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Festival e a família
Fandom: Tensei shitara slime datta Ken
Criado: 29/06/2026
Tags
Fatias de VidaDor/ConfortoFofuraHumorFantasiaHistória DomésticaCenário CanônicoUA (Universo Alternativo)Isekai / Fantasia PortalRomanceTroca de Gênero
O Equilíbrio entre Coroas e Canções de Ninar
O salão de banquetes em Tempest exalava uma mistura inusitada de aromas: o perfume das iguarias de Shuna, o cheiro de vinho caro e, estranhamente, o aroma suave de talco e lavanda. A reunião do Walpurgis, ou o que restava dela em meio ao festival, estava longe de ser uma discussão política comum. Os Lordes Demônios, seres que poderiam reduzir nações a cinzas com um estalar de dedos, observavam a cena diante deles com expressões que variavam entre o choque absoluto e a crise existencial.
Rimuru Tempest, em sua forma feminina de beleza divina, com longos cabelos azul-prateados caindo como uma cascata de seda sobre os ombros, não parecia o temível Líder da Federação Jura Tempest. Naquele momento, Rimuru era a personificação da maternidade. Chloe O'Bell, a pequena de olhos profundos e silenciosos, estava aninhada em seus braços. Rimuru entregou a ela um coelho de pelúcia encardido de tanto uso e uma chupeta rosa, enquanto balançava o corpo de um lado para o outro em um ritmo hipnótico.
— Shh... calma, Chloe. A mamãe está aqui — sussurrou Rimuru, dando leves tapinhas rítmicos nas costas da menina.
A poucos metros dali, a cena era ainda mais surreal. Guy Crimson, o Lorde Demônio mais antigo e perigoso do mundo, segurava Ryota Sekiguchi. O garoto, conhecido por sua energia explosiva e afinidade com o fogo, estava em um de seus momentos de irritação pré-sono. Suas bochechas estavam vermelhas e ele ensaiava um protesto barulhento que poderia acordar os outros.
— Se você gritar, Ryota, não haverá torta de maçã amanhã — disse Guy, sua voz profunda e aveludada carregando uma autoridade que faria exércitos tremerem, mas que ali era usada apenas para fins domésticos. — Aqui, pegue isto.
Guy, com uma naturalidade que assustava os presentes, colocou uma chupeta azul na boca do menino e entregou-lhe um dragão de pelúcia vermelho. O pequeno Ryota resmungou, mas o balanço firme de Guy e a promessa de doces começaram a surtir efeito.
Luminous Valentine, a Rainha dos Vampiros, estava com a taça de vinho suspensa a meio caminho da boca. Seus olhos heterocromáticos piscavam freneticamente, tentando processar a imagem de Guy Crimson agindo como um pai zeloso.
— Guy... o que... como isso... — Luminous gaguejou, sua voz falhando enquanto ela apontava para a cena. — Como você se permitiu chegar a este estado de... de domesticidade?
— Fale baixo, Luminous — rosnou Guy em um sussurro cortante, lançando-lhe um olhar que prometia morte se ela acordasse Ryota. — O garoto acabou de se acalmar. Prometi a ele uma mamadeira e doces quando acordasse. Se você estragar o meu progresso, lidará com as consequências.
Luminous recuou um passo, quase horrorizada. Ver Guy Crimson preocupado com o ciclo de sono de uma criança humana era mais aterrorizante do que vê-lo em batalha.
Rimuru soltou uma risadinha baixa, observando a interação. Chloe finalmente fechou os olhos, sua respiração tornando-se pesada e rítmica contra o peito de Rimuru.
— Não seja tão duro com ela, Guy — disse Rimuru, sorrindo com indulgência. — É uma visão nova para todos.
— Eles que se acostumem — respondeu Guy, ajustando Ryota em seus braços musculosos. — Se eles são seus filhos, Rimuru, então são meus também. E eu não aceito nada menos que a perfeição, mesmo na hora da soneca.
Milim Nava, sentada em uma cadeira próxima, cruzou os braços e fez um bico que poderia rivalizar com o de qualquer uma das crianças.
