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Dance with Me.
Fandom: Michael Jackson, Mundo Pop e Jazz.
Criado: 27/06/2026
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UA (Universo Alternativo)Fatias de VidaDor/ConfortoSongficEstudo de PersonagemHistóricoLirismoRealismoFofuraHistória DomésticaAbuso de ÁlcoolRomanceDramaNoirLinguagem ExplícitaCenário CanônicoPsicológico
Veludo e Eletricidade
O cheiro de terra molhada sempre foi o gatilho favorito de Alexander Rio Valentino para a melancolia produtiva. Naquela noite de 1982, em Los Angeles, a chuva batia contra as vidraças do Westlake Recording Studios com uma insistência rítmica, quase como se o céu estivesse tentando sugerir uma linha de percussão para a faixa que eles estavam finalizando.
Rio estava sentado no chão do estúdio, com as pernas longas esticadas e as costas apoiadas em um amplificador de baixo desligado. Seu cabelo cacheado, úmido da corrida entre o carro e a entrada, caía desordenadamente sobre os ombros de sua camisa de seda creme. Ele segurava um guardanapo amassado do "The Ivy", onde havia rabiscado três versos novos sobre a solidão das luzes da cidade.
Ao seu lado, Zelda, sua Dobermann, ocupava um tapete persa caro, roncando suavemente como se os decibéis da sala de controle não fossem nada além de canções de ninar.
— Você não acha que esse acorde de sétima está... brilhante demais? — A voz de Michael Jackson surgiu, suave e cortante como um fio de seda, vinda do canto da sala onde ele testava alguns passos de dança em silêncio.
Rio levantou os olhos do guardanapo. Michael estava usando uma jaqueta de couro vermelha, as calças pretas curtas revelando as meias brancas icônicas. Ele parecia flutuar, mesmo quando estava apenas parado, pensando na estrutura da música.
— O brilho é o que faz a dor do verso ser suportável, Michael — Rio respondeu, sua voz aveludada carregando aquela calma característica. — Se tirarmos a luz da harmonia, vira apenas uma canção triste. Se deixarmos o acorde brilhar, vira uma canção sobre sobreviver à tristeza. Faz diferença.
Michael inclinou a cabeça, processando a ideia. Ele caminhou até o piano de cauda no centro da sala, seus movimentos leves e precisos. Tocou a sequência de notas que Rio havia sugerido. O som ecoou pelo estúdio, misturando-se ao ruído da chuva lá fora.
— Sobreviver à tristeza... — Michael murmurou, um sorriso pequeno e genuíno iluminando seu rosto. — Eu gosto disso. É esperançoso.
Antes que o momento pudesse se aprofundar em uma análise filosófica sobre a natureza do Pop e do Jazz, a porta da sala de controle se escancarou com um estrondo.
— Alerta de hipoglicemia artística! — gritou Nikolai, entrando na sala com um mullet platinado que parecia ter vida própria e uma camisa estampada com flamingos neon que desafiava qualquer lei do bom gosto. — Se eu ouvir esse acorde de sétima mais uma vez sem ter um pedaço de pizza na mão, eu vou sabotar a mesa de mixagem e transformar esse álbum num disco de polca russa!
Niko carregava duas caixas de pizza gordurosas e quatro garrafas de refrigerante, equilibrando tudo com a habilidade de quem passava a vida em estúdios subdimensionados. Ele chutou a porta para fechar e jogou as caixas sobre uma mesa lateral, ignorando completamente a aura de "gênios trabalhando" que pairava no ar.
— Rio, você está pálido. Michael, você está... bem, você é sempre assim, mas precisa comer. — Niko estalou os dedos, apontando para a comida. — Agora.
Rio soltou uma risada baixa, guardando o guardanapo no bolso da calça de alfaiataria.
— O Niko tem esse dom — comentou Rio para Michael, enquanto se levantava com elegância. — Ele consegue destruir qualquer tensão criativa com o cheiro de calabresa.
— É um serviço público — rebateu Niko, já abrindo a caixa. — E Rio, pare de guardar letras em guardanapos. Eu achei um no lixo ontem que tinha o que parecia ser o refrão do século, mas estava manchado de café.
