
← Voltar à lista de fanfics
0 curtida
dama e o vagabundo
Fandom: sintonia
Criado: 29/06/2026
Tags
Fatias de VidaDramaRealismoCrimeUso de DrogasEstudo de PersonagemCenário CanônicoHumorRomanceDor/ConfortoAngústiaCiúmes
Azul-Esperança e Notas de Repúdio
A luz do sol da tarde batia forte na laje da Rita, criando sombras compridas entre os varais de roupa. Eu estava sentada no sofá gasto da sala, balançando as pernas e mexendo no celular, enquanto esperava a Ritinha terminar de se arrumar. A Rita é daquelas que, quando decide que vai sair para desenrolar os corre dela, parece que o mundo para até ela passar o batom.
— Hanna, se você continuar suspirando desse jeito, vai acabar derrubando a casa — disse Cacau, rindo enquanto ajeitava a bolsa no ombro.
— Eu não estou suspirando, Cacau. Só estou ansiosa. Quero passar no salão antes de escurecer — respondi, abrindo um sorriso brincalhão.
Eu não me envolvo nos negócios delas. A Rita e a Cacau têm a correria delas com os produtos, o esquema de revenda, e eu respeito. Sou a amiga que acompanha até a esquina, troca uma ideia, dá risada, mas na hora do "vamos ver", cada uma segue seu caminho. Eu prefiro focar nos meus livros, nas minhas notas e, claro, em manter meu estilo em dia.
— Sei bem que "salão" é esse — provocou Rita, saindo do quarto finalmente pronta. — Você sabe que o Doni vai estar lá, né?
— Ele sempre está lá, Rita. O salão dos gêmeos é praticamente a segunda casa dele — desconversei, sentindo minhas bochechas esquentarem de leve.
Saímos as três juntas, descendo as vielas da Vila Áurea. O movimento estava o de sempre: som alto vindo de algum carro, cheiro de espetinho na esquina e o vai e vem constante da molecada. Quando chegamos no ponto onde os caminhos se dividiam, Rita me deu um beijo no rosto.
— Juízo, viu, Hanna? E vê se não gasta todo o seu latim com aquele aspirante a MC.
— Pode deixar, patroa! Boa sorte no corre — acenei para as duas e segui meu rumo.
O salão dos gêmeos era um dos meus lugares favoritos na favela. Era onde a fofoca corria solta, onde o estilo nascia e onde eu me sentia em casa. Assim que empurrei a porta, o som de um funk consciente baixinho preenchia o ambiente, misturado ao barulho das máquinas de cortar cabelo.
— Olha ela aí! A dona do azul mais brabo da quebrada — disse um dos gêmeos, já abrindo um sorriso.
— E aí, meninos? Vim retocar o brilho, sabe como é, né? — respondi, jogando meu cabelo preto longo para o lado, revelando as mechas azuis que já estavam começando a desbotar.
Me sentei na cadeira de espera e, como eu já previa, lá estava ele. Donizete, ou melhor, MC Doni, sentado na cadeira ao lado, terminando de fazer o degradê.
— Salve, Hanna. Veio ver se aprende a ter estilo com o pai? — Doni mandou aquela piscadinha característica dele.
— Eu já nasci com estilo, Doni. Você que precisa de uma força dos gêmeos toda semana pra não perder a linha — rebati, rindo.
Enquanto eu me acomodava na cadeira para começar o processo das mechas, comecei a puxar assunto sobre o que realmente importava.
— E aí, como é que tá a música nova? O pessoal tá comentando que você não sai mais do estúdio.
— Tá fluindo, Hanna. Hoje mesmo vou lá na casa de um parceiro, um produtor que tá com umas batidas pesadas. O bagulho vai ficar doido, vou estourar, você vai ver — ele falava com aquela empolgação de quem tem o mundo inteiro pela frente.
Eu sorri, porque admirava a garra dele, mas meu lado responsável — e talvez um pouco chata, admito — falou mais alto.