— Rimuru! Eu também quero ser balançada! — reclamou a pequena Lorde Demônio, balançando as pernas no ar. — Por que o Kenya e a Alice ganharam atenção primeiro?
Rimuru olhou para Milim com um olhar materno e levemente cansado, mas cheio de carinho.
— Milim, querida, eu ainda tenho quatro crianças para colocar na cama antes de dar atenção aos meus "filhos grandes" — Rimuru riu, referindo-se aos seus subordinados e amigos ciumentos. — Por que você não ajuda o Veldora a não comer todos os doces da mesa enquanto eu termino aqui?
Veldora, que estava sendo observado de perto por Diablo, parou com a mão dentro de uma tigela de biscoitos e assoviou para o teto, fingindo inocência.
— Kufufufu — a risada de Diablo ecoou suavemente pelo salão. — O mestre Rimuru é verdadeiramente magnânimo. Cuidar dessas sementes humanas com tanta dedicação é uma prova de sua alma infinita.
— Menos, Diablo, bem menos — Rimuru suspirou. — Falando nisso, onde está a Testarosa?
— Estou aqui, Lorde Rimuru — a voz melodiosa de Testarosa surgiu das sombras. A Demônio Primordial branca aproximou-se com uma elegância que exalava perigo, mas seus olhos brilhavam com uma devoção absoluta.
— Testarosa, a Alice já está dormindo profundamente. Você poderia levá-la para o quarto e garantir que ela esteja confortável? — pediu Rimuru, indicando a pequena Alice que já havia sido levada para um sofá próximo sob a vigilância de Rigurd.
Os outros Lordes Demônios, como Leon Cromwell, que observava tudo de longe com uma expressão de "eu não deveria estar aqui", ficaram chocados ao ver a reação de Testarosa. A demônio mais orgulhosa e cruel do submundo curvou-se graciosamente, um sorriso genuíno (e assustadoramente doce) em seus lábios.
— Será uma honra, meu senhor. Cuidarei para que nenhum pesadelo ouse perturbar o sono da pequena Alice — disse Testarosa, pegando a menina com uma delicadeza que ninguém imaginaria que ela possuía.
Enquanto Testarosa se retirava, Rimuru voltou sua atenção para Chloe, que agora dormia como um anjo.
— Guy, como está o Ryota? — perguntou Rimuru, aproximando-se do namorado.
— Quase lá — murmurou Guy. Ele estava sentado em uma poltrona de couro, o dragão vermelho de pelúcia espremido entre seu peito e o garoto. — Ele é persistente, admito. Mas ninguém vence Guy Crimson, nem mesmo uma criança teimosa.
Rimuru aproximou-se e, com cuidado para não acordar Chloe, inclinou-se e depositou um beijo suave na testa de Guy, e depois um rápido selinho em seus lábios.
— Você é um ótimo pai, sabia? — Rimuru sussurrou.
Guy ficou visivelmente constrangido, um leve rubor subindo por seu pescoço, algo que Luminous e Leon registraram mentalmente para nunca mais esquecer.
— Eu apenas... estou garantindo que o ambiente permaneça calmo para você — Guy desconversou, embora tenha apertado Ryota com um pouco mais de carinho. — Além disso, imagino que, se tivermos um nosso algum dia, ele será dez vezes mais difícil que esses cinco juntos.
Rimuru sentiu o rosto esquentar com a insinuação de Guy sobre um bebê deles. A imagem de um pequeno ser com cabelos azul-prateados e olhos vermelhos, ou talvez cabelos vermelhos e olhos amarelos, passou por sua mente, deixando-o momentaneamente sem fôlego.
— Um passo de cada vez, Guy — Rimuru brincou, embora seu olhar fosse terno. — Por enquanto, temos esses cinco para criar.
Nesse momento, Gale Gibson, o mais velho do grupo aos nove anos, aproximou-se de Rimuru, esfregando os olhos. Ele tentava manter a compostura de um "garoto grande", mas o cansaço era evidente.
— Rimuru-sama... eu também estou com sono — admitiu Gale, puxando levemente a barra do vestido de Rimuru.
