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Entre socos e resenhas
Fandom: Muay Thai
Criado: 29/06/2026
Tags
RomanceDramaFatias de VidaCiúmesLinguagem ExplícitaEstudo de PersonagemRealismo
Entre Socos, Esquivas e Desejos
O som abafado das luvas batendo no aparador de chute ecoava pelo CT no fundo da casa do tio Júnior. O cheiro de linimento e suor impregnava o ar, um aroma que para Bárbara era sinônimo de lar. Ela ajustava o protetor bucal, sentindo o suor escorrer pela nuca, enquanto Keven segurava os aparadores para ela com uma facilidade que só anos de convivência permitiam.
— Mais forte, Babi! — gritou Keven, provocando-a com um sorriso de canto. — Se chutar assim, não derruba nem o Rhaver, e olha que ele é um graveto.
Bárbara soltou um riso curto e desferiu um chute circular potente que estalou no couro do aparador. Keven recuou um passo, sentindo o impacto, mas não perdeu a pose. Para quem olhava de fora, a sintonia entre os dois era inegável. Eles sabiam o tempo um do outro, a força exata, o olhar que dizia "estou cansada" ou "me bate mais forte". Não era segredo para ninguém no bairro que ela passava mais tempo na casa dele do que na própria, jogada no sofá, comendo o que houvesse na geladeira, agindo como se fosse da família.
— Ei, eu ouvi isso! — Rhaver gritou do outro lado do tatame, onde enfaixava as mãos. Ele lançou um olhar intenso para Bárbara, um olhar que carregava muito mais do que amizade, embora ela insistisse em tratá-lo apenas como o confidente de todas as horas.
Matheus Kelvin, que observava tudo de longe enquanto conversava com o pai, o tio Júnior, sentiu o estômago revirar. Matheus era o herdeiro daquele CT, o filho do mestre, e via Bárbara não apenas como a pupila de seu pai, mas como a mulher que assombrava seus sonhos mais profundos. Ele havia criado um perfil falso no Instagram só para poder curtir as fotos dela sem parecer um perseguidor, e vira e mexe "pegava emprestado" o celular de algum aluno para mandar mensagens anônimas, testando o terreno.
— Chega de aquecimento! — a voz de tio Júnior trovejou, interrompendo os pensamentos de todos. — Vamos para o específico. Duplas agora!
Foi o sinal para o caos silencioso. Rhaver e Matheus Kelvin se moveram quase ao mesmo tempo em direção a Bárbara.
— Babi, faz comigo hoje? — Rhaver pediu, já se aproximando com as luvas prontas.
— Nem pensar — Matheus interveio, sua voz carregada de uma autoridade que ele só usava quando o assunto era ela. — Meu pai quer que eu corrija a postura dela no clinch. Eu faço com ela.
— Você fez com ela ontem, Kelvin — retrucou Rhaver, estreitando os olhos. — Deixa a garota treinar com quem ela quer.
Bárbara olhou de um para o outro, sentindo a tensão elétrica no ar. Ela gostava de Rhaver, da atenção que ele lhe dava, das conversas até tarde no Instagram e das visitas que fazia à casa dele. Mas havia algo em Matheus, uma força bruta e um olhar possessivo, que fazia seu sangue ferver de um jeito diferente.
— Hoje eu vou com o Matheus — disse ela, finalmente, sentindo o olhar vitorioso de Kelvin e a decepção latente de Rhaver. — Keven, você treina com o Rhaver para ele parar de reclamar.
Keven apenas deu de ombros e piscou para ela, um gesto cúmplice que dizia "eu sei o que você está fazendo". Ele era o único que conhecia todos os segredos de Bárbara, inclusive a atração proibida que ela sentia pelo filho do mestre.
O treino de clinch começou. No Muay Thai, o clinch é a distância da intimidade forçada, onde os corpos se colam, os pescoços são travados e a respiração de um se torna a do outro. Matheus envolveu a nuca de Bárbara com as mãos pesadas, puxando-a para perto.
