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Lamine

Fandom: Jogadores de futebol

Criado: 29/06/2026

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O Preço do Talento: O Segredo Apertado de Lamine

O vestiário do Barcelona costumava ser um lugar de música alta e risadas, mas naquela manhã o silêncio era tenso, quase palpável. Raphinha estava sentado em um banco, segurando o celular com as mãos trêmulas, enquanto Xavi, o treinador, observava por cima de seu ombro com uma expressão de horror crescente. Ao redor deles, uma constelação improvável de estrelas do futebol mundial — que haviam se reunido para um evento beneficente da FIFA no CT — se espremia para ver a tela pequena.

No vídeo postado acidentalmente nos "stories" de um dos jogadores da base e rapidamente deletado, o pé de Lamine Yamal aparecia em close enquanto ele tirava a meia. A imagem era perturbadora: a pele estava esfolada, os dedos encavalados uns sobre os outros e, o mais alarmante, havia sangue fresco escorrendo da lateral do dedão e do calcanhar.

— Que porra é essa? — A voz rouca de Zlatan Ibrahimovic cortou o ar como uma lâmina. O sueco cruzou os braços sobre o peito largo, os olhos fixos na imagem pausada. — Eu já vi pés de veteranos com vinte anos de carreira que parecem pés de princesa perto disso.

— Ele é só um menino — murmurou Lewandowski, visivelmente perturbado. — Robert, aquilo não é normal. Olhe a deformidade nos ossos.

Lamine Yamal entrou no vestiário naquele exato momento, assobiando uma música qualquer. Ele parou abruptamente ao ver Messi, Cristiano Ronaldo, Modric, Suárez, Mbappé, Haaland e Bellingham todos voltados para ele. O garoto sorriu amarelo, tentando esconder a mochila atrás das costas.

— Bom dia, lendas? Algum problema? — perguntou Lamine, tentando manter a voz firme.

— Senta aí, garoto — ordenou Cristiano Ronaldo. Não era um pedido. O tom era o de um capitão que exige respostas. — Raphinha, mostre a ele.

Raphinha virou o celular para o jovem prodígio. Lamine olhou para a imagem do próprio pé ensanguentado e deu de ombros, sentando-se no banco de madeira.

— Ah, isso? Não é nada. Sempre foi assim — disse Lamine, começando a desamarrar os tênis de passeio. — Faz parte do jogo, não faz? O preço da magia.

— Não, Lamine. Não faz parte — interveio Messi, sua voz suave, mas carregada de autoridade. — Eu jogo há duas décadas. Meus pés estão cansados, mas eles não sangram toda vez que eu tiro a chuteira. O que você está escondendo?

Xavi deu um passo à frente, a preocupação de "pai" falando mais alto que a de treinador.

— Lamine, o departamento médico quer que você faça exames agora. Aquilo parece uma infecção ou uma lesão óssea crônica. Você não pode jogar assim.

— Eu estou bem! — protestou o garoto, mas Haaland, com sua estatura imponente, bloqueou a saída da porta.

— Ninguém sai daqui até descobrirmos por que o futuro do futebol está se autodestruindo — declarou o norueguês. — Bellingham, ajude ele a tirar o calçado.

— Não precisa, eu tiro! — Lamine tentou recuar, mas Suárez, com a agilidade de um atacante veterano, já estava agachado à sua frente.

— Deixa de bobagem, guri. Deixa eu ver isso.

Contra a vontade do jovem, Suárez removeu o tênis e a meia de Lamine. O vestiário soltou um suspiro coletivo de choque. O pé do garoto estava vermelho, inchado e com marcas profundas de pressão que pareciam tatuadas na pele.

— Isso é compressão — diagnosticou Modric, aproximando-se e tocando levemente a área afetada. — Lamine, que tamanho você calça para passear?

— Quarenta e dois — respondeu o garoto, desviando o olhar.

— E qual o tamanho da sua chuteira de jogo? — perguntou Mbappé, estreitando os olhos.

