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Indesejada e amada

Fandom: Tensei shitara slime datta Ken

Criado: 25/06/2026

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RomanceUA (Universo Alternativo)Fatias de VidaFofuraHumorFantasiaHistória DomésticaCiúmesMpregDramaAngústiaDor/ConfortoGravidez Não Planejada/IndesejadaEstudo de PersonagemHorror CorporalSombrioTragédiaCenário Canônico
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Sangue, Sacrifício e o Peso de uma Nova Vida

O palácio de gelo de Guy Crimson raramente conhecia o som do silêncio absoluto, mas naquele dia, a atmosfera durante a reunião do Octagrama era tão densa que poderia ser cortada com uma lâmina. Guy, sentado em seu trono com a elegância predatória de sempre, observava seus colegas com um tédio mal disfarçado. Seus olhos vermelho-sangue, no entanto, buscavam constantemente o lugar vazio à sua direita. Rimuru não tinha vindo.

— Milim — chamou Guy, sua voz profunda e aveludada carregando um tom perigosamente calmo. — Você está quieta demais. Onde está o Rimuru? Ele prometeu que viria hoje.

A lorde demônio dracônica, geralmente a personificação da energia e do caos, nem sequer levantou a cabeça. Seus ombros tremeram. Uma gota solitária caiu sobre a mesa de mármore.

— Milim? — Guy se inclinou para frente, a possessividade e a preocupação começando a borbulhar sob sua pele.

— Ele... ele está morrendo, Guy! — Milim explodiu em um choro convulsivo, escondendo o rosto nas mãos. — Ele não quer me deixar ver, mas eu senti! A energia dele está desaparecendo! É aquele bebê... aquela coisa está comendo ele por dentro!

O rosto de Guy Crimson perdeu toda a cor instantaneamente. O demônio primordial, um ser que não temia deuses ou dragões, sentiu o mundo girar. Sem dizer uma única palavra aos outros Lordes Demônios, ele se dissolveu em uma névoa carmesim, cruzando as dimensões em um piscar de olhos em direção a Tempest.

Ele materializou-se diretamente no quarto principal do palácio de Rimuru. O cheiro de ervas medicinais e o aroma doce, porém enfraquecido, de Rimuru o atingiram como um soco. Na cama, cercado por travesseiros, estava o amor de sua vida. Rimuru estava em sua forma feminina, os cabelos azul-prateados espalhados como seda, mas sua pele estava pálida demais, quase translúcida.

— Rimuru... — sussurrou Guy, aproximando-se com passos trêmulos.

O Slime abriu os olhos, tentando sorrir, mas o esforço parecia hercúleo.

— Guy? O que faz aqui... a reunião acabou cedo?

Guy ignorou a pergunta. Ele caiu de joelhos ao lado da cama, pegando a mão pequena e fria de Rimuru entre as suas.

— Por que você não me contou? Shuna me explicou tudo lá fora... em termos rápidos. Rimuru, essa gravidez... é de alto risco. Você está se deteriorando.

— Eu estou bem, Guy. É apenas uma fase — mentiu Rimuru, desviando o olhar.

— Não minta para mim! — A voz de Guy trovejou, misturando desespero e autoridade. — Shuna disse que você precisa interromper isso. Se esse filho continuar crescendo, ele vai drenar toda a sua força vital até não sobrar nada. Eu não vou permitir isso. Nós vamos acabar com essa gravidez agora.

O silêncio que se seguiu foi gélido. Rimuru retirou sua mão do aperto de Guy com uma força que o demônio não esperava.

— O quê? — Rimuru perguntou, sua voz subindo de tom.

— Rimuru, entenda — Guy tentou suavizar o tom, embora seus olhos estivessem em chamas. — Eu amo você. Eu sou obcecado por você. Eu não dou a mínima para um herdeiro se isso significar perder você. Esse feto é um parasita agora. Vamos retirá-lo e...

— Um parasita? — Rimuru gritou, sentando-se abruptamente, apesar da tontura que o atingiu. — Você está chamando o nosso filho de parasita?

