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Skell no halloween 🎃

Fandom: Fundamental paper education FPE

Criado: 28/06/2026

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Doce ou Travessura no Abismo

A Paper School nunca pareceu tão lúgubre quanto naquela noite de Halloween. O céu estava tingido de um roxo profundo, quase negro, e as árvores de papel recortado balançavam ao vento como se sussurrassem segredos proibidos. Skell, no entanto, não estava impressionado. Ele nunca estava.

Caminhando com seu passo lento e pesado, Skell ajustava as asas de morcego que faziam parte de sua fantasia. Ele havia decidido ir de algo que combinasse com sua estética habitual: uma mistura de esqueleto e morcego. A maquiagem branca realçava o broche de esqueleto em seu cabelo preto, e o sino em sua coleira emitia um tilintar baixo e irritante a cada movimento.

— Que perda de tempo — resmungou ele, pegando seu telefone.

A tela brilhou, iluminando seu rosto pálido e os chifres pretos, um deles com as características listras brancas. Ele abriu o jogo "Moinhos", tentando ignorar o som das risadas de outros alunos ao longe. Para Skell, o Halloween era apenas uma desculpa para as pessoas serem barulhentas, mas ele precisava de doces. Ou, pelo menos, de um lugar silencioso para ficar sozinho.

Ele parou diante de uma casa que parecia deslocada, mesmo para os padrões da vizinhança. Era uma estrutura vitoriana retorcida, com janelas que pareciam olhos observando quem passava. O portão de ferro rangeu quando ele o empurrou.

— Se isso for uma pegadinha do Zip ou do Edward, eu juro que vou quebrar os dentes de alguém — murmurou Skell para si mesmo.

Ele subiu os degraus da varanda e bateu na porta de madeira maciça. Três batidas secas.

Ninguém atendeu de imediato. Skell suspirou, encostando-se no batente e voltando sua atenção para o celular. Ele estava no meio de uma rodada difícil em "Moinhos", os dedos pontiagudos deslizando pela tela com agilidade. O silêncio da casa era absoluto, quebrado apenas pelos bipes eletrônicos do aparelho.

De repente, a porta se abriu sem emitir um único som.

Skell não teve tempo de reagir. Antes que pudesse levantar os olhos da tela, uma mão masculina, grande e pálida, disparou para fora da escuridão do hall de entrada. Os dedos se fecharam em torno de seu torso, apertando o tecido de sua camisa que se assemelhava à sua própria pele.

— Ei! O que é isso? — gritou Skell, largando o telefone por instinto.

Ele tentou fincar os pés pontiagudos no chão da varanda, as asas de morcego batendo freneticamente contra o batente da porta. Ele era forte, mas a força que o puxava era sobre-humana, algo frio e implacável.

— Me solta, seu idiota! — Skell rosnou, tentando usar as garras para arranhar o braço que o prendia.

Foi inútil. Com um puxão violento, ele foi arrastado para dentro da escuridão. A porta bateu atrás dele com um estrondo final, selando o destino do garoto gótico.

...

A consciência voltou aos poucos, acompanhada por uma dor de cabeça latejante. Skell tentou se mexer, mas sentiu uma resistência imediata. Seus pulsos e tornozelos estavam presos por cordas grossas e ásperas. Ele estava sentado em uma cadeira de madeira desconfortável, no centro de uma sala iluminada apenas por algumas velas que derretiam lentamente sobre mesas cobertas de poeira.

Ele tentou gritar, mas o som saiu como um abafado e patético "mmmph!". Uma fita adesiva cinza cobria sua boca com firmeza, prendendo até mesmo alguns fios de seu cabelo preto.

Skell sentiu o sangue subir ao rosto. Ele não estava com medo; ele estava furioso. Seus olhos percorreram o ambiente, procurando pelo agressor. Como alguém ousava sequestrá-lo? Ele era Skell! Ele preferia estar ouvindo música depressiva em seu quarto a estar naquela situação ridícula.

Ele começou a se debater, balançando a cadeira de um lado para o outro. O sino em sua coleira tocava freneticamente, um som alegre que contrastava terrivelmente com seu humor sombrio.

— Mmmph! Mmmmph! — Ele tentava xingar, mas a fita era eficiente demais.

Passos ecoaram no assoalho de madeira atrás dele. Skell parou de se debater, seus sentidos em alerta. Uma sombra se projetou na parede à sua frente, uma silhueta alta e imponente.

Uma mão — a mesma que o havia puxado para dentro — surgiu de trás da cadeira. Com um movimento rápido e nada delicado, o desconhecido puxou a fita de sua boca.

— Ai! — Skell gritou, sentindo a pele arder. — Ficou maluco? Você tem ideia de quem eu sou? Eu vou acabar com você! Me solta agora, seu psicopata de Halloween!

Skell bufou, a respiração pesada. Ele olhou para cima, tentando ver o rosto do homem, mas a iluminação era precária. O estranho não disse nada. Em vez disso, ele estendeu a mão novamente, segurando algo pequeno e colorido entre os dedos.