Lamine hesitou. Ele olhou para Lewandowski, procurando apoio, mas o polonês apenas assentiu para que ele falasse a verdade.

— Quarenta... e meio? — mentiu Lamine.

— Mentira — sibilou Ibrahimovic. — Zlatan sabe quando alguém está mentindo. Traga a bolsa dele, Bellingham.

Jude Bellingham pegou a mochila de Lamine e puxou o par de chuteiras que ele usaria no treino dali a pouco. Ele olhou para a etiqueta interna e empalideceu.

— Meu Deus... — sussurrou o inglês. — Lamine, isso aqui é um trinta e nove e meio. Dois números e meio a menos que o seu pé.

O silêncio que se seguiu foi sepulcral. Xavi levou as mãos à cabeça, andando de um lado para o outro.

— Você está louco? — explodiu Raphinha. — Como você consegue correr? Como você consegue sequer ficar de pé?

— É por causa dos dribles! — gritou Lamine, finalmente explodindo, as lágrimas de frustração começando a surgir. — Se a chuteira for do meu tamanho, sobra espaço na ponta. O toque não é o mesmo. Eu sinto que o pé dança dentro do couro. Com elas apertadas assim, eu sinto a bola como se estivesse descalço. Eu tenho mais controle, eu giro mais rápido.

— Você está destruindo seus ossos por causa de um giro mais rápido? — Cristiano Ronaldo se aproximou, ajoelhando-se para ficar na altura dos olhos do jovem. — Escute bem, garoto. Eu sou obcecado pela perfeição física. Eu passo horas na recuperação. O que você está fazendo não é dedicação, é suicídio profissional.

— Mas funciona! — insistiu Lamine. — Vocês viram os vídeos, viram o que eu faço em campo!

— Nós vimos — disse Messi, colocando a mão no ombro de Lamine. — Mas a que custo? Se você continuar assim, aos vinte e dois anos suas articulações estarão desfeitas. Você quer ter uma carreira de cinco anos ou de vinte?

— O Leo tem razão — concordou Lewandowski. — A tecnologia das chuteiras hoje é feita para proteger. Você está ignorando toda a ciência para usar um método de tortura medieval.

Xavi parou na frente de Lamine, a expressão séria.

— Você não vai treinar hoje. E não vai usar essas chuteiras nunca mais. Vou chamar o podólogo e o pessoal da marca que te patrocina. Eles vão fazer um molde personalizado que dê a sensibilidade que você quer sem esmagar seus dedos.

— Mas o jogo de sábado... — começou Lamine.

— Se você não fizer os exames e não mudar esse hábito, você não joga sábado, nem domingo, nem nunca mais sob o meu comando — sentenciou Xavi.

Lamine baixou a cabeça, sentindo o peso daquelas palavras. Ele olhou em volta e viu os rostos dos maiores jogadores do mundo. Não havia julgamento ali, apenas uma preocupação genuína que ele não esperava.

— Eu só queria ser o melhor — sussurrou o garoto.

— Para ser o melhor, você precisa ter pés para caminhar até o pódio — disse Ibrahimovic, com uma suavidade rara em sua voz. — Agora, vá para a enfermaria antes que eu mesmo te carregue até lá.

Enquanto Lamine era levado por Raphinha e pelo fisioterapeuta, os jogadores que ficaram no vestiário trocaram olhares preocupados.

— Dois números menor... — comentou Haaland, balançando a cabeça. — Eu sinto dor só de imaginar.

— É a pressão de ser o próximo "alguém" — disse Modric tristemente. — Eles acham que precisam sofrer para provar que são bons.

— Bom — disse Cristiano, levantando-se e ajustando sua própria braçadeira —, pelo menos agora sabemos que o segredo do drible dele não é mágica. É pura teimosia e muita dor. Vamos garantir que ele aprenda a lição.

O vestiário do Barcelona voltou a se esvaziar, mas a imagem daqueles pés ensanguentados permaneceria na mente de cada um deles como um lembrete de que, às vezes, o maior inimigo de um talento precoce é a sua própria vontade de brilhar a qualquer custo.
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