— É muito bom, Doni. De verdade. Mas e a escola? Fiquei sabendo que você faltou de novo ontem.
Doni revirou os olhos, mas ainda mantendo o sorriso.
— Ah, não começa, Hanna. A escola não vai me dar o disco de ouro.
— Mas vai te dar o diploma que a sua mãe tanto quer — retruquei, ficando séria por um momento. — Se você continuar faltando desse jeito, vai ser expulso. E você sabe que se a Dona Maura descobrir que você tá matando aula pra ir atrás de música, o bicho vai pegar pro seu lado.
— Relaxa, eu dou um jeito. Você fala isso porque é mais velha que eu, aí quer dar uma de professora — ele zombou, levantando da cadeira para conferir o corte no espelho.
O corte tinha ficado impecável, o risco na sobrancelha bem marcado. Ele realmente levava jeito para a coisa de artista.
— Ficou muito legal, Doni. De verdade. O visual tá de MC mesmo — elogiei, enquanto o gêmeo aplicava a tinta azul no meu cabelo.
Doni se virou para mim, com um olhar travesso que eu já conhecia. Ele se aproximou da minha cadeira, cruzando os braços.
— Valeu. Mas ó, sabe o que eu acho? Que você tá me dando esse sermão todo só porque tá amarga.
— Amarga? Eu? — perguntei, franzindo a testa.
— É. Tá assim porque não teve o amor correspondido pelo Pulga — ele soltou a bomba e começou a rir na mesma hora.
O salão inteiro pareceu parar por um segundo antes dos gêmeos caírem na gargalhada junto com ele. Eu senti meu rosto queimar instantaneamente. O Pulga era um assunto delicado, uma paixonite de infância que todo mundo na Vila parecia fazer questão de lembrar, mesmo que eu já estivesse em outra fase.
— Você não disse isso, Donizete! — Eu fiz uma cara de total indignação, tentando manter a pose, mas a vontade era de jogar o pote de tinta nele.
— Falei e falei mesmo! A verdade dói, né, Hanna? — Ele continuou rindo, pegando o boné e se preparando para sair.
— Sai daqui, garoto! Vai lá pro seu estúdio e vê se não esquece de abrir o livro de português de vez em quando! — gritei, enquanto ele saía pela porta, ainda fazendo graça.
Os gêmeos continuaram rindo por mais alguns minutos.
— Ele te pegou nessa, hein, Hanna? — comentou um deles, passando o pincel no meu cabelo.
— Ele é um bobo, isso sim. Mas deixa ele, a vida ensina — respondi, tentando disfarçar o sorriso que insistia em querer aparecer. No fundo, eu adorava aquele jeito dele, mesmo que me irritasse.
Depois que terminamos o cabelo — que ficou um azul vibrante, exatamente do jeito que eu gostava —, me despedi dos meninos e segui para a segunda parte da minha missão do dia.
Caminhei em direção à casa do Bada. O Bada é meu tio, e embora muita gente na favela tenha um certo temor quando fala o nome dele por causa da posição que ele ocupa na "família", para mim ele sempre foi apenas o tio que me dava doces quando eu era pequena.
A casa dele era bem vigiada, mas passei direto pelos caras na frente, que já me conheciam. Entrei no quintal e vi meu tio sentado em uma cadeira de fio, tomando um café.
— Bença, tio — disse, me aproximando.
— Deus te abençoe, Hanna. Que azul é esse no cabelo? Tá parecendo uma arara — ele brincou, mas com aquele tom de voz rouco e calmo de sempre.
— É a moda, tio. O senhor que tá por fora — respondi, sentando no murete. — A Rita pediu pra eu passar aqui e pegar uma encomenda dela. Ela disse que o senhor já sabia o que era.
Bada assentiu e fez um sinal para um dos rapazes que estava lá dentro. Em poucos minutos, ele voltou com um pacote pardo bem fechado.
— Tá aqui. Diz pra Rita ter cuidado no caminho. O clima tá meio estranho lá pro lado da outra vila.
