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Loucura
Fandom: Descendentes 5
Criado: 28/06/2026
Tags
FantasiaRecontarPsicológicoSombrioAngústiaClockpunk / WindpunkDramaCiúmes
Reflexos de um Espelho Quebrado
O Castelo de Copas nunca pareceu tão frio quanto naquela tarde, apesar do vermelho vibrante que decorava cada tapeçaria e cada azulejo do chão. No centro do salão real, a Rainha de Copas — Bridget, para os poucos que ainda ousavam chamá-la pelo nome — observava a chuva de pétalas de rosas murchas cair do lado de fora da janela. Seus dedos adornados com anéis pesados batiam ritmadamente no braço do trono, um som que ecoava como uma contagem regressiva.
Maddox, o Chapeleiro Real e seu marido, estava em um canto da sala, cercado por engrenagens, tecidos e chapéus inacabados. Ele falava sozinho, uma sucessão de sussurros rápidos sobre cronômetros e o tempo que ele insistia em tentar engarrafar. Para qualquer observador externo, eles pareciam o casal mais excêntrico e poderoso do País das Maravilhas. Mas, para Bridget, o ar ao redor de Maddox estava se tornando rarefeito demais para respirar.
— Maddox — chamou ela, sua voz cortando o monólogo confuso dele como uma lâmina afiada.
Ele parou instantaneamente. Seus olhos, brilhando com uma intensidade maníaca e uma devoção que beirava o aterrorizante, fixaram-se nela. Ele atravessou o salão em passos largos, quase saltitantes, e ajoelhou-se aos pés do trono, pegando a mão da Rainha e pressionando um beijo febril em seus nós dos dedos.
— Minha Rainha, minha luz, minha soberana absoluta — murmurou ele, sem soltar a mão dela. — Você parece inquieta. O chá não estava na temperatura certa? Eu posso decapitar o bule, se você desejar. Ou talvez o tempo esteja correndo muito rápido? Eu posso atrasar todos os relógios do reino apenas para que você descanse.
Bridget puxou a mão de volta, sentindo um arrepio que não era de afeto.
— Maddox, levante-se — ordenou ela, levantando-se do trono. — Eu tomei uma decisão. Uma decisão final.
O sorriso dele vacilou por apenas um milésimo de segundo antes de se alargar ainda mais, tornando-se uma máscara de otimismo forçado.
— Decisões são maravilhosas! — exclamou ele, gesticulando com as mãos trêmulas. — Vamos declarar uma nova guerra? Ou talvez uma festa que dure dez anos? O que quer que você deseje, eu farei acontecer. Eu sou seu servo, seu marido, sua sombra.
— É exatamente esse o problema, Maddox — disse ela, caminhando até o centro do salão, onde a luz vermelha dos vitrais a banhava. — Eu não quero mais uma sombra. Eu quero o divórcio.
O silêncio que se seguiu foi tão pesado que parecia ter massa física. O som das engrenagens no canto da sala pareceu parar por conta própria. Maddox permaneceu imóvel, sua expressão congelada em um sorriso que agora parecia uma cicatriz.
— Divórcio? — Ele repetiu a palavra como se fosse um conceito em uma língua morta. — Essa é uma palavra tão... linear. Tão sem graça. Você está brincando, é claro. É um enigma! Deixe-me adivinhar a resposta.
— Não é um enigma, Maddox — Bridget disse, endurecendo o olhar. — O nosso casamento se tornou uma prisão de veludo. Sua obsessão por mim, sua necessidade de controlar cada segundo do meu dia sob o pretexto de "proteção"... eu não suporto mais. Eu sou a Rainha de Copas. Eu comando este reino, mas sinto que não comando minha própria vida porque você está sempre lá, observando, cercando, sufocando.
Maddox deu um passo à frente. O brilho em seus olhos mudou; a admiração deu lugar a algo muito mais sombrio, uma possessividade crua que ele raramente deixava transparecer.
— Sufocando? — Ele riu, um som seco e sem alegria. — Eu a protejo do caos, Bridget! Eu criei um mundo onde nada pode te ferir. Cada chapéu que eu faço tem feitiços de proteção. Cada relógio que eu ajusto é para garantir que seu café da manhã nunca esfrie. Você é minha. Você entende isso? O destino nos uniu nas engrenagens do tempo.