— Você está me evitando no Instagram — sussurrou ele, a voz rouca perto do ouvido dela, enquanto seus joelhos se chocavam levemente em um movimento técnico, mas carregado de intenção.
— Eu não sei de quem você está falando, Matheus — mentiu ela, sentindo o calor do corpo dele através da lycra fina. — Eu não respondo fakes.
— Você sabe que sou eu. Sabe que eu pego o celular dos moleques só para ver se você visualiza. Por que você dá corda para o Rhaver?
— O Rhaver é meu amigo. E o Keven é meu irmão. Você é... — ela hesitou quando ele apertou o abraço em seu pescoço, trazendo seu rosto a centímetros do dele.
— Eu sou o cara que vai te levar para o fundo desse CT quando meu pai sair — ele sentenciou, os olhos escuros fixos nos lábios dela.
A sessão de treino terminou sob olhares vigilantes. Rhaver não tirava os olhos dos dois, a raiva borbulhando. Ele sabia que Matheus tinha a vantagem de morar ali, de ser o filho do dono. Mas ele também tinha seus truques.
Mais tarde, após o treino, o clima na casa de Keven estava relaxado. Bárbara estava jogada no tapete da sala, com a cabeça no colo de Keven, enquanto ele jogava videogame. Rhaver estava sentado na poltrona, digitando furiosamente no celular, enviando mensagens para Bárbara que ela lia em tempo real, rindo baixinho.
— O que ele está dizendo agora? — perguntou Keven, sem tirar os olhos da tela.
— Que eu estava linda suada hoje — Bárbara respondeu, provocando.
— Ele é um gado — Keven riu. — Mas o Matheus Kelvin... aquele ali está perigoso. Vi o jeito que ele te segurou no clinch. Se o tio Júnior sonha...
— O mestre não sonha, Keven. Ele sabe — Bárbara suspirou, sentindo um frio na barriga.
De repente, a porta da frente se abriu. Matheus Kelvin entrou sem bater, algo que ele raramente fazia. Ele olhou para a cena: Bárbara relaxada no colo de Keven e Rhaver no canto, agindo como se fosse o dono do lugar.
— Meu pai mandou avisar que esqueceu de fechar o portão lateral. Bárbara, você deixou sua bandagem lá. Vai buscar.
Era uma ordem disfarçada de desculpa. Bárbara se levantou, sentindo o desafio no ar. Rhaver fez menção de se levantar também, mas Matheus o barrou com um olhar gélido.
— É rápido, Rhaver. Fica aí com seu celular.
Bárbara caminhou até o CT nos fundos. A noite estava quente, o céu carregado de nuvens pesadas que prometiam uma tempestade. Quando ela entrou no espaço escuro, iluminado apenas pela luz da lua que filtrava pelas janelas altas, sentiu uma presença atrás de si.
— O portão está fechado, Matheus — disse ela, sem se virar.
— Eu sei — ele respondeu, fechando a porta principal e girando a chave.
O som do metal batendo no metal fez o coração de Bárbara disparar. Ele se aproximou lentamente, a silhueta imponente preenchendo o espaço.
— O que você quer? — perguntou ela, embora soubesse a resposta.
— Quero terminar o que a gente começou no treino. Sem o Rhaver olhando, sem o Keven te protegendo.
Matheus a prensou contra o saco de pancadas pesado. O couro frio contrastava com o calor da pele dele. Ele não pediu permissão; suas mãos, calejadas pelos anos de luta, subiram pela cintura dela, prendendo-a com a mesma firmeza que usava no ringue.
— Você acha que eles te conhecem — sussurrou ele, a boca roçando o pescoço dela. — Mas nenhum deles sabe o quanto você gosta de ser dominada.
Bárbara soltou um gemido baixo quando ele mordeu o lóbulo de sua orelha. A tensão acumulada de meses de flertes escondidos, de mensagens anônimas e de olhares carregados explodiu. Ela agarrou os cabelos curtos dele, puxando-o para um beijo faminto, um beijo que tinha gosto de urgência e perigo.