— Se ele está matando você, sim! — Guy exclamou, levantando-se. — Eu sou um demônio, Rimuru! Eu não tenho instintos paternais que superem o meu desejo de manter você vivo e ao meu lado para sempre!

— Pois eu tenho! — Rimuru disparou, e antes que Guy pudesse reagir, o Slime desferiu um tapa no rosto do demônio. Não foi um golpe físico forte para os padrões de Guy, mas o peso emocional foi devastador. — Como você ousa? Eu sinto a alma dele, Guy! Ele é metade você! Como você pode ser tão egoísta?

— Eu sou egoísta porque quero você vivo? — Guy rosnou, a proteção possessiva cegando seu julgamento. — Eu vou chamar a Shuna. Nós vamos fazer o procedimento.

— Saia daqui! — Rimuru começou a soluçar, socando o peito de Guy com as mãos trêmulas. — Saia agora! Eu te odeio! Se você tocar nesse bebê, eu nunca vou te perdoar! Saia!

Guy recuou, chocado com a fúria e a dor nos olhos de Rimuru. Ele nunca tinha visto o amado tão fora de si.

— Rimuru, por favor, me escute...

— FORA! — Rimuru gritou, e uma onda de aura mágica descontrolada explodiu dele, empurrando Guy em direção à porta.

Guy parou no corredor, o coração acelerado. Ele ia forçar a entrada novamente, ia pedir desculpas, ia implorar... mas então ele ouviu um baque surdo vindo de dentro do quarto.

— Rimuru? — Ele arrombou a porta.

Rimuru estava caído de lado na cama, inconsciente. Um fio de sangue vermelho vivo escorria de seu nariz, manchando os lençóis brancos.

— SHUNA! — O grito de Guy ecoou por toda a capital de Tempest.

Minutos depois, o quarto estava cheio. Shuna, com uma expressão severa que faria até um Dragão Verdadeiro hesitar, trabalhava freneticamente com magia de cura para estabilizar Rimuru. Shion estava parada a um canto, chorando silenciosamente, enquanto Benimaru e os outros guardavam a porta.

Guy tentou se aproximar da cama, mas Shuna se colocou entre ele e Rimuru.

— Lorde Guy — disse ela, sua voz como gelo. — Afaste-se.

— Ele é meu namorado! Aquele é o meu filho! — Guy rugiu, as unhas cravando-se nas palmas das mãos.

— E foi o senhor quem causou esse colapso — rebateu Shuna, sem desviar o olhar. — O estado de Lorde Rimuru é extremamente delicado. A magia dele está sendo consumida para formar o núcleo do bebê, que possui uma densidade de energia demoníaca e espiritual sem precedentes. Qualquer estresse emocional causa uma ruptura nos canais de mana dele. O senhor quase o matou de choque.

Guy recuou, sentindo-se pequeno pela primeira vez em milênios. Ele olhou para Rimuru, que agora respirava com a ajuda de aparelhos mágicos, o rosto pálido e sereno na inconsciência.

— Quais são as restrições? — perguntou Guy, sua voz agora um sussurro quebrado.

Shuna pegou um pergaminho, mas falou de memória, olhando para todos os presentes.

— Primeiro: Repouso absoluto. Lorde Rimuru não deve sair desta cama a menos que seja estritamente necessário. Segundo: Nada de discussões ou assuntos de estado. O ambiente deve ser de paz total. Terceiro: A dieta dele será composta exclusivamente de elixires de alta densidade e mana pura, pois ele não consegue mais processar comida normal sem passar mal.

Ela fez uma pausa, olhando diretamente para Guy.

— E quarto: Se o senhor quiser permanecer neste quarto, Lorde Guy, terá que suprimir sua aura completamente. O bebê reage à sua presença. Como o senhor é o pai e um Primordial, sua energia atrai a criança, fazendo com que ela tente "alcançar" o pai, o que drena Rimuru ainda mais rápido. O senhor deve ser uma presença calmante, não um provocador.

