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Copa do mundo

Fandom: Futebol

Criado: 27/06/2026

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O Coração Dividido entre o Samba e a Tulipa

A suíte luxuosa em Miami tinha uma vista privilegiada para o horizonte, mas os olhos de Karen estavam fixos no espelho de corpo inteiro. Ela ajustava a camisa canarinho, o tecido amarelo vibrante contrastando perfeitamente com sua pele retinta e iluminada pelo sol da Flórida. A modelo mineira, acostumada com as passarelas de Paris e Milão, sentia-se muito mais à vontade ali, pronta para vibrar pelo Brasil em solo americano.

Memphis Depay entrou no quarto, terminando de calçar seus tênis. Ele parou no batente da porta, cruzando os braços tatuados enquanto observava a noiva. Um sorriso de canto surgiu em seu rosto, mas havia um brilho de provocação em seus olhos.

— De novo esse amarelo, Karen? — perguntou ele, em seu inglês com sotaque holandês, aproximando-se dela. — Achei que hoje você fosse usar a laranja que eu te dei.

Karen virou-se, jogando os cabelos cacheados para o lado e exibindo um sorriso travesso que sempre desarmava o noivo.

— Memphis, meu amor, o Brasil joga hoje — respondeu ela, aproximando-se para ajeitar o colar de ouro dele. — Você sabe que eu te apoio em cada passo, em cada gol pela Holanda... mas o meu sangue é verde e amarelo. Minas Gerais está no meu DNA, esqueceu?

Memphis soltou uma risada nasalada, puxando-a pela cintura.

— Eu nunca esqueço de onde você vem. Você faz questão de me lembrar todos os dias, especialmente quando coloca pão de queijo no café da manhã em plena pré-temporada.

— É para você ter energia, holandês — brincou ela, selando os lábios dele com um beijo rápido. — Agora vamos, ou vamos perder o hino.

O clima da Copa América e da movimentação das seleções nos Estados Unidos era contagiante. Karen acompanhava Memphis em todos os jogos da Holanda, vibrando na arquibancada, usando acessórios discretos em laranja, mas sempre mantendo sua essência brasileira. Ela era a "Primeira Dama" favorita da torcida holandesa, mas a imprensa brasileira não deixava de notar que, nos dias de folga do noivo, ela era vista nos estádios torcendo fervorosamente pela Seleção Brasileira.

Mais tarde naquela noite, após o jogo do Brasil, o casal jantava em um restaurante reservado em South Beach. Memphis parecia pensativo, mexendo no vinho enquanto observava a animação de Karen, que ainda comentava sobre os lances da partida.

— Você realmente fica diferente quando o Brasil joga — comentou Memphis, interrompendo o raciocínio dela sobre a tática do meio-campo brasileiro.

— É uma energia que não sei explicar, Memphis — disse ela, os olhos brilhando. — É a minha casa.

O jogador inclinou-se para frente, apoiando os cotovelos na mesa. A pergunta que estava martelando em sua cabeça o dia todo finalmente saiu.

— Deixa eu te perguntar uma coisa, Karen. Uma pergunta séria.

— Diga, meu bem.

— Se o sorteio mudar, ou em um futuro confronto... se Brasil e Holanda jogarem um contra o outro. Uma final. Eu em campo, buscando o título da minha vida. Para quem você torceria de verdade?

Karen parou com a taça de água a caminho da boca. Ela olhou para Memphis, vendo a seriedade no rosto dele, misturada com uma ponta de ciúme esportivo. Ela não hesitou nem por um segundo.

— Pro Brasil, é claro — respondeu ela, com a naturalidade de quem diz que o céu é azul.

O rosto de Memphis caiu. Ele piscou, incrédulo, enquanto um silêncio pesado se instalou na mesa por alguns segundos.

— Como é? — perguntou ele, a voz subindo um tom. — Você torceria contra o seu noivo? Contra o homem que vai casar com você?

— Memphis, não seja dramático — disse ela, soltando uma risadinha. — Eu amo você. Eu quero que você faça três gols, que você seja o melhor em campo, que você saia aplaudido de pé... mas eu quero que o Brasil vença por 4 a 3.

