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Prima Malfoy
Fandom: Harry Potter
Criado: 26/06/2026
Tags
UA (Universo Alternativo)DramaAngústiaFantasiaEstudo de PersonagemDivergênciaCenário CanônicoRecontarDor/Conforto
Entre o Sangue e a Prata
O Expresso de Hogwarts cortava as colinas verdejantes da Escócia com uma elegância que Andrômeda Black Malfoy sempre associara ao nome de sua família. Sentada na cabine luxuosa, ela observava o reflexo de seus próprios olhos cinzentos no vidro da janela. Eram os olhos de Sirius Black, seu pai, um homem que ela conhecia apenas por fotografias escondidas e sussurros proibidos nos corredores da Mansão Malfoy. No entanto, o porte ereto e a expressão polida eram puramente Malfoy, moldados pela criação rígida de sua mãe, Luna, e pela influência onipresente de seu tio, Lucius.
Ao seu lado, Draco Malfoy, seu primo, não parava de falar sobre as vassouras de última geração e como o pai dele, Lucius, ficaria decepcionado se ele não entrasse para a Sonserina. Andrômeda sentia o peso daquela expectativa como uma capa de chumbo sobre os ombros.
— Você está muito quieta, Andy — comentou Draco, ajeitando o distintivo imaginário no peito. — Está preocupada com a Seleção? Com o nosso sangue, não há erro. Seremos Sonserinos, como papai e mamãe.
Andrômeda forçou um sorriso, embora seu estômago desse voltas.
— Eu só estava pensando em como o castelo deve ser — mentiu ela, a voz suave mas firme. — Mamãe sempre disse que a Corvinal tem a melhor vista, mas tio Lucius jura que as masmorras são o verdadeiro coração de Hogwarts.
Draco soltou uma risadinha desdenhosa.
— Tia Luna sempre teve um lado... excêntrico. Mas ela é uma Malfoy. No fim, o que importa é a linhagem. E você é uma Black Malfoy. O Chapéu Seletor não ousaria colocá-la em outro lugar que não fosse a elite.
Andrômeda desviou o olhar. Ela amava a mãe, Luna Malfoy, que possuía uma doçura que parecia deslocada naquela família de pavões orgulhosos. Mas Luna era a exceção. Lucius, seu tio e guardião de fato em muitos aspectos, era a regra. Ele a criara com a mesma disciplina que dedicava a Draco, sempre lembrando-a de que o sangue Black em suas veias era uma faca de dois gumes: uma herança de poder antigo, mas manchada pela "traição" de Sirius à linhagem pura.
Quando o trem finalmente parou e os alunos foram conduzidos pelos barcos através do lago negro, a magnitude de Hogwarts tirou o fôlego de Andrômeda. As torres alcançavam as estrelas e as luzes das janelas pareciam olhos vigilantes.
O Grande Salão era ainda mais imponente do que as descrições nos livros. O teto enfeitiçado refletia um céu límpido, mas Andrômeda mal conseguia olhar para cima. Seus olhos estavam fixos no banquinho de madeira e no chapéu remendado que decidira seu destino.
— Quando eu chamar seu nome, sentem-se no banco e coloquem o chapéu — anunciou a Professora McGonagall.
A fila diminuía lentamente. Draco foi chamado logo no início. O chapéu mal encostou em seu cabelo platinado antes de berrar: "SONSERINA!". Ele caminhou até a mesa verde e prata com um sorriso arrogante, lançando um olhar de encorajamento para a prima.
Andrômeda sentiu as mãos suarem. Ela viu Harry Potter ser selecionado para a Grifinória, o que causou um burburinho ensurdecedor no salão. Ela sabia quem ele era — o menino que seu tio Lucius mencionava com uma mistura de desprezo e cautela.
— Andrômeda Black Malfoy! — chamou McGonagall.
O silêncio que se seguiu foi quase palpável. O nome "Black" e "Malfoy" juntos era o suficiente para atrair todos os olhares. Ela caminhou com a elegância que lhe fora ensinada, sentou-se no banco e sentiu o tecido áspero do chapéu cobrir sua visão.
