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Invincible X ALTEREGO

Fandom: Michael Jackson.

Criado: 27/06/2026

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Eclipses e Colisões

O flash das câmeras era um ataque incessante, uma barreira de luz branca que tentava, sem sucesso, cegar Alexander "Rio" Valentino. Ele não desviou o olhar. Parado no tapete vermelho do lançamento de *ALTER EGO*, Rio era uma visão de arrogância e arte. Seus cabelos cacheados, escuros como petróleo, caíam em ondas perfeitas até a cintura, contrastando com o paletó de alfaiataria preta, cujas lapelas eram adornadas com bordados de prata que pareciam garras.

— Rio! Uma palavra sobre Michael Jackson! — gritou um repórter, quase caindo sobre a corda de isolamento. — Ele enviou flores hoje cedo. É um pedido de trégua ou um aviso?

Rio parou. O silêncio que ele impunha era quase físico. Ele inclinou a cabeça, os anéis de prata brilhando nos dedos longos enquanto ajustava o punho da camisa.

— Michael é um homem de gestos clássicos — respondeu Rio, a voz baixa, mas projetada com uma clareza cortante. — Ele sabe que o trono é pequeno demais para dois. As flores foram um toque gentil de despedida.

A manchete estava pronta. Ele sabia. Os tabloides já estavam em polvorosa com a "Guerra dos Gigantes". De um lado, o Rei, o ícone inalcançável da era *Invincible*; do outro, o Herdeiro Rebelde, o homem que transformou o pop em algo sombrio e visceral com *ALTER EGO*.

Horas depois, no camarim privativo, Rio encontrou o bilhete que havia enviado de volta a Michael, ou melhor, a resposta dele. O cartão de papel pesado, com o timbre dourado de Neverland, estava sobre sua penteadeira.

*“Achei que você fosse esperar seu álbum sair antes de competir comigo”*, Rio havia escrito.

No verso, com a caligrafia inclinada e elegante que Rio conhecia tão bem, estava a resposta:

*“Quem disse que eu vim competir?”*

Rio sentiu um arrepio que não tinha nada a ver com o ar-condicionado. Ele amassou o papel levemente, um sorriso de canto finalmente surgindo. Não era um sorriso para as câmeras. Era predatório.

***

Outubro de 2001. A festa pós-lançamento de *Invincible* em Nova York era o epicentro do mundo. O ar estava saturado de perfume caro, álcool e a eletricidade da antecipação. Michael Jackson não caminhava pelo salão; ele o possuía. Usava uma jaqueta de couro vermelha com detalhes em preto, óculos escuros que escondiam o olhar, mas não a aura de poder absoluto. Ele falava baixo, movendo-se com a calma de quem já tinha visto o mundo inteiro se curvar.

Rio entrou no salão trinta minutos depois. O contraste era absoluto. Onde Michael era luz filtrada e mistério suave, Rio era sombra e drama. Ele não cumprimentou ninguém. Seus olhos procuraram apenas uma pessoa.

Quando eles se encontraram no centro do salão vip, o tempo pareceu sofrer um curto-circuito. A imprensa, posicionada estrategicamente atrás das cordas, disparava fotos freneticamente. O aperto de mão foi firme, mas os dedos de Rio demoraram um segundo a mais sobre o pulso de Michael, sentindo a pulsação do outro.

— O álbum é impecável, Michael — disse Rio, a voz carregada de um veneno que soava como mel. — Mas você parece cansado de carregar essa coroa. Ela deve pesar muito.

Michael baixou levemente os óculos, revelando olhos que não tinham nada de cansados. Havia uma faísca perigosa ali, um desafio que poucos tinham a audácia de provocar.

— O peso é o que me mantém no chão, Rio — respondeu Michael, a voz um sussurro aveludado próximo ao ouvido do mais novo. — Você, por outro lado, parece estar flutuando alto demais. Cuidado para não queimar as asas.

— Eu prefiro queimar do que apenas brilhar — retrucou Rio, aproximando-se o suficiente para que apenas Michael sentisse o cheiro de seu perfume amadeirado. — Vamos dar a eles o que eles querem? Ou vamos dar a nós o que realmente importa?

Michael deu um sorriso seco, inteligente.

— O banheiro privativo no final do corredor leste tem uma fechadura de latão. E ninguém tem a chave, exceto eu.

***

O som da festa tornou-se um zumbido abafado assim que a porta foi trancada. O silêncio durou apenas um segundo antes de explodir em agressividade.

Rio não esperou. Ele avançou, prensando Michael contra a porta de madeira maciça. Suas mãos, adornadas com anéis frios, subiram para o pescoço de Michael, não com delicadeza, mas com uma posse possessiva.