— Eles acham que eu sou santa, Matheus — ela ofegou entre os beijos. — Eles não têm ideia.
— Eu tenho — ele disse, a voz vibrando contra o peito dela. — Eu vejo o jeito que você me olha quando eu estou batendo manopla. Eu vejo como você se arrepia quando eu encosto em você.
Matheus a levantou com facilidade, sentando-a em cima de um dos bancos de madeira onde os alunos costumavam descansar. Suas mãos subiram pelas coxas torneadas de Bárbara, afastando o short de treino. A intimidade ali, no meio do cheiro de suor e esforço, era crua e real. Não havia a delicadeza que Rhaver tentava impor, nem a proteção fraternal de Keven. Ali era apenas o instinto, a luta e o desejo.
Enquanto isso, na sala de Keven, o silêncio se tornou desconfortável. Rhaver se levantou, inquieto.
— Ela está demorando demais — comentou, olhando para a porta.
— Relaxa, Rhaver — disse Keven, embora ele mesmo estivesse começando a desconfiar. — Ela conhece o caminho.
— O Matheus também está lá fora. Eu não confio naquele cara. Ele acha que é o dono dela só porque o pai é o mestre.
Rhaver caminhou até a janela que dava para o quintal. Ao longe, ele viu que as luzes do CT permaneciam apagadas, mas a porta estava trancada por dentro. O ciúme queimou em seu peito como um golpe bem encaixado no fígado. Ele sabia que Bárbara tinha uma queda por Matheus, mas ele se recusava a perder para o rival.
No CT, o clima atingia o ápice. Matheus e Bárbara estavam entregues um ao outro, um emaranhado de membros e respirações curtas. Cada toque dele era uma marca de propriedade, cada resposta dela era um desafio aceito. O prazer era intenso, quase doloroso, uma luta onde ninguém queria vencer, apenas continuar no combate.
— Você é minha, Bárbara — ele rosnou, as mãos prendendo os pulsos dela acima da cabeça. — No tatame e fora dele.
— Prova — ela desafiou, arqueando o corpo sob o dele.
O som da chuva finalmente desabou sobre o telhado de zinco, abafando os sons que vinham de dentro do galpão. O temporal lavava o pátio, mas dentro do CT, o calor era insuportável.
Quando finalmente terminaram, exaustos e com os corações martelando contra as costelas, Matheus a abraçou por trás, ainda sentindo os tremores dela.
— O que a gente vai fazer com os outros? — ela perguntou, a voz fraca.
— Deixa que eles continuem achando o que quiserem — Matheus respondeu, beijando o ombro dela. — O Keven pode ser seu melhor amigo, e o Rhaver pode continuar te mandando mensagens que eu vou ler depois. Mas à noite, quando as luzes se apagam, é aqui que você vai estar.
Bárbara sorriu, sabendo que a confusão estava longe de acabar. Keven ainda seria seu porto seguro, Rhaver continuaria sendo sua sombra apaixonada, mas Matheus Kelvin... ele era o seu vício.
Ela se vestiu rapidamente, ajeitando o cabelo bagunçado. Matheus abriu a porta lateral, deixando o ar fresco da chuva entrar.
— Vai lá. O Keven já deve estar vindo te procurar.
Bárbara correu sob a chuva, sentindo-se viva de uma forma que nunca sentira antes. Ao entrar na casa de Keven, encharcada e ofegante, encontrou os dois amigos de pé na sala.
— Onde você estava? — Rhaver perguntou, a voz tremendo de raiva contida. — O Matheus voltou faz tempo e disse que você já tinha saído.
— Eu me perdi na chuva — mentiu ela, lançando um olhar cúmplice para Keven, que apenas arqueou uma sobrancelha, notando a marca vermelha escondida sob a gola da camisa dela.
Keven não disse nada. Ele sabia de tudo, como sempre. Mas ele também sabia que, naquele triângulo perigoso de socos e beijos, Bárbara era a única que realmente detinha o controle do ringue.
