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Maddox
Fandom: Descendentes 5
Criado: 28/06/2026
Tags
DramaAngústiaPsicológicoFantasiaSombrioClockpunk / WindpunkRecontarTragédiaSuspenseCiúmesViagem no Tempo
O Labirinto de Vidro e a Agonia dos Segundos
A manhã no castelo de Maddox não trazia a luz do sol; trazia apenas um brilho difuso, filtrado pelas paredes de cristal e pelos milhares de cronômetros que decoravam os corredores. O som era ensurdecedor para qualquer ouvido comum — um tique-taque incessante que marcava a contagem regressiva para uma sanidade que Maddox sentia escorrer por entre seus dedos.
Ele não havia saído da poltrona. Seus olhos, avermelhados pela falta de sono e pela obsessão, estavam fixos na forma de Bridget sob os lençóis. Ela se moveu, espreguiçando-se com a elegância de uma felina que sabe que tem o controle da situação, mesmo dentro de uma gaiola.
Maddox levantou-se, suas articulações estalando. Ele se aproximou da mesa de cabeceira, onde um banquete de frutas vermelhas e chás aromáticos já esperava por ela. Tudo era perfeito. Tudo era milimetricamente calculado.
— Bom dia, minha Rainha — disse ele, a voz rouca, tentando esconder o tremor que o comentário dela na noite anterior havia causado. — O tempo parou apenas para que você pudesse despertar no seu próprio ritmo.
Bridget sentou-se, deixando o lençol de seda escorregar deliberadamente pelos ombros, revelando a pele que Maddox tanto desejava tocar, mas que sentia que o queimaria como brasa. Ela não olhou para ele de imediato. Em vez disso, pegou um morango médio, observando-o com um desdém quase artístico.
— O tempo nunca para, Maddox — ela respondeu, finalmente fixando aqueles olhos frios e calculistas nele. — Ele apenas se arrasta quando a companhia é... tediosa.
Maddox sentiu a pontada no peito. O insulto era uma lâmina afiada, mas ele a aceitou como se fosse um presente, faminto por qualquer reação dela.
— Eu preparei algo novo no laboratório — ele começou, aproximando-se um passo, o espaço entre eles carregado de uma tensão eletrostática. — Um mecanismo que pode projetar suas memórias de Copas nas paredes. Você não precisará mais sonhar. Você poderá viver nelas. Eu posso apagar as partes ruins, Bridget. Posso apagar o exílio, a dor... podemos ser apenas nós dois.
Bridget soltou uma risada curta e sem vida, um som que ecoou pelas paredes de vidro como o estilhaçar de uma taça.
— Você quer apagar a dor? — Ela se levantou da cama, caminhando em direção a ele até que estivessem a poucos centímetros de distância. O perfume dela, uma mistura de rosas e algo metálico, como sangue, invadiu os sentidos dele. — Maddox, você *é* a dor. Você é a constante lembrança de que tudo o que eu amava foi distorcido por essa sua necessidade doentia de posse. Você quer que eu viva em uma projeção? Eu já vivo em uma. Este castelo é a sua projeção de um amor que nunca existiu da forma como você descreve.
— Existiu! — ele exclamou, as mãos subindo para os ombros dela, mas parando no ar, temendo o contato. — Nas roseiras, Bridget... você mesma disse ontem à noite. Você chamou por mim. Você queria que fosse mais forte.
Bridget inclinou a cabeça, um sorriso cruel brincando nos lábios.
— Ah, o sonho... — Ela deu um passo lateral, contornando-o como se ele fosse um móvel incômodo. — Você é tão fácil de manipular, Maddox. Um homem que controla as engrenagens do universo, mas não consegue distinguir um desejo real de uma isca. Eu chamei pelo Chapeleiro. O homem que eu amava era gentil, ele tinha mistério nos olhos, não essa fome desesperada de um carrasco. Quando eu pedi por "mais forte", talvez eu estivesse pedindo para que a ilusão me sufocasse logo, para que eu não tivesse que acordar e ver o que você se tornou.
Maddox sentiu o sangue ferver. Ele a segurou pelo pulso, não com força suficiente para machucar, mas com a firmeza de quem está prestes a quebrar.
