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Chamas e Asas
Fandom: My hero academia
Criado: 29/06/2026
Tags
RomanceOmegaversoSombrioDramaEstudo de PersonagemCrimeAngústiaCenário Canônico
O Aroma das Penas Queimadas
A noite sobre a cidade de Musutafu tinha um peso diferente, carregada com a umidade que precedia uma tempestade e o cheiro metálico de poluição. No topo de um prédio comercial abandonado, a silhueta de Hawks era a única coisa que rompia a linha do horizonte. Suas grandes asas vermelhas estavam levemente encolhidas, um reflexo do cansaço que ele tentava esconder sob a máscara de herói despreocupado.
Ele sentiu antes de ouvir. Um calor súbito, uma mudança na pressão do ar e, acima de tudo, o cheiro. Era um aroma denso, como madeira de carvalho sendo consumida por um incêndio florestal, misturado com o toque acre de ozônio. Um cheiro de Alfa. E não qualquer Alfa.
— Você está atrasado, passarinho — a voz rouca ecoou das sombras, arrastando-se como brasas sobre o gelo.
Hawks não se virou imediatamente. Ele forçou um sorriso relaxado, embora seus instintos estivessem gritando. Como um Ômega que passara a vida inteira escondendo sua natureza com supressores de última geração fornecidos pela Comissão de Heróis, ele era mestre em fingir.
— O crime não tira folga, Dabi — respondeu Hawks, finalmente virando-se para encarar o vilão. — E, ao contrário de você, eu tenho que manter as aparências.
Dabi saiu da escuridão, a luz da lua refletindo nas grampos metálicos que mantinham sua pele retalhada unida. Ele caminhava com uma confiança predatória, seus olhos azuis brilhando com uma intensidade que parecia queimar a própria alma de Hawks.
O vilão parou a poucos passos de distância. Ele não cruzou os braços nem adotou uma postura defensiva. Em vez disso, ele inclinou a cabeça, inalando profundamente.
— As aparências... — Dabi soltou uma risada curta e seca. — É engraçado você dizer isso. Sabe, passei muito tempo observando você. O herói veloz, o prodígio, o Beta perfeito que não se abala com nada.
Hawks sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Havia algo diferente no tom de Dabi hoje. O Alfa nele estava exalando feromônios de forma deliberada, uma onda de dominância que fazia os joelhos de Hawks vacilarem por um milésimo de segundo.
— Onde você quer chegar com isso? — perguntou Hawks, mantendo a voz firme.
— Eu sempre achei que havia algo errado com o seu cheiro — continuou Dabi, ignorando a pergunta e dando mais um passo à frente. — Químico demais. Artificial demais. Mas hoje... parece que o seu estoque de supressores está vencendo, não está? Ou talvez o esforço de ser um espião duplo esteja cobrando o preço do seu corpo.
O coração de Hawks disparou. Ele tinha tomado sua dose matinal, mas o encontro anterior com um vilão de nível alto tinha exigido muito de sua individualidade, acelerando seu metabolismo. Ele sabia que o disfarce estava falhando, mas não achou que um Alfa tão instável quanto Dabi notaria tão rápido.
— Não sei do que você está falando — mentiu Hawks, dando um passo para trás, apenas para encontrar a beirada do parapeito.
Dabi foi rápido. Em um movimento borrão, ele encurtou a distância, prendendo Hawks entre o parapeito e seu próprio corpo. O calor que emanava do vilão era opressor.
— Não minta para mim — rosnou Dabi, sua voz descendo uma oitava, vibrando no peito de Hawks. — Eu consigo sentir agora. Por baixo desse perfume barato de farmácia... flores de cerejeira e mel. Um Ômega.
O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som do vento uivando entre os prédios. Hawks sentiu suas penas se eriçarem. A revelação era perigosa. Se a Liga dos Vilões soubesse, ele perderia toda a sua vantagem. Se a sociedade soubesse, sua carreira estaria acabada.
— E o que você vai fazer? — desafiou Hawks, estreitando os olhos, embora suas pupilas estivessem dilatadas pela presença do Alfa. — Vai me entregar? Vai usar isso para me chantagear?
Dabi soltou uma risada sombria, levando uma mão coberta de cicatrizes ao rosto de Hawks. Seus dedos, quentes ao toque, traçaram a linha da mandíbula do herói com uma delicadeza inesperada que o fez estremecer.
— Chantagem é algo tão... mesquinho — murmurou Dabi. — Eu tenho planos muito melhores para você, passarinho.