— Oh, Gale! Venha aqui, querido — Rimuru estendeu o braço livre, trazendo o menino para perto. — Guy, você pode levar o Ryota agora? Vou levar a Chloe e o Gale.
Guy levantou-se com a agilidade de um predador, mas sem fazer um único som que pudesse despertar a criança em seus braços.
— Eu levo o Ryota e o Gale — decidiu Guy, olhando para o menino mais velho. — Gale, suba nas minhas costas.
Gale arregalou os olhos, olhando para o temível Lorde Demônio Vermelho. Ele hesitou por um segundo, mas o olhar de Guy, embora firme, não era hostil. O menino obedeceu, escalando as costas de Guy e apoiando a cabeça em seu ombro.
A visão era, no mínimo, lendária. Guy Crimson, carregando uma criança nos braços e outra nas costas, caminhando em direção aos aposentos reais.
Rimuru seguiu logo atrás com Chloe, enquanto o restante do salão permanecia em um silêncio absoluto.
— Alguém me diga que eu não fui a única a ver isso — disse Luminous, finalmente recuperando a voz e virando uma taça inteira de vinho.
— Eu vi — respondeu Leon, sua voz monótona escondendo sua própria surpresa. — E eu pretendo apagar essa memória assim que possível. É perturbador demais.
— Eu achei fofo! — exclamou Milim, pegando um punhado de doces. — O Rimuru é a melhor mãe do mundo! E o Guy parece um segurança de creche muito caro!
Enquanto isso, nos corredores silenciosos do castelo, Rimuru e Guy caminhavam lado a lado. A luz da lua entrava pelas janelas, iluminando o caminho.
— Sabe, Rimuru — começou Guy em voz baixa —, o festival está sendo um sucesso. Mas esses momentos... são os que eu realmente prefiro.
Rimuru sorriu, encostando a cabeça levemente no ombro de Guy enquanto caminhavam.
— Eu também, Guy. Eu também.
Eles chegaram ao quarto das crianças, onde Kenya e Alice já estavam devidamente acomodados por Diablo e Testarosa. Com movimentos sincronizados e praticados, Guy colocou Ryota e Gale em suas respectivas camas, cobrindo-os com os edredons de seda. Rimuru deitou Chloe em sua cama, retirando suavemente a chupeta quando percebeu que ela já estava em um sono profundo, substituindo-a pelo coelho de pelúcia nos braços da menina.
Os dois ficaram parados à porta por um momento, observando os cinco pequenos seres que, apesar de não compartilharem seu sangue, eram sua família.
— Eles são o nosso futuro — sussurrou Rimuru.
— E eu destruirei qualquer um que ouse ameaçar esse futuro — completou Guy, passando o braço pela cintura de Rimuru e puxando-o para perto.
Eles voltaram para o salão, mas o clima de reunião séria havia se dissipado completamente. O que restava era a celebração de um festival que, acima de tudo, celebrava a vida e os laços improváveis que uniam monstros, humanos e demônios.
Rimuru sentou-se em seu trono, e Guy sentou-se ao seu lado, de forma informal, apoiando o braço no encosto da cadeira de Rimuru.
— Agora — disse Rimuru, olhando para os Lordes Demônios restantes com um sorriso travesso —, onde estávamos antes de sermos interrompidos pela hora da soneca?
Luminous suspirou, servindo-se de mais vinho.
— Estávamos discutindo rotas comerciais, Rimuru. Mas, sinceramente, depois de ver Guy Crimson de chupeta na mão, não acho que consiga levar a sério qualquer ameaça dele pelos próximos cem anos.
Guy apenas arqueou uma sobrancelha, um sorriso perigoso brincando em seus lábios.
— Tente a sorte, Luminous. Mas lembre-se: eu sou um pai que dormiu pouco hoje. Eu estou muito mais impaciente do que o normal.
Rimuru riu alto, sua voz preenchendo o salão como uma música. O festival de Tempest continuaria pela noite adentro, mas para Rimuru, a melhor parte já havia acontecido. Entre o caos da política mundial e o poder de um Lorde Demônio, ele encontrou sua verdadeira força na simplicidade de um abraço e no silêncio de uma criança dormindo.