— Ora, ora... — disse uma voz pequena em seu ouvido. — Uma mistura curiosa. Muito sangue antigo aqui. Uma mente afiada, herdada da mãe... vejo a curiosidade da Corvinal. Mas há algo mais profundo. Uma lealdade feroz e uma coragem que você tenta esconder sob essa máscara de etiqueta.
— Sonserina — sussurrou Andrômeda em pensamento. — Eu preciso ir para a Sonserina. Meu tio... minha família...
— Precisa? — questionou o chapéu. — Você tem o fogo dos Black, menina. Aquele fogo que não se apaga, que questiona, que desafia. Sirius Black tinha esse fogo. Você quer o caminho fácil ou o caminho que a levará à sua verdadeira essência?
— Eu não quero decepcionar minha mãe — respondeu ela, o coração batendo contra as costelas.
— Sua mãe ficaria orgulhosa de qualquer forma, Andrômeda. Mas o seu destino não pertence ao seu tio. Ele pertence a você. E eu vejo onde você realmente brilhará...
— GRIFINÓRIA! — gritou o chapéu para todo o salão.
O silêncio que se seguiu foi absoluto, quebrado apenas pelo som do chapéu sendo retirado da cabeça de Andrômeda. Na mesa da Sonserina, o rosto de Draco caiu, transformando-se em uma máscara de choque e horror. Ele olhou para os lados, como se esperasse que aquilo fosse uma piada de mau gosto.
Andrômeda sentiu o rosto arder. Ela se levantou, as pernas trêmulas, e caminhou em direção à mesa vermelha e dourada. Os aplausos da Grifinória começaram hesitantes, mas logo ganharam força. Ela se sentou longe dos outros, sentindo o peso do mundo em suas costas.
— Uma Malfoy na Grifinória? — sussurrou um aluno do segundo ano. — Isso deve ser um erro.
— Ela é filha do Sirius Black — respondeu outro em voz baixa. — O sangue falou mais alto.
Andrômeda baixou a cabeça, mas logo sentiu um toque leve em seu ombro. Era uma menina de cabelos armados e olhos inteligentes.
— Olá. Eu sou Hermione Granger — disse a menina, estendendo a mão. — Não ligue para eles. O Chapéu Seletor nunca erra.
— Andrômeda — respondeu ela, apertando a mão da colega. — Mas acho que você já sabe disso.
Do outro lado do salão, o olhar de Draco era frio. Andrômeda sabia que, naquela noite, uma coruja seria enviada para a Mansão Malfoy. Ela podia imaginar a expressão de Lucius ao ler a notícia: a sobrinha, a quem ele tentara moldar à sua imagem, agora estava na casa dos "traidores do sangue".
No final do banquete, enquanto os alunos se dirigiam às torres, Andrômeda foi interceptada por Draco no corredor. Ele a puxou pelo braço para um canto escuro, longe dos olhares dos monitores.
— O que você fez? — sibilou Draco, a voz carregada de uma raiva contida. — Você tem noção do que o meu pai vai dizer? Do que a sua mãe vai sentir?
— Eu não fiz nada, Draco! — rebateu Andrômeda, soltando-se do aperto dele. — O chapéu escolheu. Eu não pedi por isso!
— Você deveria ter implorado! — Draco deu um passo à frente, os olhos brilhando de indignação. — Você é uma Malfoy. Nós não nos misturamos com... com essa gente. Você viu quem está na sua mesa? Potter! O Weasley!
— Eu vi — disse ela, recuperando a compostura, o queixo erguido. — E vi também que você está agindo como se eu tivesse contraído uma doença contagiosa. Sou a mesma pessoa que estava com você no trem há uma hora.
— Não é, não — disse Draco, a voz agora mais baixa, quase magoada. — Agora você é uma deles. Meu pai sempre disse que o sangue Black era instável. Ele tinha razão. Você é igual ao seu pai.
Aquelas palavras cortaram Andrômeda mais do que qualquer feitiço. Ser comparada ao pai era, ao mesmo tempo, seu maior medo e seu desejo mais secreto.
— Se ser igual ao meu pai significa ter coragem de ser quem eu sou, então talvez o chapéu tenha acertado — disse ela, a voz firme apesar do tremor nas mãos.
— Não espere que eu te defenda quando as cartas de casa chegarem — avisou Draco, virando as costas e caminhando apressadamente em direção às masmorras.
