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Fandom: record of ragnarok

Criado: 28/06/2026

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O Eco do Passado e o Trono de Helheim

A sala de reuniões do Valhala nunca esteve tão silenciosa, um silêncio denso que nem mesmo a presença exuberante de Zeus ou a aura elétrica de Nikola Tesla conseguia romper. Milênios haviam se passado desde que o Ragnarok terminou com a vitória da humanidade e a subsequente trégua forçada e diplomática entre deuses e homens. Hades, o Rei do Submundo, sentava-se em uma poltrona de veludo negro, sua postura impecável e sua expressão de uma serenidade absoluta, enquanto sua mão repousava possessivamente sobre o ombro de seu consorte, Qin Shi Huang.

O Imperador da China, por sua vez, mantinha as pernas cruzadas sobre a mesa de ônix, um sorriso enigmático brincando em seus lábios. Ele não parecia nem um pouco incomodado com o fato de que uma enorme tela holográfica, cortesia da tecnologia de Tesla e da magia de Odin, estava prestes a exibir memórias recuperadas do "Arquivo das Almas", um projeto para preservar a história dos maiores guerreiros.

— Isso vai ser divertido, não acham? — comentou Qin, ajustando sua venda cerimonial, embora todos soubessem que ele "enxergava" muito mais do que qualquer um ali.

— Espero que valha o tempo que estou perdendo longe dos meus treinos — resmungou Leônidas, cruzando os braços, enquanto Simo Häyhä apenas limpava sua lente em silêncio ao seu lado.

A tela brilhou, e a imagem que surgiu não era de uma batalha épica ou de um discurso real. Era a China antiga, mas o cenário era uma vila luxuosa. O Qin na tela parecia mais jovem, mas a aura de "Onde eu me sento é o meu trono" já estava lá.

A gravação mostrava o jovem Qin descobrindo, através de espiões e de sua própria intuição aguçada, que seu então parceiro — um nobre de alto escalão cuja linhagem se perdeu no tempo — o estava traindo sistematicamente.

— Oh, veja só — murmurou Jack, o Estripador, girando sua xícara de chá. — Uma trama de traição. Que cor de alma mais... lamacenta.

Hades estreitou os olhos. Ele sentiu o ombro de Qin sob sua mão e, embora o Imperador parecesse relaxado, o Rei do Submundo conhecia cada nuance de seu marido. Ele sabia que Qin, por causa de sua sinestesia, sentia a dor daquela traição fisicamente na época.

Na tela, Qin não chorou. Ele não gritou. Ele apenas sorriu, aquele sorriso que fazia os deuses tremerem de antecipação.

— Se ele deseja compartilhar o que é meu com outros — disse o Qin da tela para um servo fiel —, então eu farei questão de que ele não tenha nada que seja apenas dele.

O que se seguiu na gravação foi uma execução magistral de vingança social e emocional. Com a graça de um predador, Qin começou a se aproximar de cada um dos aliados e amigos mais próximos de seu parceiro. Não por amor, mas por conquista. Ele os seduzia com sua inteligência, sua presença avassaladora e sua capacidade de entender exatamente o que lhes faltava.

— Ele está... ele está literalmente ficando com todos os amigos do sujeito? — perguntou Shiva, rindo abertamente. — Isso é terrivelmente cruel. Eu adorei!

— É uma estratégia de cerco — analisou Brunhilde, observando com interesse profissional. — Ele o isolou completamente antes do golpe final.

A cena final da memória chegou. O ex-parceiro de Qin entrava em um pavilhão privado, furioso e ofegante, apenas para estacar. Qin Shi Huang estava confortavelmente reclinado em um divã, beijando apaixonadamente o melhor amigo do homem, um general de renome.

— O que significa isso?! — rugiu o homem na tela, o rosto vermelho de fúria e humilhação.

O Qin da tela se afastou do beijo lentamente, limpando os lábios com as costas da mão, seus olhos brilhando com um desprezo real que fez até Ares, no presente, se encolher.

— Significa que o trono nunca esteve vazio — respondeu Qin com uma calma gélida. — Você foi apenas um hóspede que esqueceu as regras da casa.

O homem avançou, tentando segurar o braço de Qin, mas o Imperador deu um passo para trás com uma elegância fluida, evitando o toque como se fosse uma praga. Com um movimento deliberado, Qin levou a mão à outra e removeu uma aliança de jade e ouro. Ele a estendeu e a deixou cair na palma aberta do homem chocado.

— Acabou — disse Qin, virando as costas.

— Você é uma puta! — gritou o homem, a voz falhando em desespero e ódio enquanto Qin se afastava.