E, enquanto observava seus amigos e subordinados relaxarem, Rimuru soube que, não importava o que o futuro trouxesse, eles enfrentariam tudo juntos. Como uma família. Uma família muito estranha, poderosa e levemente disfuncional, mas, ainda assim, uma família.
Rimuru Tempest, em sua forma feminina de beleza divina, com longos cabelos azul-prateados caindo como uma cascata de seda sobre os ombros, não parecia o temível Líder da Federação Jura Tempest. Naquele momento, Rimuru era a personificação da maternidade. Chloe O'Bell, a pequena de olhos profundos e silenciosos, estava aninhada em seus braços. Rimuru entregou a ela um coelho de pelúcia encardido de tanto uso e uma chupeta rosa, enquanto balançava o corpo de um lado para o outro em um ritmo hipnótico.
— Shh... calma, Chloe. A mamãe está aqui — sussurrou Rimuru, dando leves tapinhas rítmicos nas costas da menina.
A poucos metros dali, a cena era ainda mais surreal. Guy Crimson, o Lorde Demônio mais antigo e perigoso do mundo, segurava Ryota Sekiguchi. O garoto, conhecido por sua energia explosiva e afinidade com o fogo, estava em um de seus momentos de irritação pré-sono. Suas bochechas estavam vermelhas e ele ensaiava um protesto barulhento que poderia acordar os outros.
— Se você gritar, Ryota, não haverá torta de maçã amanhã — disse Guy, sua voz profunda e aveludada carregando uma autoridade que faria exércitos tremerem, mas que ali era usada apenas para fins domésticos. — Aqui, pegue isto.
Guy, com uma naturalidade que assustava os presentes, colocou uma chupeta azul na boca do menino e entregou-lhe um dragão de pelúcia vermelho. O pequeno Ryota resmungou, mas o balanço firme de Guy e a promessa de doces começaram a surtir efeito.
Luminous Valentine, a Rainha dos Vampiros, estava com a taça de vinho suspensa a meio caminho da boca. Seus olhos heterocromáticos piscavam freneticamente, tentando processar a imagem de Guy Crimson agindo como um pai zeloso.
— Guy... o que... como isso... — Luminous gaguejou, sua voz falhando enquanto ela apontava para a cena. — Como você se permitiu chegar a este estado de... de domesticidade?
— Fale baixo, Luminous — rosnou Guy em um sussurro cortante, lançando-lhe um olhar que prometia morte se ela acordasse Ryota. — O garoto acabou de se acalmar. Prometi a ele uma mamadeira e doces quando acordasse. Se você estragar o meu progresso, lidará com as consequências.
Luminous recuou um passo, quase horrorizada. Ver Guy Crimson preocupado com o ciclo de sono de uma criança humana era mais aterrorizante do que vê-lo em batalha.
Rimuru soltou uma risadinha baixa, observando a interação. Chloe finalmente fechou os olhos, sua respiração tornando-se pesada e rítmica contra o peito de Rimuru.
— Não seja tão duro com ela, Guy — disse Rimuru, sorrindo com indulgência. — É uma visão nova para todos.
— Eles que se acostumem — respondeu Guy, ajustando Ryota em seus braços musculosos. — Se eles são seus filhos, Rimuru, então são meus também. E eu não aceito nada menos que a perfeição, mesmo na hora da soneca.
Milim Nava, sentada em uma cadeira próxima, cruzou os braços e fez um bico que poderia rivalizar com o de qualquer uma das crianças.
— Rimuru! Eu também quero ser balançada! — reclamou a pequena Lorde Demônio, balançando as pernas no ar. — Por que o Kenya e a Alice ganharam atenção primeiro?
Rimuru olhou para Milim com um olhar materno e levemente cansado, mas cheio de carinho.