— Pode deixar, eu aviso sim.
Eu guardei o pacote na minha mochila e, antes de sair, olhei para a mesinha de centro onde tinha um maço de cigarros.
— Tio, vou pegar um desses, tá? — Apontei para o maço.
— Você tá fumando agora, Hanna? Sua mãe sabe disso? — Ele arqueou uma sobrancelha.
— Só de vez em quando, tio. Pra relaxar do estresse dos estudos — menti descaradamente, dando um sorriso fofo que eu sabia que funcionava com ele.
— Leva logo isso e some daqui antes que eu mude de ideia. E foca nos estudos, viu? Quero ver você na faculdade.
— Pode deixar, tio Bada!
Saí de lá sentindo o peso do pacote na mochila e o maço de cigarro no bolso da jaqueta. A Vila Áurea estava começando a acender as luzes para a noite. Eu caminhei devagar, sentindo a brisa no rosto e pensando na vida.
O Doni com os sonhos de música, a Rita com os corre dela, o meu tio cuidando da quebrada do jeito dele... E eu, no meio de tudo isso, tentando equilibrar meus livros, meu cabelo azul e as pequenas rebeldias de quem tem 17 anos e quer abraçar o mundo.
Parei no topo da ladeira e olhei para baixo. A favela parecia um mar de luzes cintilantes. Tirei um cigarro do bolso, mas não acendi. Fiquei apenas observando o movimento. Eu sabia que, não importa o quão longe eu fosse ou o quanto eu estudasse, meu coração sempre bateria no ritmo daquela batida que vinha lá do fundo da rua.
A vida na Vila não era fácil, mas tinha uma cor que lugar nenhum no asfalto conseguia copiar. Era um azul profundo, intenso e cheio de esperança, exatamente como as mechas do meu cabelo.
— É, Doni... — sussurrei para mim mesma, rindo sozinha ao lembrar da provocação dele. — O amor pode não ter sido correspondido pelo Pulga, mas eu sou apaixonada por esse lugar. E isso ninguém tira de mim.
Ajeitei a mochila nas costas e comecei a descer a ladeira. Eu ainda tinha que entregar a encomenda da Rita e, quem sabe, passar na frente da escola só para garantir que o Doni não tinha sido expulso em pensamento. Afinal, alguém tinha que ser a voz da razão naquele trio, e essa pessoa, com certeza, era eu.
— Hanna, se você continuar suspirando desse jeito, vai acabar derrubando a casa — disse Cacau, rindo enquanto ajeitava a bolsa no ombro.
— Eu não estou suspirando, Cacau. Só estou ansiosa. Quero passar no salão antes de escurecer — respondi, abrindo um sorriso brincalhão.
Eu não me envolvo nos negócios delas. A Rita e a Cacau têm a correria delas com os produtos, o esquema de revenda, e eu respeito. Sou a amiga que acompanha até a esquina, troca uma ideia, dá risada, mas na hora do "vamos ver", cada uma segue seu caminho. Eu prefiro focar nos meus livros, nas minhas notas e, claro, em manter meu estilo em dia.
— Sei bem que "salão" é esse — provocou Rita, saindo do quarto finalmente pronta. — Você sabe que o Doni vai estar lá, né?
— Ele sempre está lá, Rita. O salão dos gêmeos é praticamente a segunda casa dele — desconversei, sentindo minhas bochechas esquentarem de leve.
Saímos as três juntas, descendo as vielas da Vila Áurea. O movimento estava o de sempre: som alto vindo de algum carro, cheiro de espetinho na esquina e o vai e vem constante da molecada. Quando chegamos no ponto onde os caminhos se dividiam, Rita me deu um beijo no rosto.
— Juízo, viu, Hanna? E vê se não gasta todo o seu latim com aquele aspirante a MC.
— Pode deixar, patroa! Boa sorte no corre — acenei para as duas e segui meu rumo.
