
← Voltar à lista de fanfics
0 curtida
Feel the bass.
Fandom: bands, music.
Criado: 29/06/2026
Tags
RomanceDramaAngústiaDor/ConfortoHistória DomésticaEstudo de PersonagemAbuso de ÁlcoolLirismoFatias de VidaSongficLinguagem ExplícitaPWP (Enredo? Que enredo?)Sombrio
Veludo Azul e Poeira de Estrelas
O cheiro de chuva iminente sempre deixava Alexander Valentino em um estado de alerta melancólico. O céu de Londres estava carregado, uma massa cinzenta que parecia pressionar os telhados dos estúdios de gravação, mas para ele, era o cenário perfeito. Ele girava uma palheta gasta entre os dedos longos, sentindo o relevo do plástico contra a polpa do polegar, enquanto observava o movimento frenético da equipe técnica através do vidro da cabine de som.
Alexander, ou Rio para os íntimos, era uma contradição ambulante. Vestia uma camisa de seda preta entreaberta, calças de couro desgastadas e um par de botas que já tinham visto palcos do mundo inteiro. O cabelo cacheado caía em cascatas escuras até a cintura, uma moldura andrógina para um rosto que parecia esculpido em mármore, mas que carregava a vivacidade de quem nunca dormia o suficiente.
— Rio, se você continuar encarando o nada desse jeito, vou começar a achar que você viu um fantasma. Ou que está compondo outra música sobre como a água da chuva é triste — uma voz sarcástica ecoou atrás dele.
Alexander não precisou se virar para saber quem era. O timbre era suave, mas carregado de uma energia que cortava o ar. Isaac Moonthorn entrou no campo de visão dele, carregando seu baixo como se fosse uma extensão de seu próprio corpo. Isaac tinha aquela aura magnética que transformava qualquer sala fria em um lugar vibrante. Ele era um centímetro mais alto que Alexander, o que era motivo de piadas constantes entre os dois, e exalava uma confiança que só era quebrada pela timidez que sentia ao conhecer estranhos. Ali, no entanto, entre amigos, ele era o caos refinado.
— A chuva não é triste, Isaac. Ela é honesta — Alexander respondeu, a voz aveludada e profunda, sem desviar os olhos da janela. — Ela limpa a sujeira que a gente insiste em esconder embaixo do tapete.
Isaac soltou uma risada curta e anasalada, sentando-se no amplificador de Alexander.
— Lá vem você com a poesia de bueiro. Por que não admite logo que só quer um pretexto para ficar descalço e tocar vinil de jazz até as quatro da manhã?
— Talvez — Alexander finalmente se virou, um sorriso de canto de lábio iluminando sua expressão normalmente indiferente. — Mas você estaria lá comigo, reclamando do chiado do disco enquanto tenta me ensinar alguma linha de baixo brasileira que eu nunca vou conseguir reproduzir na guitarra.
Isaac deu de ombros, mas seus olhos brilharam. Ele amava a MPB, o ritmo sincopado que trazia um calor que o rock europeu às vezes não alcançava.
— É porque você não tem o gingado, Valentino. Você é muito... metódico. Perfeccionista demais.
— Eu, metódico? — Alexander arqueou uma sobrancelha, aproximando-se de Isaac. O espaço entre eles diminuiu, e o ar pareceu carregar-se de uma eletricidade que não vinha dos cabos espalhados pelo chão. — Você é quem passa três horas ajustando o timbre de uma única nota porque acha que o público vai notar a diferença de frequência.
— Eles notam — Isaac rebateu, a voz baixando um tom. — Ou pelo menos, eu sinto quando não está perfeito. E se eu sinto, a música não é verdade.
Alexander observou Isaac de perto. Ele percebia a leve tensão nos ombros do baixista, o modo como ele apertava o braço do instrumento. Ele sempre notava. Era seu dom e sua maldição: ler Isaac Moonthorn como se ele fosse uma partitura aberta. Ele sabia que por trás daquela energia inesgotável e das piadas rápidas, Isaac estava exausto pela pressão da turnê mundial que se aproximava.
