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O amor certo?

Fandom: Através da minha janela

Criado: 28/06/2026

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Entre Desejos e Rivalidades

O sol de Barcelona começava a se pôr, pintando o céu com tons de laranja e roxo que lembravam muito o temperamento explosivo de quem estava dentro daquela casa de veraneio. A mansão dos Hidalgo, emprestada para o fim de semana, parecia pequena demais para a tensão que pairava entre as quatro garotas.

Samara estava sentada na borda da piscina, os cabelos longos e escuros escorrendo pelas costas, molhando o tecido leve do seu vestido curto. Com apenas 1,55m de altura, ela possuía uma presença que dominava qualquer ambiente. Ela sabia o efeito que causava, especialmente em Marcelle.

— Você vai acabar pegando um resfriado se continuar aí fora — disse Marcelle, aproximando-se com passos hesitantes.

Marcelle, aos 15 anos, já era mais alta que Samara. Seus cachos volumosos moldavam um rosto que transbordava uma adoração mal disfarçada. Ela olhava para Samara como se a garota de 18 anos fosse o centro do universo.

— O frio nunca me incomodou, Celly — respondeu Samara, virando o rosto com um sorriso de canto, aquele sorriso que prometia problemas e prazer na mesma medida. — Mas se você está tão preocupada, pode vir aqui me esquentar.

Marcelle sentiu o rosto queimar. Antes que pudesse responder, a porta de vidro da varanda foi aberta com força. Kauanny apareceu, os cabelos lisos e longos balançando com o movimento brusco. Aos 17 anos, ela não escondia de ninguém o ódio profundo que nutria por Samara — ou talvez fosse apenas o medo de perder Marcelle para ela.

— Marcelle, a Larissa está chamando para ajudar com os drinques — disse Kauanny, a voz ríspida, os olhos fixos em Samara com desprezo. — E você, Samara, deveria parar de tentar corromper quem tem menos da metade da sua experiência.

Samara soltou uma risada anasalada, levantando-se devagar. A água escorria por suas pernas, e ela caminhou até Kauanny, parando a poucos centímetros de distância.

— Experiência é algo que se compartilha, Kauanny — sussurrou Samara, a voz carregada de malícia. — Talvez você esteja apenas com inveja por não ser o foco da minha atenção.

— Em seus sonhos mais loucos — rebateu Kauanny, cerrando os punhos.

— Meninas, por favor! — Larissa surgiu entre elas, tentando apaziguar os ânimos. A loira de cabelos cacheados era a ponte que impedia aquele grupo de desmoronar. — Viemos aqui para nos divertir, não para começar a Terceira Guerra Mundial. Samara, vai se trocar. Kauanny, para de rosnar. Marcelle... respira, amiga.

O jantar foi uma sucessão de olhares atravessados e toques furtivos por baixo da mesa. Samara, propositalmente, mantinha o pé roçando a panturrilha de Marcelle, que mal conseguia segurar o garfo sem tremer. Kauanny percebia tudo, o ciúme queimando em seu peito como brasa viva. Ela amava Marcelle com uma pureza que a agressividade de Samara parecia profanar.

Após algumas taças de vinho — que Larissa insistiu em servir para "relaxar o ambiente" —, a música na sala subiu de volume.

— Eu cansei desse clima — declarou Samara, levantando-se e puxando Marcelle pela mão. — Vamos dançar.

— Ela não quer dançar com você — interveio Kauanny, levantando-se também.

— Deixa ela falar por si mesma, Kauanny — Samara desafiou, puxando Marcelle para mais perto, os corpos quase colados.

Marcelle olhou de uma para a outra. O coração batia forte. Ela amava a segurança que Kauanny lhe passava, mas o perigo que emanava de Samara era um ímã irresistível.

— Eu... eu quero dançar um pouco — murmurou Marcelle, evitando o olhar ferido de Kauanny.

