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Noites que Nunca Têm Fim

Fandom: Heath Ledger

Criado: 28/06/2026

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Cinzas, Neon e Promessas de Chardonnay

Como começar a narrar isso? Bem... Eu me chamo Mariana, tenho 18 anos e cabelos lisos e longos de um tom loiro escuro dourado intenso, olhos mel-esverdeados e uma estatura magra que, honestamente, não sei o que acrescenta nesta história. Mas eu gosto de pensar que carrego em mim os traços fortes de Alaska Young, aquela melancolia indomável envolta em fumaça e mistério.

Era 8 de junho de 1992, 1:14 da manhã. O ar em Nova Iorque estava impregnado com aquele cheiro característico de asfalto úmido e escapamento, mas dentro da 89 Street Club, o mundo era outro. Eu estava lá como uma intrusa, portando uma identidade falsa que dizia que eu tinha 21 anos e um descaramento que dizia que eu era dona da porra toda. "Rhythm of the Night", da Corona, explodia nos alto-falantes, reverberando no meu peito enquanto eu me movia na pista de dança. Minha calça jeans de cintura baixa e a blusa verde musgo cintilante, aberta nas costas, pareciam brilhar sob os flashes de neon. A boina, os olhos carregados de sombra preta e o tilintar incessante das minhas pulseiras — *tin-tin-tin* — eram o meu escudo e minha espada. Eu era uma jovem leopardo pronta para mostrar as unhas.

E foi ali, entre mil e quinhentas pessoas frenéticas, que eu o vi.

Patrick Ledger tinha 20 anos e uma aura que misturava a doçura de um chardonnay com o impacto de uma dose de tequila pura. Ele estava encostado em um canto VIP, mas seus olhos verdes intensos cortavam a multidão como lasers. O cabelo ondulado, castanho-claro quase loiro, caía displicente sobre o rosto salpicado de sardas discretas. Ele usava um casaco de couro batido e óculos escuros estilo anos 90 que, de alguma forma, não pareciam ridículos àquela hora da madrugada.

Nossos olhos se cruzaram e, por um segundo, a música pareceu abafada. Como em *China Girl*, de 1987, o mundo ao redor se dissolveu. Ele se aproximou com um sorriso perfeitamente branco, aquele tipo de sorriso que dizia: "Eu sou o rei deste lugar".

— Você dança como se estivesse tentando fugir de algo ou como se estivesse caçando — disse ele, aproximando-se o suficiente para que eu sentisse seu cheiro: uma mistura inebriante de perfume masculino caro, nicotina e um toque de futurismo art deco.

Eu sorri, sentindo o gosto do meu chiclete de melancia.

— E se eu estiver fazendo as duas coisas? — respondi, inclinando a cabeça. — E você? Parece o tipo de cara que gosta de ser a presa.

Ele soltou uma risada curta, rouca.

— Patrick — ele se apresentou, estendendo a mão.

— Mariana. Mas meus amigos me chamam de problema.

— Prazer, Problema. Eu acho que vou gostar de você.

Naquela noite, eu não sabia que estava mergulhando no epicentro do que a imprensa chamaria de *Pussy Posse*. Patrick era um ator promissor, o tipo de talento que Hollywood ainda estava tentando processar, mas para mim, ele era apenas o cara que me ofereceu um Marlboro Vermelho e me puxou para o meio de um grupo que parecia saído de um editorial da *Rolling Stone*.

No sofá de veludo desgastado do fundo do clube, lá estavam eles. Leonardo DiCaprio, com sua energia maníaca e um sorriso que derreteria icebergs, e Johnny Depp, que parecia estar sempre em algum lugar entre um sonho lúcido e uma ressaca existencial.

— Leo, Johnny — Patrick disse, colocando o braço sobre meus ombros —, essa é a Mariana. Ela é uma leopardo disfarçada de universitária.

— Mais uma para o hospício! — Leo exclamou, jogando a cabeça para trás e rindo. Ele segurava uma nota de cem dólares que usava para fazer um aviãozinho de papel. — Senta aí, garota. O Johnny está prestes a nos contar como ele quase foi preso em Paris.

— Eu não quase fui preso — Johnny corrigiu, sua voz baixa e aveludada, enquanto tragava seu cigarro com uma elegância que eu nunca conseguiria replicar. — Eu fui convidado a me retirar com extrema urgência. É diferente.

Johnny se tornou, naquela mesma noite, o meu confidente. Havia algo nele, uma melancolia compartilhada, que me fez sentir segura. Ele me ofereceu um trago e, por um momento, ficamos apenas observando o caos da pista.

— Você é nova nisso, não é? — perguntou Johnny, olhando para as minhas pulseiras que faziam *tin-tin-tin*.

— Eu frequento esses lugares há algum tempo — menti, tentando manter a pose de criatura da noite.