— Você acha que pode me domar com bilhetes e flores? — rosnou Rio, o rosto a milímetros do de Michael. — Eu quero o que está por trás dessa fachada de rei. Eu quero o homem que está morrendo de vontade de me quebrar ao meio.

Michael não recuou. Pelo contrário, suas mãos desceram para a cintura de Rio, apertando o tecido caro da alfaiataria com uma força que faria qualquer executivo da Sony tremer. Ele puxou Rio para mais perto, eliminando qualquer espaço, sentindo o calor que emanava do corpo mais jovem.

— Você fala demais, Valentino — disse Michael, a voz agora rouca, desprovida da polidez pública. — Você quer saber se eu vim competir? Eu não compito com crianças. Eu as ensino.

Michael inclinou a cabeça e, com uma rapidez que pegou Rio de surpresa, cravou os dentes na lateral do pescoço dele. Não foi um beijo; foi uma marcação. Rio soltou um arfar gutural, as unhas cravando-se nos ombros da jaqueta de couro de Michael. A dor e o prazer se misturaram, uma combustão instantânea.

Rio revidou, puxando Michael pelo colarinho e colando seus lábios nos dele. O beijo foi uma batalha de línguas, um choque de vontades. Havia gosto de champanhe, desejo reprimido e meses de uma tensão que a mídia tinha transformado em rivalidade, mas que eles tinham transformado em fome.

Rio empurrou Michael em direção à bancada de mármore, subindo no colo dele com uma agilidade dramática, as pernas longas envolvendo a cintura do Rei. Michael segurou as coxas de Rio, os dedos afundando na carne sob o tecido fino da calça social.

— Eles estão lá fora discutindo quem vendeu mais discos — ofegou Rio contra a boca de Michael. — Mal sabem que eu amasso você sempre que tenho a chance.

Michael soltou uma risada curta, sombria, enquanto descia os beijos pelo maxilar de Rio.

— Amassar na porrada ou na cama, Rio? — Michael perguntou, a voz vibrando contra a pele dele. — Escolha com cuidado, porque eu sou excelente em ambas as coisas.

— Por que escolher? — Rio puxou o rosto de Michael para cima, encarando-o com aqueles olhos perfeccionistas e famintos. — Eu quero você destruído. Quero que você esqueça que é o Michael Jackson por cinco minutos e lembre que você é apenas meu.

Michael sorriu, aquele sorriso de quem já conquistou tudo e não precisava provar nada, exceto para o homem em seu colo. Ele levou a mão ao zíper da própria calça, o som do metal correndo ecoando no banheiro luxuoso.

— Cinco minutos? — Michael sussurrou, puxando Rio para um beijo que prometia muito mais do que o tempo permitido. — Você vai precisar de uma vida inteira para me esquecer depois disso.

***

Vinte minutos depois, o corredor estava silencioso, exceto pelo som de passos rítmicos.

Dois seguranças de Michael estavam postados a alguns metros da porta, fingindo não ouvir nada. Quando a fechadura finalmente girou, a figura que emergiu primeiro foi Rio.

Ele parecia o caos em forma de homem. O cabelo cacheado, antes perfeitamente alinhado, estava selvagem, caindo sobre os olhos. O paletó de alfaiataria estava aberto, e o batom — um tom nude que Michael certamente não usava, mas que havia se transferido no calor do momento — estava visivelmente borrado em torno de seus lábios e no pescoço, onde uma marca avermelhada começava a escurecer.

Logo atrás dele, Michael saiu com a calma habitual, mas havia algo diferente. Ele estava ajustando a jaqueta de couro, e qualquer um que olhasse para baixo veria que o zíper de sua calça social ainda estava a meio caminho de ser fechado, um descuido deliberado ou apenas pressa. Ele não parecia se importar.

Um fotógrafo de um tabloide menor, que tinha conseguido furar o bloqueio do corredor, congelou com a câmera na mão.

Rio parou, olhou para o fotógrafo e, em vez de se esconder, sorriu. Foi um sorriso de verdade, cheio de uma graça sombria.

— Conseguiu a foto, garoto? — perguntou Rio, a voz ainda levemente trêmula. — Espero que a legenda seja boa.

Michael colocou a mão no ombro de Rio, um gesto que parecia de proteção, mas que na verdade era um último aperto possessivo.

— Vamos, Rio — disse Michael, a voz suave novamente, o Rei de volta ao seu trono. — Temos uma festa para terminar. E você ainda tem muito o que aprender sobre... diplomacia.

Eles caminharam lado a lado de volta ao salão principal, deixando para trás um rastro de perguntas sem resposta e uma certeza silenciosa: a guerra dos gigantes era, na verdade, a aliança mais perigosa que a indústria já tinha visto. E, enquanto o mundo discutia números de vendas, os dois sabiam exatamente quem tinha vencido aquela noite.
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