A música era lenta, um contraste com a tensão elétrica no ar. Samara envolveu o pescoço de Marcelle, as mãos pequenas perdendo-se entre os cachos da mais nova.

— Você é tão linda, Celly — sussurrou Samara contra o ouvido dela. — Tão jovem e tão cheia de vontade. Eu vejo como você me olha.

— Samara, aqui não... a Kauanny está vendo — Marcelle tentou recuar, mas seus próprios braços se apertaram na cintura de Samara.

— Deixe que ela veja. Deixe que ela aprenda como se faz.

Samara não esperou por uma resposta. Ela selou seus lábios nos de Marcelle em um beijo faminto, profundo e carregado de uma luxúria que não pertencia a adolescentes. Marcelle soltou um gemido baixo, entregando-se ao momento, sentindo o mundo girar.

— Chega! — O grito de Kauanny ecoou, e ela avançou, puxando Samara pelo ombro. — Você não tem vergonha? Ela é só uma garota!

— E você é só uma covarde que não tem coragem de admitir o que sente! — Samara gritou de volta, os olhos brilhando de fúria.

A briga física foi quase inevitável. Kauanny empurrou Samara, que cambaleou para trás, rindo histericamente.

— Você me odeia porque eu sou o que você queria ser para ela — provocou Samara, limpando o batom borrado com o polegar. — Eu sou o desejo proibido, Kauanny. E você é apenas a sombra.

— Cala a boca! — Kauanny avançou novamente, mas Larissa se meteu no meio, segurando-a pelos braços.

— Parem com isso agora! — Larissa gritou, a voz firme. — Marcelle, sobe para o quarto. Agora! Samara, você passou dos limites. E Kauanny, o ciúme está te cegando.

Marcelle correu para o andar de cima, as lágrimas começando a cair. O peso de ser o objeto de disputa entre as duas era demais para seus 15 anos.

Minutos depois, a porta do quarto se abriu. Marcelle esperava ver Larissa, mas era Samara quem entrava, fechando a porta e trancando-a silenciosamente.

— O que você está fazendo aqui? — perguntou Marcelle, sentada na cama.

— Vim terminar o que começamos lá embaixo — Samara disse, caminhando com a graça de um predador. — Sem plateia. Sem gritos. Apenas nós.

— A Kauanny vai nos matar...

— A Kauanny não precisa saber de tudo — Samara sentou-se no colo de Marcelle, forçando-a a deitar na cama. — Ela ama a sua ideia. Eu amo o seu corpo, a sua confusão, a sua vontade de quebrar as regras.

O beijo que se seguiu foi diferente do anterior. Era urgente, quase desesperado. As mãos de Samara exploravam cada curva de Marcelle com uma audácia que fazia a mais nova perder o fôlego. As roupas tornaram-se um obstáculo rapidamente descartado.

No corredor, Kauanny encostou-se na parede oposta à porta, ouvindo os suspiros abafados que vinham de dentro do quarto. As lágrimas escorriam silenciosas pelo seu rosto liso. Ela sabia que, naquele jogo de sedução e poder, Samara sempre jogava para ganhar, e Marcelle era um prêmio que ela não estava pronta para perder, mas que já sentia escorregar por entre seus dedos.

Lá embaixo, Larissa suspirou, servindo-se de mais um drinque. Ela conhecia o ciclo. Amanhã haveria mais brigas, talvez mais beijos escondidos, e a teia de sentimentos continuaria a se enredar, tão complicada e perigosa quanto a janela que separava o desejo da realidade.

— Elas nunca vão aprender — murmurou Larissa para a sala vazia —, que o amor dói, mas a obsessão destrói.

A noite em Barcelona estava apenas começando, e as marcas deixadas naquela mansão seriam muito mais profundas do que simples memórias de verão. Entre o ódio de Kauanny e a luxúria de Samara, Marcelle descobria que crescer era um processo doloroso, especialmente quando o coração estava dividido entre a segurança do porto e a excitação do naufrágio.
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