— Não a boate, pequena — ele sorriu de lado, soprando a fumaça. — Falo da intensidade. Esses caras... o Leo é um ímã de confusão. Ele rasga dinheiro, ele atrai flashes, ele é leal até o fim, mas ele é um furacão. E o Patrick... o Patrick é um incêndio florestal. Você está pronta para se queimar?

Eu olhei para Patrick, que estava agora em cima de uma mesa, desafiando Leo para uma competição de quem conseguia virar uma cerveja mais rápido, enquanto "Sweet Dreams" do La Bouche começava a tocar — minha música favorita.

— Eu sempre gostei do calor — respondi.

As horas seguintes foram um borrão de luzes estroboscópicas, risadas altas e decisões sagazes tomadas sob o efeito da adrenalina. Éramos jovens, inconsequentes e indestrutíveis. A noite de Nova Iorque nos soldava com o pensamento de que seríamos eternamente jovens, de que a responsabilidade era algo que só acontecia com pessoas "comuns". E, por trás da minha fachada de menina comum com um trabalho comum, eu sentia que finalmente pertencia a algum lugar.

Ao amanhecer, o sol começou a filtrar pelas janelas sujas de um loft no Soho que pertencia ao Leo. O cheiro de pizza de 99 centavos e cerveja choca dominava o ambiente.

— Puta merda, o que houve esta noite? — Leo resmungou, caído em um tapete persa, com uma caixa de pizza vazia servindo de travesseiro.

Patrick estava sentado ao meu lado no chão, as costas apoiadas no sofá. Ele parecia exausto, mas seus olhos verdes ainda brilhavam com aquela centelha de desafio. Ele pegou minha mão e começou a traçar linhas imaginárias na minha palma.

— Você está bem? — ele perguntou, sua voz era um sussurro matinal, doce como o chardonnay que havíamos bebido mais cedo.

— Nunca estive melhor — eu disse, e era verdade. — Sinto como se tivesse vivido dez anos em seis horas.

— É assim que funciona com a gente — ele inclinou-se e beijou minha têmpora. Seus lábios de pássaro, finos e delicados, pareciam sempre trazer boas notícias, como na letra de *Cherry-Coloured Funk*. — Nós somos os donos do mundo até o café da manhã.

— E depois do café da manhã? — perguntei, sentindo o peso do cansaço começar a vencer minha resistência.

— Depois... — Patrick sorriu, o sorriso de Patrick Verona que me fazia derreter — ...nós dormimos e esperamos o sol se pôr para podermos ser feras de novo.

Eu olhei para Johnny, que dormia em uma poltrona com um chapéu sobre o rosto, e para Leo, que roncava baixinho. Aqueles homens, os rostos mais cobiçados do mundo, eram apenas garotos brincando de serem imortais. E eu era a garota que, por algum golpe de sorte ou destino, havia sido convidada para a brincadeira.

— Sabe — eu disse, encostando minha cabeça no ombro de Patrick —, as pessoas lá fora acham que vocês são deuses.

— E o que você acha? — ele perguntou, fechando os olhos.

— Eu acho que vocês são apenas adolescentes sujos de pizza que precisam de um banho.

Patrick riu, um som limpo que cortou o silêncio do amanhecer.

— É por isso que eu gosto de você, Mariana. Você não usa máscara.

Eu fechei os olhos também, sentindo o cheiro de couro e cigarro que emanava dele. Naquele momento, debaixo de roupas gomadas e falas polidas que eu teria que usar mais tarde para enfrentar a sociedade, a fera dentro de mim estava satisfeita. Éramos inegociáveis. Éramos intragáveis para o mundo comum. Era como se nos conhecêssemos de outras vidas, outros universos onde o tempo não existia e a única regra era a próxima batida da música.

A cada amanhecer, o ciclo se repetia. Eu voltava para a minha vida de "menina sem sal", mas guardava o segredo do tilintar das minhas pulseiras e do gosto dos lábios de Patrick. Éramos os reis da noite, os filhos do caos, e enquanto a discoteca tocasse, seríamos eternos.

— Ei, Mariana? — Patrick chamou, quase pegando no sono.

— Oi?

— Não esqueça... amanhã, meia-noite, no mesmo lugar. O Leo quer tentar entrar naquele clube novo no Meatpacking District com nomes falsos de diplomatas suecos.

— Eu estarei lá — respondi, sorrindo para o teto. — Vou precisar de uma peruca loira platinada.

— Eu consigo uma para você — ele murmurou. — Eu consigo qualquer coisa para você.

E ali, entre caixas de pizza e juras de amor ao alvorecer, eu soube que minha vida comum havia morrido para dar lugar a algo muito mais perigoso e brilhante. Eu era uma criatura da noite, e Patrick Ledger era o meu luar.
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