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Sempre te amarei
Fandom: Airbag
Criado: 26/06/2026
Tags
RomanceFatias de VidaFofuraHistória DomésticaCenário CanônicoEstudo de Personagem
Pulsações de um Coração Gigante
O som abafado da bateria de Guido reverberava pelas paredes de concreto do camarim, um lembrete constante de que, do outro lado daquela porta pesada, milhares de pessoas gritavam nomes que, para Karen, eram apenas os nomes de sua família. Ela se acomodou no sofá de couro um tanto gasto, ajeitando a almofada atrás das costas enquanto sentia um chute leve, mas firme, sob as costelas.
— Calma, pequeno. Seu pai já vai vir te dar um oi — sussurrou ela em português, deslizando a mão sobre a saliência da barriga de sete meses.
Karen, uma modelo brasileira que trocara as passarelas internacionais pela rotina caótica e apaixonante de Buenos Aires, ainda sentia um choque cultural toda vez que cruzava a fronteira da Argentina com a banda Airbag. No Brasil, eles podiam caminhar pela Avenida Paulista sem serem incomodados, mas ali, no restante da América Latina, a história era outra. Eles eram gigantes. Eram ídolos. Eram a trilha sonora da vida de uma geração.
A porta do camarim se abriu com um estrondo suave, e Patricio entrou, o rosto levemente suado e a adrenalina ainda brilhando nos olhos. Ele carregava sua guitarra como se fosse uma extensão de seu próprio corpo, mas, ao ver Karen, sua expressão mudou instantaneamente de "rockstar" para "marido apaixonado".
— Estão te chutando muito hoje? — perguntou Pato, deixando o instrumento de lado e caminhando até ela.
— Ele ouviu o solo de "Cae el Sol" e decidiu que queria participar da banda — brincou Karen, sorrindo quando Patricio se ajoelhou à sua frente.
— Ele tem bom gosto, então — Pato encostou a orelha na barriga dela, fechando os olhos por um momento. — Ei, campeão. Aqui é o papai. Não cansa muito a mamãe, ok? Temos um show inteiro pela frente.
— Você não se cansa nunca, Patricio? — Karen perguntou, passando os dedos pelos cabelos escuros dele. — Essa turnê está sendo intensa. Eu fico olhando da lateral do palco e às vezes perco o fôlego só de ver a energia de vocês.
— É o que nos mantém vivos, Ka — ele respondeu, levantando o olhar para encontrá-lo com o dela. — Mas ter você aqui... isso é o que me mantém no chão. Eu não queria que você ficasse em casa sozinha, não agora.
— Eu sei. E eu não conseguiria ficar — ela confessou. — Mas ainda me assusta. A dimensão disso tudo. No Brasil, somos só nós dois indo ao mercado. Aqui, parece que você pertence ao mundo.
Patricio riu baixo, beijando a mão dela.
— Eu pertenço a você. O resto é apenas barulho e música.
A porta se abriu novamente e Gaston entrou, bebendo uma garrafa de água, seguido por Guido, que ainda girava uma baqueta entre os dedos. Os cunhados de Karen eram como irmãos que a vida lhe dera de presente, e a cumplicidade entre os três Sardelli era algo que ela admirava profundamente.
— Karen, como está o nosso sobrinho preferido? — Gaston perguntou, sentando-se no braço do sofá.
— Ele está ótimo, Gaston. Só um pouco inquieto com o volume do baixo hoje — respondeu ela, rindo.
— É o efeito Sardelli — Guido interveio, sentando-se no chão. — Ele já está sentindo as vibrações. Vai nascer sabendo tocar bateria, você vai ver.
— Nem pensar! — Pato exclamou, fingindo indignação. — Ele vai ser guitarrista. Já combinei com ele.
— Deixem o menino escolher — Karen interrompeu, divertida. — Quem sabe ele não decide ser modelo como a mãe e ter uma vida bem mais silenciosa?
— Duvido muito — Gaston comentou, olhando para o irmão. — Com o sangue do Pato? Esse garoto vai ser um vulcão.
O clima de descontração foi interrompido por um assistente de palco que bateu à porta, avisando que faltavam dez minutos para o início do show principal. O rugido da multidão do lado de fora parecia ter aumentado de volume, um som oceânico que fazia o chão vibrar.
Karen sentiu aquele frio familiar na barriga. Por mais que acompanhasse a banda há anos, o orgulho que sentia de Patricio nunca diminuía. Ela via o esforço, as noites sem dormir compondo, a dedicação técnica e, acima de tudo, o amor que ele tinha pela música.
— Vai lá — disse ela, dando um selinho rápido em Patricio. — Quebra tudo.
— Fica na lateral? — ele perguntou, já pegando a guitarra novamente.
— Sempre — ela prometeu.
