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Maldito guilherme

Fandom: Nao tem

Criado: 28/06/2026

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RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoOmegaversoHistória DomésticaAlmas GêmeasLinguagem Explícita
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Entre Paredes e Feromônios

O som das caixas de papelão sendo arrastadas pelo piso de madeira ecoava pelo corredor do novo apartamento, um som que, para Lucas, parecia o prenúncio do apocalipse. Ele empurrou a última caixa do seu antigo quarto para dentro do novo refúgio, sentindo o suor pinicar em sua testa. Lucas era pequeno, quase delicado, com uma cintura fina que sempre parecia deslocada para um garoto, mas que era a marca registrada de sua natureza ômega. Seus cabelos loiros estavam bagunçados e os olhos verdes faiscavam de pura irritação.

— Eu ainda não consigo acreditar que elas fizeram isso — resmungou Lucas, chutando a quina da cama.

— Dá para parar de reclamar? Sua voz está me dando dor de cabeça — a voz grave e carregada de deboche veio da porta.

Lucas se virou bruscamente, encontrando Guilherme parado ali, encostado no batente com os braços cruzados sobre o peito largo. Guilherme era o oposto de Lucas: um alfa dominante, alto, de ombros largos e uma presença que parecia ocupar todo o espaço do ambiente. Eles haviam crescido juntos, unidos pelo laço inquebrável de suas mães, que eram melhores amigas desde a infância. Após a perda trágica de seus pais quando ainda eram crianças, as duas mulheres se tornaram o único pilar uma da outra. E agora, decidiram que a melhor forma de economizar e manter a família unida era dividindo um apartamento grande o suficiente para os quatro.

— Se está incomodado, a porta da rua é serventia da casa, Guilherme — rebateu Lucas, estreitando os olhos. — Ninguém te chamou aqui.

— Infelizmente, "aqui" também é minha casa agora — Guilherme deu um passo para dentro do quarto, seu cheiro de sândalo e tempestade começando a preencher o espaço, o que fez o interior de Lucas se revirar de uma forma que ele odiava admitir. — E nossas mães saíram para comprar pizza. Estamos sozinhos.

— Ótimo. Então suma da minha frente.

Guilherme soltou uma risada curta e seca, aproximando-se mais. Ele adorava provocar Lucas. Desde a adolescência, a dinâmica entre eles havia se transformado em uma guerra fria de insultos e olhares atravessados. Para o mundo, eles se odiavam. Mas, no fundo, havia uma tensão elétrica que nenhum dos dois sabia nomear, ou talvez tivessem medo demais para fazê-lo.

— Você está todo sujo de poeira, baixinho — disse Guilherme, estendendo a mão para tirar um fiapo do cabelo loiro de Lucas.

Lucas recuou como se tivesse levado um choque, o coração disparando. Como ômega, sua biologia era sensível, e ter um alfa tão perto, exalando dominância, era um perigo constante. Especialmente porque Lucas era diferente da maioria dos garotos comuns; sua anatomia ômega incluía uma feminilidade interna que ele escondia sob camadas de sarcasmo e roupas largas.

— Não me toca — sibilou Lucas, embora suas pernas estivessem subitamente bambas.

— Por que? Tem medo do que pode acontecer? — Guilherme deu mais um passo, encurralando Lucas contra a cômoda recém-montada.

— Eu não tenho medo de você, seu idiota. Eu só tenho nojo.

Guilherme arqueou uma sobrancelha, um sorriso predatório brincando em seus lábios. Ele se inclinou, o rosto a poucos centímetros do de Lucas. O ar entre eles ficou pesado, saturado de feromônios que começavam a se misturar de forma caótica.

— Nojo? — Guilherme sussurrou, a voz vibrando no peito. — Seu cheiro diz outra coisa, Lucas. Você está cheirando a pêssego maduro. Está começando a entrar no cio?

— Cala a boca! — Lucas tentou empurrá-lo, mas Guilherme era como uma rocha. — É só o calor da mudança. Sai de perto de mim!

— E se eu não sair?

O desafio pairou no ar. A resistência de Lucas vacilou quando Guilherme segurou sua cintura fina com as duas mãos, apertando-as com firmeza. O toque enviou uma onda de calor diretamente para o baixo ventre de Lucas, onde sua natureza ômega clamava por atenção. Eles se encararam por longos segundos, o ódio e o desejo se confundindo em uma linha tênue e perigosa.

— Você é um desgraçado — murmurou Lucas, mas suas mãos, em vez de empurrarem, agarraram a gola da camiseta de Guilherme.

— E você é um mentiroso — respondeu o alfa, antes de selar seus lábios nos dele.

O beijo foi uma explosão de necessidade contida por anos. Não havia delicadeza; era uma disputa por domínio, um choque de dentes e línguas que queimava. Guilherme suspendeu Lucas, sentando-o na cômoda, e se encaixou entre suas pernas. O ômega soltou um gemido abafado, sentindo a ereção de Guilherme pressionar sua entrada sensível através das roupas.

