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Insegurança
Fandom: Airbag
Criado: 26/06/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaEstudo de PersonagemCiúmesRealismoPsicológicoDor/ConfortoConserto
Ecos de Vidro e Flash
O camarim da Chanel em Paris cheirava a uma mistura inebriante de laquê, perfumes caros e o aroma terroso de café expresso recém-passado. Karen estava sentada diante do espelho iluminado, permitindo que dois maquiadores trabalhassem simultaneamente em seu rosto. Ela era o rosto da temporada, a "it girl" brasileira que havia conquistado as passarelas de Milão a Nova York, mas, naquele momento, seus olhos castanhos não refletiam o brilho das joias que usava. Eles estavam fixos na tela do celular, que repousava sobre a bancada de mármore.
A notificação do Instagram brilhava, revelando mais uma marcação em uma foto antiga. Não era uma foto dela. Era uma montagem de Patrício Sardelli com Melissa Garret, datada de anos atrás, acompanhada por uma legenda nostálgica escrita por um fã-clube fervoroso da banda Airbag. "A verdadeira musa", dizia o texto. "Onde o amor começou."
Karen sentiu aquele nó familiar se apertar em sua garganta. Ela e Pato estavam juntos há tempo suficiente para que o noivado fosse uma certeza sólida, um porto seguro de "vida em vida", como ele costumava dizer. Mas o fantasma de Melissa parecia ter residência fixa nos comentários das redes sociais do músico.
— Karen, querida, você precisa relaxar o maxilar — pediu o maquiador em francês, tocando levemente seu queixo.
— Desculpe, Jean — ela forçou um sorriso, guardando o celular na bolsa da Louis Vuitton. — Só um pouco de cansaço da viagem.
Do outro lado do oceano, em Buenos Aires, Patrício dedilhava sua guitarra no estúdio, mas sua mente estava em Paris. Ele sentia a distância de Karen não apenas pelos quilômetros, mas pelo silêncio nas mensagens dela nas últimas horas. Ele sabia o que estava acontecendo. Ele via os mesmos comentários, a insistência doentia de uma parcela de seus fãs em viver um passado que ele já havia enterrado há muito tempo.
O som da porta do estúdio se abrindo o tirou de seus pensamentos. Era Jaqueline, uma amiga de longa data que, ultimamente, parecia estar em todos os lugares.
— Você parece péssimo, Pato — Jaqueline disse, sentando-se no amplificador com uma familiaridade que às vezes incomodava os outros membros da banda.
— Só estou compondo, Jaque — respondeu ele, sem olhar para cima.
— Ou está pensando na Karen? — Ela soltou um suspiro dramático. — Eu vi o que postaram hoje. Aquela foto com a Melissa... as pessoas são cruéis, não é? Mas você tem que admitir, aquela época era mais simples. Sem passarelas, sem esse mundo de alta costura que a Karen vive.
Patrício parou de tocar e olhou para ela, os olhos semicerrados.
— A Karen é a mulher da minha vida. O que as pessoas postam não muda isso.
— Eu sei, eu sei! — Jaqueline levantou as mãos em sinal de rendição. — Inclusive, eu mandei uma mensagem para ela hoje. Quero que sejamos amigas, Pato. Quero mostrar para ela que o seu mundo em Buenos Aires não é um bicho de sete cabeças.
Patrício franziu a testa. Ele não sabia se aquela "amizade" era exatamente o que Karen precisava agora, mas antes que pudesse protestar, seu celular vibrou. Era uma chamada de vídeo. Karen.
— Vou atender — disse ele, fazendo sinal para que Jaqueline saísse.
A imagem de Karen apareceu na tela. Ela ainda estava com a maquiagem pesada do desfile, mas os olhos pareciam marejados.
— Oi, meu amor — Patrício sorriu, tentando transmitir todo o conforto que podia através de uma tela de cinco polegadas.
— Oi, Pato — a voz dela saiu baixa. — Recebi uma mensagem da Jaqueline agora pouco.