O salão dos gêmeos era um dos meus lugares favoritos na favela. Era onde a fofoca corria solta, onde o estilo nascia e onde eu me sentia em casa. Assim que empurrei a porta, o som de um funk consciente baixinho preenchia o ambiente, misturado ao barulho das máquinas de cortar cabelo.
— Olha ela aí! A dona do azul mais brabo da quebrada — disse um dos gêmeos, já abrindo um sorriso.
— E aí, meninos? Vim retocar o brilho, sabe como é, né? — respondi, jogando meu cabelo preto longo para o lado, revelando as mechas azuis que já estavam começando a desbotar.
Me sentei na cadeira de espera e, como eu já previa, lá estava ele. Donizete, ou melhor, MC Doni, sentado na cadeira ao lado, terminando de fazer o degradê.
— Salve, Hanna. Veio ver se aprende a ter estilo com o pai? — Doni mandou aquela piscadinha característica dele.
— Eu já nasci com estilo, Doni. Você que precisa de uma força dos gêmeos toda semana pra não perder a linha — rebati, rindo.
Enquanto eu me acomodava na cadeira para começar o processo das mechas, comecei a puxar assunto sobre o que realmente importava.
— E aí, como é que tá a música nova? O pessoal tá comentando que você não sai mais do estúdio.
— Tá fluindo, Hanna. Hoje mesmo vou lá na casa de um parceiro, um produtor que tá com umas batidas pesadas. O bagulho vai ficar doido, vou estourar, você vai ver — ele falava com aquela empolgação de quem tem o mundo inteiro pela frente.
Eu sorri, porque admirava a garra dele, mas meu lado responsável — e talvez um pouco chata, admito — falou mais alto.
— É muito bom, Doni. De verdade. Mas e a escola? Fiquei sabendo que você faltou de novo ontem.
Doni revirou os olhos, mas ainda mantendo o sorriso.
— Ah, não começa, Hanna. A escola não vai me dar o disco de ouro.
— Mas vai te dar o diploma que a sua mãe tanto quer — retruquei, ficando séria por um momento. — Se você continuar faltando desse jeito, vai ser expulso. E você sabe que se a Dona Maura descobrir que você tá matando aula pra ir atrás de música, o bicho vai pegar pro seu lado.
— Relaxa, eu dou um jeito. Você fala isso porque é mais velha que eu, aí quer dar uma de professora — ele zombou, levantando da cadeira para conferir o corte no espelho.
O corte tinha ficado impecável, o risco na sobrancelha bem marcado. Ele realmente levava jeito para a coisa de artista.
— Ficou muito legal, Doni. De verdade. O visual tá de MC mesmo — elogiei, enquanto o gêmeo aplicava a tinta azul no meu cabelo.
Doni se virou para mim, com um olhar travesso que eu já conhecia. Ele se aproximou da minha cadeira, cruzando os braços.
— Valeu. Mas ó, sabe o que eu acho? Que você tá me dando esse sermão todo só porque tá amarga.
— Amarga? Eu? — perguntei, franzindo a testa.
— É. Tá assim porque não teve o amor correspondido pelo Pulga — ele soltou a bomba e começou a rir na mesma hora.
O salão inteiro pareceu parar por um segundo antes dos gêmeos caírem na gargalhada junto com ele. Eu senti meu rosto queimar instantaneamente. O Pulga era um assunto delicado, uma paixonite de infância que todo mundo na Vila parecia fazer questão de lembrar, mesmo que eu já estivesse em outra fase.
— Você não disse isso, Donizete! — Eu fiz uma cara de total indignação, tentando manter a pose, mas a vontade era de jogar o pote de tinta nele.
— Falei e falei mesmo! A verdade dói, né, Hanna? — Ele continuou rindo, pegando o boné e se preparando para sair.
— Sai daqui, garoto! Vai lá pro seu estúdio e vê se não esquece de abrir o livro de português de vez em quando! — gritei, enquanto ele saía pela porta, ainda fazendo graça.
Os gêmeos continuaram rindo por mais alguns minutos.
