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Fandom: record of ragnarok

Criado: 28/06/2026

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O Rei Solitário e o Brilho do Reencontro

A arena do Valhala, geralmente palco de combates sangrentos e gritos de guerra, estava mergulhada em um silêncio desconcertante. Deuses e humanos, separados por milênios de rancor, encontravam-se lado a lado diante de uma imensa projeção etérea que pairava no centro do coliseu. Não era um combate que assistiam, mas uma memória — um fragmento do passado de Qin Shi Huang, o Primeiro Imperador da China.

Qin estava sentado em seu trono improvisado, as pernas cruzadas com uma elegância desafiadora, a venda cobrindo seus olhos. Ele mantinha um sorriso leve, embora seus dedos apertassem levemente o braço da poltrona. Ao seu lado, Hades, o Rei do Submundo, observava a tela com uma seriedade analítica. Para Hades, um rei era definido pelo que suportava, e ele estava prestes a ver o que moldou o homem que ousava se chamar de "O Único".

A imagem na tela tremeluziu, revelando um Qin de apenas dez anos. Ele era pequeno, com olhos que já carregavam o peso da sinestesia toque-espelho, desviando o olhar de qualquer um que demonstrasse dor. Seu pai, o Rei de Qin, caminhava à frente dele por corredores frios e isolados do palácio.

— Onde estamos indo, meu pai? — perguntou o pequeno Qin, sua voz ecoando nas paredes de pedra.

O rei não respondeu de imediato. Ele parou diante de uma porta de carvalho reforçada com ferro.

— Aqui será o seu mundo — disse o monarca, sem olhar para o filho. — Um rei deve ser autossuficiente. Ele deve conhecer a arte, a guerra, a história e a si mesmo antes de conhecer o seu povo. Você sairá quando eu decidir que está pronto.

A porta se fechou. O estalo da tranca ressoou na arena do Valhala como um tiro.

— Que tipo de pai faz isso? — resmungou Héracles, apertando o punho. — Isolar uma criança dessa forma...

— O tipo que deseja criar um monstro ou um deus — respondeu Hades, sua voz profunda e calma. — Mas o isolamento pode quebrar a alma mais forte.

A gravação começou a acelerar, mostrando a passagem dos anos dentro daquele confinamento luxuoso, porém solitário. O lugar era impecavelmente limpo; não havia um grão de poeira nas prateleiras repletas de pergaminhos. Qin, agora com doze, treze, quinze anos, preenchia o vazio com uma disciplina assustadora.

Os espectadores viram Qin treinando artes marciais sozinho, seus movimentos fluindo como água contra sombras imaginárias. Viram-no pintando murais grandiosos nas paredes, retratando paisagens que ele mal lembrava. Ele lia até que as velas se apagassem, estudando táticas de governo e filosofia. O que mais impressionava os deuses, especialmente Zeus e Odin, era que Qin nunca chorava. Ele transformava a solidão em soberania.

— Ele não estava apenas esperando — observou Nikola Tesla, ajustando seus óculos com fascínio. — Ele estava se construindo. Cada livro, cada pincelada... ele estava criando o seu próprio império dentro daquelas quatro paredes.

— É uma disciplina admirável — comentou Kojiro Sasaki, sentindo o peso da espada em seu colo. — Mas o preço da solidão é alto. Veja os olhos dele.

Na tela, Qin completava dezessete anos. Ele estava parado diante da mesma porta, sua postura agora ereta, os ombros largos, a aura de um imperador já emanando de seu corpo jovem. O som da tranca se abrindo ecoou novamente. Seu pai estava lá, envelhecido, olhando para o produto de sua reclusão.

— Saia — ordenou o velho rei. — O mundo é seu.

Qin Shi Huang caminhou para fora. A luz do sol o atingiu, e ele não piscou. Ele caminhou pelos jardins do palácio com uma superioridade natural, como se cada centímetro de terra que seus pés tocavam fosse, por direito divino, seu trono. Os guardas se curvavam involuntariamente à sua passagem.

De repente, Qin parou. No final de um longo corredor de cerejeiras, uma figura feminina organizava algumas flores. Era Kimi, sua melhor amiga de infância, a única que ele tinha permissão de ver brevemente antes do isolamento.

— KIMI! — O grito de Qin quebrou a compostura real. Foi um grito de puro alívio humano.

A jovem virou-se bruscamente, deixando o cesto cair. Seus olhos se encheram de lágrimas instantaneamente.

— QIN! — ela gritou de volta, correndo com toda a força que suas pernas permitiam.

Eles se chocaram no meio do caminho. Qin a levantou do chão, girando-a no ar enquanto ambos riam. Naquele momento, o "Imperador de Todos os Homens" era apenas um jovem reencontrando sua âncora no mundo.