Patrício sentiu um frio na espinha.
— Ah, é? Ela comentou comigo que queria falar com você. Ela só quer ajudar, Karen.
— Ajudar a quê, Pato? — Karen se levantou, caminhando para um canto mais reservado do camarim. — Ajudar a me lembrar que ela conhece você desde que você não era ninguém? Ajudar a pontuar como a Melissa era "perfeita" para a dinâmica da banda? Porque foi exatamente isso que ela fez, de um jeito bem sutil, entre um "vamos tomar um café" e outro.
— Ela não fez por mal, Karen. Você está insegura por causa dos comentários dos fãs e está projetando isso nela.
Houve um silêncio pesado na linha. Karen sentiu como se tivesse levado um tapa.
— Insegura? — Ela riu, uma risada sem humor. — Patrício, eu desfilo para as maiores marcas do mundo. Eu sou o rosto da Valentino e da Chanel. Eu não tenho problemas de autoestima. O meu problema é que o meu noivo parece preferir defender uma "amiga" e ignorar o fato de que os fãs dele me tratam como uma intrusa há anos.
— Não é assim, Karen! Eu te amo. Eu posto fotos nossas, eu falo de você em todas as entrevistas...
— Mas você não corta o mal pela raiz — interrompeu ela, as lágrimas finalmente caindo. — Você deixa a Jaqueline entrar na nossa vida como se ela fosse uma mediadora. Eu não preciso de uma mediadora para o meu relacionamento. Eu preciso de um parceiro.
— Eu sou seu parceiro! — Patrício aumentou o tom de voz, frustrado. — Mas eu não posso controlar o que as pessoas sentem ou o que elas lembram.
— Talvez você não queira controlar — disse Karen, limpando o rosto com as costas da mão, borrando o delineador caro. — Talvez uma parte de você goste desse culto ao passado, porque é mais fácil do que lidar com a vida real, comigo, com a minha carreira que te tira de perto.
— Isso não é verdade e você sabe.
— O que eu sei, Patrício, é que eu estou em Paris, prestes a entrar em uma passarela para milhões de pessoas, e a única coisa que eu sinto é que eu sou um erro na sua biografia.
— Karen, para com isso.
— Eu preciso ir — disse ela, a voz subitamente fria. — O desfile vai começar. E quando eu voltar para o hotel, eu não quero falar sobre Jaqueline, nem sobre Melissa, nem sobre a banda. Na verdade, eu acho que não quero falar nada por uns dias.
— Você está terminando comigo por causa de um comentário de internet? — Patrício perguntou, a voz falhando.
— Não — respondeu ela, antes de desligar. — Estou pedindo espaço para ver se ainda existe um "nós" que não seja assombrado por "elas".
A tela ficou preta. Patrício jogou o celular no sofá do estúdio e enterrou o rosto nas mãos. Segundos depois, a porta se abriu novamente. Jaqueline entrou com dois copos de café.
— E então? — perguntou ela, com um sorriso que não chegava aos olhos. — Ela aceitou o convite para o café quando voltar?
Patrício olhou para ela, e pela primeira vez, a familiaridade de Jaqueline pareceu sufocante.
— Sai daqui, Jaque — disse ele, a voz rouca.
— O quê? Eu só estava...
— Sai daqui. Agora.
Em Paris, Karen caminhava em direção à luz intensa da passarela. O som das batidas eletrônicas preenchia o ambiente, e os flashes começaram a disparar como metralhadoras de luz. Ela ergueu o queixo, a postura impecável de uma modelo internacional, o rosto uma máscara de perfeição e indiferença. Por fora, ela era a mulher que o mundo inteiro desejava ser. Por dentro, ela só queria que a música parasse para que ela pudesse finalmente ouvir o próprio silêncio.
O desfile foi um sucesso absoluto. As manchetes no dia seguinte falariam sobre a "presença magnética de Karen", mas ninguém veria a noiva que, trancada no quarto do hotel Plaza Athénée, olhava para o anel de noivado em seu dedo como se fosse um objeto estranho.