— Ele te pegou nessa, hein, Hanna? — comentou um deles, passando o pincel no meu cabelo.
— Ele é um bobo, isso sim. Mas deixa ele, a vida ensina — respondi, tentando disfarçar o sorriso que insistia em querer aparecer. No fundo, eu adorava aquele jeito dele, mesmo que me irritasse.
Depois que terminamos o cabelo — que ficou um azul vibrante, exatamente do jeito que eu gostava —, me despedi dos meninos e segui para a segunda parte da minha missão do dia.
Caminhei em direção à casa do Bada. O Bada é meu tio, e embora muita gente na favela tenha um certo temor quando fala o nome dele por causa da posição que ele ocupa na "família", para mim ele sempre foi apenas o tio que me dava doces quando eu era pequena.
A casa dele era bem vigiada, mas passei direto pelos caras na frente, que já me conheciam. Entrei no quintal e vi meu tio sentado em uma cadeira de fio, tomando um café.
— Bença, tio — disse, me aproximando.
— Deus te abençoe, Hanna. Que azul é esse no cabelo? Tá parecendo uma arara — ele brincou, mas com aquele tom de voz rouco e calmo de sempre.
— É a moda, tio. O senhor que tá por fora — respondi, sentando no murete. — A Rita pediu pra eu passar aqui e pegar uma encomenda dela. Ela disse que o senhor já sabia o que era.
Bada assentiu e fez um sinal para um dos rapazes que estava lá dentro. Em poucos minutos, ele voltou com um pacote pardo bem fechado.
— Tá aqui. Diz pra Rita ter cuidado no caminho. O clima tá meio estranho lá pro lado da outra vila.
— Pode deixar, eu aviso sim.
Eu guardei o pacote na minha mochila e, antes de sair, olhei para a mesinha de centro onde tinha um maço de cigarros.
— Tio, vou pegar um desses, tá? — Apontei para o maço.
— Você tá fumando agora, Hanna? Sua mãe sabe disso? — Ele arqueou uma sobrancelha.
— Só de vez em quando, tio. Pra relaxar do estresse dos estudos — menti descaradamente, dando um sorriso fofo que eu sabia que funcionava com ele.
— Leva logo isso e some daqui antes que eu mude de ideia. E foca nos estudos, viu? Quero ver você na faculdade.
— Pode deixar, tio Bada!
Saí de lá sentindo o peso do pacote na mochila e o maço de cigarro no bolso da jaqueta. A Vila Áurea estava começando a acender as luzes para a noite. Eu caminhei devagar, sentindo a brisa no rosto e pensando na vida.
O Doni com os sonhos de música, a Rita com os corre dela, o meu tio cuidando da quebrada do jeito dele... E eu, no meio de tudo isso, tentando equilibrar meus livros, meu cabelo azul e as pequenas rebeldias de quem tem 17 anos e quer abraçar o mundo.
Parei no topo da ladeira e olhei para baixo. A favela parecia um mar de luzes cintilantes. Tirei um cigarro do bolso, mas não acendi. Fiquei apenas observando o movimento. Eu sabia que, não importa o quão longe eu fosse ou o quanto eu estudasse, meu coração sempre bateria no ritmo daquela batida que vinha lá do fundo da rua.
A vida na Vila não era fácil, mas tinha uma cor que lugar nenhum no asfalto conseguia copiar. Era um azul profundo, intenso e cheio de esperança, exatamente como as mechas do meu cabelo.
— É, Doni... — sussurrei para mim mesma, rindo sozinha ao lembrar da provocação dele. — O amor pode não ter sido correspondido pelo Pulga, mas eu sou apaixonada por esse lugar. E isso ninguém tira de mim.
Ajeitei a mochila nas costas e comecei a descer a ladeira. Eu ainda tinha que entregar a encomenda da Rita e, quem sabe, passar na frente da escola só para garantir que o Doni não tinha sido expulso em pensamento. Afinal, alguém tinha que ser a voz da razão naquele trio, e essa pessoa, com certeza, era eu.