Andrômeda ficou parada por um momento, observando a capa preta do primo desaparecer na escuridão. Ela subiu as escadarias em direção à Torre da Grifinória, sentindo-se mais sozinha do que nunca. No entanto, ao entrar na sala comunal, o calor da lareira e o som das risadas dos novos colegas trouxeram um estranho conforto.
Ela se aproximou da janela e olhou para a lua. Sabia que sua mãe, Luna, estaria olhando para a mesma lua da Mansão Malfoy.
— Sinto muito, mamãe — sussurrou ela para o vidro frio. — Mas acho que aqui é o meu lugar.
Naquela noite, Andrômeda sonhou com cães negros correndo por campos de trigo e com uma mulher de cabelos loiros que sorria enquanto lhe entregava uma varinha de cerejeira. Pela primeira vez em sua vida, ela não sentiu que precisava se esconder atrás de um sobrenome. Ela era Andrômeda. E isso, por enquanto, era o suficiente.
No dia seguinte, o correio matinal trouxe exatamente o que ela temia. Uma coruja de penas escuras e olhar severo pousou diante dela, carregando um envelope com o selo de cera dos Malfoy.
A mesa da Grifinória silenciou enquanto ela abria a carta.
"Andrômeda," dizia a caligrafia elegante e fria de Lucius. "A notícia de sua seleção chegou até nós com grande pesar. Sua mãe está... inconsolável. Esperávamos que você honrasse o legado de sua família, mas parece que as inclinações deploráveis de seu pai biológico falaram mais alto. Lembre-se de quem você é, mesmo que esteja cercada por aqueles que não possuem classe ou linhagem. Não toleraremos mais desonras."
Andrômeda amassou o pergaminho sob a mesa. Ela sentiu um par de olhos sobre si e, ao olhar para cima, encontrou Harry Potter observando-a do outro lado da mesa.
— Problemas em casa? — perguntou Harry, com uma simpatia que ela não esperava.
— Você não faz ideia — respondeu ela, tentando manter a voz estável.
— Eu também não tenho uma família muito fã de Hogwarts — comentou ele, dando de ombros. — Mas aqui é diferente. Aqui a gente escolhe quem quer ser.
Andrômeda olhou para a mesa da Sonserina, onde Draco fingia não notar sua existência, e depois de volta para Harry e Hermione.
— É — disse ela, permitindo-se um pequeno e genuíno sorriso. — Acho que você tem razão, Harry.
A jornada de Andrômeda Black Malfoy estava apenas começando, e embora o caminho entre o sangue e a prata fosse estreito e perigoso, ela finalmente sentia que estava caminhando com seus próprios pés.
Ao seu lado, Draco Malfoy, seu primo, não parava de falar sobre as vassouras de última geração e como o pai dele, Lucius, ficaria decepcionado se ele não entrasse para a Sonserina. Andrômeda sentia o peso daquela expectativa como uma capa de chumbo sobre os ombros.
— Você está muito quieta, Andy — comentou Draco, ajeitando o distintivo imaginário no peito. — Está preocupada com a Seleção? Com o nosso sangue, não há erro. Seremos Sonserinos, como papai e mamãe.
Andrômeda forçou um sorriso, embora seu estômago desse voltas.
— Eu só estava pensando em como o castelo deve ser — mentiu ela, a voz suave mas firme. — Mamãe sempre disse que a Corvinal tem a melhor vista, mas tio Lucius jura que as masmorras são o verdadeiro coração de Hogwarts.
Draco soltou uma risadinha desdenhosa.
— Tia Luna sempre teve um lado... excêntrico. Mas ela é uma Malfoy. No fim, o que importa é a linhagem. E você é uma Black Malfoy. O Chapéu Seletor não ousaria colocá-la em outro lugar que não fosse a elite.
Andrômeda desviou o olhar. Ela amava a mãe, Luna Malfoy, que possuía uma doçura que parecia deslocada naquela família de pavões orgulhosos. Mas Luna era a exceção. Lucius, seu tio e guardião de fato em muitos aspectos, era a regra. Ele a criara com a mesma disciplina que dedicava a Draco, sempre lembrando-a de que o sangue Black em suas veias era uma faca de dois gumes: uma herança de poder antigo, mas manchada pela "traição" de Sirius à linhagem pura.