— Eu não sou um objeto de sua coleção, Maddox — retrucou ela, sentindo a raiva borbulhar. — Eu assinei os papéis. Eles estão na mesa. Você assinará e partirá para sua oficina fora dos muros do castelo.
Maddox caminhou lentamente até a mesa de carvalho onde os documentos repousavam. Ele olhou para o papel com um desprezo profundo. Sem tirar os olhos de Bridget, ele pegou o documento e, com uma calma deliberada, rasgou-o em mil pedaços, deixando os fragmentos caírem como neve suja no tapete vermelho.
— O que você pensa que está fazendo? — gritou a Rainha, avançando um passo.
— Impedindo que você cometa um erro terrível contra si mesma — disse Maddox, sua voz agora baixa e perigosamente estável. — Você não pode se divorciar de mim, Bridget. Porque eu não permito. Onde você iria? Quem cuidaria das suas necessidades antes mesmo que você as sentisse?
— Eu sou a Rainha! — exclamou ela, a face ficando vermelha de fúria. — Eu posso mandar cortar sua cabeça por essa insubordinação!
Maddox soltou uma gargalhada genuína, aproximando-se dela até que suas respirações se cruzassem. Ele era mais alto, e sua presença parecia preencher todo o espaço ao redor dela, fechando as rotas de fuga.
— Corte minha cabeça, então — desafiou ele, inclinando o pescoço. — Mas saiba que, mesmo decepada, minha boca continuará sussurrando o quanto eu te amo. Meus olhos continuarão seguindo cada passo seu pelo castelo. Você nunca estará livre de mim, Bridget. Eu estou entranhado nas paredes deste lugar. Eu sou o mecanismo que faz seu coração bater.
Bridget sentiu um frio percorrer sua espinha. Ela conhecia a loucura de Maddox, mas aquela possessividade era absoluta. Ele não a via como uma esposa, mas como uma peça central de um mecanismo que ele se recusava a deixar parar.
— Você está louco — sussurrou ela.
— Louco por você? Sempre — disse ele, estendendo a mão para acariciar o rosto dela. Bridget tentou recuar, mas ele foi mais rápido, segurando seu queixo com uma firmeza que beirava a dor. — Você não vai a lugar nenhum. E este assunto de divórcio... vamos fingir que foi apenas um delírio passageiro causado pelo calor. Vou preparar um chá especial para você. Um chá que a ajudará a esquecer essas ideias tolas.
— Você não pode me manter presa aqui, Maddox — disse ela, tentando manter a autoridade na voz, embora seu coração batesse descompassado. — Os guardas...
— Os guardas usam os uniformes que eu desenhei — interrompeu ele, com um sorriso vitorioso. — Eles marcham ao ritmo dos relógios que eu conserto. Neste castelo, Bridget, tudo responde a mim quando se trata de manter você segura. E segura você ficará. Comigo. Para sempre.
Ela olhou nos olhos dele e viu um abismo de obsessão. Não havia lógica ali, apenas a vontade inabalável de um homem que havia decidido que ela era sua propriedade definitiva.
— Eu vou encontrar uma maneira — prometeu Bridget, sua voz tremendo de ódio. — Eu vou encontrar uma maneira de te tirar da minha vida.
Maddox inclinou a cabeça, observando-a com uma ternura assustadora, como um colecionador admirando uma borboleta rara presa sob um vidro.
— Você pode tentar, minha querida Rainha — disse ele, soltando o queixo dela apenas para envolver sua cintura em um abraço possessivo. — Mas lembre-se: no País das Maravilhas, o tempo é circular. Não importa o quanto você corra, você sempre acabará voltando para onde começou. E onde você começa e termina... é nos meus braços.
Ele a apertou contra o peito, ignorando a resistência dela. Para Maddox, o mundo lá fora não existia; os desejos de Bridget não importavam se não estivessem alinhados aos dele. Ele a amava com uma fúria que destruiria qualquer coisa no caminho, inclusive a própria Bridget, se fosse necessário para mantê-la ao seu lado.
— Agora — continuou ele, sua voz voltando ao tom saltitante e alegre que era sua marca registrada —, vamos esquecer essa bobagem de papéis rasgados. Eu fiz um chapéu novo para você. Ele tem pequenas safiras que brilham quando você fica irritada. É encantador, realmente.