— Vem cá — Alexander disse, estendendo a mão.
— O quê? A gente tem que passar a ponte da terceira faixa em dez minutos.
— Esquece a ponte por dez minutos. Vem cá.
Alexander caminhou até o canto da sala onde um toca-discos antigo estava instalado. Ele tateou o bolso da jaqueta, tirou uma palheta e a colocou sobre a mesa, antes de escolher cuidadosamente um vinil de sua coleção pessoal que mantinha no estúdio. Era um disco de jazz clássico, a capa gasta pelo tempo.
— O que você está fazendo? — Isaac perguntou, embora já estivesse se aproximando, atraído pela gravidade silenciosa que Alexander exercia.
— Ouvindo o silêncio antes do barulho — Alexander murmurou. Ele colocou a agulha no disco. O chiado inicial preencheu a sala, seguido por um piano suave e um trompete melancólico.
Alexander sentou-se no chão de madeira, encostando as costas na parede fria. Ele tirou as botas, ficando apenas de meias, e fechou os olhos. Isaac hesitou por um segundo, olhando para a porta da cabine onde o produtor gesticulava, mas o cansaço falou mais alto. Ele se deixou escorregar ao lado de Alexander, os ombros se tocando.
— Você é esquisito, Rio — Isaac sussurrou, fechando os olhos também.
— E você adora isso.
Ficaram em silêncio por um longo tempo, apenas sentindo a música e a presença um do outro. Para os "Oceans", os fãs que lotavam estádios para vê-los, eles eram deuses do rock, ícones de uma geração. Mas ali, naquele pequeno quadrado de estúdio, eles eram apenas dois jovens de dezenove anos tentando não se afogar na própria fama.
— Isaac? — Alexander chamou, sua voz quase um sussurro que se perdia nas notas do trompete.
— Hum?
— Você está bem? De verdade.
Isaac abriu um dos olhos e olhou para o perfil de Alexander. A luz fraca do estúdio destacava a linha da mandíbula dele e o modo como os cílios longos descansavam sobre as bochechas. Alexander era leal até o fim, e Isaac sabia que, se dissesse que não estava bem, Alexander pararia o mundo para protegê-lo.
— Às vezes eu sinto que sou um efeito especial, sabe? — Isaac confessou, voltando a olhar para o teto. — Como se eu fosse uma projeção holográfica no palco. Todo mundo vê o brilho, mas ninguém vê o projetor superaquecendo nos bastidores.
Alexander abriu os olhos e virou a cabeça para encarar Isaac. Ele não disse "vai ficar tudo bem" ou qualquer clichê vazio. Ele apenas estendeu a mão e apertou o ombro de Isaac, um gesto firme e aterrador.
— Eu vejo o projetor — disse Alexander. — E se ele queimar, eu toco no escuro com você até a gente consertar.
Isaac sorriu, um sorriso verdadeiro que não era para as câmeras. Ele se inclinou e deu um empurrão leve em Alexander.
— Credo, que profundo. Você realmente precisa de um banho de sol, está ficando muito gótico.
— E você precisa parar de ouvir Bossa Nova e achar que a vida é uma praia em Ipanema — Alexander retrucou, a máscara de provocação voltando instantaneamente. — A realidade é Londres, chuva e uma linha de baixo que você ainda não acertou.
— Eu acertei sim! Você que entrou atravessado no ensaio de ontem.
— Eu nunca entro atravessado, Isaac. Eu crio novas dimensões rítmicas.
— Ah, claro. Novas dimensões rítmicas é o novo nome para "esqueci o tempo da música"?
Alexander riu, um som rico e genuíno que ecoou pela sala. Ele se levantou com uma agilidade felina e ofereceu a mão para ajudar Isaac. Quando Isaac a segurou, Alexander não o soltou imediatamente após ele estar de pé. Ele o puxou um pouco mais para perto, o suficiente para que Isaac pudesse sentir o cheiro de café e sândalo que sempre acompanhava o guitarrista.
— Se você desabar na turnê, eu te mato — Alexander disse, os olhos profundos brilhando com uma intensidade que Isaac raramente via. — Mas antes, eu te carrego.