Quando o trem finalmente parou e os alunos foram conduzidos pelos barcos através do lago negro, a magnitude de Hogwarts tirou o fôlego de Andrômeda. As torres alcançavam as estrelas e as luzes das janelas pareciam olhos vigilantes.
O Grande Salão era ainda mais imponente do que as descrições nos livros. O teto enfeitiçado refletia um céu límpido, mas Andrômeda mal conseguia olhar para cima. Seus olhos estavam fixos no banquinho de madeira e no chapéu remendado que decidira seu destino.
— Quando eu chamar seu nome, sentem-se no banco e coloquem o chapéu — anunciou a Professora McGonagall.
A fila diminuía lentamente. Draco foi chamado logo no início. O chapéu mal encostou em seu cabelo platinado antes de berrar: "SONSERINA!". Ele caminhou até a mesa verde e prata com um sorriso arrogante, lançando um olhar de encorajamento para a prima.
Andrômeda sentiu as mãos suarem. Ela viu Harry Potter ser selecionado para a Grifinória, o que causou um burburinho ensurdecedor no salão. Ela sabia quem ele era — o menino que seu tio Lucius mencionava com uma mistura de desprezo e cautela.
— Andrômeda Black Malfoy! — chamou McGonagall.
O silêncio que se seguiu foi quase palpável. O nome "Black" e "Malfoy" juntos era o suficiente para atrair todos os olhares. Ela caminhou com a elegância que lhe fora ensinada, sentou-se no banco e sentiu o tecido áspero do chapéu cobrir sua visão.
— Ora, ora... — disse uma voz pequena em seu ouvido. — Uma mistura curiosa. Muito sangue antigo aqui. Uma mente afiada, herdada da mãe... vejo a curiosidade da Corvinal. Mas há algo mais profundo. Uma lealdade feroz e uma coragem que você tenta esconder sob essa máscara de etiqueta.
— Sonserina — sussurrou Andrômeda em pensamento. — Eu preciso ir para a Sonserina. Meu tio... minha família...
— Precisa? — questionou o chapéu. — Você tem o fogo dos Black, menina. Aquele fogo que não se apaga, que questiona, que desafia. Sirius Black tinha esse fogo. Você quer o caminho fácil ou o caminho que a levará à sua verdadeira essência?
— Eu não quero decepcionar minha mãe — respondeu ela, o coração batendo contra as costelas.
— Sua mãe ficaria orgulhosa de qualquer forma, Andrômeda. Mas o seu destino não pertence ao seu tio. Ele pertence a você. E eu vejo onde você realmente brilhará...
— GRIFINÓRIA! — gritou o chapéu para todo o salão.
O silêncio que se seguiu foi absoluto, quebrado apenas pelo som do chapéu sendo retirado da cabeça de Andrômeda. Na mesa da Sonserina, o rosto de Draco caiu, transformando-se em uma máscara de choque e horror. Ele olhou para os lados, como se esperasse que aquilo fosse uma piada de mau gosto.
Andrômeda sentiu o rosto arder. Ela se levantou, as pernas trêmulas, e caminhou em direção à mesa vermelha e dourada. Os aplausos da Grifinória começaram hesitantes, mas logo ganharam força. Ela se sentou longe dos outros, sentindo o peso do mundo em suas costas.
— Uma Malfoy na Grifinória? — sussurrou um aluno do segundo ano. — Isso deve ser um erro.
— Ela é filha do Sirius Black — respondeu outro em voz baixa. — O sangue falou mais alto.
Andrômeda baixou a cabeça, mas logo sentiu um toque leve em seu ombro. Era uma menina de cabelos armados e olhos inteligentes.
— Olá. Eu sou Hermione Granger — disse a menina, estendendo a mão. — Não ligue para eles. O Chapéu Seletor nunca erra.
— Andrômeda — respondeu ela, apertando a mão da colega. — Mas acho que você já sabe disso.
Do outro lado do salão, o olhar de Draco era frio. Andrômeda sabia que, naquela noite, uma coruja seria enviada para a Mansão Malfoy. Ela podia imaginar a expressão de Lucius ao ler a notícia: a sobrinha, a quem ele tentara moldar à sua imagem, agora estava na casa dos "traidores do sangue".