— Era uma ideia sobre o reflexo das poças d'água — Rio disse, pegando uma bala de laranja do bolso e jogando para Michael, que a pegou no ar com um reflexo impressionante. — Mas talvez o café tenha dado o toque final que faltava.
Michael riu, a risada aguda e cristalina que ele só soltava quando se sentia seguro. Ele abriu a bala e a colocou na boca, sentindo o sabor cítrico. Era um ritual silencioso entre os dois; Rio sempre tinha aquelas balas, e Michael sempre aceitava, como um código de fraternidade.
— Vocês dois são estranhos — Niko disse, pegando uma Polaroid que estava pendurada em seu pescoço e disparando um flash súbito.
O clarão iluminou a sala por um milésimo de segundo: Michael rindo com a bala na mão, Rio com um meio sorriso enigmático e Zelda, ao fundo, abrindo um olho apenas para conferir se o barulho era uma ameaça ou apenas o Nikolai sendo o Nikolai.
— Ei! — Michael protestou, cobrindo o rosto com a mão, embora estivesse sorrindo. — Eu não estava pronto, Niko.
— As melhores fotos são as de quem não está pronto — Niko balançou a foto para revelar a imagem. — Mostra a alma. Ou pelo menos mostra que o Rio precisa de um penteado novo.
— Meu cabelo está ótimo, Niko — Rio retrucou, passando a mão pelos cachos escuros. — É "cuidadosamente bagunçado". É uma estética.
— É "esqueci onde deixei o pente" — corrigiu o ucraniano, voltando para a mesa de som. — Agora comam. Temos quatro horas antes do sol nascer e eu quero terminar a mixagem daquela ponte. Michael, os estalos vocais que você fez na tomada anterior foram... — ele fez um gesto de explosão com as mãos — ... eletrizantes. Mas o Rio precisa dobrar a harmonia com aquele tom de veludo que ele usa quando está com sono.
Eles comeram ali mesmo, sentados ao redor da mesa de som. A conversa fluiu da técnica vocal para os filmes de Charlie Chaplin, e depois para a obsessão de Michael por contos de fadas. Rio ouvia mais do que falava, observando a forma como Michael gesticulava quando ficava empolgado. Ele percebia a vulnerabilidade escondida atrás do ícone; a maneira como Michael mexia nervosamente na gola da jaqueta quando o assunto ficava pessoal demais, ou como seus olhos brilhavam de uma forma quase infantil quando falavam sobre o poder da música em mudar o mundo.
— Às vezes — Michael começou, sua voz caindo para um sussurro enquanto ele olhava para o monitor de áudio — eu sinto que as músicas já estão escritas no céu. Eu sou só o para-raios.
Rio assentiu, sentindo uma conexão profunda com aquela afirmação.
— O problema é que ser um para-raios dói, não é? — Rio perguntou suavemente. — A eletricidade tem que passar por algum lugar.
Michael olhou para Rio, e por um momento, o tempo pareceu parar. Não havia câmeras, não havia fãs, não havia a pressão esmagadora do que viria a ser o álbum "Thriller". Havia apenas dois artistas que entendiam o peso da criação.
— Sim — Michael admitiu, quase num suspiro. — Dói muito.
— É por isso que bebemos café ruim e comemos pizza fria às três da manhã — Niko interrompeu, sentando-se de lado na cadeira de couro, com as pernas cruzadas de um jeito impossível. — Para aterrar a energia. Agora, chega de poesia. Rio, para o microfone. Michael, quero que você fique na sala de controle e me diga se a textura do Rio está casando com o seu timbre.
Rio caminhou até a cabine de gravação. Ele colocou os fones de ouvido e sentiu o isolamento acústico abraçá-lo. Através do vidro, ele viu Michael sentado ao lado de Niko. Michael fez um sinal de positivo com o polegar, seus olhos atentos e encorajadores.
Rio fechou os olhos. Ele pensou na chuva lá fora, no cheiro de laranja, na solidão que sentia mesmo estando cercado de gente, e na estranha e doce amizade que estava florescendo com o homem do outro lado do vidro.
A música começou. Era uma balada que misturava a sofisticação do jazz com a batida vibrante do R&B. Rio começou a cantar, sua voz quente e aveludada preenchendo o espaço. Ele não estava apenas cantando notas; ele estava contando o segredo que havia escrito no guardanapo.