— Eu me tornei o que era necessário para ter você! — ele rugiu, a máscara de compostura finalmente caindo. — O mundo é um caos, Bridget! Pessoas morrem, reinos caem, o tempo devora tudo! Aqui, você é eterna. Aqui, você é minha.
Bridget não recuou. Ela olhou para a mão dele em seu pulso e depois voltou para os olhos dele, desafiadora.
— Veja como você treme — ela sussurrou, a voz agora doce como veneno. — O grande Mestre do Tempo está desmoronando porque não consegue comprar um olhar de admiração sincera. Você diz que eu sou eterna aqui? Olhe para este vidro, Maddox. Ele é frágil. E eu? Eu não sou de vidro. Eu sou de carne, osso e um ódio que você mesmo cultivou.
Ela puxou o braço com força, e ele a soltou, atordoado pela própria fraqueza. Bridget caminhou até a grande janela que dava para o abismo temporal lá fora.
— Sabe o que eu sinto quando você me toca? — perguntou ela, sem se virar. — Nada. Absolutamente nada. É como se um fantasma estivesse tentando agarrar a vida. Você pode parar o coração do mundo, como ameaçou ontem. Pode congelar cada estrela no céu. Mas, a cada segundo que você me mantém aqui contra a minha vontade, o pouco que restava daquele Chapeleiro nas minhas memórias morre.
Maddox sentiu as lágrimas arderem em seus olhos, uma humilhação que ele não conseguia conter. Ele era o mestre de tudo, exceto do coração daquela mulher.
— Eu vou encontrar uma maneira — ele disse, a voz falhando. — Existe uma frequência, uma poção, uma dobra no tempo onde você me ama. Eu vou encontrá-la. Eu vou viajar por cada realidade até encontrar a versão de você que me olha com devoção.
Bridget virou-se lentamente, sua expressão agora de uma piedade fingida que era pior do que qualquer insulto.
— E essa mulher não serei eu — disse ela. — Será apenas mais uma das suas bonecas de fumaça. Você é um colecionador de cascas, Maddox. Você tem a moldura, mas a pintura já se apagou há muito tempo.
Ela caminhou de volta para a cama e sentou-se, cruzando as pernas com elegância.
— Agora, saia. O barulho dos seus pensamentos está me dando dor de cabeça. E leve esse chá. Ele tem gosto de desespero.
Maddox ficou parado por um longo momento, o peito subindo e descendo pesadamente. Ele queria gritar, queria quebrar cada relógio daquela sala, queria implorar de joelhos. Mas ele apenas pegou a bandeja, as mãos tremendo tanto que as xícaras de porcelana tilintavam uma contra a outra.
— Eu voltarei ao anoitecer — ele disse, tentando recuperar um pouco de dignidade. — Teremos um jantar. Eu mandei buscar rosas de um tempo em que elas ainda não tinham espinhos.
— Rosas sem espinhos são apenas repolhos coloridos, Maddox — ela respondeu, deitando-se novamente e fechando os olhos. — Elas não têm defesa. Elas são como você... bonitas de longe, mas sem substância quando se tenta agarrar.
Maddox saiu do quarto, a porta de cristal fechando-se com um clique seco. No corredor, ele encostou a testa na parede fria. O tique-taque parecia estar ficando mais rápido, ou talvez fosse apenas o seu próprio coração.
Ele se dirigiu ao seu laboratório, o lugar onde a lógica deveria reinar. Mas, ao entrar, viu as projeções de Bridget que ele havia criado — figuras de névoa e luz que repetiam frases de carinho que ela um dia dissera.
— Eu te amo, Maddox — dizia uma das figuras, a voz sintetizada e doce.
— Você é meu melhor amigo — dizia outra.
Ele passou a mão por uma delas, e a imagem se desfez em partículas de luz fria.
— Mentira — ele rosnou para o vazio. — Tudo mentira.