Karen se levantou devagar, sendo ajudada por Gaston. Ela se posicionou no canto do palco, protegida por uma barreira de segurança, onde tinha uma visão privilegiada tanto da banda quanto do mar de gente que lotava o estádio. Quando as luzes se apagaram e os primeiros acordes de "Jinetes Cromados" ecoaram, o grito do público foi ensurdecedor.
Ela observou Patricio assumir o centro do palco. Sob os refletores, ele se transformava. Havia uma autoridade natural na forma como ele dominava o palco, uma mistura de técnica impecável e emoção bruta. Karen olhou para os lados e viu milhares de luzes de celulares, cartazes declarando amor e pessoas chorando de emoção. Era difícil conciliar aquela imagem com o homem que, dez minutos antes, estava conversando com sua barriga em uma voz suave.
No meio do show, Patricio caminhou até a beirada do palco, perto de onde Karen estava. Ele não disse nada ao microfone, mas olhou diretamente para ela e piscou, um segredo compartilhado diante de trinta mil pessoas. Naquele momento, Karen sentiu uma onda de gratidão.
— Ele vai ser o melhor pai do mundo — sussurrou para si mesma, sentindo o bebê se mexer novamente.
Ela sabia que a vida deles não seria convencional. Haveria mais turnês, aeroportos, hotéis e a constante dualidade entre a fama astronômica e a simplicidade do lar. Mas, vendo a paixão com que Patricio vivia cada nota, ela não tinha dúvidas de que o filho deles cresceria cercado por um amor tão vasto quanto aquele estádio lotado.
Quando o show terminou e os três irmãos agradeceram ao público abraçados, Karen já os esperava no backstage com toalhas e água. Patricio foi o primeiro a chegar até ela, ofegante e radiante.
— Como fomos? — ele perguntou, embora soubesse a resposta.
— Vocês foram gigantes, como sempre — Karen respondeu, limpando o suor da testa dele. — Mas agora, o gigante aqui dentro decidiu que quer dormir. E o pai dele também precisa descansar.
Patricio a abraçou com cuidado, escondendo o rosto no pescoço dela.
— Obrigado por estar aqui, Ka. Eu não seria metade do que sou sem você e sem ele.
— Somos um time, Pato — ela disse, em espanhol agora, para que ele sentisse toda a firmeza de suas palavras. — Sempre fomos e sempre seremos.
Enquanto caminhavam em direção à van que os levaria de volta ao hotel, cercados por seguranças e pelos gritos distantes dos fãs que ainda cercavam o estádio, Karen olhou para o céu estrelado de Santiago. Ela podia não se acostumar nunca com a dimensão da fama do marido, mas estava perfeitamente confortável com a dimensão do amor que os unia. A turnê continuaria, a música não pararia, e a família Sardelli estava prestes a ganhar seu membro mais importante. E Karen, com seu orgulho silencioso e seu sorriso de modelo, sabia que estava exatamente onde deveria estar.
— Calma, pequeno. Seu pai já vai vir te dar um oi — sussurrou ela em português, deslizando a mão sobre a saliência da barriga de sete meses.
Karen, uma modelo brasileira que trocara as passarelas internacionais pela rotina caótica e apaixonante de Buenos Aires, ainda sentia um choque cultural toda vez que cruzava a fronteira da Argentina com a banda Airbag. No Brasil, eles podiam caminhar pela Avenida Paulista sem serem incomodados, mas ali, no restante da América Latina, a história era outra. Eles eram gigantes. Eram ídolos. Eram a trilha sonora da vida de uma geração.
A porta do camarim se abriu com um estrondo suave, e Patricio entrou, o rosto levemente suado e a adrenalina ainda brilhando nos olhos. Ele carregava sua guitarra como se fosse uma extensão de seu próprio corpo, mas, ao ver Karen, sua expressão mudou instantaneamente de "rockstar" para "marido apaixonado".
— Estão te chutando muito hoje? — perguntou Pato, deixando o instrumento de lado e caminhando até ela.
— Ele ouviu o solo de "Cae el Sol" e decidiu que queria participar da banda — brincou Karen, sorrindo quando Patricio se ajoelhou à sua frente.
— Ele tem bom gosto, então — Pato encostou a orelha na barriga dela, fechando os olhos por um momento. — Ei, campeão. Aqui é o papai. Não cansa muito a mamãe, ok? Temos um show inteiro pela frente.
— Você não se cansa nunca, Patricio? — Karen perguntou, passando os dedos pelos cabelos escuros dele. — Essa turnê está sendo intensa. Eu fico olhando da lateral do palco e às vezes perco o fôlego só de ver a energia de vocês.
— É o que nos mantém vivos, Ka — ele respondeu, levantando o olhar para encontrá-lo com o dela. — Mas ter você aqui... isso é o que me mantém no chão. Eu não queria que você ficasse em casa sozinha, não agora.
— Eu sei. E eu não conseguiria ficar — ela confessou. — Mas ainda me assusta. A dimensão disso tudo. No Brasil, somos só nós dois indo ao mercado. Aqui, parece que você pertence ao mundo.
