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O escolhido de 100 anos

Fandom: Nenhuma

Criado: 26/06/2026

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O Despertar do Caos e o Elo de Ferro

O corredor da Academia de Elite de Treinamento Marcial parecia mais longo do que o normal naquela manhã. Alexy Danger, no entanto, não parecia nem um pouco intimidado pelo silêncio solene que as paredes de pedra emanavam. Ele caminhava com um salto no passo, equilibrando-se na ponta dos pés enquanto assoviava uma melodia animada que ecoava pelas abóbadas. No caminho, ele não pôde evitar de dar um tapinha no ombro de um guarda estátua e prender um pequeno sino de prata na bainha da espada de um monitor veterano que passava distraído.

— Alexy! Você foi convocado, não convidado para uma festa! — sibilou Lúcia, uma de suas melhores amigas, que o acompanhava até a metade do caminho com uma expressão de pânico.

— Relaxa, Lúcia. O Diretor Magnus só deve querer saber como eu consegui colocar corante azul na fonte do pátio central — Alexy piscou, exibindo um sorriso travesso que iluminava seu rosto jovem. — Ficou lindo, não ficou? Combinava com o céu.

— Você não tem jeito. Tente não ser expulso, por favor. Precisamos de você para o treino de amanhã.

— Eu nunca deixaria vocês na mão. Promessa de Danger! — Ele fez uma continência desajeitada e girou nos calcanhares, entrando finalmente na ante-sala da diretoria.

Ao cruzar o limiar da sala do Diretor Magnus, o ar mudou. O cheiro de pergaminho antigo e incenso de sândalo preenchia o ambiente. Magnus, um homem de barba grisalha e olhos que pareciam ler a alma, estava de pé junto à janela. Mas não era ele quem dominava a presença na sala.

Sentado em uma cadeira de madeira esculpida, com a postura tão reta que parecia feita de mármore, estava um homem cujas cicatrizes no rosto contavam histórias de mil batalhas. Seus olhos eram cinzentos como uma tempestade iminente, e a aura de disciplina que ele emanava era quase sufocante.

— Alexy Danger — disse o Diretor Magnus, sua voz profunda vibrando no peito do jovem. — Este é Mestre Kaelen. Ele será seu instrutor particular de agora em diante.

Alexy sentiu um frio na barriga, mas o mascarou com sua habitual leveza.

— Prazer em conhecê-lo, Mestre! — disse Alexy, estendendo a mão com entusiasmo. — Espero que o senhor tenha paciência, dizem que eu sou um pouco... elétrico.

Kaelen não apertou a mão do rapaz. Ele apenas se levantou, movendo-se com a fluidez de um predador, e circulou Alexy com um olhar analítico que parecia pesar cada osso do seu corpo.

— Alegria excessiva é, muitas vezes, uma máscara para a falta de foco — a voz de Kaelen era fria e cortante como uma lâmina de gelo. — O Diretor me disse que você é talentoso, mas indisciplinado. Travessuras não vencem guerras, rapaz.

— Ah, mas elas desestabilizam o inimigo! — rebateu Alexy, sem perder o sorriso, embora uma gota de suor escorresse por sua têmpora. — Um inimigo confuso é um inimigo que comete erros.

— Um mestre de verdade não depende da confusão alheia, mas da própria clareza — Kaelen parou diante dele, a poucos centímetros de distância. — Começaremos agora. Magnus, deixe-nos.

O Diretor assentiu e saiu em silêncio, fechando a porta pesada de carvalho. O silêncio que se seguiu foi denso.

— Ataque-me — ordenou Kaelen.

— O quê? Aqui? — Alexy olhou em volta, vendo os vasos caros e os mapas raros. — O Diretor vai me matar se eu quebrar alguma coisa.

— Ataque-me ou saia desta academia agora mesmo — Kaelen assumiu uma postura defensiva mínima, mas impenetrável.

Alexy suspirou, deu um passo para trás e, em um piscar de olhos, avançou. Ele era rápido, muito mais rápido do que um jovem da sua idade deveria ser. Ele tentou uma rasteira seguida de um soco fingido, uma técnica que costumava derrubar seus colegas de classe.

Kaelen apenas desviou com um movimento mínimo do quadril e, com um toque leve no ombro de Alexy, usou o próprio impulso do rapaz para jogá-lo contra a parede. Alexy bateu com as costas, mas deu uma cambalhota no ar e caiu de pé, ainda sorrindo.

— Nada mal para um começo! — exclamou Alexy.

— Você brinca enquanto luta — observou Kaelen, franzindo o cenho. — Por que nunca leva nada a sério?

— A vida já é séria demais, Mestre. Meus amigos ficam nervosos, o mundo está um caos... Alguém tem que manter a luz acesa, não acha?

Kaelen sentiu uma pontada de algo que não sentia há anos: curiosidade. Ele avançou novamente, desta vez atacando. Seus movimentos eram precisos, brutais em sua eficiência. Alexy esquivava-se de forma errática, quase como se estivesse dançando. No entanto, à medida que a intensidade de Kaelen aumentava, algo estranho começou a acontecer.

O ar na sala começou a vibrar. Uma pressão atmosférica começou a esmagar os móveis. Alexy, sem perceber, começou a brilhar com uma aura tênue, uma cor dourada misturada com um azul profundo que parecia pulsar no ritmo de seu coração acelerado.