— Planos? — Hawks tentou empurrá-lo, mas Dabi não se moveu. Era como tentar mover uma montanha de lava.
— Um Ômega com o seu fogo, com a sua astúcia... — Dabi se aproximou do pescoço de Hawks, onde a glândula de aroma estava escondida sob a gola alta do uniforme. — Você passou a vida sendo uma ferramenta para aqueles ratos da Comissão. Eles te treinaram para ser um objeto, para esconder quem você é.
— Eu sou um herói por escolha — rebateu Hawks, embora a convicção estivesse falhando à medida que o aroma de Dabi o envolvia, nublando seus sentidos.
— Você é um escravo — corrigiu Dabi, sua respiração quente atingindo a pele sensível de Hawks. — Mas eu? Eu não quero uma ferramenta. Eu quero algo que combine com a minha destruição.
Dabi se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos de Hawks. Não havia o escárnio habitual. Havia algo mais profundo, uma fome possessiva que fez o instinto de Ômega de Hawks ronronar contra sua vontade.
— O que você está fazendo, Dabi? — perguntou Hawks, sua voz agora pouco mais que um sussurro.
— Estou reivindicando o que os outros foram burros demais para notar — respondeu o vilão. — A partir de hoje, passarinho, o jogo mudou. Eu não vou apenas usar você para obter informações. Eu vou cortejar você. Da minha maneira.
Hawks soltou uma risada nervosa, tentando recuperar o equilíbrio emocional.
— Cortejar? Você é um vilão assassino, Dabi. Você não sabe o que é isso.
— Você ficaria surpreso com o que um Alfa é capaz de fazer quando encontra algo que realmente vale a pena queimar o mundo para ter — disse Dabi, sua mão descendo para as asas de Hawks, acariciando as penas vermelhas com uma possessividade que fez o herói soltar um suspiro involuntário.
— Você está louco — disse Hawks, mas ele não se afastou.
— Talvez — admitiu Dabi. — Mas você também está. Caso contrário, não estaria aqui comigo, sentindo o que está sentindo agora. Seu corpo não mente, passarinho. Você quer ser levado. Você quer que alguém seja forte o suficiente para que você possa finalmente parar de voar.
Hawks sentiu as lágrimas arderem em seus olhos, uma mistura de raiva e uma exaustão que ele carregava há anos. Ser um Ômega no mundo dos heróis de elite era um fardo constante. Ter alguém, mesmo um vilão, reconhecendo essa carga e oferecendo, de forma distorcida, um lugar para cair... era uma tentação perigosa.
— Eu não posso... — começou Hawks.
— Você não tem escolha — interrompeu Dabi, aproximando-se novamente, desta vez pressionando sua testa contra a dele. — Eu vou te dar um tempo para processar isso. Mas saiba de uma coisa: eu não aceito um "não" como resposta. Eu sinto o seu cheiro, Hawks. Você já é meu, só ainda não percebeu.
Dabi se afastou abruptamente, a ausência de seu calor deixando Hawks instantaneamente com frio. O vilão caminhou até a borda do prédio, parando antes de pular para as sombras abaixo.
— Da próxima vez que nos encontrarmos — disse Dabi, olhando por cima do ombro com um sorriso predatório —, espero que você tenha jogado fora esses supressores. Eu quero sentir o seu verdadeiro aroma quando eu te levar para o meu ninho.
E, com um lampejo de chamas azuis, ele desapareceu.
Hawks permaneceu imóvel por um longo tempo, suas pernas finalmente cedendo enquanto ele se sentava no chão frio de concreto. Suas mãos tremiam enquanto ele tocava o lugar no pescoço onde o calor de Dabi ainda parecia queimar.
— O que eu fiz? — sussurrou ele para a noite.
Ele sabia que deveria relatar o encontro. Deveria dizer à Comissão que Dabi agora sabia seu segredo. Mas, enquanto olhava para as luzes da cidade, Hawks percebeu que, pela primeira vez em anos, ele não estava pensando em seu dever.
Ele estava pensando no cheiro de madeira queimada e na promessa de um Alfa que via o homem por trás das asas, e não apenas a arma.
Hawks soltou um suspiro trêmulo, fechando os olhos. O aroma de Dabi ainda estava impregnado em suas roupas, uma marca invisível que ele não tinha pressa de lavar. O cortejo havia começado, e, no fundo de seu coração Ômega, Hawks sabia que a caçada seria tão emocionante quanto a captura.
