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Wandinha x Tyler

Fandom: Wednesday

Criado: 28/06/2026

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O Eco de uma Melodia Esquecida

A névoa de Jericho nunca foi apenas vapor de água condensado; para Wandinha Addams, era um sudário que escondia segredos que a maioria das pessoas era tola demais para querer desvendar. O outono em Nevermore havia retornado, trazendo consigo o cheiro de folhas em decomposição e a promessa de novos desastres.

Wandinha estava sentada em sua escrivaninha, o som rítmico das teclas da máquina de escrever sendo a única música que ela se permitia apreciar. Após os eventos que quase destruíram a escola pela segunda vez, a calmaria que se seguiu era, para ela, ofensiva. O silêncio era um insulto à sua inteligência.

Um estalo seco veio da janela. Ela não se virou. Sabia exatamente quem — ou o quê — estava lá.

— Se veio tentar me assassinar novamente, Mãozinha, espero que tenha afiado as unhas. O tédio está me matando de forma muito mais eficiente do que você seria capaz.

O apêndice saltou para cima da mesa, gesticulando freneticamente. Wandinha parou de digitar, seus olhos escuros e gélidos focando nos movimentos rápidos.

— Uma mensagem? — Ela arqueou uma sobrancelha, a expressão permanecendo tão imóvel quanto uma lápide. — Deixada no portão oeste? Que arcaico. Quase aprecio o esforço.

Ela pegou o pequeno envelope de papel pardo. Não havia remetente, apenas o cheiro persistente de café torrado e algo mais metálico, como sangue seco sob a chuva. Suas mãos, pálidas e firmes, abriram o lacre de cera preta.

*“Alguns monstros não precisam de correntes para retornar ao lar. Eles só precisam de um motivo. Vejo você onde as sombras se encontram com a água.”*

Wandinha sentiu uma leve descarga elétrica percorrer sua espinha. Não era medo — ela havia extirpado essa emoção há muito tempo —, era reconhecimento.

— O reservatório — murmurou ela, levantando-se e pegando seu sobretudo preto. — Mãozinha, fique aqui. Se Enid voltar e perguntar por mim, diga que fui investigar uma possível exumação. Ela não fará mais perguntas.

A caminhada pela floresta foi silenciosa. A lua estava escondida atrás de nuvens espessas, o que Wandinha considerava uma iluminação ideal. Quando chegou à beira do reservatório, a silhueta de um homem estava parada perto da margem, observando o reflexo distorcido das árvores na água parada.

Ele parecia mais alto do que ela se lembrava. O cabelo estava mais curto, e a postura, antes curvada pela dúvida e pela manipulação de Laurel Gates, agora exalava uma confiança perigosa.

— Você demorou — disse Tyler Galpin, sem se virar. — Achei que a curiosidade seria mais rápida que o seu desprezo.

Wandinha parou a três metros de distância. Suas mãos estavam escondidas nos bolsos, uma delas segurando um canivete de prata.

— A curiosidade é um defeito que reservo para mistérios que valem a pena — respondeu ela, sua voz como o fio de uma navalha. — Você, Tyler, é apenas um erro de cálculo que eu esqueci de apagar completamente.

Tyler finalmente se virou. O rosto que uma vez ostentou a inocência de um barista de cidade pequena agora estava marcado por uma cicatriz fina que descia pela têmpora, e seus olhos... eles não eram mais os olhos de um garoto perdido. Havia uma escuridão neles que rivalizava com a dela.

— Um erro de cálculo? — Ele sorriu, e o gesto foi lento, sedutor e carregado de veneno. — É assim que você chama o que tivemos? Pensei que fôssemos mais parecidos do que você gosta de admitir. Dois monstros brincando de casinha em um mundo que quer nos ver enjaulados.

— Você é um Hyde — disse Wandinha, dando um passo à frente, seus olhos observando cada movimento dele. — Um servo por instinto. Eu sou uma Addams. Eu não sigo mestres, eu os enterro.

Tyler riu, um som baixo que ecoou pelas árvores. Ele caminhou em direção a ela, diminuindo a distância com uma audácia que teria feito qualquer outro recuar.

— Eu não tenho mais um mestre, Wandinha. Laurel está morta. O que sobrou em mim é puramente meu. — Ele parou a poucos centímetros dela, o calor de seu corpo contrastando com o ar gélido da noite. — E o que sobrou em mim ainda quer você. De uma forma ou de outra.

