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Engel!!

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 27/06/2026

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Entre Penas e Febre

O silêncio nos corredores da Academia Paper era algo raro, geralmente preenchido pelo som de lápis riscando papel ou pelos gritos de pânico de algum aluno fugindo da Srta. Circle. No entanto, no dormitório masculino, o silêncio era pesado e abafado. Engel, o garoto que sempre estava pronto para intervir e proteger seus amigos de qualquer perigo, agora se encontrava vulnerável, deitado sob camadas de cobertores que pareciam não ser suficientes para conter os tremores de seu corpo.

Seus longos cabelos brancos, geralmente presos com perfeição em um rabo de cavalo baixo, estavam espalhados pelo travesseiro como fios de seda emaranhados. As duas penas no topo de sua cabeça, uma azul e a outra vermelho-alaranjada, pendiam murchas, refletindo seu estado de saúde debilitado.

Claire abriu a porta com cuidado, equilibrando uma bandeja de metal. Ela estava preocupada desde que notou a ausência de Engel na primeira aula. Sem ele para mediar os conflitos ou oferecer um sorriso gentil, a escola parecia um lugar muito mais frio e perigoso.

— Engel? — chamou ela suavemente, aproximando-se da cama.

Não houve resposta, apenas o som da respiração pesada e irregular do garoto. Claire colocou a bandeja na mesa de cabeceira e sentou-se na beirada do colchão. Quando ela estendeu a mão e a pousou na testa dele, recuou quase instantaneamente. A pele de Engel estava ardendo; a febre era tão alta que parecia emanar ondas de calor.

— Meu Deus, você está queimando... — sussurrou ela, os olhos arregalados de preocupação.

Engel gemeu, movendo a cabeça de um lado para o outro. Seus olhos se abriram levemente, mas estavam nublados, sem foco. Ele estava delirando.

— Claire...? — A voz dele saiu rouca, quase um sussurro. — As notas... as notas de papel... elas estão voando... eu preciso pegar todas antes que elas... antes que elas cortem alguém...

— Shhh, está tudo bem, Engel. Não tem notas voando. Você está seguro — disse Claire, tentando acalmá-lo enquanto passava a mão pelos cabelos dele.

De repente, Engel foi sacudido por uma tosse seca e violenta que fez seu corpo pequeno se curvar. Sua cauda branca, normalmente escondida sob as cobertas, chicoteou o ar por um momento antes de relaxar novamente. Claire rapidamente pegou a tigela de sopa que havia trazido da cafeteria. Era um caldo ralo, mas nutritivo, que ela esperava que ajudasse a baixar a temperatura e dar a ele alguma força.

— Eu trouxe sopa. Você precisa comer um pouco para o remédio fazer efeito — explicou ela, soprando uma colherada de líquido quente.

Engel olhou para a colher como se fosse um objeto alienígena e perigoso. Ele balançou a cabeça negativamente, fechando os lábios com força.

— Não... sem comida... a Srta. Thavel vai colocar... veneno de tinta... — murmurou ele, as palavras perdendo o sentido conforme o delírio aumentava.

— Engel, pare com isso. Sou eu, a Claire. Não tem veneno nenhum aqui. É apenas sopa de legumes — insistiu ela, aproximando a colher dos lábios dele.

— Não quero! — Ele tentou empurrar a mão dela com seus dedos pretos e pontiagudos, mas sua coordenação motora estava severamente prejudicada pela fraqueza.

Claire suspirou, sentindo a frustração e a preocupação crescerem. Ela sabia que, se ele não se hidratasse e se alimentasse, a febre só pioraria. Com uma determinação gentil, mas firme, ela usou uma das mãos para segurar suavemente o queixo dele e a outra para forçar a entrada da colher.

— Por favor, Engel, faça isso por mim. Só um pouco.