Ele sentou-se diante de sua mesa de trabalho, cheia de engrenagens microscópicas e pergaminhos antigos. Ele precisava de algo mais forte. Algo que não apenas simulasse o amor, mas que reescrevesse a alma dela. Mas, no fundo de sua mente obcecada, a voz de Bridget ecoava: *“Quanto mais você tenta segurar a areia no relógio, mais rápido ela escapa pelos vãos dos seus dedos.”*
Ele olhou para um grande relógio de areia no centro da sala. A areia não era comum; eram cinzas de momentos perdidos. Ele percebeu que Bridget estava certa sobre uma coisa: ele estava perdendo a própria imagem no jogo de espelhos. Ele não sabia mais quem era sem a perseguição, sem a necessidade de dobrá-la à sua vontade.
Enquanto isso, no quarto, Bridget abriu os olhos. O sorriso languido havia desaparecido. Ela se levantou e caminhou até o espelho de sua penteadeira. Ela tocou o próprio pescoço, onde a marca invisível da possessão de Maddox parecia sufocá-la.
— Continue tentando, meu pobre Chapeleiro — murmurou ela para o seu reflexo. — Continue gastando sua eternidade tentando consertar o que você mesmo quebrou. Enquanto você busca uma versão de mim que te ame, eu busco a versão de mim que te destrua.
Ela pegou um pequeno frasco que mantinha escondido dentro de um compartimento secreto em sua escova de cabelo. Era um líquido prateado, colhido das lágrimas de Maddox que ela conseguira coletar em um momento de fraqueza dele. O tempo líquido. A única coisa capaz de corroer o vidro eterno.
Bridget sabia que Maddox voltaria. Ele sempre voltava. Ele era um viciado, e ela era a droga que o estava matando lentamente. Ela derramou uma gota do líquido no chão de vidro. Um pequeno chiado soou, e uma microfissura apareceu.
Ela sorriu. Não era um sorriso de rainha, nem de prisioneira. Era o sorriso de uma jogadora que acabara de perceber que o tabuleiro estava começando a rachar.
— O chá de hoje à noite será inesquecível, Maddox — disse ela, voltando para a cama para esperar o seu carcereiro. — Eu prometo que será a última coisa de que você vai querer se lembrar.
Lá fora, o castelo de vidro brilhou sob uma lua que Maddox havia forçado a permanecer cheia para sempre. Mas, pela primeira vez em séculos, uma nuvem passou diante dela, projetando uma sombra longa e escura sobre o império do tempo. O fim da contagem regressiva estava começando, e nem mesmo o homem que inventou os relógios seria capaz de atrasar o que estava por vir.
Ele não havia saído da poltrona. Seus olhos, avermelhados pela falta de sono e pela obsessão, estavam fixos na forma de Bridget sob os lençóis. Ela se moveu, espreguiçando-se com a elegância de uma felina que sabe que tem o controle da situação, mesmo dentro de uma gaiola.
Maddox levantou-se, suas articulações estalando. Ele se aproximou da mesa de cabeceira, onde um banquete de frutas vermelhas e chás aromáticos já esperava por ela. Tudo era perfeito. Tudo era milimetricamente calculado.
— Bom dia, minha Rainha — disse ele, a voz rouca, tentando esconder o tremor que o comentário dela na noite anterior havia causado. — O tempo parou apenas para que você pudesse despertar no seu próprio ritmo.
Bridget sentou-se, deixando o lençol de seda escorregar deliberadamente pelos ombros, revelando a pele que Maddox tanto desejava tocar, mas que sentia que o queimaria como brasa. Ela não olhou para ele de imediato. Em vez disso, pegou um morango médio, observando-o com um desdém quase artístico.
— O tempo nunca para, Maddox — ela respondeu, finalmente fixando aqueles olhos frios e calculistas nele. — Ele apenas se arrasta quando a companhia é... tediosa.
Maddox sentiu a pontada no peito. O insulto era uma lâmina afiada, mas ele a aceitou como se fosse um presente, faminto por qualquer reação dela.
— Eu preparei algo novo no laboratório — ele começou, aproximando-se um passo, o espaço entre eles carregado de uma tensão eletrostática. — Um mecanismo que pode projetar suas memórias de Copas nas paredes. Você não precisará mais sonhar. Você poderá viver nelas. Eu posso apagar as partes ruins, Bridget. Posso apagar o exílio, a dor... podemos ser apenas nós dois.