Patricio riu baixo, beijando a mão dela.
— Eu pertenço a você. O resto é apenas barulho e música.
A porta se abriu novamente e Gaston entrou, bebendo uma garrafa de água, seguido por Guido, que ainda girava uma baqueta entre os dedos. Os cunhados de Karen eram como irmãos que a vida lhe dera de presente, e a cumplicidade entre os três Sardelli era algo que ela admirava profundamente.
— Karen, como está o nosso sobrinho preferido? — Gaston perguntou, sentando-se no braço do sofá.
— Ele está ótimo, Gaston. Só um pouco inquieto com o volume do baixo hoje — respondeu ela, rindo.
— É o efeito Sardelli — Guido interveio, sentando-se no chão. — Ele já está sentindo as vibrações. Vai nascer sabendo tocar bateria, você vai ver.
— Nem pensar! — Pato exclamou, fingindo indignação. — Ele vai ser guitarrista. Já combinei com ele.
— Deixem o menino escolher — Karen interrompeu, divertida. — Quem sabe ele não decide ser modelo como a mãe e ter uma vida bem mais silenciosa?
— Duvido muito — Gaston comentou, olhando para o irmão. — Com o sangue do Pato? Esse garoto vai ser um vulcão.
O clima de descontração foi interrompido por um assistente de palco que bateu à porta, avisando que faltavam dez minutos para o início do show principal. O rugido da multidão do lado de fora parecia ter aumentado de volume, um som oceânico que fazia o chão vibrar.
Karen sentiu aquele frio familiar na barriga. Por mais que acompanhasse a banda há anos, o orgulho que sentia de Patricio nunca diminuía. Ela via o esforço, as noites sem dormir compondo, a dedicação técnica e, acima de tudo, o amor que ele tinha pela música.
— Vai lá — disse ela, dando um selinho rápido em Patricio. — Quebra tudo.
— Fica na lateral? — ele perguntou, já pegando a guitarra novamente.
— Sempre — ela prometeu.
Karen se levantou devagar, sendo ajudada por Gaston. Ela se posicionou no canto do palco, protegida por uma barreira de segurança, onde tinha uma visão privilegiada tanto da banda quanto do mar de gente que lotava o estádio. Quando as luzes se apagaram e os primeiros acordes de "Jinetes Cromados" ecoaram, o grito do público foi ensurdecedor.
Ela observou Patricio assumir o centro do palco. Sob os refletores, ele se transformava. Havia uma autoridade natural na forma como ele dominava o palco, uma mistura de técnica impecável e emoção bruta. Karen olhou para os lados e viu milhares de luzes de celulares, cartazes declarando amor e pessoas chorando de emoção. Era difícil conciliar aquela imagem com o homem que, dez minutos antes, estava conversando com sua barriga em uma voz suave.
No meio do show, Patricio caminhou até a beirada do palco, perto de onde Karen estava. Ele não disse nada ao microfone, mas olhou diretamente para ela e piscou, um segredo compartilhado diante de trinta mil pessoas. Naquele momento, Karen sentiu uma onda de gratidão.
— Ele vai ser o melhor pai do mundo — sussurrou para si mesma, sentindo o bebê se mexer novamente.
Ela sabia que a vida deles não seria convencional. Haveria mais turnês, aeroportos, hotéis e a constante dualidade entre a fama astronômica e a simplicidade do lar. Mas, vendo a paixão com que Patricio vivia cada nota, ela não tinha dúvidas de que o filho deles cresceria cercado por um amor tão vasto quanto aquele estádio lotado.
Quando o show terminou e os três irmãos agradeceram ao público abraçados, Karen já os esperava no backstage com toalhas e água. Patricio foi o primeiro a chegar até ela, ofegante e radiante.
— Como fomos? — ele perguntou, embora soubesse a resposta.
— Vocês foram gigantes, como sempre — Karen respondeu, limpando o suor da testa dele. — Mas agora, o gigante aqui dentro decidiu que quer dormir. E o pai dele também precisa descansar.
Patricio a abraçou com cuidado, escondendo o rosto no pescoço dela.
— Obrigado por estar aqui, Ka. Eu não seria metade do que sou sem você e sem ele.
— Somos um time, Pato — ela disse, em espanhol agora, para que ele sentisse toda a firmeza de suas palavras. — Sempre fomos e sempre seremos.
Enquanto caminhavam em direção à van que os levaria de volta ao hotel, cercados por seguranças e pelos gritos distantes dos fãs que ainda cercavam o estádio, Karen olhou para o céu estrelado de Santiago. Ela podia não se acostumar nunca com a dimensão da fama do marido, mas estava perfeitamente confortável com a dimensão do amor que os unia. A turnê continuaria, a música não pararia, e a família Sardelli estava prestes a ganhar seu membro mais importante. E Karen, com seu orgulho silencioso e seu sorriso de modelo, sabia que estava exatamente onde deveria estar.