Na sala de controle, Michael fechou os olhos, movendo a cabeça levemente no ritmo. Ele conseguia ouvir cada nuance, cada respiração.
— Ele é bom, não é? — Niko perguntou em voz baixa, sem a ironia habitual.
— Ele não é apenas bom, Niko — Michael respondeu, sem abrir os olhos. — Ele é verdadeiro. Isso é raro.
A sessão se arrastou até as cinco da manhã. Quando finalmente decidiram encerrar, a chuva havia parado, deixando para trás aquele brilho asfáltico nas ruas de Los Angeles.
— Eu levo você até o carro — Rio ofereceu, enquanto Zelda se espreguiçava, pronta para finalmente ir para casa.
Eles caminharam pelo estacionamento vazio. O ar estava frio e limpo.
— Rio — Michael disse, parando ao lado de sua limusine preta que o aguardava. — Obrigado por hoje. Por entender sobre o acorde de sétima.
Rio sorriu, as mãos nos bolsos do sobretudo de veludo.
— Sempre que precisar de um pouco de sombra no seu brilho, Michael, é só chamar.
Michael riu e, num impulso de coragem, deu um passo à frente e abraçou Rio. Foi um abraço rápido, mas carregado de uma gratidão que as palavras não alcançavam.
— Até amanhã? — perguntou Michael.
— Até amanhã.
Rio observou o carro de Michael se afastar. Ele sentiu o cansaço finalmente atingir seus ossos, mas era um cansaço bom, o tipo de exaustão que vem depois de se entregar completamente a algo.
— Ei, Romeu! — Niko gritou da porta do estúdio, balançando a Polaroid que havia tirado mais cedo. — Você esqueceu seu caderno de letras no piano de novo! Se eu vender isso para a Rolling Stone, eu me aposento nas Bahamas!
Rio riu alto, o som ecoando pela rua silenciosa.
— Tente a sorte, Niko! Você não consegue ler minha letra de qualquer maneira!
Ele caminhou até seu próprio carro, um modelo antigo que cheirava a discos de vinil e couro. Zelda pulou para o banco de trás e dormiu instantaneamente. Rio ligou o motor, mas antes de sair, pegou um pedaço de recibo que estava no console.
"A música não é o que ouvimos", escreveu ele rapidamente enquanto a inspiração ainda queimava. "É o que resta quando o silêncio volta."
Ele guardou o papel no bolso, sorriu para o reflexo no retrovisor e dirigiu em direção ao amanhecer, sentindo que o mundo estava prestes a mudar, e que ele, de alguma forma, faria parte da trilha sonora dessa mudança.
Rio estava sentado no chão do estúdio, com as pernas longas esticadas e as costas apoiadas em um amplificador de baixo desligado. Seu cabelo cacheado, úmido da corrida entre o carro e a entrada, caía desordenadamente sobre os ombros de sua camisa de seda creme. Ele segurava um guardanapo amassado do "The Ivy", onde havia rabiscado três versos novos sobre a solidão das luzes da cidade.
Ao seu lado, Zelda, sua Dobermann, ocupava um tapete persa caro, roncando suavemente como se os decibéis da sala de controle não fossem nada além de canções de ninar.
— Você não acha que esse acorde de sétima está... brilhante demais? — A voz de Michael Jackson surgiu, suave e cortante como um fio de seda, vinda do canto da sala onde ele testava alguns passos de dança em silêncio.
Rio levantou os olhos do guardanapo. Michael estava usando uma jaqueta de couro vermelha, as calças pretas curtas revelando as meias brancas icônicas. Ele parecia flutuar, mesmo quando estava apenas parado, pensando na estrutura da música.
— O brilho é o que faz a dor do verso ser suportável, Michael — Rio respondeu, sua voz aveludada carregando aquela calma característica. — Se tirarmos a luz da harmonia, vira apenas uma canção triste. Se deixarmos o acorde brilhar, vira uma canção sobre sobreviver à tristeza. Faz diferença.
Michael inclinou a cabeça, processando a ideia. Ele caminhou até o piano de cauda no centro da sala, seus movimentos leves e precisos. Tocou a sequência de notas que Rio havia sugerido. O som ecoou pelo estúdio, misturando-se ao ruído da chuva lá fora.
— Sobreviver à tristeza... — Michael murmurou, um sorriso pequeno e genuíno iluminando seu rosto. — Eu gosto disso. É esperançoso.
