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atravez do sebo

Fandom: historia das minhas amigas

Criado: 29/06/2026

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Batom Vermelho, Cabelo Oleoso e um Caos Particular

O aroma de fritura barata e perfume doce barato pairava no ar da lanchonete da esquina, mas o clima estava prestes a azedar mais do que a maionese esquecida no balcão. Fernanda, com seu cabelo tingido de um vermelho vibrante que parecia gritar por atenção, batia o pé impacientemente no chão de lajota encardida. Ela conferia o reflexo na tela do celular, ajeitando a postura. Fernanda sabia que era o centro das atenções, e sua possessividade era seu traço mais marcante — além, é claro, da capacidade de amar intensamente sua namorada enquanto mantinha um olho (e um WhatsApp) bem aberto para as novidades.

Ao lado dela, Carol, a "perfeita", parecia deslocada naquele ambiente. Alta, loira, com uma franja milimetricamente cortada que nunca saía do lugar, Carol revirava os olhos a cada cinco segundos.

— Fernanda, sério, por que a gente ainda está esperando aquela coisa? — Carol perguntou, cruzando os braços longos e bem cuidados. — Você sabe que a Vitória só serve para passar vergonha e deixar o ambiente com cheiro de fritura capilar.

Fernanda deu um sorriso de lado, aquele sorriso que escondia segredos que Carol nem imaginava.

— Ai, amiga, você sabe como ela é. A Vitória é obcecada por mim. Se eu não deixar ela vir, ela é capaz de pular o muro da minha casa e dormir no tapete da entrada.

— Ela é insuportável — rebateu Carol, limpando uma mancha invisível na mesa. — E aqueles dentes? Parece que ela vai morder o mundo a qualquer momento. Eu não sei como você aguenta.

Antes que Fernanda pudesse responder, a porta da lanchonete se abriu com um estrondo. Vitória entrou tropeçando nos próprios pés, ofegante. O cabelo, como de costume, brilhava de uma forma que não era saudável — uma camada de óleo que parecia não ver shampoo há dias. Os dentes grandes saltaram para fora em um sorriso largo e desesperado assim que ela avistou Fernanda.

— Fê! Meu amor! Desculpa o atraso, eu estava procurando aquele brilho labial que você gosta! — Vitória praticamente se jogou em cima de Fernanda, tentando beijá-la.

Fernanda se esquivou com a habilidade de um mestre de esquiva, oferecendo apenas a bochecha de má vontade.

— Menos, Vitória. Bem menos. Senta logo aí que a Carol já está perdendo a paciência.

Vitória murchou por um segundo, mas logo recuperou o entusiasmo maníaco. Ela se sentou, lançando um olhar de puro veneno para Carol.

— Ah, você está aqui também, "perfeitinha"? Não tem um salão de beleza para ser fútil em outro lugar?

— E você, Vitória? Não tem um dentista ou um chuveiro para visitar? — Carol retrucou, sem nem olhar na cara da rival.

— Chega, as duas! — Fernanda bateu na mesa, os olhos vermelhos brilhando tanto quanto o cabelo. — Eu chamei vocês aqui porque a situação mudou.

O silêncio caiu sobre a mesa. Vitória inclinou o corpo para a frente, os dentes quase tocando o tampo da mesa, os olhos fixos em Fernanda com uma devoção assustadora.

— O que foi, Fê? Qualquer coisa que você quiser, eu faço. Você sabe que eu sou louca por você, eu morro por você!

Fernanda deu um suspiro dramático. Ela adorava aquele poder. Adorava saber que Vitória rastejaria no vidro por ela, mesmo que Fernanda estivesse, naquele exato momento, trocando mensagens por debaixo da mesa com outra pessoa.

— O problema, Vitória... é que eu conheci alguém.

O mundo pareceu parar. Carol deu um sorriso de satisfação, enquanto o rosto de Vitória passava de um pálido oleoso para um vermelho de fúria.

— O quê? — Vitória gritou, atraindo olhares de todas as mesas. — Quem? Quem é a piranha? Eu vou acabar com ela! Eu vou arrancar cada fio de cabelo daquela desgraçada!

— Calma, louca! — Fernanda segurou os pulsos de Vitória. — O nome dela é Nati. E ela está vindo para cá. Agora.

— Você me traiu? De novo? — Vitória começou a soluçar de forma ruidosa, um som que parecia um motor engasgado. — Mas eu te amo! Eu sou sua! Eu aceito tudo, Fernanda! Eu aceito que você me trate mal, eu aceito que você não tome banho comigo, mas não me troca!

— Ela não está te trocando, Vitória — Carol interveio com um tom de voz aveludado e cruel —, ela está apenas subindo de nível. Coisa que você nunca vai conseguir fazer com esse visual de quem acabou de sair de um bueiro.

— Cala a boca, Carol! — Vitória avançou por cima da mesa, tentando alcançar o cabelo loiro da outra. — Você sempre quis separar a gente!

— Eu não preciso fazer nada, o seu espelho já faz o trabalho por mim! — Carol se esquivou com elegância.

Nesse momento, a porta se abriu novamente. Uma menina entrou com um ar de confiança que fez o ar da lanchonete parecer mais leve. Era Nati. Ela tinha um estilo moderno, roupas que combinavam e um sorriso que não era nem desesperado, nem forçado.