Isaac engoliu em seco, a ironia morrendo em sua garganta. Ele apenas assentiu.
— Eu sei. E eu faria o mesmo por você, mesmo que seu cabelo ocupe metade do ônibus da turnê.
— Meu cabelo é patrimônio cultural, Moonthorn. Respeite.
Eles voltaram para o centro da sala, pegando seus instrumentos. Alexander plugou sua guitarra, o som do amplificador dando um estalo alto que cortou a melancolia do jazz. Ele testou algumas notas, os dedos voando pelas cordas com uma precisão que beirava o masoquismo — ele não parava até que as pontas dos dedos ardessem.
— Vamos lá, "brasileiro" — Alexander provocou, ajustando a alça da guitarra. — Vamos mostrar para eles por que o mundo nos ama.
Isaac deu uma piscadela carismática, assumindo sua postura de palco, aquela transformação instantânea que sempre deixava Alexander fascinado.
— Eles nos amam porque eu sou o charme da banda e você é o mistério que ninguém consegue resolver.
— O mistério é como você ainda não foi expulso por falar tanto — Alexander murmurou, mas havia um brilho de adoração em seus olhos que ele escondia atrás das mechas de cabelo.
A música começou. Não era a melodia suave do vinil, mas um som cru, potente e visceral. Alexander tocava como se estivesse contando todos os segredos que não conseguia dizer em voz alta, e Isaac respondia com um baixo que pulsava como um coração acelerado.
Lá fora, a chuva finalmente começou a cair, batendo contra as janelas de vidro. Alexander fechou os olhos e sorriu. Ele pensava melhor quando ouvia a água caindo, e naquele momento, ele pensava que, contanto que tivesse Isaac ao seu lado, o caos do mundo lá fora era apenas ruído de fundo.
Eles eram Alexander e Isaac. Rio e Lua. E enquanto a música durasse, nada mais importava.
— Rio! — Isaac gritou por cima do som da bateria que começava a entrar na gravação. — Essa parte é minha!
— Tente me alcançar, Moonthorn! — Alexander respondeu, explodindo em um solo que parecia caminhar por uma cidade à noite, logo após a tempestade.
Eles eram jovens, eram famosos e estavam quebrados de mil maneiras diferentes, mas ali, entre notas e palhetas, eles eram inteiros. Eles eram a música que o mundo precisava ouvir, mesmo que o mundo nunca soubesse o preço de cada acorde.
Alexander, ou Rio para os íntimos, era uma contradição ambulante. Vestia uma camisa de seda preta entreaberta, calças de couro desgastadas e um par de botas que já tinham visto palcos do mundo inteiro. O cabelo cacheado caía em cascatas escuras até a cintura, uma moldura andrógina para um rosto que parecia esculpido em mármore, mas que carregava a vivacidade de quem nunca dormia o suficiente.
— Rio, se você continuar encarando o nada desse jeito, vou começar a achar que você viu um fantasma. Ou que está compondo outra música sobre como a água da chuva é triste — uma voz sarcástica ecoou atrás dele.
Alexander não precisou se virar para saber quem era. O timbre era suave, mas carregado de uma energia que cortava o ar. Isaac Moonthorn entrou no campo de visão dele, carregando seu baixo como se fosse uma extensão de seu próprio corpo. Isaac tinha aquela aura magnética que transformava qualquer sala fria em um lugar vibrante. Ele era um centímetro mais alto que Alexander, o que era motivo de piadas constantes entre os dois, e exalava uma confiança que só era quebrada pela timidez que sentia ao conhecer estranhos. Ali, no entanto, entre amigos, ele era o caos refinado.
— A chuva não é triste, Isaac. Ela é honesta — Alexander respondeu, a voz aveludada e profunda, sem desviar os olhos da janela. — Ela limpa a sujeira que a gente insiste em esconder embaixo do tapete.
Isaac soltou uma risada curta e anasalada, sentando-se no amplificador de Alexander.