Antes que o momento pudesse se aprofundar em uma análise filosófica sobre a natureza do Pop e do Jazz, a porta da sala de controle se escancarou com um estrondo.
— Alerta de hipoglicemia artística! — gritou Nikolai, entrando na sala com um mullet platinado que parecia ter vida própria e uma camisa estampada com flamingos neon que desafiava qualquer lei do bom gosto. — Se eu ouvir esse acorde de sétima mais uma vez sem ter um pedaço de pizza na mão, eu vou sabotar a mesa de mixagem e transformar esse álbum num disco de polca russa!
Niko carregava duas caixas de pizza gordurosas e quatro garrafas de refrigerante, equilibrando tudo com a habilidade de quem passava a vida em estúdios subdimensionados. Ele chutou a porta para fechar e jogou as caixas sobre uma mesa lateral, ignorando completamente a aura de "gênios trabalhando" que pairava no ar.
— Rio, você está pálido. Michael, você está... bem, você é sempre assim, mas precisa comer. — Niko estalou os dedos, apontando para a comida. — Agora.
Rio soltou uma risada baixa, guardando o guardanapo no bolso da calça de alfaiataria.
— O Niko tem esse dom — comentou Rio para Michael, enquanto se levantava com elegância. — Ele consegue destruir qualquer tensão criativa com o cheiro de calabresa.
— É um serviço público — rebateu Niko, já abrindo a caixa. — E Rio, pare de guardar letras em guardanapos. Eu achei um no lixo ontem que tinha o que parecia ser o refrão do século, mas estava manchado de café.
— Era uma ideia sobre o reflexo das poças d'água — Rio disse, pegando uma bala de laranja do bolso e jogando para Michael, que a pegou no ar com um reflexo impressionante. — Mas talvez o café tenha dado o toque final que faltava.
Michael riu, a risada aguda e cristalina que ele só soltava quando se sentia seguro. Ele abriu a bala e a colocou na boca, sentindo o sabor cítrico. Era um ritual silencioso entre os dois; Rio sempre tinha aquelas balas, e Michael sempre aceitava, como um código de fraternidade.
— Vocês dois são estranhos — Niko disse, pegando uma Polaroid que estava pendurada em seu pescoço e disparando um flash súbito.
O clarão iluminou a sala por um milésimo de segundo: Michael rindo com a bala na mão, Rio com um meio sorriso enigmático e Zelda, ao fundo, abrindo um olho apenas para conferir se o barulho era uma ameaça ou apenas o Nikolai sendo o Nikolai.
— Ei! — Michael protestou, cobrindo o rosto com a mão, embora estivesse sorrindo. — Eu não estava pronto, Niko.
— As melhores fotos são as de quem não está pronto — Niko balançou a foto para revelar a imagem. — Mostra a alma. Ou pelo menos mostra que o Rio precisa de um penteado novo.
— Meu cabelo está ótimo, Niko — Rio retrucou, passando a mão pelos cachos escuros. — É "cuidadosamente bagunçado". É uma estética.
— É "esqueci onde deixei o pente" — corrigiu o ucraniano, voltando para a mesa de som. — Agora comam. Temos quatro horas antes do sol nascer e eu quero terminar a mixagem daquela ponte. Michael, os estalos vocais que você fez na tomada anterior foram... — ele fez um gesto de explosão com as mãos — ... eletrizantes. Mas o Rio precisa dobrar a harmonia com aquele tom de veludo que ele usa quando está com sono.
Eles comeram ali mesmo, sentados ao redor da mesa de som. A conversa fluiu da técnica vocal para os filmes de Charlie Chaplin, e depois para a obsessão de Michael por contos de fadas. Rio ouvia mais do que falava, observando a forma como Michael gesticulava quando ficava empolgado. Ele percebia a vulnerabilidade escondida atrás do ícone; a maneira como Michael mexia nervosamente na gola da jaqueta quando o assunto ficava pessoal demais, ou como seus olhos brilhavam de uma forma quase infantil quando falavam sobre o poder da música em mudar o mundo.
— Às vezes — Michael começou, sua voz caindo para um sussurro enquanto ele olhava para o monitor de áudio — eu sinto que as músicas já estão escritas no céu. Eu sou só o para-raios.