— Isso é inacreditável! — exclamou Memphis, recostando-se na cadeira e jogando as mãos para o alto, embora um sorriso involuntário começasse a surgir pela audácia dela. — Eu aqui, pensando que eu era a prioridade número um.

— No meu coração, você é o número um — disse Karen, esticando a mão para tocar a dele sobre a mesa. — Mas a Seleção é o número zero. Ela chegou antes de você, querido. Eu cresci ouvindo o Galvão Bueno gritar gol, eu chorava nas derrotas muito antes de saber quem era Memphis Depay.

— Eu não posso acreditar que estou noivo de uma traidora — brincou ele, embora ainda houvesse um resquício de indignação real. — Eu vou marcar um gol e comemorar apontando para você na tribuna, e você vai estar lá, com uma bandeira do Brasil escondida na bolsa?

— Provavelmente — admitiu ela, piscando para ele. — E se você ganhar do Brasil, eu vou ficar feliz por você, mas vou passar três dias sem falar com você e você vai ter que dormir no sofá.

Memphis soltou uma gargalhada alta, atraindo a atenção de algumas mesas vizinhas. Ele balançou a cabeça, admirando a firmeza da mulher à sua frente. Karen não era apenas uma modelo internacional de sucesso; ela era uma força da natureza que não dobrava seus princípios por ninguém, nem mesmo por ele.

— Você é impossível, Karen — disse ele, voltando a segurar a mão dela. — Mas acho que é por isso que eu te amo. Essa sua paixão... mesmo que seja direcionada para o time errado.

— Time errado? — Karen arqueou uma sobrancelha, fingindo ofensa. — Quantas Copas a Holanda tem mesmo, meu amor? Eu perdi a conta.

Memphis fechou os olhos por um momento, sentindo o golpe.

— Isso foi golpe baixo. Muito baixo.

— Apenas fatos, querido — disse ela, vitoriosa. — Mas não fique triste. Se vocês perderem para nós, eu te levo para Minas e te consolo com um feijão tropeiro que vai te fazer esquecer qualquer derrota.

— Eu vou cobrar esse tropeiro — respondeu ele, recuperando o humor. — Mas fique sabendo que, se esse jogo acontecer, eu vou dobrar o meu treinamento. Eu não vou perder para o seu país e depois ter que ouvir suas piadinhas pelo resto da vida.

— Veremos, Depay. Veremos.

Eles saíram do restaurante de mãos dadas, caminhando pela orla de Miami. A brisa quente da noite lembrava Karen das noites de verão no Brasil. Enquanto caminhavam, Memphis a puxou para perto, sussurrando no ouvido dela.

— Só para constar, se a Holanda ganhar, você vai ter que usar a camisa laranja no jantar de comemoração.

Karen parou de caminhar e olhou para ele, fingindo pensar na proposta.

— Tudo bem. Mas eu vou usar um batom verde e um salto amarelo. É o meu limite.

— Fechado — disse ele, selando o acordo com um beijo apaixonado.

Eles sabiam que a rivalidade era apenas uma brincadeira, uma pitada de tempero em um relacionamento construído sobre respeito e admiração mútua. Mas, no fundo, Memphis sabia que Karen falava sério. E Karen sabia que, não importa quem vencesse no campo, ela já tinha ganhado o prêmio principal ao ter aquele holandês teimoso ao seu lado.

Ao voltarem para o hotel, Memphis viu a bandeira do Brasil pendurada na varanda do quarto. Ele suspirou, fingindo irritação, enquanto Karen começava a cantarolar um samba popular.

— Você vai cantar isso a noite toda? — perguntou ele, jogando-se na cama.

— Vou — respondeu ela, começando a sambar levemente enquanto retirava as joias. — É para você já ir se acostumando com o ritmo da derrota.

Memphis pegou um travesseiro e jogou nela, rindo.

— Amanhã eu vou comprar uma bandeira da Holanda e colocar bem em cima da sua.

— Tente a sorte, meu amor — desafiou ela, rindo alto. — Mas lembre-se: em casa, quem manda é a brasileira.

E entre risadas e provocações, o casal adormeceu, cada um sonhando com a glória de suas cores, mas unidos por um amor que ultrapassava qualquer fronteira ou gramado de futebol.
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