— Lá vem você com a poesia de bueiro. Por que não admite logo que só quer um pretexto para ficar descalço e tocar vinil de jazz até as quatro da manhã?
— Talvez — Alexander finalmente se virou, um sorriso de canto de lábio iluminando sua expressão normalmente indiferente. — Mas você estaria lá comigo, reclamando do chiado do disco enquanto tenta me ensinar alguma linha de baixo brasileira que eu nunca vou conseguir reproduzir na guitarra.
Isaac deu de ombros, mas seus olhos brilharam. Ele amava a MPB, o ritmo sincopado que trazia um calor que o rock europeu às vezes não alcançava.
— É porque você não tem o gingado, Valentino. Você é muito... metódico. Perfeccionista demais.
— Eu, metódico? — Alexander arqueou uma sobrancelha, aproximando-se de Isaac. O espaço entre eles diminuiu, e o ar pareceu carregar-se de uma eletricidade que não vinha dos cabos espalhados pelo chão. — Você é quem passa três horas ajustando o timbre de uma única nota porque acha que o público vai notar a diferença de frequência.
— Eles notam — Isaac rebateu, a voz baixando um tom. — Ou pelo menos, eu sinto quando não está perfeito. E se eu sinto, a música não é verdade.
Alexander observou Isaac de perto. Ele percebia a leve tensão nos ombros do baixista, o modo como ele apertava o braço do instrumento. Ele sempre notava. Era seu dom e sua maldição: ler Isaac Moonthorn como se ele fosse uma partitura aberta. Ele sabia que por trás daquela energia inesgotável e das piadas rápidas, Isaac estava exausto pela pressão da turnê mundial que se aproximava.
— Vem cá — Alexander disse, estendendo a mão.
— O quê? A gente tem que passar a ponte da terceira faixa em dez minutos.
— Esquece a ponte por dez minutos. Vem cá.
Alexander caminhou até o canto da sala onde um toca-discos antigo estava instalado. Ele tateou o bolso da jaqueta, tirou uma palheta e a colocou sobre a mesa, antes de escolher cuidadosamente um vinil de sua coleção pessoal que mantinha no estúdio. Era um disco de jazz clássico, a capa gasta pelo tempo.
— O que você está fazendo? — Isaac perguntou, embora já estivesse se aproximando, atraído pela gravidade silenciosa que Alexander exercia.
— Ouvindo o silêncio antes do barulho — Alexander murmurou. Ele colocou a agulha no disco. O chiado inicial preencheu a sala, seguido por um piano suave e um trompete melancólico.
Alexander sentou-se no chão de madeira, encostando as costas na parede fria. Ele tirou as botas, ficando apenas de meias, e fechou os olhos. Isaac hesitou por um segundo, olhando para a porta da cabine onde o produtor gesticulava, mas o cansaço falou mais alto. Ele se deixou escorregar ao lado de Alexander, os ombros se tocando.
— Você é esquisito, Rio — Isaac sussurrou, fechando os olhos também.
— E você adora isso.
Ficaram em silêncio por um longo tempo, apenas sentindo a música e a presença um do outro. Para os "Oceans", os fãs que lotavam estádios para vê-los, eles eram deuses do rock, ícones de uma geração. Mas ali, naquele pequeno quadrado de estúdio, eles eram apenas dois jovens de dezenove anos tentando não se afogar na própria fama.
— Isaac? — Alexander chamou, sua voz quase um sussurro que se perdia nas notas do trompete.
— Hum?
— Você está bem? De verdade.
Isaac abriu um dos olhos e olhou para o perfil de Alexander. A luz fraca do estúdio destacava a linha da mandíbula dele e o modo como os cílios longos descansavam sobre as bochechas. Alexander era leal até o fim, e Isaac sabia que, se dissesse que não estava bem, Alexander pararia o mundo para protegê-lo.
— Às vezes eu sinto que sou um efeito especial, sabe? — Isaac confessou, voltando a olhar para o teto. — Como se eu fosse uma projeção holográfica no palco. Todo mundo vê o brilho, mas ninguém vê o projetor superaquecendo nos bastidores.