Guy assentiu freneticamente, sentando-se em uma cadeira comum no canto do quarto. Ele, o soberano do Reino de Gelo, o Demônio Vermelho, encolheu sua aura até se tornar quase imperceptível.

— Eu farei qualquer coisa — murmurou Guy, observando Shuna limpar o sangue do nariz de Rimuru. — Só... não deixe ele morrer.

As horas se passaram em um silêncio angustiante. Guy não tirava os olhos de Rimuru. Ele se sentia um monstro. Sua obsessão por Rimuru sempre foi sua característica mais marcante, mas perceber que sua proteção quase resultou na perda do que Rimuru mais valorizava agora o enchia de uma culpa corrosiva.

No meio da noite, Rimuru gemeu baixinho. Guy estava ao seu lado num instante, mas parou a alguns centímetros, lembrando-se do aviso de Shuna.

— Rimuru? — chamou ele, suavemente.

Os olhos dourados de Rimuru se abriram devagar. Eles ainda estavam nublados de dor e cansaço. Ao ver Guy, ele tentou se virar para o outro lado, mas soltou um gemido de dor.

— Não se mexa, meu amor — disse Guy, as lágrimas finalmente vencendo sua resistência e escorrendo por seu rosto. — Por favor, não se mexa. Eu sinto muito. Eu fui um idiota. Um demônio arrogante e estúpido.

Rimuru olhou para ele, vendo as lágrimas de Guy. Era raro ver o Primordial demonstrar tamanha vulnerabilidade.

— Você... você ainda quer tirar ele de mim? — Rimuru perguntou, a voz fraca.

— Não — Guy respondeu, pegando a mão de Rimuru com uma delicadeza extrema, como se ele fosse feito de vidro soprado. — Eu não vou tocar nele. Eu vou proteger vocês dois. Se você decidiu que esse bebê vai nascer, então eu vou mover o céu e o inferno para garantir que você sobreviva ao processo. Eu vou te dar minha própria essência se for preciso. Só... por favor, me perdoe por ser tão insensível.

Rimuru suspirou, fechando os olhos por um momento.

— Ele é forte, Guy. Ele tem o seu gênio. Ele não quer me matar... ele só é grande demais para o meu corpo atual.

— Então nós vamos torná-lo mais forte — Guy prometeu, beijando os nós dos dedos de Rimuru. — Eu vou ficar aqui. Não vou flertar, não vou provocar, não vou exigir nada. Vou apenas ser o seu suporte.

Rimuru apertou levemente a mão de Guy.

— Você é um péssimo enfermeiro, Guy. Você é possessivo demais.

— Eu sei — Guy sorriu tristemente, encostando a testa na beirada da cama. — Mas eu sou o seu possessivo. E eu não vou a lugar nenhum.

Shuna, observando da porta, permitiu-se um pequeno sorriso antes de sair para preparar o próximo elixir. Ela sabia que a estrada à frente seria perigosa e que a vida de Rimuru ainda estava por um fio, mas com o apoio de Guy — e a teimosia inabalável do Slime — eles tinham uma chance.

Guy permaneceu ali, na penumbra do quarto, vigiando cada respiração de Rimuru. Ele observou a pequena saliência no ventre de Rimuru, onde uma vida poderosa e perigosa crescia. Pela primeira vez, ele não viu um rival pela atenção de Rimuru, mas um pedaço de ambos.

— Você vai ser a ruína do meu juízo, pequeno — sussurrou Guy para o ventre de Rimuru. — Mas se você fizer sua mãe sorrir assim de novo, eu acho que posso aprender a gostar de você.

Rimuru adormeceu novamente, desta vez com um semblante mais tranquilo. O sangramento havia parado, e embora a batalha pela vida estivesse longe de terminar, o quarto não estava mais cheio de fúria, mas sim de uma promessa silenciosa de redenção e um amor que desafiava a própria natureza dos demônios.
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