A noite terminou com Rhaver enviando mais uma mensagem de "boa noite, linda" e Matheus Kelvin postando uma foto anônima de um par de luvas com a legenda: "O treino de hoje foi inesquecível".
Bárbara, deitada em sua cama, sorriu para o teto. A luta estava apenas começando.
— Mais forte, Babi! — gritou Keven, provocando-a com um sorriso de canto. — Se chutar assim, não derruba nem o Rhaver, e olha que ele é um graveto.
Bárbara soltou um riso curto e desferiu um chute circular potente que estalou no couro do aparador. Keven recuou um passo, sentindo o impacto, mas não perdeu a pose. Para quem olhava de fora, a sintonia entre os dois era inegável. Eles sabiam o tempo um do outro, a força exata, o olhar que dizia "estou cansada" ou "me bate mais forte". Não era segredo para ninguém no bairro que ela passava mais tempo na casa dele do que na própria, jogada no sofá, comendo o que houvesse na geladeira, agindo como se fosse da família.
— Ei, eu ouvi isso! — Rhaver gritou do outro lado do tatame, onde enfaixava as mãos. Ele lançou um olhar intenso para Bárbara, um olhar que carregava muito mais do que amizade, embora ela insistisse em tratá-lo apenas como o confidente de todas as horas.
Matheus Kelvin, que observava tudo de longe enquanto conversava com o pai, o tio Júnior, sentiu o estômago revirar. Matheus era o herdeiro daquele CT, o filho do mestre, e via Bárbara não apenas como a pupila de seu pai, mas como a mulher que assombrava seus sonhos mais profundos. Ele havia criado um perfil falso no Instagram só para poder curtir as fotos dela sem parecer um perseguidor, e vira e mexe "pegava emprestado" o celular de algum aluno para mandar mensagens anônimas, testando o terreno.
— Chega de aquecimento! — a voz de tio Júnior trovejou, interrompendo os pensamentos de todos. — Vamos para o específico. Duplas agora!
Foi o sinal para o caos silencioso. Rhaver e Matheus Kelvin se moveram quase ao mesmo tempo em direção a Bárbara.
— Babi, faz comigo hoje? — Rhaver pediu, já se aproximando com as luvas prontas.
— Nem pensar — Matheus interveio, sua voz carregada de uma autoridade que ele só usava quando o assunto era ela. — Meu pai quer que eu corrija a postura dela no clinch. Eu faço com ela.
— Você fez com ela ontem, Kelvin — retrucou Rhaver, estreitando os olhos. — Deixa a garota treinar com quem ela quer.
Bárbara olhou de um para o outro, sentindo a tensão elétrica no ar. Ela gostava de Rhaver, da atenção que ele lhe dava, das conversas até tarde no Instagram e das visitas que fazia à casa dele. Mas havia algo em Matheus, uma força bruta e um olhar possessivo, que fazia seu sangue ferver de um jeito diferente.
— Hoje eu vou com o Matheus — disse ela, finalmente, sentindo o olhar vitorioso de Kelvin e a decepção latente de Rhaver. — Keven, você treina com o Rhaver para ele parar de reclamar.
Keven apenas deu de ombros e piscou para ela, um gesto cúmplice que dizia "eu sei o que você está fazendo". Ele era o único que conhecia todos os segredos de Bárbara, inclusive a atração proibida que ela sentia pelo filho do mestre.
O treino de clinch começou. No Muay Thai, o clinch é a distância da intimidade forçada, onde os corpos se colam, os pescoços são travados e a respiração de um se torna a do outro. Matheus envolveu a nuca de Bárbara com as mãos pesadas, puxando-a para perto.
— Você está me evitando no Instagram — sussurrou ele, a voz rouca perto do ouvido dela, enquanto seus joelhos se chocavam levemente em um movimento técnico, mas carregado de intenção.
— Eu não sei de quem você está falando, Matheus — mentiu ela, sentindo o calor do corpo dele através da lycra fina. — Eu não respondo fakes.