— A gente... a gente se odeia — Lucas conseguiu dizer entre beijos desesperados, a cabeça jogada para trás enquanto Guilherme descia os beijos pelo seu pescoço.

— Então me odeia com mais força — rosnou Guilherme, puxando a barra da camiseta de Lucas para cima, revelando a pele alva e a cintura esculpida.

Naquela noite, o ódio se transformou em algo visceral. Entre os lençóis ainda desarrumados e o silêncio do novo apartamento, eles quebraram todas as regras que haviam construído. Lucas se entregou à força de Guilherme, e o alfa, pela primeira vez, viu a vulnerabilidade preciosa que o loiro escondia. A anatomia única de Lucas não foi um choque para Guilherme; para um alfa, era o encaixe perfeito, o destino biológico que ele tentava ignorar por orgulho.

Nas semanas que se seguiram, a convivência tornou-se um jogo perigoso de aparências. Na frente das mães, eles continuavam trocando farpas e revirando os olhos. Mas, assim que a porta do quarto se fechava ou que ficavam sozinhos na sala, o desejo tomava conta. Eles se tornaram parceiros sexuais casuais, ou pelo menos era o que diziam a si mesmos para manter a sanidade.

— Isso é só por causa dos hormônios — dizia Lucas, recuperando o fôlego após uma tarde intensa no sofá, enquanto as mães estavam no mercado.

— Com certeza — concordava Guilherme, embora seus olhos permanecessem fixos em Lucas com uma intensidade que ia muito além da luxúria. — Você é insuportável, Lucas.

— E você é um bruto ignorante.

Mas o problema dos sentimentos é que eles não respeitam acordos verbais.

Certa noite, Lucas acordou com uma febre alta e uma dor aguda no corpo. O cio havia chegado de verdade, e de forma avassaladora. Ele se encolheu na cama, soluçando baixo, tentando não chamar a atenção das mães no quarto ao lado. O cheiro adocicado de ômega em necessidade começou a vazar pelas frestas da porta, preenchendo o corredor.

Não demorou dois minutos para que a porta do seu quarto se abrisse. Guilherme entrou, os olhos brilhando no escuro, o instinto alfa em alerta máximo.

— Lucas? — ele chamou, a voz rouca.

— Vai embora... — pediu Lucas, embora suas mãos estivessem agarrando os lençóis com força. — Por favor, Guilherme... dói.

Guilherme não foi embora. Ele se aproximou da cama e sentou-se ao lado de Lucas, puxando-o para o seu colo. O contato imediato trouxe um alívio momentâneo para o ômega, que enterrou o rosto no pescoço do alfa, inalando seu cheiro de forma faminta.

— Eu estou aqui — sussurrou Guilherme, acariciando os cabelos loiros com uma ternura que nunca havia demonstrado. — Eu vou cuidar de você.

— Por que você é tão bom comigo agora? — Lucas fungou, os olhos verdes nublados pelas lágrimas e pelo desejo. — Você me odeia.

Guilherme parou o movimento das mãos por um momento. Ele olhou para o garoto pequeno em seus braços, notando como ele parecia caber perfeitamente ali, como se tivesse sido feito para ser protegido por ele. O ódio que ele sentia, percebeu de repente, era apenas uma máscara para o medo de amar alguém tão intensamente.

— Eu tentei — confessou Guilherme, a voz baixa e sincera. — Eu juro que tentei te odiar, Lucas. Porque era mais fácil do que admitir que eu fico louco toda vez que você sorri para qualquer pessoa que não seja eu.

Lucas ergueu o olhar, surpreso. A dor do cio parecia ter ficado em segundo plano diante daquela confissão.

— Você... o quê?

— Eu amo você, seu baixinho irritante — disse Guilherme, encostando a testa na dele. — E eu acho que estou amando você desde que éramos crianças e você me batia com os seus brinquedos.

Lucas soltou uma risada fraca, as lágrimas voltando a cair, mas desta vez de alívio.

— Eu também amo você — admitiu o ômega, a voz quase um sussurro. — Eu só achei que, se eu fosse chato o suficiente, você nunca descobriria o quanto eu precisava de você.

Guilherme sorriu, um sorriso verdadeiro que raramente mostrava, e beijou a ponta do nariz de Lucas.

— Pois agora eu sei. E não vou a lugar nenhum.

Naquela noite, não houve apenas sexo. Houve uma entrega de almas. Lucas sentiu-se finalmente completo, não apenas como um ômega encontrando seu alfa, mas como um jovem encontrando o amor no lugar mais inesperado: no seu suposto inimigo de infância.

Na manhã seguinte, quando as mães bateram na porta para chamá-los para o café, encontraram os dois dormindo abraçados, a barreira de ódio finalmente derrubada. Elas se entreolharam e sorriram, sabendo que, no fim das contas, o plano de morarem juntas tinha funcionado muito melhor do que o esperado. O apartamento, que antes parecia pequeno demais para dois inimigos, agora era o lar perfeito para um novo começo.
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