Bridget olhou para os pedaços de papel no chão. Ela percebeu, com um aperto no peito, que aquela não seria uma batalha de leis ou decretos. Maddox havia transformado o amor em uma vigilância eterna. Ela era a Rainha de Copas, mas naquele momento, sentia-se apenas como uma prisioneira em um trono de ouro.
— Eu odeio você — sibilou ela.
Maddox sorriu, beijando-lhe a testa com uma delicadeza que mascarava sua força.
— O ódio é apenas o amor que perdeu o compasso, Bridget — disse ele. — Mas não se preocupe. Eu tenho todo o tempo do mundo para nos colocar em sincronia novamente.
Ele a conduziu para fora do salão, sua mão firme em suas costas, guiando-a não como um consorte, mas como um mestre. Enquanto caminhavam pelos corredores, os relógios nas paredes pareciam bater em uníssono, um tique-taque incessante que soava, para Bridget, como o som de uma cela se fechando para sempre.
Ela olhou de relance para uma das janelas. O céu estava ficando roxo, e as sombras se alongavam. No País das Maravilhas, as coisas raramente faziam sentido, mas Bridget finalmente entendia uma verdade cruel: Maddox não pararia até que o mundo inteiro fosse apenas um reflexo da imagem que ele tinha dela. E ele jamais assinaria aquele papel, pois, na mente distorcida do Chapeleiro, o divórcio era a única coisa que o tempo não podia permitir.
— Sorria, minha querida — sussurrou Maddox em seu ouvido enquanto entravam na sala de chá. — O mundo fica muito mais bonito quando você sorri para mim.
Bridget não sorriu. Mas, ao olhar para as mãos de Maddox, viu que ele tremia levemente. Ele tinha medo, ela percebeu. Medo de que, se ele a soltasse por um segundo, ela desapareceria como um sonho ao acordar. E naquele medo, Bridget encontrou a pequena chama de esperança que precisava. Se ele era obcecado, ele era vulnerável. E ela era uma Rainha que sabia muito bem como usar as fraquezas de seus súditos.
A guerra estava apenas começando, e o tabuleiro de xadrez do castelo estava prestes a ser virado. Mas, por enquanto, ela aceitou a xícara de chá que ele lhe ofereceu, mantendo os olhos fixos nos dele, prometendo silenciosamente que, um dia, o tempo de Maddox finalmente se esgotaria.
Maddox, o Chapeleiro Real e seu marido, estava em um canto da sala, cercado por engrenagens, tecidos e chapéus inacabados. Ele falava sozinho, uma sucessão de sussurros rápidos sobre cronômetros e o tempo que ele insistia em tentar engarrafar. Para qualquer observador externo, eles pareciam o casal mais excêntrico e poderoso do País das Maravilhas. Mas, para Bridget, o ar ao redor de Maddox estava se tornando rarefeito demais para respirar.
— Maddox — chamou ela, sua voz cortando o monólogo confuso dele como uma lâmina afiada.
Ele parou instantaneamente. Seus olhos, brilhando com uma intensidade maníaca e uma devoção que beirava o aterrorizante, fixaram-se nela. Ele atravessou o salão em passos largos, quase saltitantes, e ajoelhou-se aos pés do trono, pegando a mão da Rainha e pressionando um beijo febril em seus nós dos dedos.
— Minha Rainha, minha luz, minha soberana absoluta — murmurou ele, sem soltar a mão dela. — Você parece inquieta. O chá não estava na temperatura certa? Eu posso decapitar o bule, se você desejar. Ou talvez o tempo esteja correndo muito rápido? Eu posso atrasar todos os relógios do reino apenas para que você descanse.
Bridget puxou a mão de volta, sentindo um arrepio que não era de afeto.
— Maddox, levante-se — ordenou ela, levantando-se do trono. — Eu tomei uma decisão. Uma decisão final.
O sorriso dele vacilou por apenas um milésimo de segundo antes de se alargar ainda mais, tornando-se uma máscara de otimismo forçado.