— Você sabe que sou eu. Sabe que eu pego o celular dos moleques só para ver se você visualiza. Por que você dá corda para o Rhaver?
— O Rhaver é meu amigo. E o Keven é meu irmão. Você é... — ela hesitou quando ele apertou o abraço em seu pescoço, trazendo seu rosto a centímetros do dele.
— Eu sou o cara que vai te levar para o fundo desse CT quando meu pai sair — ele sentenciou, os olhos escuros fixos nos lábios dela.
A sessão de treino terminou sob olhares vigilantes. Rhaver não tirava os olhos dos dois, a raiva borbulhando. Ele sabia que Matheus tinha a vantagem de morar ali, de ser o filho do dono. Mas ele também tinha seus truques.
Mais tarde, após o treino, o clima na casa de Keven estava relaxado. Bárbara estava jogada no tapete da sala, com a cabeça no colo de Keven, enquanto ele jogava videogame. Rhaver estava sentado na poltrona, digitando furiosamente no celular, enviando mensagens para Bárbara que ela lia em tempo real, rindo baixinho.
— O que ele está dizendo agora? — perguntou Keven, sem tirar os olhos da tela.
— Que eu estava linda suada hoje — Bárbara respondeu, provocando.
— Ele é um gado — Keven riu. — Mas o Matheus Kelvin... aquele ali está perigoso. Vi o jeito que ele te segurou no clinch. Se o tio Júnior sonha...
— O mestre não sonha, Keven. Ele sabe — Bárbara suspirou, sentindo um frio na barriga.
De repente, a porta da frente se abriu. Matheus Kelvin entrou sem bater, algo que ele raramente fazia. Ele olhou para a cena: Bárbara relaxada no colo de Keven e Rhaver no canto, agindo como se fosse o dono do lugar.
— Meu pai mandou avisar que esqueceu de fechar o portão lateral. Bárbara, você deixou sua bandagem lá. Vai buscar.
Era uma ordem disfarçada de desculpa. Bárbara se levantou, sentindo o desafio no ar. Rhaver fez menção de se levantar também, mas Matheus o barrou com um olhar gélido.
— É rápido, Rhaver. Fica aí com seu celular.
Bárbara caminhou até o CT nos fundos. A noite estava quente, o céu carregado de nuvens pesadas que prometiam uma tempestade. Quando ela entrou no espaço escuro, iluminado apenas pela luz da lua que filtrava pelas janelas altas, sentiu uma presença atrás de si.
— O portão está fechado, Matheus — disse ela, sem se virar.
— Eu sei — ele respondeu, fechando a porta principal e girando a chave.
O som do metal batendo no metal fez o coração de Bárbara disparar. Ele se aproximou lentamente, a silhueta imponente preenchendo o espaço.
— O que você quer? — perguntou ela, embora soubesse a resposta.
— Quero terminar o que a gente começou no treino. Sem o Rhaver olhando, sem o Keven te protegendo.
Matheus a prensou contra o saco de pancadas pesado. O couro frio contrastava com o calor da pele dele. Ele não pediu permissão; suas mãos, calejadas pelos anos de luta, subiram pela cintura dela, prendendo-a com a mesma firmeza que usava no ringue.
— Você acha que eles te conhecem — sussurrou ele, a boca roçando o pescoço dela. — Mas nenhum deles sabe o quanto você gosta de ser dominada.
Bárbara soltou um gemido baixo quando ele mordeu o lóbulo de sua orelha. A tensão acumulada de meses de flertes escondidos, de mensagens anônimas e de olhares carregados explodiu. Ela agarrou os cabelos curtos dele, puxando-o para um beijo faminto, um beijo que tinha gosto de urgência e perigo.
— Eles acham que eu sou santa, Matheus — ela ofegou entre os beijos. — Eles não têm ideia.
— Eu tenho — ele disse, a voz vibrando contra o peito dela. — Eu vejo o jeito que você me olha quando eu estou batendo manopla. Eu vejo como você se arrepia quando eu encosto em você.