A tempestade finalmente começou a cair, lavando as ruas, mas não conseguindo apagar o fogo que Dabi havia acendido na alma do herói alado.
***
Nos dias que se seguiram, a vida de Hawks tornou-se um borrão de paranoia e expectativa. Cada vez que ele patrulhava, seus olhos buscavam por chamas azuis. Cada beco escuro parecia esconder o olhar penetrante de um Alfa que o conhecia melhor do que ele mesmo.
Ele estava em seu escritório, revisando relatórios de crimes, quando notou algo em sua varanda. Não era um ataque, mas um presente.
Hawks caminhou até a janela de vidro e a abriu. Ali, depositado cuidadosamente sobre o parapeito, estava o crânio de um pequeno animal, perfeitamente limpo, e uma flor de cerejeira carbonizada, mas que ainda mantinha sua forma.
Era um presente de Alfa. Uma demonstração de habilidade de caça e um aceno ao aroma natural de Hawks.
Um arrepio percorreu seu corpo. Dabi estava por perto. Ele estava observando.
— Você é persistente, não é? — murmurou Hawks para o vazio.
— Eu disse que ia cortejar você — a voz veio de cima, do telhado da varanda.
Hawks olhou para cima e viu Dabi pendurado de cabeça para baixo, como um morcego sinistro, um sorriso zombeteiro em seus lábios queimados.
— Você entrou no prédio da minha agência — disse Hawks, tentando parecer severo, mas falhando miseravelmente quando seu instinto de Ômega reagiu à proximidade do Alfa. — Isso é invasão.
— E você guardou a flor — rebateu Dabi, saltando para dentro da varanda com uma agilidade silenciosa. — Eu vi você cheirá-la antes de perceber o que era.
Hawks sentiu o rosto esquentar.
— Eu estava apenas curioso.
Dabi caminhou até ele, sua presença preenchendo o escritório luxuoso com um cheiro de perigo e desejo. Ele estendeu a mão e, desta vez, Hawks não recuou. Dabi tocou a ponta de uma das penas vermelhas, puxando-a levemente.
— O seu cheiro está mais forte hoje — observou Dabi, sua voz vibrando de satisfação. — Você parou de tomar os supressores, não foi?
— Eu... eu reduzi a dose — admitiu Hawks em um sussurro. — Eles estavam me deixando lento.
— Mentiroso — disse Dabi, aproximando-se até que seus peitos se tocassem. — Você parou porque queria saber se eu viria. Você queria que eu te encontrasse.
Hawks abriu a boca para protestar, mas as palavras morreram em sua garganta quando Dabi inclinou a cabeça e roçou o nariz contra o pescoço do herói. O contato foi elétrico. Hawks soltou um som baixo, um ganido que ele nunca imaginou ser capaz de produzir.
— Isso mesmo — sussurrou Dabi contra a pele dele. — Deixe o Alfa cuidar de você, passarinho. Pare de lutar.
— Eu sou um herói, Dabi — lembrou Hawks, embora suas mãos estivessem agora agarradas à jaqueta de couro do vilão. — Nós somos inimigos.
— Herói, vilão... essas são palavras para os Betas que precisam de regras para dormir à noite — disse Dabi, afastando-se o suficiente para capturar os lábios de Hawks em um beijo que sabia a cinzas e possessão.
O beijo foi bruto, exigente, uma reivindicação clara. Hawks respondeu com a mesma intensidade, suas asas se abrindo e envolvendo os dois em um casulo de penas vermelhas. Naquele momento, a Comissão, a Liga e o resto do mundo deixaram de existir. Havia apenas o Alfa e o Ômega, o fogo e o vento.
Quando se separaram, ambos estavam ofegantes. Dabi limpou um rastro de saliva do canto da boca, seus olhos brilhando com um triunfo selvagem.
— Isso foi apenas o começo — prometeu Dabi. — Eu vou derrubar esse sistema que te prende, Hawks. E, quando eu terminar, você não terá que se esconder nunca mais.
— E o que eu serei então? — perguntou Hawks, seu coração batendo contra as costelas como um pássaro enjaulado prestes a ser libertado.
Dabi sorriu, um sorriso que, pela primeira vez, parecia quase genuíno, apesar das cicatrizes.
— Você será minha rainha entre as cinzas.
Dabi recuou para a varanda, o vento agitando seu casaco longo.
— Prepare-se, passarinho. O próximo presente não será tão delicado.