O celular dela vibrou. Não era uma mensagem de Patrício. Era uma notificação de um fórum de fãs. "Viram a foto que a Jaqueline postou com o Pato no estúdio agora há pouco? Finalmente ele está com alguém que entende a essência da Airbag. Karen é linda, mas não pertence ao nosso mundo."
Karen sentiu uma calma estranha tomar conta de si. Não era a calma da paz, mas a calma da decisão. Ela pegou o telefone e discou para seu agente.
— Marcos? — disse ela, a voz firme. — Aceite aquela campanha de seis meses em Tóquio. Sim, aquela que eu estava em dúvida por causa da agenda do Patrício.
— Tem certeza, Karen? — perguntou o agente, surpreso. — Isso significa que você vai ficar fora quase o ano todo.
— Eu tenho certeza — disse ela, olhando para a vista da Torre Eiffel pela janela. — Às vezes, para a gente se encontrar de vida em vida, a gente precisa primeiro se perder de quem nos puxa para trás.
Ela desligou o telefone e, pela primeira vez em semanas, não checou as redes sociais. Ela caminhou até a varanda, respirando o ar frio de Paris. O amor de Patrício era real, ela sabia disso. Mas ele precisava aprender que um noivado não era apenas um anel e uma promessa; era a coragem de proteger o presente das sombras do passado. E se ele não estivesse pronto para ser o escudo dela, ela seria sua própria armadura.
Enquanto isso, em Buenos Aires, Patrício pegou a guitarra e começou a tocar uma melodia triste, uma balada que falava sobre perder o que se tem por não saber o que se quer. Ele sabia que tinha cometido um erro. Ele sabia que o silêncio de Karen era o som mais alto que ele já tinha ouvido.
A questão era: ele teria força para enfrentar seus próprios fantasmas e seus próprios "amigos" para trazê-la de volta, ou deixaria que a distância entre Paris e Buenos Aires se tornasse o abismo final?
A noite caiu sobre as duas cidades, unidas pela mesma dor, mas separadas por um orgulho que brilhava tanto quanto os diamantes da Chanel. O próximo capítulo da história deles não seria escrito em passarelas ou palcos, mas na honestidade brutal de quem decide, finalmente, deixar o passado onde ele pertence: no esquecimento.
A notificação do Instagram brilhava, revelando mais uma marcação em uma foto antiga. Não era uma foto dela. Era uma montagem de Patrício Sardelli com Melissa Garret, datada de anos atrás, acompanhada por uma legenda nostálgica escrita por um fã-clube fervoroso da banda Airbag. "A verdadeira musa", dizia o texto. "Onde o amor começou."
Karen sentiu aquele nó familiar se apertar em sua garganta. Ela e Pato estavam juntos há tempo suficiente para que o noivado fosse uma certeza sólida, um porto seguro de "vida em vida", como ele costumava dizer. Mas o fantasma de Melissa parecia ter residência fixa nos comentários das redes sociais do músico.
— Karen, querida, você precisa relaxar o maxilar — pediu o maquiador em francês, tocando levemente seu queixo.
— Desculpe, Jean — ela forçou um sorriso, guardando o celular na bolsa da Louis Vuitton. — Só um pouco de cansaço da viagem.
Do outro lado do oceano, em Buenos Aires, Patrício dedilhava sua guitarra no estúdio, mas sua mente estava em Paris. Ele sentia a distância de Karen não apenas pelos quilômetros, mas pelo silêncio nas mensagens dela nas últimas horas. Ele sabia o que estava acontecendo. Ele via os mesmos comentários, a insistência doentia de uma parcela de seus fãs em viver um passado que ele já havia enterrado há muito tempo.
O som da porta do estúdio se abrindo o tirou de seus pensamentos. Era Jaqueline, uma amiga de longa data que, ultimamente, parecia estar em todos os lugares.