— Decisões são maravilhosas! — exclamou ele, gesticulando com as mãos trêmulas. — Vamos declarar uma nova guerra? Ou talvez uma festa que dure dez anos? O que quer que você deseje, eu farei acontecer. Eu sou seu servo, seu marido, sua sombra.
— É exatamente esse o problema, Maddox — disse ela, caminhando até o centro do salão, onde a luz vermelha dos vitrais a banhava. — Eu não quero mais uma sombra. Eu quero o divórcio.
O silêncio que se seguiu foi tão pesado que parecia ter massa física. O som das engrenagens no canto da sala pareceu parar por conta própria. Maddox permaneceu imóvel, sua expressão congelada em um sorriso que agora parecia uma cicatriz.
— Divórcio? — Ele repetiu a palavra como se fosse um conceito em uma língua morta. — Essa é uma palavra tão... linear. Tão sem graça. Você está brincando, é claro. É um enigma! Deixe-me adivinhar a resposta.
— Não é um enigma, Maddox — Bridget disse, endurecendo o olhar. — O nosso casamento se tornou uma prisão de veludo. Sua obsessão por mim, sua necessidade de controlar cada segundo do meu dia sob o pretexto de "proteção"... eu não suporto mais. Eu sou a Rainha de Copas. Eu comando este reino, mas sinto que não comando minha própria vida porque você está sempre lá, observando, cercando, sufocando.
Maddox deu um passo à frente. O brilho em seus olhos mudou; a admiração deu lugar a algo muito mais sombrio, uma possessividade crua que ele raramente deixava transparecer.
— Sufocando? — Ele riu, um som seco e sem alegria. — Eu a protejo do caos, Bridget! Eu criei um mundo onde nada pode te ferir. Cada chapéu que eu faço tem feitiços de proteção. Cada relógio que eu ajusto é para garantir que seu café da manhã nunca esfrie. Você é minha. Você entende isso? O destino nos uniu nas engrenagens do tempo.
— Eu não sou um objeto de sua coleção, Maddox — retrucou ela, sentindo a raiva borbulhar. — Eu assinei os papéis. Eles estão na mesa. Você assinará e partirá para sua oficina fora dos muros do castelo.
Maddox caminhou lentamente até a mesa de carvalho onde os documentos repousavam. Ele olhou para o papel com um desprezo profundo. Sem tirar os olhos de Bridget, ele pegou o documento e, com uma calma deliberada, rasgou-o em mil pedaços, deixando os fragmentos caírem como neve suja no tapete vermelho.
— O que você pensa que está fazendo? — gritou a Rainha, avançando um passo.
— Impedindo que você cometa um erro terrível contra si mesma — disse Maddox, sua voz agora baixa e perigosamente estável. — Você não pode se divorciar de mim, Bridget. Porque eu não permito. Onde você iria? Quem cuidaria das suas necessidades antes mesmo que você as sentisse?
— Eu sou a Rainha! — exclamou ela, a face ficando vermelha de fúria. — Eu posso mandar cortar sua cabeça por essa insubordinação!
Maddox soltou uma gargalhada genuína, aproximando-se dela até que suas respirações se cruzassem. Ele era mais alto, e sua presença parecia preencher todo o espaço ao redor dela, fechando as rotas de fuga.
— Corte minha cabeça, então — desafiou ele, inclinando o pescoço. — Mas saiba que, mesmo decepada, minha boca continuará sussurrando o quanto eu te amo. Meus olhos continuarão seguindo cada passo seu pelo castelo. Você nunca estará livre de mim, Bridget. Eu estou entranhado nas paredes deste lugar. Eu sou o mecanismo que faz seu coração bater.
Bridget sentiu um frio percorrer sua espinha. Ela conhecia a loucura de Maddox, mas aquela possessividade era absoluta. Ele não a via como uma esposa, mas como uma peça central de um mecanismo que ele se recusava a deixar parar.
— Você está louco — sussurrou ela.
— Louco por você? Sempre — disse ele, estendendo a mão para acariciar o rosto dela. Bridget tentou recuar, mas ele foi mais rápido, segurando seu queixo com uma firmeza que beirava a dor. — Você não vai a lugar nenhum. E este assunto de divórcio... vamos fingir que foi apenas um delírio passageiro causado pelo calor. Vou preparar um chá especial para você. Um chá que a ajudará a esquecer essas ideias tolas.