E, com um salto, ele se lançou na noite, deixando Hawks sozinho em seu escritório silencioso. O herói olhou para a flor carbonizada em sua mão e, pela primeira vez em sua vida, ele não se sentiu como um agente duplo ou uma ferramenta do governo.
Ele se sentiu desejado. E, para um Ômega que viveu toda a vida nas sombras da própria natureza, esse era o crime mais tentador de todos.
Ele sentiu antes de ouvir. Um calor súbito, uma mudança na pressão do ar e, acima de tudo, o cheiro. Era um aroma denso, como madeira de carvalho sendo consumida por um incêndio florestal, misturado com o toque acre de ozônio. Um cheiro de Alfa. E não qualquer Alfa.
— Você está atrasado, passarinho — a voz rouca ecoou das sombras, arrastando-se como brasas sobre o gelo.
Hawks não se virou imediatamente. Ele forçou um sorriso relaxado, embora seus instintos estivessem gritando. Como um Ômega que passara a vida inteira escondendo sua natureza com supressores de última geração fornecidos pela Comissão de Heróis, ele era mestre em fingir.
— O crime não tira folga, Dabi — respondeu Hawks, finalmente virando-se para encarar o vilão. — E, ao contrário de você, eu tenho que manter as aparências.
Dabi saiu da escuridão, a luz da lua refletindo nas grampos metálicos que mantinham sua pele retalhada unida. Ele caminhava com uma confiança predatória, seus olhos azuis brilhando com uma intensidade que parecia queimar a própria alma de Hawks.
O vilão parou a poucos passos de distância. Ele não cruzou os braços nem adotou uma postura defensiva. Em vez disso, ele inclinou a cabeça, inalando profundamente.
— As aparências... — Dabi soltou uma risada curta e seca. — É engraçado você dizer isso. Sabe, passei muito tempo observando você. O herói veloz, o prodígio, o Beta perfeito que não se abala com nada.
Hawks sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Havia algo diferente no tom de Dabi hoje. O Alfa nele estava exalando feromônios de forma deliberada, uma onda de dominância que fazia os joelhos de Hawks vacilarem por um milésimo de segundo.
— Onde você quer chegar com isso? — perguntou Hawks, mantendo a voz firme.
— Eu sempre achei que havia algo errado com o seu cheiro — continuou Dabi, ignorando a pergunta e dando mais um passo à frente. — Químico demais. Artificial demais. Mas hoje... parece que o seu estoque de supressores está vencendo, não está? Ou talvez o esforço de ser um espião duplo esteja cobrando o preço do seu corpo.
O coração de Hawks disparou. Ele tinha tomado sua dose matinal, mas o encontro anterior com um vilão de nível alto tinha exigido muito de sua individualidade, acelerando seu metabolismo. Ele sabia que o disfarce estava falhando, mas não achou que um Alfa tão instável quanto Dabi notaria tão rápido.
— Não sei do que você está falando — mentiu Hawks, dando um passo para trás, apenas para encontrar a beirada do parapeito.
Dabi foi rápido. Em um movimento borrão, ele encurtou a distância, prendendo Hawks entre o parapeito e seu próprio corpo. O calor que emanava do vilão era opressor.
— Não minta para mim — rosnou Dabi, sua voz descendo uma oitava, vibrando no peito de Hawks. — Eu consigo sentir agora. Por baixo desse perfume barato de farmácia... flores de cerejeira e mel. Um Ômega.
O silêncio que se seguiu foi preenchido apenas pelo som do vento uivando entre os prédios. Hawks sentiu suas penas se eriçarem. A revelação era perigosa. Se a Liga dos Vilões soubesse, ele perderia toda a sua vantagem. Se a sociedade soubesse, sua carreira estaria acabada.
— E o que você vai fazer? — desafiou Hawks, estreitando os olhos, embora suas pupilas estivessem dilatadas pela presença do Alfa. — Vai me entregar? Vai usar isso para me chantagear?
Dabi soltou uma risada sombria, levando uma mão coberta de cicatrizes ao rosto de Hawks. Seus dedos, quentes ao toque, traçaram a linha da mandíbula do herói com uma delicadeza inesperada que o fez estremecer.
— Chantagem é algo tão... mesquinho — murmurou Dabi. — Eu tenho planos muito melhores para você, passarinho.
— Planos? — Hawks tentou empurrá-lo, mas Dabi não se moveu. Era como tentar mover uma montanha de lava.
— Um Ômega com o seu fogo, com a sua astúcia... — Dabi se aproximou do pescoço de Hawks, onde a glândula de aroma estava escondida sob a gola alta do uniforme. — Você passou a vida sendo uma ferramenta para aqueles ratos da Comissão. Eles te treinaram para ser um objeto, para esconder quem você é.