— Suas táticas de sedução continuam tão medíocres quanto seu café — retrucou ela, sem desviar o olhar. — O que você quer? Além de testar minha paciência antes que eu decida se prefiro sua cabeça em uma bandeja ou suas garras em uma redoma de vidro?

Tyler estendeu a mão, mas não para tocá-la. Ele apenas traçou o ar entre eles.

— Ocultistas estão se reunindo ao norte de Jericho — disse ele, a voz tornando-se subitamente séria, profissional. — Eles não querem apenas o sangue dos excluídos. Eles querem o que você carrega, Wandinha. O legado de Goody Addams não morreu com o Crackstone.

Wandinha estreitou os olhos. Ela sabia que ele estava manipulando a situação. Tyler era um mestre em tecer meias-verdades para criar armadilhas. Mas havia uma urgência em seu tom que seu instinto observador não pôde ignorar.

— E por que você viria me contar isso? — perguntou ela. — Por altruísmo? Não tente me insultar com mentiras tão baixas.

— Porque eu quero ser o único a destruir você — ele sussurrou, inclinando-se para perto de seu ouvido, o hálito quente contra sua pele pálida. — E eu não divido minhas presas. Além disso, você sabe que não pode detê-los sozinha. Eles têm algo que pode travar o Hyde. E se eles me controlarem, a primeira coisa que farei é rasgar o pescoço daquela sua colega de quarto colorida.

Wandinha sentiu uma pontada de irritação. Ameaçar Enid era um clichê, mas um clichê eficaz.

— Se tocar um único fio de cabelo da Enid, eu farei com que sua transformação em Hyde seja a experiência mais dolorosa da sua existência curta e miserável — disse ela, as palavras saindo lentas e deliberadas.

— É essa a Wandinha que eu conheço — comentou Tyler, recuando um passo, o brilho predatório voltando aos seus olhos. — Romântica como sempre.

— Não confunda minha proteção de propriedade com romance — rebateu ela. — Enid é irritante, mas é minha colega de quarto. Você é apenas um incômodo biológico.

Tyler deu de ombros, parecendo genuinamente divertido.

— Amanhã, à meia-noite, na cripta dos Crackstone. Eu tenho os nomes e os locais. Traga suas lâminas e seu pessimismo. Eu trarei a força bruta.

— E por que eu deveria confiar que isso não é uma emboscada? — perguntou Wandinha.

Tyler parou por um momento, olhando para a floresta escura antes de voltar sua atenção para ela.

— Porque, no fundo, você gosta do perigo tanto quanto eu. E porque você sabe que, se eu quisesse te matar agora, eu já teria tentado. — Ele deu um passo para trás, desaparecendo na névoa. — Não se atrase. Eu odiaria ter que começar o massacre sem você.

Wandinha permaneceu imóvel por um longo tempo após a partida dele. O cheiro de café e perigo ainda pairava no ar. Ela tocou o cabo do canivete em seu bolso, sentindo o metal frio.

Tyler Galpin era um mentiroso, um assassino e uma criatura de puro caos. Mas ele também era a única coisa em Jericho que conseguia acelerar seus batimentos cardíacos — não por afeto, mas pela antecipação da luta.

Ela virou as costas para o reservatório e começou a caminhar de volta para Nevermore.

— Mãozinha — disse ela, quando entrou no quarto e encontrou o amigo fiel polindo suas botas. — Prepare o kit de primeiros socorros e o veneno de belladona. Temos um encontro com o passado amanhã.

Mãozinha gesticulou, parecendo preocupado.

— Sim, eu sei que ele é perigoso — respondeu Wandinha, sentando-se novamente diante da máquina de escrever. — É exatamente por isso que vai ser divertido.

Ela voltou a digitar. O som das teclas agora parecia mais rápido, mais agressivo. O capítulo final da história de Tyler Galpin ainda não havia sido escrito, e Wandinha Addams pretendia ser a pessoa a segurar a caneta — ou o punhal — quando o fim chegasse.

Enquanto a noite avançava, ela se permitiu um pequeno pensamento, um que nunca admitiria em voz alta. Tyler havia dito que eles eram parecidos. E enquanto ela observava a lua finalmente romper as nuvens, brilhando como um osso polido no céu, Wandinha soube que ele estava certo. A diferença era que ela abraçava sua escuridão com propósito, enquanto ele ainda lutava contra as correntes que ele mesmo ajudara a forjar.

Amanhã, ela descobriria se o Hyde era capaz de redenção ou se apenas precisava de um túmulo mais profundo. De qualquer forma, seria uma noite memorável. E Wandinha Addams adorava memórias que deixavam cicatrizes.
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