— Você parece péssimo, Pato — Jaqueline disse, sentando-se no amplificador com uma familiaridade que às vezes incomodava os outros membros da banda.
— Só estou compondo, Jaque — respondeu ele, sem olhar para cima.
— Ou está pensando na Karen? — Ela soltou um suspiro dramático. — Eu vi o que postaram hoje. Aquela foto com a Melissa... as pessoas são cruéis, não é? Mas você tem que admitir, aquela época era mais simples. Sem passarelas, sem esse mundo de alta costura que a Karen vive.
Patrício parou de tocar e olhou para ela, os olhos semicerrados.
— A Karen é a mulher da minha vida. O que as pessoas postam não muda isso.
— Eu sei, eu sei! — Jaqueline levantou as mãos em sinal de rendição. — Inclusive, eu mandei uma mensagem para ela hoje. Quero que sejamos amigas, Pato. Quero mostrar para ela que o seu mundo em Buenos Aires não é um bicho de sete cabeças.
Patrício franziu a testa. Ele não sabia se aquela "amizade" era exatamente o que Karen precisava agora, mas antes que pudesse protestar, seu celular vibrou. Era uma chamada de vídeo. Karen.
— Vou atender — disse ele, fazendo sinal para que Jaqueline saísse.
A imagem de Karen apareceu na tela. Ela ainda estava com a maquiagem pesada do desfile, mas os olhos pareciam marejados.
— Oi, meu amor — Patrício sorriu, tentando transmitir todo o conforto que podia através de uma tela de cinco polegadas.
— Oi, Pato — a voz dela saiu baixa. — Recebi uma mensagem da Jaqueline agora pouco.
Patrício sentiu um frio na espinha.
— Ah, é? Ela comentou comigo que queria falar com você. Ela só quer ajudar, Karen.
— Ajudar a quê, Pato? — Karen se levantou, caminhando para um canto mais reservado do camarim. — Ajudar a me lembrar que ela conhece você desde que você não era ninguém? Ajudar a pontuar como a Melissa era "perfeita" para a dinâmica da banda? Porque foi exatamente isso que ela fez, de um jeito bem sutil, entre um "vamos tomar um café" e outro.
— Ela não fez por mal, Karen. Você está insegura por causa dos comentários dos fãs e está projetando isso nela.
Houve um silêncio pesado na linha. Karen sentiu como se tivesse levado um tapa.
— Insegura? — Ela riu, uma risada sem humor. — Patrício, eu desfilo para as maiores marcas do mundo. Eu sou o rosto da Valentino e da Chanel. Eu não tenho problemas de autoestima. O meu problema é que o meu noivo parece preferir defender uma "amiga" e ignorar o fato de que os fãs dele me tratam como uma intrusa há anos.
— Não é assim, Karen! Eu te amo. Eu posto fotos nossas, eu falo de você em todas as entrevistas...
— Mas você não corta o mal pela raiz — interrompeu ela, as lágrimas finalmente caindo. — Você deixa a Jaqueline entrar na nossa vida como se ela fosse uma mediadora. Eu não preciso de uma mediadora para o meu relacionamento. Eu preciso de um parceiro.
— Eu sou seu parceiro! — Patrício aumentou o tom de voz, frustrado. — Mas eu não posso controlar o que as pessoas sentem ou o que elas lembram.
— Talvez você não queira controlar — disse Karen, limpando o rosto com as costas da mão, borrando o delineador caro. — Talvez uma parte de você goste desse culto ao passado, porque é mais fácil do que lidar com a vida real, comigo, com a minha carreira que te tira de perto.
— Isso não é verdade e você sabe.
— O que eu sei, Patrício, é que eu estou em Paris, prestes a entrar em uma passarela para milhões de pessoas, e a única coisa que eu sinto é que eu sou um erro na sua biografia.
— Karen, para com isso.
— Eu preciso ir — disse ela, a voz subitamente fria. — O desfile vai começar. E quando eu voltar para o hotel, eu não quero falar sobre Jaqueline, nem sobre Melissa, nem sobre a banda. Na verdade, eu acho que não quero falar nada por uns dias.