— Eu sou um herói por escolha — rebateu Hawks, embora a convicção estivesse falhando à medida que o aroma de Dabi o envolvia, nublando seus sentidos.
— Você é um escravo — corrigiu Dabi, sua respiração quente atingindo a pele sensível de Hawks. — Mas eu? Eu não quero uma ferramenta. Eu quero algo que combine com a minha destruição.
Dabi se afastou apenas o suficiente para olhar nos olhos de Hawks. Não havia o escárnio habitual. Havia algo mais profundo, uma fome possessiva que fez o instinto de Ômega de Hawks ronronar contra sua vontade.
— O que você está fazendo, Dabi? — perguntou Hawks, sua voz agora pouco mais que um sussurro.
— Estou reivindicando o que os outros foram burros demais para notar — respondeu o vilão. — A partir de hoje, passarinho, o jogo mudou. Eu não vou apenas usar você para obter informações. Eu vou cortejar você. Da minha maneira.
Hawks soltou uma risada nervosa, tentando recuperar o equilíbrio emocional.
— Cortejar? Você é um vilão assassino, Dabi. Você não sabe o que é isso.
— Você ficaria surpreso com o que um Alfa é capaz de fazer quando encontra algo que realmente vale a pena queimar o mundo para ter — disse Dabi, sua mão descendo para as asas de Hawks, acariciando as penas vermelhas com uma possessividade que fez o herói soltar um suspiro involuntário.
— Você está louco — disse Hawks, mas ele não se afastou.
— Talvez — admitiu Dabi. — Mas você também está. Caso contrário, não estaria aqui comigo, sentindo o que está sentindo agora. Seu corpo não mente, passarinho. Você quer ser levado. Você quer que alguém seja forte o suficiente para que você possa finalmente parar de voar.
Hawks sentiu as lágrimas arderem em seus olhos, uma mistura de raiva e uma exaustão que ele carregava há anos. Ser um Ômega no mundo dos heróis de elite era um fardo constante. Ter alguém, mesmo um vilão, reconhecendo essa carga e oferecendo, de forma distorcida, um lugar para cair... era uma tentação perigosa.
— Eu não posso... — começou Hawks.
— Você não tem escolha — interrompeu Dabi, aproximando-se novamente, desta vez pressionando sua testa contra a dele. — Eu vou te dar um tempo para processar isso. Mas saiba de uma coisa: eu não aceito um "não" como resposta. Eu sinto o seu cheiro, Hawks. Você já é meu, só ainda não percebeu.
Dabi se afastou abruptamente, a ausência de seu calor deixando Hawks instantaneamente com frio. O vilão caminhou até a borda do prédio, parando antes de pular para as sombras abaixo.
— Da próxima vez que nos encontrarmos — disse Dabi, olhando por cima do ombro com um sorriso predatório —, espero que você tenha jogado fora esses supressores. Eu quero sentir o seu verdadeiro aroma quando eu te levar para o meu ninho.
E, com um lampejo de chamas azuis, ele desapareceu.
Hawks permaneceu imóvel por um longo tempo, suas pernas finalmente cedendo enquanto ele se sentava no chão frio de concreto. Suas mãos tremiam enquanto ele tocava o lugar no pescoço onde o calor de Dabi ainda parecia queimar.
— O que eu fiz? — sussurrou ele para a noite.
Ele sabia que deveria relatar o encontro. Deveria dizer à Comissão que Dabi agora sabia seu segredo. Mas, enquanto olhava para as luzes da cidade, Hawks percebeu que, pela primeira vez em anos, ele não estava pensando em seu dever.
Ele estava pensando no cheiro de madeira queimada e na promessa de um Alfa que via o homem por trás das asas, e não apenas a arma.
Hawks soltou um suspiro trêmulo, fechando os olhos. O aroma de Dabi ainda estava impregnado em suas roupas, uma marca invisível que ele não tinha pressa de lavar. O cortejo havia começado, e, no fundo de seu coração Ômega, Hawks sabia que a caçada seria tão emocionante quanto a captura.
A tempestade finalmente começou a cair, lavando as ruas, mas não conseguindo apagar o fogo que Dabi havia acendido na alma do herói alado.
***
Nos dias que se seguiram, a vida de Hawks tornou-se um borrão de paranoia e expectativa. Cada vez que ele patrulhava, seus olhos buscavam por chamas azuis. Cada beco escuro parecia esconder o olhar penetrante de um Alfa que o conhecia melhor do que ele mesmo.