— O que é isso? — perguntou Skell, estreitando os olhos. — Se for um veneno, saiba que meu estômago é de ferro.

O homem ignorou o comentário e, com uma agilidade surpreendente, forçou um doce para dentro da boca de Skell.

O garoto gótico arregalou os olhos, pronto para cuspir, mas o sabor o atingiu como um caminhão. Era doce. Excessivamente doce. Era como se tivessem concentrado todo o açúcar do mundo em uma pequena bala de goma com sabor de morango artificial e mel.

— Argh... — Skell fez uma careta, mastigando por puro reflexo. — Isso é... isso é horrível. É muito doce! Você quer me dar diabetes?

A figura soltou uma risada baixa e rouca, um som que fez os pelos da nuca de Skell se arrepiarem.

— Você parecia precisar de um pouco de açúcar, garoto — disse a voz masculina, profunda e calma. — Você é amargo demais para uma noite tão festiva.

— Eu sou gótico, seu imbecil — retrucou Skell, ainda sentindo o gosto enjoativo na língua. — Nós não somos "doces". Agora, me desamarra. Eu perdi meu recorde no Moinhos por sua causa.

O homem caminhou para a frente de Skell, revelando-se apenas parcialmente. Ele usava vestes escuras que pareciam se misturar com as sombras da sala.

— O Halloween na Paper School é sobre trocas, Skell — disse o homem, inclinando a cabeça. — Você veio até minha porta em busca de algo. Eu apenas lhe dei o que você pediu.

— Eu bati na porta para ganhar doces normais, não para ser sequestrado e alimentado à força com melaço! — Skell tentou puxar as cordas novamente, as asas de morcego presas contra o encosto da cadeira. — E como você sabe meu nome?

O estranho deu um passo à frente, e Skell pôde ver um sorriso enigmático em seu rosto.

— Todo mundo conhece o garoto que odeia tudo. O garoto que prefere o silêncio das sombras ao brilho das luzes da escola.

Skell desviou o olhar, irritado por ser tão facilmente decifrado. Ele odiava quando as pessoas achavam que o conheciam só porque ele usava preto e tinha uma expressão de poucos amigos.

— Olha, se isso é algum tipo de iniciação de clube ou uma piada de mau gosto da Miss Circle, pode parar — disse Skell, tentando manter a voz firme apesar da situação. — Eu não estou interessado.

— Não é uma piada — respondeu o homem, pegando outro doce, desta vez um chocolate brilhante. — É um teste. Você diz que gosta do escuro, Skell. Diz que gosta do que é sombrio e assustador. Mas aqui está você, amarrado em uma casa mal-assombrada de verdade, e tudo o que faz é reclamar do sabor do açúcar.

Skell sentiu uma pontada de orgulho ferido. Ele encarou o homem com seus olhos penetrantes.

— Eu não estou com medo de você — afirmou ele. — Eu estou estressado. Há uma diferença. Estar amarrado é desconfortável, e esse sino na minha coleira está me dando dor de cabeça. Se você quer me assustar, vai precisar de mais do que cordas e balas de morango.

O homem pareceu considerar as palavras de Skell. Ele guardou o chocolate no bolso e se aproximou, desatando o nó que prendia os pulsos do garoto com uma facilidade desconcertante.

— Então prove — desafiou o estranho. — A porta está aberta. Você pode sair agora e voltar para sua vida medíocre na escola, ou pode ficar e ver o que o Halloween realmente tem a oferecer para alguém como você.

As cordas caíram no chão. Skell massageou os pulsos, sentindo a circulação voltar. Ele se levantou, ajeitando o broche de esqueleto e limpando o pó de suas asas. Ele olhou para a porta e depois para o homem, que agora recuava para as sombras mais profundas do corredor.

— Meu telefone — disse Skell, ríspido. — Onde ele está?

O homem apontou para uma mesa próxima. O aparelho estava lá, intacto. Skell o pegou e guardou no bolso. Ele deveria correr. Deveria sair dali e nunca mais olhar para trás. Mas havia algo naquela casa, algo naquele homem, que despertava sua curiosidade mórbida.

— Você é muito estranho — comentou Skell, caminhando em direção ao corredor por onde o homem havia desaparecido. — Mas ainda é melhor do que aguentar o Edward tentando me assustar com baratas de plástico.

— O doce ainda está amargo na sua boca, Skell? — a voz ecoou, vinda de algum lugar acima.

Skell soltou um suspiro longo e pesado, um pequeno sorriso de canto surgindo em seu rosto pela primeira vez naquela noite.

— Está menos pior agora. Mas se você me der outro daqueles de morango, eu juro que queimo essa casa.

Ele seguiu em frente, o sino em sua coleira tilintando suavemente, mergulhando de vez na escuridão da casa mal-assombrada, onde o Halloween estava apenas começando. Talvez, afinal, aquela noite não fosse uma perda de tempo total. No fundo, Skell sabia que o verdadeiro horror não eram monstros ou fantasmas, mas sim a monotonia do dia a dia. E ali, naquela casa, a monotonia estava morta e enterrada.
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