— O que é isso? — murmurou Kaelen, parando o ataque.

Alexy parou, ofegante. Seus olhos, que antes eram castanhos comuns, agora cintilavam com faíscas de uma energia que parecia não pertencer a este mundo.

— Eu... eu não sei — disse Alexy, olhando para as próprias mãos, que tremiam. — Às vezes acontece quando eu fico muito animado ou com medo de falhar com alguém.

Kaelen sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Ele se lembrou das escrituras que o Diretor Magnus o obrigara a ler antes de aceitar o cargo. A Profecia do Portador do Caos e da Ordem. "Aquele que carrega o riso em uma mão e o poder de criar e destruir mundos na outra".

— Você não faz ideia do que carrega, não é? — perguntou Kaelen, sua voz perdendo um pouco da rigidez habitual, substituída por um tom de reverência sombria.

— Eu só quero proteger meus amigos, Mestre. Eles são tudo o que eu tenho — Alexy fechou as mãos em punhos, e a aura desapareceu instantaneamente, deixando-o exausto. — Às vezes sinto que há um oceano dentro de mim tentando sair, mas eu não sei como abrir a represa.

Kaelen caminhou até a mesa do diretor e pegou um antigo pergaminho que estava guardado em uma caixa de metal. Ele o abriu sobre a mesa de madeira.

— Aproxime-se, Alexy.

O jovem obedeceu, curioso. No pergaminho, havia o desenho de uma figura cercada por luz e sombras, exatamente na mesma postura que Alexy assumira momentos antes.

— Mil anos atrás — começou Kaelen —, previu-se que um jovem surgiria em tempos de escuridão. Ele não seria um guerreiro moldado pelo ódio, mas um espírito livre cujas travessuras escondiam um poder inimaginável. Os antigos chamavam isso de "O Pulso da Existência".

Alexy soltou uma risada nervosa.

— Eu? O Pulso de quê? Mestre, eu mal consigo passar na prova de alquimia sem explodir o caldeirão.

— Talvez você exploda o caldeirão porque sua energia é vasta demais para as fórmulas pequenas deste mundo — Kaelen olhou fixamente para o rapaz. — Ouça bem, Alexy. O que vimos hoje foi apenas uma faísca. Se você não aprender a controlar esse poder, ele consumirá você e todos aqueles que você tenta proteger.

O sorriso de Alexy desapareceu pela primeira vez. A ideia de machucar seus amigos era a única coisa que realmente o assustava.

— Como eu aprendo? — perguntou ele, a voz baixa e séria.

— Com disciplina. Com dor. E com o fim das brincadeiras durante o treinamento — Kaelen cruzou os braços. — Você diz que nunca deixa um amigo para trás. Pois saiba que, se você falhar em dominar o que está dentro de você, não haverá amigos para salvar.

Alexy respirou fundo. Ele sentiu o peso da responsabilidade cair sobre seus ombros como uma capa de chumbo. No entanto, mesmo diante da gravidade da situação, ele olhou para o mestre ranzinza e sentiu um desafio aceito.

— Tudo bem, Mestre Kaelen. Eu serei o melhor aluno que o senhor já teve. Mas aviso logo: se o senhor não sorrir pelo menos uma vez por semana, eu vou colocar pó de mico na sua armadura.

Kaelen estreitou os olhos, mas por dentro, sentiu uma centelha de esperança. Pela primeira vez em décadas, o mestre rígido sentiu que o destino do mundo estava em mãos que, embora brincalhonas, eram puras.

— Tente isso — disse Kaelen, apontando para a porta — e você passará o resto do mês limpando os estábulos com uma escova de dentes. Agora, para o pátio. O treino de verdade começa agora.

Enquanto saíam da sala, Alexy olhou para trás uma última vez. Ele sentia aquela energia adormecida em suas veias, um calor que prometia grandeza e perigo. Ele sabia que sua vida de travessuras impensadas havia acabado, ou pelo menos, teria que ser adaptada para algo muito maior.

Ao chegar no pátio, seus amigos o viram e acenaram. Lúcia correu até ele.

— E aí? Foi expulso?

Alexy olhou para Kaelen, que o observava com um olhar de aço, e depois para seus amigos. Ele abriu seu sorriso mais radiante, o sorriso que sempre lhes dava coragem.

— Expulso? Nada disso. O Mestre Kaelen só estava me dizendo que eu sou brilhante demais para ficar em uma sala de aula comum. Preparem-se, pessoal. As coisas vão ficar interessantes por aqui.

Kaelen observou o jovem se juntar aos outros, escondendo a profecia sob uma camada de humor. Ele sabia que o caminho à frente seria sangrento e difícil, mas enquanto Alexy Danger mantivesse aquele brilho nos olhos, talvez, apenas talvez, o mundo tivesse uma chance.

— Ele é mais do que uma profecia — murmurou Kaelen para si mesmo, enquanto via Alexy fingir que tropeçava para fazer os amigos rirem. — Ele é o coração que este mundo esqueceu como ter.

O treinamento começou sob o sol da tarde. Alexy Danger, o jovem de poderes inimagináveis, deu o primeiro passo em direção ao seu destino, sem nunca deixar de ser o rapaz que faria qualquer coisa para ver um sorriso no rosto de quem amava. A profecia estava escrita, mas Alexy estava pronto para reescrevê-la com suas próprias regras.
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