— Você está terminando comigo por causa de um comentário de internet? — Patrício perguntou, a voz falhando.
— Não — respondeu ela, antes de desligar. — Estou pedindo espaço para ver se ainda existe um "nós" que não seja assombrado por "elas".
A tela ficou preta. Patrício jogou o celular no sofá do estúdio e enterrou o rosto nas mãos. Segundos depois, a porta se abriu novamente. Jaqueline entrou com dois copos de café.
— E então? — perguntou ela, com um sorriso que não chegava aos olhos. — Ela aceitou o convite para o café quando voltar?
Patrício olhou para ela, e pela primeira vez, a familiaridade de Jaqueline pareceu sufocante.
— Sai daqui, Jaque — disse ele, a voz rouca.
— O quê? Eu só estava...
— Sai daqui. Agora.
Em Paris, Karen caminhava em direção à luz intensa da passarela. O som das batidas eletrônicas preenchia o ambiente, e os flashes começaram a disparar como metralhadoras de luz. Ela ergueu o queixo, a postura impecável de uma modelo internacional, o rosto uma máscara de perfeição e indiferença. Por fora, ela era a mulher que o mundo inteiro desejava ser. Por dentro, ela só queria que a música parasse para que ela pudesse finalmente ouvir o próprio silêncio.
O desfile foi um sucesso absoluto. As manchetes no dia seguinte falariam sobre a "presença magnética de Karen", mas ninguém veria a noiva que, trancada no quarto do hotel Plaza Athénée, olhava para o anel de noivado em seu dedo como se fosse um objeto estranho.
O celular dela vibrou. Não era uma mensagem de Patrício. Era uma notificação de um fórum de fãs. "Viram a foto que a Jaqueline postou com o Pato no estúdio agora há pouco? Finalmente ele está com alguém que entende a essência da Airbag. Karen é linda, mas não pertence ao nosso mundo."
Karen sentiu uma calma estranha tomar conta de si. Não era a calma da paz, mas a calma da decisão. Ela pegou o telefone e discou para seu agente.
— Marcos? — disse ela, a voz firme. — Aceite aquela campanha de seis meses em Tóquio. Sim, aquela que eu estava em dúvida por causa da agenda do Patrício.
— Tem certeza, Karen? — perguntou o agente, surpreso. — Isso significa que você vai ficar fora quase o ano todo.
— Eu tenho certeza — disse ela, olhando para a vista da Torre Eiffel pela janela. — Às vezes, para a gente se encontrar de vida em vida, a gente precisa primeiro se perder de quem nos puxa para trás.
Ela desligou o telefone e, pela primeira vez em semanas, não checou as redes sociais. Ela caminhou até a varanda, respirando o ar frio de Paris. O amor de Patrício era real, ela sabia disso. Mas ele precisava aprender que um noivado não era apenas um anel e uma promessa; era a coragem de proteger o presente das sombras do passado. E se ele não estivesse pronto para ser o escudo dela, ela seria sua própria armadura.
Enquanto isso, em Buenos Aires, Patrício pegou a guitarra e começou a tocar uma melodia triste, uma balada que falava sobre perder o que se tem por não saber o que se quer. Ele sabia que tinha cometido um erro. Ele sabia que o silêncio de Karen era o som mais alto que ele já tinha ouvido.
A questão era: ele teria força para enfrentar seus próprios fantasmas e seus próprios "amigos" para trazê-la de volta, ou deixaria que a distância entre Paris e Buenos Aires se tornasse o abismo final?
A noite caiu sobre as duas cidades, unidas pela mesma dor, mas separadas por um orgulho que brilhava tanto quanto os diamantes da Chanel. O próximo capítulo da história deles não seria escrito em passarelas ou palcos, mas na honestidade brutal de quem decide, finalmente, deixar o passado onde ele pertence: no esquecimento.