Matheus a levantou com facilidade, sentando-a em cima de um dos bancos de madeira onde os alunos costumavam descansar. Suas mãos subiram pelas coxas torneadas de Bárbara, afastando o short de treino. A intimidade ali, no meio do cheiro de suor e esforço, era crua e real. Não havia a delicadeza que Rhaver tentava impor, nem a proteção fraternal de Keven. Ali era apenas o instinto, a luta e o desejo.
Enquanto isso, na sala de Keven, o silêncio se tornou desconfortável. Rhaver se levantou, inquieto.
— Ela está demorando demais — comentou, olhando para a porta.
— Relaxa, Rhaver — disse Keven, embora ele mesmo estivesse começando a desconfiar. — Ela conhece o caminho.
— O Matheus também está lá fora. Eu não confio naquele cara. Ele acha que é o dono dela só porque o pai é o mestre.
Rhaver caminhou até a janela que dava para o quintal. Ao longe, ele viu que as luzes do CT permaneciam apagadas, mas a porta estava trancada por dentro. O ciúme queimou em seu peito como um golpe bem encaixado no fígado. Ele sabia que Bárbara tinha uma queda por Matheus, mas ele se recusava a perder para o rival.
No CT, o clima atingia o ápice. Matheus e Bárbara estavam entregues um ao outro, um emaranhado de membros e respirações curtas. Cada toque dele era uma marca de propriedade, cada resposta dela era um desafio aceito. O prazer era intenso, quase doloroso, uma luta onde ninguém queria vencer, apenas continuar no combate.
— Você é minha, Bárbara — ele rosnou, as mãos prendendo os pulsos dela acima da cabeça. — No tatame e fora dele.
— Prova — ela desafiou, arqueando o corpo sob o dele.
O som da chuva finalmente desabou sobre o telhado de zinco, abafando os sons que vinham de dentro do galpão. O temporal lavava o pátio, mas dentro do CT, o calor era insuportável.
Quando finalmente terminaram, exaustos e com os corações martelando contra as costelas, Matheus a abraçou por trás, ainda sentindo os tremores dela.
— O que a gente vai fazer com os outros? — ela perguntou, a voz fraca.
— Deixa que eles continuem achando o que quiserem — Matheus respondeu, beijando o ombro dela. — O Keven pode ser seu melhor amigo, e o Rhaver pode continuar te mandando mensagens que eu vou ler depois. Mas à noite, quando as luzes se apagam, é aqui que você vai estar.
Bárbara sorriu, sabendo que a confusão estava longe de acabar. Keven ainda seria seu porto seguro, Rhaver continuaria sendo sua sombra apaixonada, mas Matheus Kelvin... ele era o seu vício.
Ela se vestiu rapidamente, ajeitando o cabelo bagunçado. Matheus abriu a porta lateral, deixando o ar fresco da chuva entrar.
— Vai lá. O Keven já deve estar vindo te procurar.
Bárbara correu sob a chuva, sentindo-se viva de uma forma que nunca sentira antes. Ao entrar na casa de Keven, encharcada e ofegante, encontrou os dois amigos de pé na sala.
— Onde você estava? — Rhaver perguntou, a voz tremendo de raiva contida. — O Matheus voltou faz tempo e disse que você já tinha saído.
— Eu me perdi na chuva — mentiu ela, lançando um olhar cúmplice para Keven, que apenas arqueou uma sobrancelha, notando a marca vermelha escondida sob a gola da camisa dela.
Keven não disse nada. Ele sabia de tudo, como sempre. Mas ele também sabia que, naquele triângulo perigoso de socos e beijos, Bárbara era a única que realmente detinha o controle do ringue.
A noite terminou com Rhaver enviando mais uma mensagem de "boa noite, linda" e Matheus Kelvin postando uma foto anônima de um par de luvas com a legenda: "O treino de hoje foi inesquecível".
Bárbara, deitada em sua cama, sorriu para o teto. A luta estava apenas começando.