— Milim, querida, eu ainda tenho quatro crianças para colocar na cama antes de dar atenção aos meus "filhos grandes" — Rimuru riu, referindo-se aos seus subordinados e amigos ciumentos. — Por que você não ajuda o Veldora a não comer todos os doces da mesa enquanto eu termino aqui?
Veldora, que estava sendo observado de perto por Diablo, parou com a mão dentro de uma tigela de biscoitos e assoviou para o teto, fingindo inocência.
— Kufufufu — a risada de Diablo ecoou suavemente pelo salão. — O mestre Rimuru é verdadeiramente magnânimo. Cuidar dessas sementes humanas com tanta dedicação é uma prova de sua alma infinita.
— Menos, Diablo, bem menos — Rimuru suspirou. — Falando nisso, onde está a Testarosa?
— Estou aqui, Lorde Rimuru — a voz melodiosa de Testarosa surgiu das sombras. A Demônio Primordial branca aproximou-se com uma elegância que exalava perigo, mas seus olhos brilhavam com uma devoção absoluta.
— Testarosa, a Alice já está dormindo profundamente. Você poderia levá-la para o quarto e garantir que ela esteja confortável? — pediu Rimuru, indicando a pequena Alice que já havia sido levada para um sofá próximo sob a vigilância de Rigurd.
Os outros Lordes Demônios, como Leon Cromwell, que observava tudo de longe com uma expressão de "eu não deveria estar aqui", ficaram chocados ao ver a reação de Testarosa. A demônio mais orgulhosa e cruel do submundo curvou-se graciosamente, um sorriso genuíno (e assustadoramente doce) em seus lábios.
— Será uma honra, meu senhor. Cuidarei para que nenhum pesadelo ouse perturbar o sono da pequena Alice — disse Testarosa, pegando a menina com uma delicadeza que ninguém imaginaria que ela possuía.
Enquanto Testarosa se retirava, Rimuru voltou sua atenção para Chloe, que agora dormia como um anjo.
— Guy, como está o Ryota? — perguntou Rimuru, aproximando-se do namorado.
— Quase lá — murmurou Guy. Ele estava sentado em uma poltrona de couro, o dragão vermelho de pelúcia espremido entre seu peito e o garoto. — Ele é persistente, admito. Mas ninguém vence Guy Crimson, nem mesmo uma criança teimosa.
Rimuru aproximou-se e, com cuidado para não acordar Chloe, inclinou-se e depositou um beijo suave na testa de Guy, e depois um rápido selinho em seus lábios.
— Você é um ótimo pai, sabia? — Rimuru sussurrou.
Guy ficou visivelmente constrangido, um leve rubor subindo por seu pescoço, algo que Luminous e Leon registraram mentalmente para nunca mais esquecer.
— Eu apenas... estou garantindo que o ambiente permaneça calmo para você — Guy desconversou, embora tenha apertado Ryota com um pouco mais de carinho. — Além disso, imagino que, se tivermos um nosso algum dia, ele será dez vezes mais difícil que esses cinco juntos.
Rimuru sentiu o rosto esquentar com a insinuação de Guy sobre um bebê deles. A imagem de um pequeno ser com cabelos azul-prateados e olhos vermelhos, ou talvez cabelos vermelhos e olhos amarelos, passou por sua mente, deixando-o momentaneamente sem fôlego.
— Um passo de cada vez, Guy — Rimuru brincou, embora seu olhar fosse terno. — Por enquanto, temos esses cinco para criar.
Nesse momento, Gale Gibson, o mais velho do grupo aos nove anos, aproximou-se de Rimuru, esfregando os olhos. Ele tentava manter a compostura de um "garoto grande", mas o cansaço era evidente.
— Rimuru-sama... eu também estou com sono — admitiu Gale, puxando levemente a barra do vestido de Rimuru.
— Oh, Gale! Venha aqui, querido — Rimuru estendeu o braço livre, trazendo o menino para perto. — Guy, você pode levar o Ryota agora? Vou levar a Chloe e o Gale.
Guy levantou-se com a agilidade de um predador, mas sem fazer um único som que pudesse despertar a criança em seus braços.