Ele estava em seu escritório, revisando relatórios de crimes, quando notou algo em sua varanda. Não era um ataque, mas um presente.
Hawks caminhou até a janela de vidro e a abriu. Ali, depositado cuidadosamente sobre o parapeito, estava o crânio de um pequeno animal, perfeitamente limpo, e uma flor de cerejeira carbonizada, mas que ainda mantinha sua forma.
Era um presente de Alfa. Uma demonstração de habilidade de caça e um aceno ao aroma natural de Hawks.
Um arrepio percorreu seu corpo. Dabi estava por perto. Ele estava observando.
— Você é persistente, não é? — murmurou Hawks para o vazio.
— Eu disse que ia cortejar você — a voz veio de cima, do telhado da varanda.
Hawks olhou para cima e viu Dabi pendurado de cabeça para baixo, como um morcego sinistro, um sorriso zombeteiro em seus lábios queimados.
— Você entrou no prédio da minha agência — disse Hawks, tentando parecer severo, mas falhando miseravelmente quando seu instinto de Ômega reagiu à proximidade do Alfa. — Isso é invasão.
— E você guardou a flor — rebateu Dabi, saltando para dentro da varanda com uma agilidade silenciosa. — Eu vi você cheirá-la antes de perceber o que era.
Hawks sentiu o rosto esquentar.
— Eu estava apenas curioso.
Dabi caminhou até ele, sua presença preenchendo o escritório luxuoso com um cheiro de perigo e desejo. Ele estendeu a mão e, desta vez, Hawks não recuou. Dabi tocou a ponta de uma das penas vermelhas, puxando-a levemente.
— O seu cheiro está mais forte hoje — observou Dabi, sua voz vibrando de satisfação. — Você parou de tomar os supressores, não foi?
— Eu... eu reduzi a dose — admitiu Hawks em um sussurro. — Eles estavam me deixando lento.
— Mentiroso — disse Dabi, aproximando-se até que seus peitos se tocassem. — Você parou porque queria saber se eu viria. Você queria que eu te encontrasse.
Hawks abriu a boca para protestar, mas as palavras morreram em sua garganta quando Dabi inclinou a cabeça e roçou o nariz contra o pescoço do herói. O contato foi elétrico. Hawks soltou um som baixo, um ganido que ele nunca imaginou ser capaz de produzir.
— Isso mesmo — sussurrou Dabi contra a pele dele. — Deixe o Alfa cuidar de você, passarinho. Pare de lutar.
— Eu sou um herói, Dabi — lembrou Hawks, embora suas mãos estivessem agora agarradas à jaqueta de couro do vilão. — Nós somos inimigos.
— Herói, vilão... essas são palavras para os Betas que precisam de regras para dormir à noite — disse Dabi, afastando-se o suficiente para capturar os lábios de Hawks em um beijo que sabia a cinzas e possessão.
O beijo foi bruto, exigente, uma reivindicação clara. Hawks respondeu com a mesma intensidade, suas asas se abrindo e envolvendo os dois em um casulo de penas vermelhas. Naquele momento, a Comissão, a Liga e o resto do mundo deixaram de existir. Havia apenas o Alfa e o Ômega, o fogo e o vento.
Quando se separaram, ambos estavam ofegantes. Dabi limpou um rastro de saliva do canto da boca, seus olhos brilhando com um triunfo selvagem.
— Isso foi apenas o começo — prometeu Dabi. — Eu vou derrubar esse sistema que te prende, Hawks. E, quando eu terminar, você não terá que se esconder nunca mais.
— E o que eu serei então? — perguntou Hawks, seu coração batendo contra as costelas como um pássaro enjaulado prestes a ser libertado.
Dabi sorriu, um sorriso que, pela primeira vez, parecia quase genuíno, apesar das cicatrizes.
— Você será minha rainha entre as cinzas.
Dabi recuou para a varanda, o vento agitando seu casaco longo.
— Prepare-se, passarinho. O próximo presente não será tão delicado.
E, com um salto, ele se lançou na noite, deixando Hawks sozinho em seu escritório silencioso. O herói olhou para a flor carbonizada em sua mão e, pela primeira vez em sua vida, ele não se sentiu como um agente duplo ou uma ferramenta do governo.
Ele se sentiu desejado. E, para um Ômega que viveu toda a vida nas sombras da própria natureza, esse era o crime mais tentador de todos.
