique da língua voltando com força.
— Sou o seu perigo, amor. Agora vamos, antes que o Beltrão venha esmurrar a nossa porta.
No saguão do hotel, o resto do bonde já exalava o puro suco do caos brasileiro em solo monegasco. Beltrão, Alvinho, Maciel, Pig e Ramon estavam todos vestidos com trajes esporte fino, mas a postura era de quem estava prestes a entrar num boteco no Rio de Janeiro. Cada um acompanhado de suas respectivas namoradas, eles já seguravam taças de champanhe que o hotel oferecia como cortesia.
— Caralho, finalmente os reis da foda resolveram descer! — gritou Alvinho assim que viu Chico e Ana Julia saindo do elevador. — Puta que pariu, Chico, a gente tá há meia hora esperando vocês dois pararem de se comer.
— Vai tomar no teu cu, Alvinho — Chico rebateu na hora, mas com um sorriso no rosto, passando a mão no rosto de leve. — Calma aí, cara. A gente tava se arrumando, porra. Olha a patroa, tá linda ou não tá?
— A Ana Julia tá um espetáculo, irmão. Agora você... Parece um bicheiro de boné em Mônaco — zoou Maciel, arrancando gargalhadas do grupo.
— Ah, vai se foder, Maciel! O boné é relíquia, respeita a estética do pai — Chico respondeu, enquanto abraçava Ana Julia por trás, com as mãos possessivas novamente em seus quadris.
— Deixa meu homem, seus caralhos — defendeu Ana Julia, rindo e olhando para trás para dar um selinho em Chico. — Ele tá lindo do jeito dele. E vocês só tão com inveja porque ele tem essa gostosa aqui do lado.
— Ih, caralho, a Ana Julia já chega jantando os caras — Pig gritou, levantando a taça. — Bora beber, porra! Que hoje a gente vai falir esse cassino ou sair daqui algemado pela polícia de Mônaco.
— Se o Ramon for jogar, a gente vai sair é devendo até as calças — Beltrão comentou, dando um tapa na nuca de Ramon.
— Teu cu, Beltrão! Hoje eu tô com o pressentimento de que a roleta vai ser minha puta — Ramon rebateu, rindo alto.
O grupo seguiu a pé pelas ruas iluminadas de Mônaco em direção ao famoso Cassino de Monte Carlo. O contraste era bizarro: carros de milhões de euros passando, joias brilhando nas vitrines, e os rapazes rindo alto, falando palavrão a cada duas frases e gesticulando como se estivessem na Lapa. As namoradas iam na frente, conversando e rindo da infantilidade dos parceiros, mas Ana Julia fazia questão de manter uma das mãos colada na de Chico, ou com o braço entrelaçado no dele.
— Amor, me dá um cigarro? — Ana Julia pediu baixinho, enquanto caminhavam um pouco mais atrás do grupo.
Chico nem pensou duas vezes. Tirou o maço do bolso interno do paletó, acendeu um para ele e o outro passou diretamente para os lábios dela, após dar uma tragada. O gesto era íntimo, natural deles. Ana Julia tragou profundamente, soltando a fumaça enquanto olhava para Chico de cima a baixo.
— Você fica muito safado de terno e boné, sabia? — ela flertou, a voz mansa, os olhos brilhando com os fios de ouro do cabelo emoldurando seu rosto. — Me dá uma vontade de... Enfim.
Chico parou de andar por um segundo, fazendo o tique de lamber o lábio inferior. Aquilo era golpe baixo.
— Vida, não fode a minha mente no meio da rua, por favor — ele pediu, a voz mais rouca que o normal. — Se você continuar com esse papo, eu juro que te puxo para aquele beco ali e a gente perde a noite de jogos.
— Duvido — ela desafiou, piscando o olho e acelerando o passo para alcançar as outras meninas, deixando Chico rindo sozinho, tenso e completamente rendido.
— Calma aí, cara... Essa mulher ainda me mata — Chico resmungou para si mesmo, passando a mão no rosto antes de correr para alcançá-la.
Ao entrarem no cassino, o luxo do lugar impressionou até os mais cínicos do grupo. Tetos pintados à mão, lustres de cristal gigantescos e o som tilintante de fichas e roletas girando preenchiam o ar.
— Caralho, menor, aqui o chão brilha mais que o meu futuro — comentou Beltrão, olhando em volta. — Se eu quebrar um copo aqui, tenho que vender meu rim.
— Relaxa, Beltrão, qualquer coisa a gente bota a culpa no Alvinho — Maciel brincou, já puxando o grupo em direção ao bar. — Primeiro, o álcool. Depois, a falência.
Eles pediram rodadas de uísque e drinques sofisticados para as mulheres. Aos poucos, a timidez do ambiente foi quebrada pela energia caótica do grupo. Alvinho e Pig foram para a mesa de Blackjack, gritando a cada carta que o crupiê virava, atraindo olhares tortos dos ricaços europeus de terno de veludo.
Chico e Ana Julia ficaram perto da mesa de roleta, bebendo e se curtindo. Ele não conseguia tirar as mãos dela. O braço de Chico estava firmemente entrelaçado na cintura de Ana Julia, e seus dedos traçavam caminhos invisíveis na pele exposta das costas dela pelo decote do vestido.
— Vai apostar em qual número, amor? — ela perguntou, virando o rosto para ele, os lábios a centímetros dos dele.