Bridget soltou uma risada curta e sem vida, um som que ecoou pelas paredes de vidro como o estilhaçar de uma taça.
— Você quer apagar a dor? — Ela se levantou da cama, caminhando em direção a ele até que estivessem a poucos centímetros de distância. O perfume dela, uma mistura de rosas e algo metálico, como sangue, invadiu os sentidos dele. — Maddox, você *é* a dor. Você é a constante lembrança de que tudo o que eu amava foi distorcido por essa sua necessidade doentia de posse. Você quer que eu viva em uma projeção? Eu já vivo em uma. Este castelo é a sua projeção de um amor que nunca existiu da forma como você descreve.
— Existiu! — ele exclamou, as mãos subindo para os ombros dela, mas parando no ar, temendo o contato. — Nas roseiras, Bridget... você mesma disse ontem à noite. Você chamou por mim. Você queria que fosse mais forte.
Bridget inclinou a cabeça, um sorriso cruel brincando nos lábios.
— Ah, o sonho... — Ela deu um passo lateral, contornando-o como se ele fosse um móvel incômodo. — Você é tão fácil de manipular, Maddox. Um homem que controla as engrenagens do universo, mas não consegue distinguir um desejo real de uma isca. Eu chamei pelo Chapeleiro. O homem que eu amava era gentil, ele tinha mistério nos olhos, não essa fome desesperada de um carrasco. Quando eu pedi por "mais forte", talvez eu estivesse pedindo para que a ilusão me sufocasse logo, para que eu não tivesse que acordar e ver o que você se tornou.
Maddox sentiu o sangue ferver. Ele a segurou pelo pulso, não com força suficiente para machucar, mas com a firmeza de quem está prestes a quebrar.
— Eu me tornei o que era necessário para ter você! — ele rugiu, a máscara de compostura finalmente caindo. — O mundo é um caos, Bridget! Pessoas morrem, reinos caem, o tempo devora tudo! Aqui, você é eterna. Aqui, você é minha.
Bridget não recuou. Ela olhou para a mão dele em seu pulso e depois voltou para os olhos dele, desafiadora.
— Veja como você treme — ela sussurrou, a voz agora doce como veneno. — O grande Mestre do Tempo está desmoronando porque não consegue comprar um olhar de admiração sincera. Você diz que eu sou eterna aqui? Olhe para este vidro, Maddox. Ele é frágil. E eu? Eu não sou de vidro. Eu sou de carne, osso e um ódio que você mesmo cultivou.
Ela puxou o braço com força, e ele a soltou, atordoado pela própria fraqueza. Bridget caminhou até a grande janela que dava para o abismo temporal lá fora.
— Sabe o que eu sinto quando você me toca? — perguntou ela, sem se virar. — Nada. Absolutamente nada. É como se um fantasma estivesse tentando agarrar a vida. Você pode parar o coração do mundo, como ameaçou ontem. Pode congelar cada estrela no céu. Mas, a cada segundo que você me mantém aqui contra a minha vontade, o pouco que restava daquele Chapeleiro nas minhas memórias morre.
Maddox sentiu as lágrimas arderem em seus olhos, uma humilhação que ele não conseguia conter. Ele era o mestre de tudo, exceto do coração daquela mulher.
— Eu vou encontrar uma maneira — ele disse, a voz falhando. — Existe uma frequência, uma poção, uma dobra no tempo onde você me ama. Eu vou encontrá-la. Eu vou viajar por cada realidade até encontrar a versão de você que me olha com devoção.
Bridget virou-se lentamente, sua expressão agora de uma piedade fingida que era pior do que qualquer insulto.
— E essa mulher não serei eu — disse ela. — Será apenas mais uma das suas bonecas de fumaça. Você é um colecionador de cascas, Maddox. Você tem a moldura, mas a pintura já se apagou há muito tempo.
Ela caminhou de volta para a cama e sentou-se, cruzando as pernas com elegância.
— Agora, saia. O barulho dos seus pensamentos está me dando dor de cabeça. E leve esse chá. Ele tem gosto de desespero.