Engel, confuso e sentindo o sabor estranho em sua boca febril, não reagiu bem. O calor em seu peito parecia sufocante e o líquido em sua garganta desencadeou um reflexo imediato de rejeição. Antes que Claire pudesse reagir, Engel tossiu novamente, mas desta vez, o conteúdo da sopa foi expelido diretamente no rosto da garota.

Claire congelou. O caldo morno escorria por suas bochechas e pingava em seu uniforme. O cheiro de legumes e a sensação viscosa em sua pele a fizeram estremecer de puro nojo. Ela fechou os olhos por um segundo, respirando fundo para não perder a paciência.

— Oh... Engel... — murmurou ela, pegando um guardanapo da bandeja para limpar o rosto.

Engel não parecia ter consciência do que acabara de fazer. Ele continuou a tossir, uma série de espasmos que pareciam rasgar seus pulmões. Suas mãos agarraram os lençóis com força, os dedos pontiagudos perfurando levemente o tecido.

— Desculpe... Claire... o papel... está pegando fogo... — ele divagou, a voz falhando enquanto ele tentava recuperar o fôlego entre as tosses.

— Tudo bem, eu sei que você não fez por mal — disse Claire, limpando o resto da sopa de sua bochecha e voltando sua atenção para ele. — Mas você realmente me deu um banho agora.

Ela molhou um pano em água fria e começou a limpar o rosto de Engel, tentando baixar a temperatura externa enquanto ele se acalmava da crise de tosse. Observando-o ali, tão frágil, Claire lembrou-se de todas as vezes que Engel se colocou entre ela e os valentões da escola, ou como ele sempre garantia que ninguém ficasse para trás durante os castigos severos dos professores.

— Você sempre cuida de todo mundo, Engel — sussurrou ela, enquanto passava o pano frio pelas têmporas dele. — Agora é a minha vez de cuidar de você.

Engel pareceu relaxar um pouco com o contato frio. Seus olhos se fecharam e a respiração, embora ainda ruidosa, tornou-se mais rítmica. Claire limpou as manchas de sopa que haviam caído no macacão preto dele e nas polainas listradas. Ela ajeitou as penas no topo da cabeça dele, que pareciam um pouco mais vibrantes agora que ele não estava mais lutando contra a comida.

— A sopa... — Engel murmurou, desta vez sem a agressividade do delírio. — Estava... ruim?

Claire soltou uma risada baixa e triste.

— Estava ótima, Engel. Mas acho que você preferiu usá-la como máscara facial em mim.

Engel soltou um som que poderia ser uma risada ou um suspiro cansado. Ele abriu os olhos novamente, e desta vez parecia haver um lampejo de lucidez neles.

— Desculpe, Claire. Eu me sinto... como se tivesse sido atropelado por um compasso gigante.

— Eu imagino. A febre está baixando, mas você ainda precisa descansar. E nada de tentar salvar o mundo nas próximas vinte e quatro horas.

— Mas quem vai proteger vocês? — perguntou ele, tentando se levantar, apenas para ser gentilmente empurrado de volta pela mão de Claire em seu ombro.

— Por hoje, eu protejo você. E se a Srta. Circle aparecer aqui querendo dar nota baixa por falta, eu mesma enfrento ela — brincou Claire, embora ambos soubessem que era uma promessa perigosa.

Engel sorriu, um sorriso genuíno que iluminou seu rosto pálido. Ele fechou os olhos e, finalmente, mergulhou em um sono profundo e reparador. Claire permaneceu ao lado dele, vigiando cada respiração, pronta para enfrentar qualquer febre ou perigo que ousasse se aproximar do garoto que era o coração daquela escola de papel.

As horas passaram e o sol começou a se pôr, lançando sombras longas através das janelas da academia. Claire não saiu do lado dele. Ela sabia que, no mundo cruel de Fundamental Paper Education, ter alguém que se importasse de verdade era o escudo mais forte que qualquer um deles poderia ter. E Engel, o protetor de todos, merecia ter seu próprio anjo da guarda, mesmo que esse anjo estivesse levemente sujo de sopa de legumes.
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