Rio assentiu, sentindo uma conexão profunda com aquela afirmação.
— O problema é que ser um para-raios dói, não é? — Rio perguntou suavemente. — A eletricidade tem que passar por algum lugar.
Michael olhou para Rio, e por um momento, o tempo pareceu parar. Não havia câmeras, não havia fãs, não havia a pressão esmagadora do que viria a ser o álbum "Thriller". Havia apenas dois artistas que entendiam o peso da criação.
— Sim — Michael admitiu, quase num suspiro. — Dói muito.
— É por isso que bebemos café ruim e comemos pizza fria às três da manhã — Niko interrompeu, sentando-se de lado na cadeira de couro, com as pernas cruzadas de um jeito impossível. — Para aterrar a energia. Agora, chega de poesia. Rio, para o microfone. Michael, quero que você fique na sala de controle e me diga se a textura do Rio está casando com o seu timbre.
Rio caminhou até a cabine de gravação. Ele colocou os fones de ouvido e sentiu o isolamento acústico abraçá-lo. Através do vidro, ele viu Michael sentado ao lado de Niko. Michael fez um sinal de positivo com o polegar, seus olhos atentos e encorajadores.
Rio fechou os olhos. Ele pensou na chuva lá fora, no cheiro de laranja, na solidão que sentia mesmo estando cercado de gente, e na estranha e doce amizade que estava florescendo com o homem do outro lado do vidro.
A música começou. Era uma balada que misturava a sofisticação do jazz com a batida vibrante do R&B. Rio começou a cantar, sua voz quente e aveludada preenchendo o espaço. Ele não estava apenas cantando notas; ele estava contando o segredo que havia escrito no guardanapo.
Na sala de controle, Michael fechou os olhos, movendo a cabeça levemente no ritmo. Ele conseguia ouvir cada nuance, cada respiração.
— Ele é bom, não é? — Niko perguntou em voz baixa, sem a ironia habitual.
— Ele não é apenas bom, Niko — Michael respondeu, sem abrir os olhos. — Ele é verdadeiro. Isso é raro.
A sessão se arrastou até as cinco da manhã. Quando finalmente decidiram encerrar, a chuva havia parado, deixando para trás aquele brilho asfáltico nas ruas de Los Angeles.
— Eu levo você até o carro — Rio ofereceu, enquanto Zelda se espreguiçava, pronta para finalmente ir para casa.
Eles caminharam pelo estacionamento vazio. O ar estava frio e limpo.
— Rio — Michael disse, parando ao lado de sua limusine preta que o aguardava. — Obrigado por hoje. Por entender sobre o acorde de sétima.
Rio sorriu, as mãos nos bolsos do sobretudo de veludo.
— Sempre que precisar de um pouco de sombra no seu brilho, Michael, é só chamar.
Michael riu e, num impulso de coragem, deu um passo à frente e abraçou Rio. Foi um abraço rápido, mas carregado de uma gratidão que as palavras não alcançavam.
— Até amanhã? — perguntou Michael.
— Até amanhã.
Rio observou o carro de Michael se afastar. Ele sentiu o cansaço finalmente atingir seus ossos, mas era um cansaço bom, o tipo de exaustão que vem depois de se entregar completamente a algo.
— Ei, Romeu! — Niko gritou da porta do estúdio, balançando a Polaroid que havia tirado mais cedo. — Você esqueceu seu caderno de letras no piano de novo! Se eu vender isso para a Rolling Stone, eu me aposento nas Bahamas!
Rio riu alto, o som ecoando pela rua silenciosa.
— Tente a sorte, Niko! Você não consegue ler minha letra de qualquer maneira!
Ele caminhou até seu próprio carro, um modelo antigo que cheirava a discos de vinil e couro. Zelda pulou para o banco de trás e dormiu instantaneamente. Rio ligou o motor, mas antes de sair, pegou um pedaço de recibo que estava no console.
"A música não é o que ouvimos", escreveu ele rapidamente enquanto a inspiração ainda queimava. "É o que resta quando o silêncio volta."
Ele guardou o papel no bolso, sorriu para o reflexo no retrovisor e dirigiu em direção ao amanhecer, sentindo que o mundo estava prestes a mudar, e que ele, de alguma forma, faria parte da trilha sonora dessa mudança.