— Eu levo o Ryota e o Gale — decidiu Guy, olhando para o menino mais velho. — Gale, suba nas minhas costas.
Gale arregalou os olhos, olhando para o temível Lorde Demônio Vermelho. Ele hesitou por um segundo, mas o olhar de Guy, embora firme, não era hostil. O menino obedeceu, escalando as costas de Guy e apoiando a cabeça em seu ombro.
A visão era, no mínimo, lendária. Guy Crimson, carregando uma criança nos braços e outra nas costas, caminhando em direção aos aposentos reais.
Rimuru seguiu logo atrás com Chloe, enquanto o restante do salão permanecia em um silêncio absoluto.
— Alguém me diga que eu não fui a única a ver isso — disse Luminous, finalmente recuperando a voz e virando uma taça inteira de vinho.
— Eu vi — respondeu Leon, sua voz monótona escondendo sua própria surpresa. — E eu pretendo apagar essa memória assim que possível. É perturbador demais.
— Eu achei fofo! — exclamou Milim, pegando um punhado de doces. — O Rimuru é a melhor mãe do mundo! E o Guy parece um segurança de creche muito caro!
Enquanto isso, nos corredores silenciosos do castelo, Rimuru e Guy caminhavam lado a lado. A luz da lua entrava pelas janelas, iluminando o caminho.
— Sabe, Rimuru — começou Guy em voz baixa —, o festival está sendo um sucesso. Mas esses momentos... são os que eu realmente prefiro.
Rimuru sorriu, encostando a cabeça levemente no ombro de Guy enquanto caminhavam.
— Eu também, Guy. Eu também.
Eles chegaram ao quarto das crianças, onde Kenya e Alice já estavam devidamente acomodados por Diablo e Testarosa. Com movimentos sincronizados e praticados, Guy colocou Ryota e Gale em suas respectivas camas, cobrindo-os com os edredons de seda. Rimuru deitou Chloe em sua cama, retirando suavemente a chupeta quando percebeu que ela já estava em um sono profundo, substituindo-a pelo coelho de pelúcia nos braços da menina.
Os dois ficaram parados à porta por um momento, observando os cinco pequenos seres que, apesar de não compartilharem seu sangue, eram sua família.
— Eles são o nosso futuro — sussurrou Rimuru.
— E eu destruirei qualquer um que ouse ameaçar esse futuro — completou Guy, passando o braço pela cintura de Rimuru e puxando-o para perto.
Eles voltaram para o salão, mas o clima de reunião séria havia se dissipado completamente. O que restava era a celebração de um festival que, acima de tudo, celebrava a vida e os laços improváveis que uniam monstros, humanos e demônios.
Rimuru sentou-se em seu trono, e Guy sentou-se ao seu lado, de forma informal, apoiando o braço no encosto da cadeira de Rimuru.
— Agora — disse Rimuru, olhando para os Lordes Demônios restantes com um sorriso travesso —, onde estávamos antes de sermos interrompidos pela hora da soneca?
Luminous suspirou, servindo-se de mais vinho.
— Estávamos discutindo rotas comerciais, Rimuru. Mas, sinceramente, depois de ver Guy Crimson de chupeta na mão, não acho que consiga levar a sério qualquer ameaça dele pelos próximos cem anos.
Guy apenas arqueou uma sobrancelha, um sorriso perigoso brincando em seus lábios.
— Tente a sorte, Luminous. Mas lembre-se: eu sou um pai que dormiu pouco hoje. Eu estou muito mais impaciente do que o normal.
Rimuru riu alto, sua voz preenchendo o salão como uma música. O festival de Tempest continuaria pela noite adentro, mas para Rimuru, a melhor parte já havia acontecido. Entre o caos da política mundial e o poder de um Lorde Demônio, ele encontrou sua verdadeira força na simplicidade de um abraço e no silêncio de uma criança dormindo.
E, enquanto observava seus amigos e subordinados relaxarem, Rimuru soube que, não importava o que o futuro trouxesse, eles enfrentariam tudo juntos. Como uma família. Uma família muito estranha, poderosa e levemente disfuncional, mas, ainda assim, uma família.