Maddox ficou parado por um longo momento, o peito subindo e descendo pesadamente. Ele queria gritar, queria quebrar cada relógio daquela sala, queria implorar de joelhos. Mas ele apenas pegou a bandeja, as mãos tremendo tanto que as xícaras de porcelana tilintavam uma contra a outra.
— Eu voltarei ao anoitecer — ele disse, tentando recuperar um pouco de dignidade. — Teremos um jantar. Eu mandei buscar rosas de um tempo em que elas ainda não tinham espinhos.
— Rosas sem espinhos são apenas repolhos coloridos, Maddox — ela respondeu, deitando-se novamente e fechando os olhos. — Elas não têm defesa. Elas são como você... bonitas de longe, mas sem substância quando se tenta agarrar.
Maddox saiu do quarto, a porta de cristal fechando-se com um clique seco. No corredor, ele encostou a testa na parede fria. O tique-taque parecia estar ficando mais rápido, ou talvez fosse apenas o seu próprio coração.
Ele se dirigiu ao seu laboratório, o lugar onde a lógica deveria reinar. Mas, ao entrar, viu as projeções de Bridget que ele havia criado — figuras de névoa e luz que repetiam frases de carinho que ela um dia dissera.
— Eu te amo, Maddox — dizia uma das figuras, a voz sintetizada e doce.
— Você é meu melhor amigo — dizia outra.
Ele passou a mão por uma delas, e a imagem se desfez em partículas de luz fria.
— Mentira — ele rosnou para o vazio. — Tudo mentira.
Ele sentou-se diante de sua mesa de trabalho, cheia de engrenagens microscópicas e pergaminhos antigos. Ele precisava de algo mais forte. Algo que não apenas simulasse o amor, mas que reescrevesse a alma dela. Mas, no fundo de sua mente obcecada, a voz de Bridget ecoava: *“Quanto mais você tenta segurar a areia no relógio, mais rápido ela escapa pelos vãos dos seus dedos.”*
Ele olhou para um grande relógio de areia no centro da sala. A areia não era comum; eram cinzas de momentos perdidos. Ele percebeu que Bridget estava certa sobre uma coisa: ele estava perdendo a própria imagem no jogo de espelhos. Ele não sabia mais quem era sem a perseguição, sem a necessidade de dobrá-la à sua vontade.
Enquanto isso, no quarto, Bridget abriu os olhos. O sorriso languido havia desaparecido. Ela se levantou e caminhou até o espelho de sua penteadeira. Ela tocou o próprio pescoço, onde a marca invisível da possessão de Maddox parecia sufocá-la.
— Continue tentando, meu pobre Chapeleiro — murmurou ela para o seu reflexo. — Continue gastando sua eternidade tentando consertar o que você mesmo quebrou. Enquanto você busca uma versão de mim que te ame, eu busco a versão de mim que te destrua.
Ela pegou um pequeno frasco que mantinha escondido dentro de um compartimento secreto em sua escova de cabelo. Era um líquido prateado, colhido das lágrimas de Maddox que ela conseguira coletar em um momento de fraqueza dele. O tempo líquido. A única coisa capaz de corroer o vidro eterno.
Bridget sabia que Maddox voltaria. Ele sempre voltava. Ele era um viciado, e ela era a droga que o estava matando lentamente. Ela derramou uma gota do líquido no chão de vidro. Um pequeno chiado soou, e uma microfissura apareceu.
Ela sorriu. Não era um sorriso de rainha, nem de prisioneira. Era o sorriso de uma jogadora que acabara de perceber que o tabuleiro estava começando a rachar.
— O chá de hoje à noite será inesquecível, Maddox — disse ela, voltando para a cama para esperar o seu carcereiro. — Eu prometo que será a última coisa de que você vai querer se lembrar.
Lá fora, o castelo de vidro brilhou sob uma lua que Maddox havia forçado a permanecer cheia para sempre. Mas, pela primeira vez em séculos, uma nuvem passou diante dela, projetando uma sombra longa e escura sobre o império do tempo. O fim da contagem regressiva estava começando, e nem mesmo o homem que inventou os relógios seria capaz de atrasar o que estava por vir.