Alexander abriu os olhos e virou a cabeça para encarar Isaac. Ele não disse "vai ficar tudo bem" ou qualquer clichê vazio. Ele apenas estendeu a mão e apertou o ombro de Isaac, um gesto firme e aterrador.
— Eu vejo o projetor — disse Alexander. — E se ele queimar, eu toco no escuro com você até a gente consertar.
Isaac sorriu, um sorriso verdadeiro que não era para as câmeras. Ele se inclinou e deu um empurrão leve em Alexander.
— Credo, que profundo. Você realmente precisa de um banho de sol, está ficando muito gótico.
— E você precisa parar de ouvir Bossa Nova e achar que a vida é uma praia em Ipanema — Alexander retrucou, a máscara de provocação voltando instantaneamente. — A realidade é Londres, chuva e uma linha de baixo que você ainda não acertou.
— Eu acertei sim! Você que entrou atravessado no ensaio de ontem.
— Eu nunca entro atravessado, Isaac. Eu crio novas dimensões rítmicas.
— Ah, claro. Novas dimensões rítmicas é o novo nome para "esqueci o tempo da música"?
Alexander riu, um som rico e genuíno que ecoou pela sala. Ele se levantou com uma agilidade felina e ofereceu a mão para ajudar Isaac. Quando Isaac a segurou, Alexander não o soltou imediatamente após ele estar de pé. Ele o puxou um pouco mais para perto, o suficiente para que Isaac pudesse sentir o cheiro de café e sândalo que sempre acompanhava o guitarrista.
— Se você desabar na turnê, eu te mato — Alexander disse, os olhos profundos brilhando com uma intensidade que Isaac raramente via. — Mas antes, eu te carrego.
Isaac engoliu em seco, a ironia morrendo em sua garganta. Ele apenas assentiu.
— Eu sei. E eu faria o mesmo por você, mesmo que seu cabelo ocupe metade do ônibus da turnê.
— Meu cabelo é patrimônio cultural, Moonthorn. Respeite.
Eles voltaram para o centro da sala, pegando seus instrumentos. Alexander plugou sua guitarra, o som do amplificador dando um estalo alto que cortou a melancolia do jazz. Ele testou algumas notas, os dedos voando pelas cordas com uma precisão que beirava o masoquismo — ele não parava até que as pontas dos dedos ardessem.
— Vamos lá, "brasileiro" — Alexander provocou, ajustando a alça da guitarra. — Vamos mostrar para eles por que o mundo nos ama.
Isaac deu uma piscadela carismática, assumindo sua postura de palco, aquela transformação instantânea que sempre deixava Alexander fascinado.
— Eles nos amam porque eu sou o charme da banda e você é o mistério que ninguém consegue resolver.
— O mistério é como você ainda não foi expulso por falar tanto — Alexander murmurou, mas havia um brilho de adoração em seus olhos que ele escondia atrás das mechas de cabelo.
A música começou. Não era a melodia suave do vinil, mas um som cru, potente e visceral. Alexander tocava como se estivesse contando todos os segredos que não conseguia dizer em voz alta, e Isaac respondia com um baixo que pulsava como um coração acelerado.
Lá fora, a chuva finalmente começou a cair, batendo contra as janelas de vidro. Alexander fechou os olhos e sorriu. Ele pensava melhor quando ouvia a água caindo, e naquele momento, ele pensava que, contanto que tivesse Isaac ao seu lado, o caos do mundo lá fora era apenas ruído de fundo.
Eles eram Alexander e Isaac. Rio e Lua. E enquanto a música durasse, nada mais importava.
— Rio! — Isaac gritou por cima do som da bateria que começava a entrar na gravação. — Essa parte é minha!
— Tente me alcançar, Moonthorn! — Alexander respondeu, explodindo em um solo que parecia caminhar por uma cidade à noite, logo após a tempestade.
Eles eram jovens, eram famosos e estavam quebrados de mil maneiras diferentes, mas ali, entre notas e palhetas, eles eram inteiros. Eles eram a música que o mundo precisava ouvir, mesmo que o mundo nunca soubesse o preço de cada acorde.