— Você não pode me manter presa aqui, Maddox — disse ela, tentando manter a autoridade na voz, embora seu coração batesse descompassado. — Os guardas...
— Os guardas usam os uniformes que eu desenhei — interrompeu ele, com um sorriso vitorioso. — Eles marcham ao ritmo dos relógios que eu conserto. Neste castelo, Bridget, tudo responde a mim quando se trata de manter você segura. E segura você ficará. Comigo. Para sempre.
Ela olhou nos olhos dele e viu um abismo de obsessão. Não havia lógica ali, apenas a vontade inabalável de um homem que havia decidido que ela era sua propriedade definitiva.
— Eu vou encontrar uma maneira — prometeu Bridget, sua voz tremendo de ódio. — Eu vou encontrar uma maneira de te tirar da minha vida.
Maddox inclinou a cabeça, observando-a com uma ternura assustadora, como um colecionador admirando uma borboleta rara presa sob um vidro.
— Você pode tentar, minha querida Rainha — disse ele, soltando o queixo dela apenas para envolver sua cintura em um abraço possessivo. — Mas lembre-se: no País das Maravilhas, o tempo é circular. Não importa o quanto você corra, você sempre acabará voltando para onde começou. E onde você começa e termina... é nos meus braços.
Ele a apertou contra o peito, ignorando a resistência dela. Para Maddox, o mundo lá fora não existia; os desejos de Bridget não importavam se não estivessem alinhados aos dele. Ele a amava com uma fúria que destruiria qualquer coisa no caminho, inclusive a própria Bridget, se fosse necessário para mantê-la ao seu lado.
— Agora — continuou ele, sua voz voltando ao tom saltitante e alegre que era sua marca registrada —, vamos esquecer essa bobagem de papéis rasgados. Eu fiz um chapéu novo para você. Ele tem pequenas safiras que brilham quando você fica irritada. É encantador, realmente.
Bridget olhou para os pedaços de papel no chão. Ela percebeu, com um aperto no peito, que aquela não seria uma batalha de leis ou decretos. Maddox havia transformado o amor em uma vigilância eterna. Ela era a Rainha de Copas, mas naquele momento, sentia-se apenas como uma prisioneira em um trono de ouro.
— Eu odeio você — sibilou ela.
Maddox sorriu, beijando-lhe a testa com uma delicadeza que mascarava sua força.
— O ódio é apenas o amor que perdeu o compasso, Bridget — disse ele. — Mas não se preocupe. Eu tenho todo o tempo do mundo para nos colocar em sincronia novamente.
Ele a conduziu para fora do salão, sua mão firme em suas costas, guiando-a não como um consorte, mas como um mestre. Enquanto caminhavam pelos corredores, os relógios nas paredes pareciam bater em uníssono, um tique-taque incessante que soava, para Bridget, como o som de uma cela se fechando para sempre.
Ela olhou de relance para uma das janelas. O céu estava ficando roxo, e as sombras se alongavam. No País das Maravilhas, as coisas raramente faziam sentido, mas Bridget finalmente entendia uma verdade cruel: Maddox não pararia até que o mundo inteiro fosse apenas um reflexo da imagem que ele tinha dela. E ele jamais assinaria aquele papel, pois, na mente distorcida do Chapeleiro, o divórcio era a única coisa que o tempo não podia permitir.
— Sorria, minha querida — sussurrou Maddox em seu ouvido enquanto entravam na sala de chá. — O mundo fica muito mais bonito quando você sorri para mim.
Bridget não sorriu. Mas, ao olhar para as mãos de Maddox, viu que ele tremia levemente. Ele tinha medo, ela percebeu. Medo de que, se ele a soltasse por um segundo, ela desapareceria como um sonho ao acordar. E naquele medo, Bridget encontrou a pequena chama de esperança que precisava. Se ele era obcecado, ele era vulnerável. E ela era uma Rainha que sabia muito bem como usar as fraquezas de seus súditos.
A guerra estava apenas começando, e o tabuleiro de xadrez do castelo estava prestes a ser virado. Mas, por enquanto, ela aceitou a xícara de chá que ele lhe ofereceu, mantendo os olhos fixos nos dele, prometendo silenciosamente que, um dia, o tempo de Maddox finalmente se esgotaria.