— No 23, que é o dia que eu te conheci, vida — Chico respondeu sem hesitar, os olhos fixos nos dela. — Mas a minha maior sorte eu já ganhei faz tempo.
— Puta que pariu, Chico, até no cassino você é brega? — Beltrão, que passava por perto com um copo de uísque na mão, interrompeu, rindo. — Deixa de ser gado um minuto, caralho! Vem ver o Alvinho perder quinhentos euros aqui.
— Vai tomar no teu cu, Beltrão! Deixa eu falar bonito com a minha mulher — Chico rebateu, passando a mão no rosto e rindo. — Calma aí, cara. Vocês não sabem o que é amar de verdade, bando de vagabundo.
— Amar o caralho, tu tá é querendo garantir o bônus da madrugada, que eu te conheço, safado! — Beltrão piscou o olho e voltou para a mesa de cartas.
Ana Julia caiu na gargalhada, encostando a cabeça no peito de Chico.
— Ele não tá errado, tá, amor? — ela sussurrou, a mão subindo pelo peito dele, sentindo o coração do namorado acelerado. — Mas a aposta no 23 foi fofa. Vai lá, joga. Se ganhar, eu te dou um prêmio especial no hotel.
Chico lambeu o lábio inferior instantaneamente. O tique era o sinal claro de que ele estava no limite da sanidade.
— É sério isso, Ana Julia? — ele perguntou, a voz baixa, quase um rosnado.
— Seríssimo, vida.
Chico pegou uma ficha de cem euros, caminhou até a mesa de roleta com uma confiança que nem ele sabia de onde vinha, e colocou a ficha exatamente em cima do número 23 preto. O crupiê girou a roleta e lançou a pequena bola branca.
O grupo de amigos, percebendo o movimento de Chico, se aproximou da mesa, todos já meio altos da bebida.
— Caralho, o Chico apostou cem euros num número só? Tu tá maluco, porra? — gritou Ramon.
— Cala a boca, Ramon! Deixa o homem trabalhar! — Pig gritou de volta.
A bola correu pelas canaletas, quicando de número em número enquanto o coração de Chico batia no ritmo do giro. Ana Julia segurava o braço dele com força, os olhos brilhando de excitação. A bola diminuiu a velocidade, bateu no 14, pulou para o 32 e, finalmente, com um clique seco, parou.
— *Vingt-trois, noir* — anunciou o crupiê em francês.
O grupo explodiu.
— PUTA QUE PARIU! ELE GANHOU, CARALHO! — Alvinho berrou, pulando em cima de Chico, quase derrubando o boné dele.
— CARALHO, CHICO! TU É UM DEUS, PORRA! — Maciel gritava, socando o ar.
Até as pessoas das mesas vizinhas olharam, assustadas com a gritaria dos brasileiros. O crupiê empurrou uma montanha de fichas na direção de Chico, totalizando trinta e cinco vezes o valor que ele havia apostado.
Chico, no entanto, mal olhou para as fichas. Ele se virou para Ana Julia, que estava com as mãos na boca, chocada e rindo. Ele a puxou pela nuca e a beijou com toda a vontade do mundo, uma mão descendo direto para a bunda dela, apertando-a no meio do cassino mais chique da Europa.
— Eu disse que você era a minha sorte, vida — ele sussurrou contra os lábios dela, enquanto os amigos ainda faziam o maior escarcéu em volta.
— Caralho, amor... Você foi foda — ela disse, os olhos castanhos fixos nos dele, cheios de desejo. — Acho que a gente já jogou o suficiente por hoje, não acha?
Chico olhou para as fichas, depois para os amigos que já tentavam pegar algumas para continuar jogando.
— Ô seus arrombados! — Chico gritou para o bonde. — Podem pegar essa porra aí e dividir. Gastem tudo em bebida. Eu e a Ana Julia tamo indo pro hotel.
— Ih, caralho, o campeão já vai abandonar o barco? — Beltrão reclamou, mas já pegando um punhado de fichas. — Vai lá, vai lá. A gente sabe que a tua noite vai ser mais produtiva.
— Juízo, vocês dois! Não quebrem a cama do hotel que a fiança aqui é cara! — Pig zoou, acenando com o copo.
— Vão se foder, todos vocês! — Chico gritou de volta, rindo, enquanto passava o braço pelos ombros de Ana Julia e a conduzia rapidamente em direção à saída do cassino.
Assim que cruzaram as portas de vidro e saíram para a noite quente de Mônaco, Ana Julia parou Chico no meio da calçada iluminada. Ela segurou as lapelas do paletó dele, puxando-o para baixo.
— Me dá mais um cigarro, amor? E depois me leva para aquele quarto, porque eu vou cumprir a minha promessa — ela disse, a voz carregada de segundas intenções.
Chico passou a mão no rosto, rindo de nervoso, as pernas quase bambas com a audácia da namorada. Ele lambeu o lábio inferior, tirou o maço do bolso e acendeu o cigarro para os dois compartilharem sob o céu estrelado da Riviera Francesa.
— Você me deixa maluco, Ana Julia. Puta que pariu, como eu te amo, vida.
— Eu também te amo, meu platinado de boné. Agora anda, vamos logo.
Eles caminharam de volta para o hotel, trocando beijos apressados e flertes sujos a cada esquina, deixando o caos dos amigos para trás, focados apenas no universo particular que existia entre os dois.