Quando ele a colocou no chão, o clima mudou para algo familiar e rítmico. Sem dizer uma palavra, eles iniciaram uma sequência rápida: um high five no alto, o bater sincronizado dos cotovelos e, por fim, um choque de quadris que os fez cambalear de rir.

— O toque secreto... — murmurou Jack, o Estripador, com um sorriso melancólico sob o bigode. — Que cor vibrante emana deles agora.

Na tela, Kimi segurou a mão de Qin e começou a puxá-lo em direção aos portões externos do castelo.

— Venha! — disse ela, animada. — O mundo mudou tanto, Qin. Eu vou te mostrar tudo de novo!

A projeção se desvaneceu, deixando a arena em um silêncio reflexivo. Qin Shi Huang, no presente, soltou uma risada curta e ajustou sua venda.

— Hmpf. Bons tempos — disse Qin, sua voz carregada daquela arrogância carismática que irritava os deuses. — Eu já era um rei antes mesmo de ter uma coroa. Aquele quarto não era uma prisão, era a minha sala de espera.

Hades olhou de soslaio para o homem ao seu lado. Ele viu além da postura exuberante. Como governante do Submundo, Hades conhecia bem o peso das responsabilidades e as cicatrizes que a liderança deixava.

— Você sorri muito, Rei dos Homens — disse Hades, cruzando os braços. — Mas a sinestesia que você carrega... ver aquele reencontro deve ter sido doloroso e prazeroso ao mesmo tempo. Você sentiu a alegria dela como se fosse sua, mas também sentiu a dor da saudade que ela guardou por sete anos.

Qin virou o rosto na direção de Hades. O sorriso não vacilou.

— Onde eu me sento é o meu trono, Hades. E o que eu sinto é o que um rei deve sentir: tudo. — Qin levantou-se, caminhando até a borda da tribuna. — A dor dos meus súditos é a minha dor. A alegria deles é a minha glória. Aquele isolamento apenas me ensinou que, mesmo sozinho, eu sou o centro do meu universo.

— Uma visão arrogante — comentou Poseidon, de longe, com seu habitual desprezo.

— Arrogante? — Qin soltou uma gargalhada vibrante, apontando para si mesmo. — É apenas a verdade. Um rei não espera que o mundo o aceite. O mundo se curva diante do rei.

Brunhilde, observando de longe, suspirou. Ela sabia que Qin era difícil de controlar, frequentemente ignorando suas estratégias, mas ver o passado dele reafirmava por que ele era o trunfo da humanidade. Ele não temia os deuses porque já havia conquistado o seu próprio inferno pessoal na juventude.

— Ele é irritante — disse Zeus, coçando a barba e rindo baixinho. — Mas ele tem o brilho. Aquela garota, Kimi... ela foi a primeira a reconhecer o que ele era.

Hades permaneceu em silêncio por um longo tempo, observando Qin desafiar Ares com um simples olhar de superioridade, fazendo o deus da guerra gaguejar de indignação.

— Diga-me, Qin Shi Huang — chamou Hades, fazendo o imperador parar. — Depois de tanto tempo trancado, o que foi a primeira coisa que você pensou quando viu o horizonte fora do palácio?

Qin parou por um momento. A imagem de Kimi puxando sua mão veio à sua mente. O toque, a conexão, a percepção de que ele não precisava mais carregar o peso do mundo inteiramente sozinho, mesmo sendo o imperador.

— Eu pensei — começou Qin, inclinando a cabeça com um charme real — que o mundo era vasto demais para não ter a minha marca nele. E que eu precisava de alguém para me lembrar que, mesmo no trono mais alto, o toque de um amigo é o que mantém um rei humano.

Hades assentiu levemente, um gesto de respeito entre governantes que poucos notaram.

— Você é um homem estranho — disse o Rei do Submundo. — Mas você entende o peso da coroa.

— Eu não apenas entendo o peso, Hades — Qin caminhou de volta para seu assento, sentando-se com a confiança de quem é dono de todo o Valhala. — Eu o carrego com estilo.

Lá embaixo, na arena, os outros lutadores humanos comentavam sobre a cena. Adão sorria, satisfeito por ver o amor de um de seus "filhos" por sua amiga. Raiden e Okita discutiam a técnica de chute que Qin praticava no isolamento. Mas Qin não ouvia mais nada disso.

Ele se lembrou do cheiro das cerejeiras e do som da risada de Kimi. Ele se lembrou de que, embora fosse o Primeiro Imperador, o homem que unificou a China e desafiou os céus, ele ainda era o mesmo jovem que fazia toques secretos e girava sua melhor amiga no ar.

— Agora — disse Qin, batendo as palmas das mãos — quem será o próximo deus que eu terei que ensinar onde fica o meu trono?

A arrogância estava de volta, a armadura emocional estava trancada, e o sorriso era impenetrável. Mas, por um breve momento, todos no Valhala viram o coração do rei. E era um coração que, apesar de forjado na solidão, batia com a força de um império inteiro.
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