Fernanda se levantou imediatamente, com um brilho nos olhos que Vitória nunca recebia.

— Nati! Que bom que você chegou.

Nati caminhou até a mesa, ignorando o clima de guerra nuclear que pairava no ar.

— Oi, Fê. — Nati deu um selinho rápido em Fernanda, o que fez Vitória soltar um grito agudo que quase quebrou os copos de vidro.

— SAI DE PERTO DELA! — Vitória se levantou, os dentes arreganhados, parecendo um animal acuado. — A FERNANDA É MINHA! ELA É MINHA NAMORADA!

Nati arqueou uma sobrancelha, olhando para Fernanda e depois para a figura desgrenhada de Vitória.

— Então essa é a famosa Vitória? — Nati perguntou, com um tom de pena. — Fernanda, você me disse que ela era persistente, mas não mencionou que ela precisava de um banho de óleo... mas não desse tipo.

— Como é que é? — Vitória partiu para cima de Nati.

O barraco explodiu. Vitória tentou agarrar Nati pelo pescoço, mas Fernanda se meteu no meio, empurrando a ex-namorada (ou atual, no mundo confuso de Fernanda) de volta para a cadeira.

— Para com isso, Vitória! Você está passando vergonha! — Fernanda gritou, sua possessividade agora se voltando para Nati. — Não encosta na Nati! Ela é minha namorada nova e você vai ter que aceitar!

— Aceitar? — Vitória começou a rir de forma histérica, as lágrimas escorrendo e deixando rastros cinzas no rosto suado. — Eu nunca vou aceitar! Eu vou te perseguir até o inferno, Fernanda! Eu sei onde você mora, eu sei onde você estuda! Eu vou estar em todo lugar!

Carol, assistindo a tudo com um prazer quase doentio, pegou o celular para filmar.

— Isso, Vitória, continua. O YouTube vai amar esse conteúdo de "A Noiva do Chuck em Crise".

— E você, sua loira de farmácia! — Vitória pegou um copo de suco de laranja da mesa vizinha e atirou na direção de Carol.

Carol deu um grito agudo quando o líquido atingiu sua franja perfeita.

— MEU CABELO! Sua desgraçada! Você estragou minha escova!

Agora era guerra total. Carol avançou em Vitória, puxando o cabelo seboso da outra, que soltou um grito de dor mas não soltou o braço de Fernanda. Nati tentava separar as duas, enquanto Fernanda, no meio do caos, parecia secretamente se divertir com o fato de três mulheres estarem literalmente se matando por causa dela.

— Parem com isso agora! — Fernanda berrou, embora não fizesse nenhum esforço real para ajudar. — Vitória, solta a Carol! Carol, para de chutar a canela dela!

— Eu não solto! — Vitória gritava, os dentes cravados na manga da jaqueta de Fernanda. — Você é minha! Você disse que me amava ontem à noite!

Nati olhou para Fernanda, chocada.

— Ontem à noite, Fernanda? Você estava comigo ontem à noite!

Fernanda deu um sorriso nervoso, ajeitando o cabelo vermelho.

— É... então... sabe como é, né, Nati? Eu tenho muito amor para dar. Eu sou intensa.

— Intensa? Você é louca! — Nati deu um passo para trás. — Eu achei que você tinha terminado com essa maluca.

— Ela nunca vai terminar comigo! — Vitória se soltou de Carol, que agora chorava sobre sua franja arruinada. — Nós temos uma conexão! Ela me trai porque me ama e quer testar a minha fidelidade! Não é, Fê?

Fernanda olhou para Vitória, depois para Nati, e por fim para Carol, que estava em frangalhos. A possessividade de Fernanda falou mais alto. Ela puxou Nati pelo braço com força.

— Você não vai a lugar nenhum, Nati. Você é minha agora. E você, Vitória, limpa esse rosto e para de show, ou eu não te atendo mais de madrugada.

Vitória, num estalo, parou de gritar. Ela limpou o nariz na manga da blusa e deu um sorriso bizarro, mostrando todos os dentes.

— Viu? Ela ainda quer que eu ligue para ela. Ela me ama.

Nati olhou para as três e percebeu que tinha entrado em um hospício disfarçado de círculo de amizade.

— Vocês são todas doentes — Nati disse, tentando se soltar do aperto de Fernanda.

— Doentes por mim, querida — Fernanda retrucou, possessiva. — Agora, senta aí. Vamos pedir uma porção de batata frita. A Vitória paga, porque ela me deve por ter me feito passar essa vergonha.

Vitória, humilhada mas estranhamente satisfeita por ainda estar no radar de Fernanda, abriu a bolsa encardida.

— Claro, meu amor. Eu pago tudo o que você quiser.

Carol sentou-se novamente, bufando e tentando salvar o que restava da sua franja com um pente de bolso.

— Eu odeio todas vocês. Especialmente você, Vitória. Mas as batatas daqui são boas.

E assim, entre cabelos oleosos, franjas destruídas, dentes proeminentes e uma traição recém-revelada, o grupo permaneceu unido pelo magnetismo caótico de Fernanda. O barraco tinha acabado, mas o veneno apenas começava a circular novamente, pronto para a próxima explosão.
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