No final do banquete, enquanto os alunos se dirigiam às torres, Andrômeda foi interceptada por Draco no corredor. Ele a puxou pelo braço para um canto escuro, longe dos olhares dos monitores.
— O que você fez? — sibilou Draco, a voz carregada de uma raiva contida. — Você tem noção do que o meu pai vai dizer? Do que a sua mãe vai sentir?
— Eu não fiz nada, Draco! — rebateu Andrômeda, soltando-se do aperto dele. — O chapéu escolheu. Eu não pedi por isso!
— Você deveria ter implorado! — Draco deu um passo à frente, os olhos brilhando de indignação. — Você é uma Malfoy. Nós não nos misturamos com... com essa gente. Você viu quem está na sua mesa? Potter! O Weasley!
— Eu vi — disse ela, recuperando a compostura, o queixo erguido. — E vi também que você está agindo como se eu tivesse contraído uma doença contagiosa. Sou a mesma pessoa que estava com você no trem há uma hora.
— Não é, não — disse Draco, a voz agora mais baixa, quase magoada. — Agora você é uma deles. Meu pai sempre disse que o sangue Black era instável. Ele tinha razão. Você é igual ao seu pai.
Aquelas palavras cortaram Andrômeda mais do que qualquer feitiço. Ser comparada ao pai era, ao mesmo tempo, seu maior medo e seu desejo mais secreto.
— Se ser igual ao meu pai significa ter coragem de ser quem eu sou, então talvez o chapéu tenha acertado — disse ela, a voz firme apesar do tremor nas mãos.
— Não espere que eu te defenda quando as cartas de casa chegarem — avisou Draco, virando as costas e caminhando apressadamente em direção às masmorras.
Andrômeda ficou parada por um momento, observando a capa preta do primo desaparecer na escuridão. Ela subiu as escadarias em direção à Torre da Grifinória, sentindo-se mais sozinha do que nunca. No entanto, ao entrar na sala comunal, o calor da lareira e o som das risadas dos novos colegas trouxeram um estranho conforto.
Ela se aproximou da janela e olhou para a lua. Sabia que sua mãe, Luna, estaria olhando para a mesma lua da Mansão Malfoy.
— Sinto muito, mamãe — sussurrou ela para o vidro frio. — Mas acho que aqui é o meu lugar.
Naquela noite, Andrômeda sonhou com cães negros correndo por campos de trigo e com uma mulher de cabelos loiros que sorria enquanto lhe entregava uma varinha de cerejeira. Pela primeira vez em sua vida, ela não sentiu que precisava se esconder atrás de um sobrenome. Ela era Andrômeda. E isso, por enquanto, era o suficiente.
No dia seguinte, o correio matinal trouxe exatamente o que ela temia. Uma coruja de penas escuras e olhar severo pousou diante dela, carregando um envelope com o selo de cera dos Malfoy.
A mesa da Grifinória silenciou enquanto ela abria a carta.
"Andrômeda," dizia a caligrafia elegante e fria de Lucius. "A notícia de sua seleção chegou até nós com grande pesar. Sua mãe está... inconsolável. Esperávamos que você honrasse o legado de sua família, mas parece que as inclinações deploráveis de seu pai biológico falaram mais alto. Lembre-se de quem você é, mesmo que esteja cercada por aqueles que não possuem classe ou linhagem. Não toleraremos mais desonras."
Andrômeda amassou o pergaminho sob a mesa. Ela sentiu um par de olhos sobre si e, ao olhar para cima, encontrou Harry Potter observando-a do outro lado da mesa.
— Problemas em casa? — perguntou Harry, com uma simpatia que ela não esperava.
— Você não faz ideia — respondeu ela, tentando manter a voz estável.
— Eu também não tenho uma família muito fã de Hogwarts — comentou ele, dando de ombros. — Mas aqui é diferente. Aqui a gente escolhe quem quer ser.
Andrômeda olhou para a mesa da Sonserina, onde Draco fingia não notar sua existência, e depois de volta para Harry e Hermione.
— É — disse ela, permitindo-se um pequeno e genuíno sorriso. — Acho que você tem razão, Harry.
A jornada de Andrômeda Black Malfoy estava apenas começando, e embora o caminho entre o sangue e a prata fosse estreito e perigoso, ela finalmente sentia que estava caminhando com seus próprios pés.