Sem sequer olhar para trás, o Imperador apenas ergueu a mão direita e mostrou o dedo do meio, continuando sua caminhada real enquanto a imagem se desvanecia em estática.

O silêncio na sala de reuniões do Valhala era absoluto. Buda foi o primeiro a quebrar a quietude, estourando uma bola de chiclete.

— Cara... isso foi incrível. Você sempre teve estilo, Qin-chan.

— Um movimento audacioso — comentou Beelzebub, embora seus olhos estivessem fixos na reação de Hades.

Hades, o Senhor dos Mortos, não disse nada de imediato. Ele se levantou lentamente, sua altura imponente e sua aura de dignidade preenchendo o espaço. Os deuses prenderam a respiração. Seria Hades, o deus mais honrado e sério, capaz de aceitar tamanha exibição de... promiscuidade vingativa do passado de seu marido?

Hades caminhou até ficar à frente de Qin, que ainda sorria, desafiador, esperando a reação do Rei.

— Qin — a voz de Hades era profunda, como o eco de uma tumba antiga, mas carregada de uma sofisticação inabalável.

— Sim, meu querido Hades? — perguntou o Imperador, inclinando a cabeça.

— Sua estratégia foi impecável — disse Hades, e para a surpresa de todos, um pequeno e raro sorriso de orgulho surgiu em seus lábios. — Você não apenas puniu a traição, mas tomou para si o que ele mais valorizava. Um governante deve sempre ser implacável com aqueles que quebram juramentos.

Qin soltou uma gargalhada vibrante, saltando da mesa e envolvendo os braços em volta do pescoço do deus.

— Eu sabia que você entenderia! Um Rei não aceita migalhas, Hades.

— De fato — respondeu Hades, colocando as mãos na cintura de Qin e trazendo-o para perto, ignorando completamente os olhares de choque de Zeus e a expressão de "eu não precisava ver isso" de Poseidon. — Mas fico feliz que, hoje, o único trono que você compartilha é o meu em Helheim.

— E que trono confortável ele é — provocou Qin, roubando um beijo rápido do deus.

— Ei! — gritou Zeus, agitando os braços. — Estamos no meio de uma reunião importante sobre a redistribuição de recursos das almas e vocês dois estão agindo como recém-casados depois de verem um vídeo de traição!

— Inveja é uma cor feia em você, irmão — disse Hades, sem desviar os olhos de Qin. — Continue com a reunião. Meu marido e eu temos... assuntos estratégicos para discutir em particular.

Sasaki Kojiro soltou um suspiro de alívio, guardando sua espada.

— Bem, acho que isso acabou melhor do que eu esperava. Eu achei que haveria sangue.

— No mundo de Qin Shi Huang — disse Adão, observando o casal se retirar da sala com uma expressão paternal e calma —, a vitória não é apenas sobreviver, é garantir que o inimigo saiba exatamente o que perdeu.

Enquanto Hades e Qin saíam do salão, o Imperador se inclinou para o ouvido do marido.

— Você sabe, Hades... aquele general beijava muito mal comparado a você.

Hades parou por um momento, seus olhos brilhando com uma intensidade possessiva que faria qualquer mortal cair de joelhos.

— Eu certamente espero que sim, meu Imperador. Caso contrário, eu teria que ir buscar a alma dele no tártaro apenas para puni-lo por sua incompetência.

Qin riu, o som ecoando pelos corredores de mármore do Valhala. Eles eram uma visão estranha para muitos: o Rei estratega e digno do Submundo e o Imperador arrogante e empático da humanidade. Mas ali, caminhando lado a lado, era evidente que não importava o passado de traições ou as batalhas sangrentas do Ragnarok.

Eles haviam encontrado, um no outro, o único ser capaz de sustentar o peso de suas coroas.

— Sabe, Hades — disse Qin, enquanto entravam em seus aposentos particulares —, eu nunca me arrependi daquele dedo do meio.

— E nem deveria — respondeu Hades, fechando a porta e selando o mundo lá fora. — Foi um gesto de absoluta realeza.

Naquela noite, as estrelas do Valhala brilharam um pouco mais intensamente, testemunhando que, mesmo entre deuses e homens, a maior vitória não era conquistar o mundo, mas sim encontrar alguém que respeitasse tanto sua fúria quanto sua glória. E Qin Shi Huang, o homem que se fez rei por esforço próprio, finalmente não precisava mais lutar sozinho. Ele tinha um Rei ao seu lado, e juntos, eles governavam não apenas o Submundo, mas o respeito de toda a existência.
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